Por Mairon Machado

Apesar da chuva forte que caiu durante todo um fim de semana em Porto Alegre, e da fraquíssima divulgação que teve, o show de Paul Di’Anno na capital gaúcha foi um dos momentos mais inesquecíveis na minha vida diante de palcos.

Lembro de tudo com precisão de detalhes que talvez não venham ao caso, mas alguns detalhes preciso narrar por aqui. Paul e banda chegaram à cidade por volta de 18h (duas horas antes do horário marcado para o show), no mesmo horário que a chuva parou. Eles vieram de van, direto de Curitiba.

Quando cheguei no local de show, o bar Manara, vários fãs já estavam aglomerados, a maioria na faixa dos 30 e poucos. Claro… O comentário maior entre a gurizada era sobre o show do Iron que iria ocorrer em março de 2008, e que eu já tratei dele aqui no blog

Passado das 20h, a fila já dobrava o quarteirão e nada das portas do bar se abrirem. Somente às 21h pudemos entrar no local. Tradicional ponto de encontro de bandas de pagode, o local caiu como uma luva para o show de Di’Anno. Palco pequeno, lugar apertado e uma acústica realmente de “boteco” fizeram com que, segundo o próprio Paul, relembrassem os primeiros anos de sua carreira ao lado de Harris e cia.

Di’Anno no Manara


Às 21:30, a banda local Ghaya subiu ao palco para animar o público. Muito inspirados em Viper, Angra e Shaman, o grupo mostrou um bom repertório. O destaque ficou por conta do cover de “Painkiller”, entoado em uníssono por todos no bar.

Após quatro músicas, a Ghaya deixa o palco, e segui-se uma longa espera até o grande show da noite. A expectativa era grande, principalmente em relação ao repertório. “Será que rola um Charlotte The Harlot?“, “Tem que rolar ‘Prowler’“, “Se rolar qualquer uma do Killers pra mim está bom” foram alguns dos comentários que lembro de ter ouvido na fila. 

O forte calor e a ansiedade eram amenizados com dois grandes ventiladores e muito R’N’R advindo das caixas de som espalhadas pelo local. Led Zeppelin, AC/DC, Motorhead, Rainbow, Kiss, Ozzy Osbourne, Deep Purple, entre outros clássicos podiam ser ouvidos.

“Remember Tomorrow”


Às 23:15 (três horas e quinze minutos de atraso) a banda de apoio subiu ao palco. Logo de cara detonam “Idles Of March”. Paul subiu mancando muito com um problema no joelho esquerdo, mas em ótima forma vocal, já entoando as primeiras estrofes de “Wratchild”. Na sequência veio “Prowler”, uma das mais vibradas da noite. Após se apresentar ao público e cumprimentar a todos, duas surpresas: “Marshal Lokjaw” e “Murders In The Rue Morgue”. O público estava enlouquecido. Essas pérolas do Killers não estavam na esperança de ninguém no bar.

Seguiram “The Beast Arises” (em homenagem a “My ex-wife, una putarana!!!“) e “Children Of Madness”, as quais acalmaram um pouco o ânimo do público. A paulada voltou com “Remember Tomorrow”, causando emoção em muita gente! Paul mostrou estar em excelente forma vocal, porém fisicamente não conseguiu agitar tanto quanto nos velhos tempos. Mas isso é o de menos. Ver os berros acompanhados pela guitarra é algo indescritível. Fantástico é pouco! “Faith Healer” e “A Song For You” abriram espaço para os clássicos “Killers” (em homenagem “Ao maior assassino de todos os tempos, George Bush“), “Phantom Of The Opera” e “Running Free”, todas cantadas do início ao fim pelas cerca de 600 pessoas que lotaram o bar.

Ingresso do show


Após um intervalo de quinze minutos, a competentíssima banda de apoio voltou aos gritos de “Di’Anno, Di’Anno” entoando “Transylvania”. Destaque para o excelente Marlon Morlan nas guitarras. Incrível ver como uma instrumental torna-se uma música com vocal. Todos os solos foram cantados juntos pela galera. Arrepiante!!!!!

Paul subiu ao palco mais uma vez, e surpreendeu novamente, agora com “Blietzkrieg Bop” dos Ramones. “Sanctuary” encerrou a noite de forma totalmente satisfatória.

Após o show, Paul recebeu a imprensa especializada e alguns fãs. Obviamente fui conversar com ele. De muito bom humor, mas sentindo muito a lesão no joelho, o cantor me recebeu acompanhado de pizzas, frutas e muita água (ok.. era vodka, mas em garrafa de água).

Eu (ainda com cabelos) e Paul. O tempo passa …

Com muitas risadas e uma incrível simpatia, Paul disse que está satisfeito com o atual momento de sua carreira. Apesar de fazer o show praticamente com músicas do Iron, sabe da importância que tem na história do heavy metal e se sente muito feliz em ver jovens e adultos cantando suas músicas.

Perguntei a ele o que achou do show, do público e da cidade. Ele disse que adorou, espera voltar mais vezes e pediu muitas desculpas por não conseguir agitar mais. Estava muito cansado da viagem de dezoito horas de Londrina para Porto Alegre. 

Eu e a banda de apoio de Di’Anno

Desculpar o que Paul? O show foi inesquecível! 

Deixo as palavras do guitarrista Marlon quando perguntei a ele sobre a sensação de estar tocando ao lado de um dos ícones da música. “Cara, é incrível quando algo que você sonha torna-se real. Achava que o máximo que veria Paul era em um DVD. E agora estou aqui, tocando com ele. Não tenho nada mais a dizer. Inesquecível!

 
Set list

1. Idles of March
2. Wratchild
3. Prowler
4. Marshal Lokjaw
5. Murders in the Rue Morgue
6. The Beast Arises
7. Children of Madness
8. Remember Tomorrow
9. Impaler
10. Faith Healer
11. A Song for You
12. Killers

Bis

13. Phantom of the Opera
14. Running Free

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