Entrevista Exclusiva: China Lee (Salário Mínimo)

15 de junho, 2017 | por Thiago Reis
Entrevistas
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Por Thiago Reis

China Lee é um grande personagem do Heavy Metal nacional desde a década de 1980. Junto com a sua banda Salário Mínimo fizeram e fazem história, principalmente com os clássicos álbuns SP Metal e Beijo Fatal. E como um personagem, China é um músico de grandes histórias dentro e fora da música. Em breve a banda fará um grande show no festival Roça ‘n’ Roll e este também é um dos temas dessa entrevista, além de curiosidades de sua carreira, preferências musicais e a história de sua carreira dentro e fora do Salário Mínimo são abordadas. Com vocês, China Lee.
PS: Agradeço de antemão todo o apoio de Emerson Mello (Dancing Flame) para a concretização dessa entrevista.


1) O primeiro registro fonográfico do Salário Mínimo foi a coletânea SP Metal, lançada em 1984 pela Baratos e Afins, ao lado das bandas Centúrias, Vírus e Avenger. Quais são as principais diferenças entre o cenário da época e o atual?
R: A cena é totalmente diferente, não tem comparação. Nos anos 1980 não tínhamos uma briga com o cover, não tínhamos problemas com essa concorrência. O público comparecia em massa, tanto que tocávamos para 500-600 pessoas em plena terça feira, a agenda era lotada. Todas as bandas do meio compareciam aos shows, eram bandas amigas. Por exemplo, quando tocávamos em São Paulo, 30 bandas amigas apareciam, só aí já eram 120 pessoas, com mais 120 namoradas, tínhamos então 240 pessoas aproximadamente só com as bandas que prestigiavam o som. Hoje a cena está por um fio, as pessoas não participam. Eu até que não posso reclamar tanto disso, mas dada essa comparação as pessoas realmente não participam e quando saem para assistir algo, vão em shows de bandas covers e bandas internacionais. Essa é a grande diferença. Nos anos 1980 o grande diferencial foi a quantidade de bandas, a amizade entre essas bandas e o público que era muito forte.

2) No primeiro álbum do Salário Mínimo, vocês regravaram a música “Rosa de Hiroshima” do Secos e Molhados. Qual o resultado que vocês esperavam alcançar com esse cover?
R: Na verdade nós estávamos gravando pela Baratos e Afins e aí a RCA veio e contratou o Salário. Eles pediram duas músicas para eles poderem trabalhar. Nós tiramos duas músicas mais pesadas e colocamos “Noite de Rock” e “Rosa de Hiroshima”, que foi uma música que sempre quis gravar. Simplesmente acertei em cheio, pois foi a música que abriu o espaço para a banda no Brasil inteiro, rádios  e tvs tocando, foi uma música muito importante na nossa vida.

3) O último lançamento do Salário Mínimo foi o álbum Simplesmente Rock de 2010. Qual o motivo para termos um intervalo de tempo tão grande para outro álbum da banda?
R: A vontade de lançar um disco é de um por ano, além da vida corrida que todos nós temos, uma coisa que desanima muito a banda, mas anima ao mesmo tempo, é o fato de termos lançados alguns clássicos, tanto no SP Metal quanto o Beijo Fatal, então é muito difícil a gente colocar uma música do Simplesmente Rock, que nós colocamos uma ou duas no máximo, sendo a “Anjo” uma das músicas que pegou muito e a “Sofrer” tem agradado muito os fãs também, mas basicamente nós somos obrigados a tocar o SP Metal e o Beijo Fatal e fica faltando muito pouco espaço, então isso talvez desanime a gente de lançar um novo álbum.

