Direto do Forno: Krokus – Big Rocks [2017]

13 de junho, 2017 | por Ronaldo Rodrigues
Direto do Forno
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O Krokus ao vivo nos anos 80

O Krokus é uma das bandas de rock mais longevas e consistentes da Suíça. Formada em 1974, apresentava um som eclético e sem direcionamento claro até cerca de 1979, atirando quer seja para o hard rock ou para o rock progressivo e congêneres com instrumental mais sofisticado. Com o ingresso do vocalista Marc Storace, a banda manejou seu leme para um rock pesado e orientado por riffs de guitarra. Na década de 1980 o grupo lançou 6 discos com essa fórmula, alcançado notoriedade na Europa e no Japão. Em sua trajetória ao longo dos anos, constaram mais 7 discos até chegarmos à Big Rocks. O disco foi disponibilizado gentilmente pelo selo alemão Century Media, responsável pelo lançamento, para a Consultoria do Rock. A formação atual do grupo conta com o veterano Marc Storace, o baixista Chris von Rohr, os guitarristas Fernando von Arb e Mandy Meyer e o baterista Flavio Mezzodi. Chris von Rohr e Fernando von Arb estão na banda (não de forma contínua) desde a década de 70.

O line-up atual do Krokus

Big Rocks traz o Krokus de volta à ativa, 4 anos após o (bom) álbum de estúdio Dirty Dynamite e um lançamento ao vivo de 2014, no qual à banda entrega ao ouvinte um som absolutamente direto, distorcido e sem firulas. No álbum atual, o Krokus volta-se a reler bandas e canções consideradas importantes para sua própria trajetória e de seus membros. Basicamente, tudo relacionado ao rock pesado/hard rock pré-década de 1980. A ausência de preliminares (bem como de baladas e outras “besteiras”) é destacada de forma satírica na capa do disco. Neste tipo de gravação, em que as bandas buscam prestar um tributo a seus ídolos, as referências acabam remetendo ao período da infância/adolescência dos músicos. O Krokus também o faz, mas coloca isso par e passo com referências de grupos e músicas contemporâneas a sua estreia (ocorrida em 1976).

Há reinterpretações de clássicos da invasão britânica dos anos 1960, como “My Generation” (The Who), “Gimme Some Lovin'” (Spencer Davis Group), “Mighty Queen” (Manfred Mann) e “House of the Rising Sun” (Animals), do alvorecer do rock pesado, como “Whole Lotta Love” (Led Zeppelin), “Born to be Wild” (Steppenwolf), e um pequeno trecho de “NIB” (Black Sabbath) e das tais músicas mais próximas da estreia da banda como “Tie your Mother Down” (Queen) e “Rockin’ in the Free World” (Neil Young). Se de um lado a diversão é garantida, pela seleção de clássicos, por outro é questionável o porquê uma banda conceituada e com longa trajetória traria mais uma releitura destas clássicas canções e como o fazer de forma relevante. Talvez a curtição dos envolvidos ao relembrá-las seja um motivo justo, contudo não o suficiente para convencer ouvintes ao redor do mundo sobre o impacto da empreitada. Este tipo de tributo também coloca na mesa uma questão crucial – reverenciar os clássicos com fidelidade ou ousar dar uma nova roupagem à canções tão reconhecidas pelo público em sua forma original?

A banda opta bem mais pelo primeiro (e mais seguro) caminho. O resultado musical é bom e divertido, com a garantia de 40 e poucos minutos de rock honesto, bem executado e cantado (menção especial ao vocal de Marc Storace, com notável performance e interpretação). Contudo, em meio a uma horda de lançamentos musicais, como dar a devida atenção a um repertório executado por décadas a fio e por bandas do mundo todo, sem que ele traga algo de novo ou busque superar suas versões originais? neste ponto, reside o que desabona Big Rocks – sua declarada capacidade de não oferecer surpresas ao ouvinte. Obviamente, este repertório agitará o pub da sua cidade. Mas não o fará comprar o álbum.

Os melhores momentos de Big Rocks são a fidelidade de execução de “Whole Lotta Love” e a pegada catártica de “Tie Your Mother Down”. Nas canções dos anos 60, o excesso de distorção, a bateria e o baixo excessivamente lineares fazem as canções soarem deslocadas e pouco convincentes. Em “House of the Rising Sun”, os teclados foram trocados por guitarras e a música como um todo gravada alguns tons abaixo do registro original de Eric Burdon, dando uma cara mais blues para a música. Há solos de guitarra muito bons e bem dosados ao longo de todo o disco, ressalta-se.

Em síntese – Big Rocks é diversão absolutamente despretensiosa e pretexto para que se encham muitos copos de cerveja nos pubs europeus.

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