O Krokus ao vivo nos anos 80

O Krokus é uma das bandas de rock mais longevas e consistentes da Suíça. Formada em 1974, apresentava um som eclético e sem direcionamento claro até cerca de 1979, atirando quer seja para o hard rock ou para o rock progressivo e congêneres com instrumental mais sofisticado. Com o ingresso do vocalista Marc Storace, a banda manejou seu leme para um rock pesado e orientado por riffs de guitarra. Na década de 1980 o grupo lançou 6 discos com essa fórmula, alcançado notoriedade na Europa e no Japão. Em sua trajetória ao longo dos anos, constaram mais 7 discos até chegarmos à Big Rocks. O disco foi disponibilizado gentilmente pelo selo alemão Century Media, responsável pelo lançamento, para a Consultoria do Rock. A formação atual do grupo conta com o veterano Marc Storace, o baixista Chris von Rohr, os guitarristas Fernando von Arb e Mandy Meyer e o baterista Flavio Mezzodi. Chris von Rohr e Fernando von Arb estão na banda (não de forma contínua) desde a década de 70.

O line-up atual do Krokus

Big Rocks traz o Krokus de volta à ativa, 4 anos após o (bom) álbum de estúdio Dirty Dynamite e um lançamento ao vivo de 2014, no qual à banda entrega ao ouvinte um som absolutamente direto, distorcido e sem firulas. No álbum atual, o Krokus volta-se a reler bandas e canções consideradas importantes para sua própria trajetória e de seus membros. Basicamente, tudo relacionado ao rock pesado/hard rock pré-década de 1980. A ausência de preliminares (bem como de baladas e outras “besteiras”) é destacada de forma satírica na capa do disco. Neste tipo de gravação, em que as bandas buscam prestar um tributo a seus ídolos, as referências acabam remetendo ao período da infância/adolescência dos músicos. O Krokus também o faz, mas coloca isso par e passo com referências de grupos e músicas contemporâneas a sua estreia (ocorrida em 1976).

Há reinterpretações de clássicos da invasão britânica dos anos 1960, como “My Generation” (The Who), “Gimme Some Lovin'” (Spencer Davis Group), “Mighty Queen” (Manfred Mann) e “House of the Rising Sun” (Animals), do alvorecer do rock pesado, como “Whole Lotta Love” (Led Zeppelin), “Born to be Wild” (Steppenwolf), e um pequeno trecho de “NIB” (Black Sabbath) e das tais músicas mais próximas da estreia da banda como “Tie your Mother Down” (Queen) e “Rockin’ in the Free World” (Neil Young). Se de um lado a diversão é garantida, pela seleção de clássicos, por outro é questionável o porquê uma banda conceituada e com longa trajetória traria mais uma releitura destas clássicas canções e como o fazer de forma relevante. Talvez a curtição dos envolvidos ao relembrá-las seja um motivo justo, contudo não o suficiente para convencer ouvintes ao redor do mundo sobre o impacto da empreitada. Este tipo de tributo também coloca na mesa uma questão crucial – reverenciar os clássicos com fidelidade ou ousar dar uma nova roupagem à canções tão reconhecidas pelo público em sua forma original?

A banda opta bem mais pelo primeiro (e mais seguro) caminho. O resultado musical é bom e divertido, com a garantia de 40 e poucos minutos de rock honesto, bem executado e cantado (menção especial ao vocal de Marc Storace, com notável performance e interpretação). Contudo, em meio a uma horda de lançamentos musicais, como dar a devida atenção a um repertório executado por décadas a fio e por bandas do mundo todo, sem que ele traga algo de novo ou busque superar suas versões originais? neste ponto, reside o que desabona Big Rocks – sua declarada capacidade de não oferecer surpresas ao ouvinte. Obviamente, este repertório agitará o pub da sua cidade. Mas não o fará comprar o álbum.

Os melhores momentos de Big Rocks são a fidelidade de execução de “Whole Lotta Love” e a pegada catártica de “Tie Your Mother Down”. Nas canções dos anos 60, o excesso de distorção, a bateria e o baixo excessivamente lineares fazem as canções soarem deslocadas e pouco convincentes. Em “House of the Rising Sun”, os teclados foram trocados por guitarras e a música como um todo gravada alguns tons abaixo do registro original de Eric Burdon, dando uma cara mais blues para a música. Há solos de guitarra muito bons e bem dosados ao longo de todo o disco, ressalta-se.

Em síntese – Big Rocks é diversão absolutamente despretensiosa e pretexto para que se encham muitos copos de cerveja nos pubs europeus.

Salvar

Salvar

2 comentários

  1. Anônimo

    Marc Storace poderia muito bem ter substituído Brian Johnson no AC/DC. E a voz dele é muito semelhante ao do saudoso Bon Scott. Mas do jeito que o AC/DC anda aos trancos e barrancos e a banda toda fragmentada tanto faz quem está nos vocais. Na minha opinião Axila Rosa é bom e não é. Poderia ser melhor, e acho que o Storace tinha muito mais a ver. Mas fazer o que….

    Responder
  2. Anônimo

    Comentem sobre os discos antigos dessa grande banda suíça. O Metal Remdez Vous é um álbum excelente. Tokyo Nights e Streamer desse disco citado possuem solos de guitarra perfeitos. Discaço!!!!

    Responder

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.