4) No álbum Simplesmente Rock temos a faixa “Anjo” que foi inspirada em uma pessoa especial de sua vida, em um momento muito difícil para você. Você acha que a música tem a capacidade da cura e a nos ajudar a lidar com os problemas?
R: Sim, foi um momento muito difícil da minha vida, essa música veio muito forte na minha mente, junto com o Mica diretor do Brasil Heavy Metal, nós compomos essa música juntos e na verdade ela é uma homenagem, mas o mais engraçado é que essa música não tem saído mais do repertório do Salário. Está virando a música das pessoas, pois elas se emocionam e choram. Pessoas que perderam um pai ou uma mãe virou uma música símbolo disso. Eu acredito nessa mensagem, as pessoas captaram essa parte da mensagem. Dificilmente eu não choro quando canto ela. É realmente muito forte.

5) Recentemente vocês tiveram um reconhecimento importante na Finlândia. Conte-nos mais sobre isso.
R: O reconhecimento na Finlândia foi o mais recente, que agora as pessoas ficaram sabendo, pois o SP Metal foi relançado lá, inclusive em uma edição muito linda, com qualidade de capa, o LP é colorido, maravilhoso. Recentemente a banda finlandesa que canta em português Força Macabra lançou em seu último disco a música “Cabeça Metal” e tantas outras coisas. A Finlândia gosta demais do Heavy Metal do Brasil, a Noruega também e inclusive temos todos os nossos discos lançados na Europa pela Soldiers Metal, que é uma gravadora portuguesa e distribui para toda a Europa. Temos um público muito forte também nos EUA e no Japão. Essas coisas são muito loucas na nossa vida e ficamos muito felizes porque além de tudo nós cantamos em português.

6) Conte-nos sobre a importância do Salário Mínimo manter a sua proposta de continuar cantando em português.
R: Eu não vejo como importância, eu vejo como algo que escolhemos, a banda nunca teve pretensões de sair do Brasil e de fazer sucesso lá fora. Nós ficamos felizes de correr o Brasil inteiro e espalhar a nossa mensagem, então é opção. Nós não tínhamos pretensão de sair do país e gostaríamos de tocar em cada pedacinho desse país que é enorme. Então essa é a nossa missão, cantar em nossa língua, que o público cante com a gente e que entenda as nossas letras.

7) Além do Salário Mínimo, você esteve envolvido com o projeto Extravaganza. Como foi este projeto? Existe a intenção em retomá-lo em um futuro próximo?
R: Extravaganza foi um momento muito legal em minha vida. Eu estava no Salário Mínimo e recebi um convite do Mica, ex-Santuário. Ele tinha uma banda, isso em 1989/1990 e estava indo muito bem em Santos, chamada Naja e me convidou e acabei descendo para Santos. Eu ficava entre o Naja e o Salário Mínimo, o Naja estava muito bem em todo o litoral. Até que me deu um estalo e falei para irmos para a capital, mudar o nome da banda e realizarmos um trabalho totalmente diferenciado. E viemos para São Paulo, fomos contratados por um grande empresário, que colocou muito dinheiro, muita televisão, foi muito forte mesmo. Um trabalho que gosto muito até hoje. Sim, existem planos para lançarmos todo o material do Extravaganza e realizarmos alguns shows. Muita gente cobrando e pedindo. Vou tentar me cuidar um pouco mais para fazer tudo isso.

8) Recentemente o Salário Mínimo participou da Virada Cultural em São Paulo. Conte-nos sobre a experiência de participar de um evento como esse.
R: Participar de eventos grandes é sempre muito legal, além da estrutura e do público que você consegue atingir. Essa foi a nossa terceira Virada Cultural, sendo a primeira em 2010 e tinham 8 mil pessoas vindas de todos os cantos e o Salário tem feito grandes shows. Nós abrimos para o Scorpions, Twisted Sister, The Rods, U.D.O. O Salário tem feito grandes shows nessa longa estrada!

9) O Salário Mínimo está no cast de um dos principais eventos de metal do país, o Roça’n’Roll. Quais são as suas expectativas para esse show?
R: É a segunda apresentação do Salário no Roça ‘n’ Roll, a primeira foi em 2007 se não me engano. A expectativa é enorme. Vou contar aqui para você, nós faremos esse show com três guitarras. Roger Vilaplana, ex-Nostradamus e ex-Centúrias vai subir com a gente no palco e o show vai ficar porrada. Se for como a última vez, 6 mil pessoas cantando todas as músicas já está de bom tamanho. Um festival maravilhoso feito por pessoas que tem coragem de fazer um evento desse porte.

10) Existem planos para a gravação de um DVD do Salário Mínimo? Muitos fãs pedem um material novo neste formato.
R: Existem vários planos, temos vontade de fazer muitas coisas esse ano, mas o ano está voando, a crise está péssima, está todo mundo tentando sobreviver como pode. O Salário Mínimo está fazendo 35 anos de carreira, 30 anos de “Beijo Fatal” e nós já temos um DVD pronto e infelizmente não tem músicas novas nele, pois as pessoas querem ouvir o “Beijo Fatal”. Então é praticamente o “Beijo Fatal” e o SP Metal no repertório. Ele já está gravado é só a gente ter tempo para dar uma melhorada nele e lançar o material. Há também um estudo para a gente lançar o CD novo esse ano. Temos muitas ideias, mas a princípio para esse ano as prioridades são o lançamento do DVD e do CD novo.

11) Falando agora sobre o seu background como músico, quais são os seus vocalistas favoritos e os cinco discos que marcaram a sua vida?
R: Falar de cinco vocalistas é muito pouco, eu sou um cara que têm aquelas fases de uma hora estou ouvindo um e depois estou ouvindo muito outro, são muitos vocalistas que gosto, mas hoje estou assim: Elvis Presley, Bruce Dickinson, Rob Halford, Steve Perry e David Coverdale. Os discos também digo a mesma coisa, cinco é muito pouco, mas alguns que mexeram muito comigo foram: Revolver (Beatles), Sabotage (Black Sabbath), Piece of Mind (Iron Maiden), Shout at the Devil (Mötley Crüe) e Blackout (Scorpions).

12) Existe algum sonho que você não realizou como músico? Quais serão os próximos passos de China Lee na música?
R: Em 35 anos de carreira eu tive momentos maravilhosos e tenho até hoje, senão não estaria na estrada. Por exemplo, na Virada Cultura eu demorei duas horas para tentar chegar ao camarim atendendo as pessoas. Um sonho é ter um reconhecimento maior em nosso país, dar uma emplacada, fazer uma turnê nacional forte, para mostrar a nossa música. Tentar fazer o show com a dobrada Salário/Extravaganza, esse seria um sonho e um presente para os fãs.

13) Atualmente temos visto as plataformas digitais tomarem conta das formas como se comercializa música. UM exemplo disso é o spotify. Por outro lado, o LP está ressurgindo das cinzas e aumentando as vendas de maneira assustadora. Como as bandas devem proceder diante dessas duas realidades diferentes?
R: Olha, nós tentamos nos atualizar. Outros caras da banda que são mais jovens mexem muito bem com isso. Nós estamos no spotify e nós estamos muito antenados em tudo que está acontecendo. Estamos pensando em lançar o Beijo Fatal em LP, muita gente está pedindo. O SP Metal já foi relançado em vinil, tem na Baratos e Afins. Eu queria lançar também o Extravaganza em vinil. Eu acho que o músico tem que atacar em todas as frentes. Se existe mercado para todos os gostos e todas as pessoas, você deve atacar em todos os segmentos. Estão falando que o K7 está para voltar, então tem que ter também. Então temos que atacar em todos os níveis possíveis para atingir o seu público de alguma forma.

14) Muito obrigado, China. Por favor mande uma mensagem aos leitores do Consultoria do Rock.
R: Muito obrigado a você Thiago, pelas belas perguntas, saiu daquela rotina maçante de sempre, parece que é combinado as mesmas perguntas. Aos leitores do Consultoria do Rock não desistam nunca de seus sonhos, mantenham sempre acesa a chama do Rock em suas vidas.



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