Por Leonardo Castro 


Shadows Of The Past [1991]

Lançado no auge da primeira onda do death metal, o primeiro disco do Sentenced deixa clara toda a inflûencia que bandas como o Death, o Bolt Thrower e o Paradise Lost exerciam sobre o grupo. Lembremos que estamos falando de 1991, e de discos como Spiritual Healing, Warmaster e Gothic, e não dos mais recentes destas bandas.

A faixa de aberura, “When The Moment Of Death Arrives”, é rápida, pesada e tem a aura old school que estes mesmos discos possuem. Outros destaques são “Rot To Dead” and “Rotting Way Of Misery”, onde o guitarrista Miika Tenkula já começava a demonstrar que era um músico diferenciado, como os lançamentos futuros do grupo provariam. Vale ainda ressaltar que este é o único álbum da banda onde os vocais ficaram a cargo do guitarrista, sendo gravados pelo baixista Taneli Jarva nos discos seguintes.


North From Here [1993]
 

Com seu segundo lançamento, North From Here, o Sentenced acelerou ainda mais o andamento das canções e refinou bastante o trabalho das guitarras, deixando de lado o death metal tradicional do disco de estréia e investindo no que seria chamado de death metal melódico, numa linha bem próxima ao que o Dark Tranquillity adotaria dois anos depois em The Gallery

Os riffs são técnicos e ríspidos, demontrando até uma certa influência do black metal de bandas como Immortal, e o vocal do baixista Taneli Jarva se encaixou perfeitamente na nova proposta. Os principais destaques do disco são a fantástica “Awaiting The Winter Frost”, “Capture Of Fire” e “My Sky Is Darker Than Thine”, todas donas de riffs inspiradíssimos. Os solos de guitarra também são excelentes, e mostram a evolução técnica que a dupla Miika Tenkula e Sami Lopaka teve em apenas dois anos. Em resumo, North From Here mistura o peso, técnica e velocidade com melodias marcantes, obtendo resultados excelentes.


Amok [1995]
 

O terceiro álbum do Sentenced surpreendeu todos os seus fãs. Em uma mudança radical de estilo, o grupo abandonou por completo o death metal e passou a investir em composições mais cadenciadas, com estruturas mais simples, com foco nos riffs de guitarra e em melodias cativantes, remetendo a bandas como o Mercyful Fate da fase Don’t Break The Oath ou ao Metallica de Ride The Lightning.

A reação dos fãs foi extremada, com uma parcela abandonando o grupo e outra que adorou o novo estilo adotado pela banda. Contudo, independente da sonoridade adotada anteriormente, é inegável que Amok possui diversas qualidades. A abertura com “The War Ain’t Over” é excelente, com ótimos riffs de Tenkula e Lopaka, e uma linha vocal interessantíssima de Taneli Jarva. Aliás, os vocais são outro ponto alto do disco, deixando o gutural de lado, mas mantendo a força e agressividade necessárias.

O disco segue com músicas mais cadenciadas, como as excelentes “Phenix” e “Nepenthe”, que mostrava o caminho que a banda seguiria no futuro, e outras mais aceleradas, como “New Age Messiah” e “Dance On The Graves”. Contudo, o principal destaque do disco é o belíssimo trabalho de guitarras de Tenkula e Lopakaa, com riffs marcantes e solos extremamente melódicos e memoráveis. Uma resenha mais detalhada do álbum pode ser lida aqui.


Down [1996]
 

Com a saída do baixista e vocalista Taneli Jarva, a sonoridade do Sentenced mudou radicalmente mais uma vez. Em Down, lançado em 1996, o grupo apostava em uma sonoridade ainda mais lenta, cadenciada, muito próxima ao doom, mas ainda assim extremamente melódico e cativante, plantando as sementes do estilo que adotaria até o fim de sua carreira.

O novo vocalista, Ville Laihala, tinha um timbre bem próximo ao de James Hetfield, e se encaixou muito bem na nova proposta da banda. A faixa de abertura, “Noose”, também trazia uma característica que seria constante até o fim do grupo, as letras com referências ao suicídio, e se tornou um clássico da banda. Outros destaques são a direta “Bleed”, a melódica “Sun Won’t Shine” e a climática “Keep My Grave Open”, que tem a participação de Vorph, do Samael, nos vocais. Down foi o disco que definiu o estilo que o Sentenced adotaria no resto da carreira, e é até hoje um dos favoritos dos fãs.


Frozen [1998]
 

Com o sucesso de Down, o Sentenced manteve o estilo adotado neste álbum em Frozen, de 1998. Contudo, a produção mais limpa tirou o peso de várias faixas, o que evidenciou as belas melodias do disco, mas causou reclamações por parte de alguns fãs, que até hoje acham que o disco poderia ser melhor.

A temática suicida ganhou ainda mais força, e boa parte das letras do álbum gira sobre este tema. O disco abre com a instrumental “Kaamos”, e tem sequência com a ótima “Farewell”, onde a capacidade do grupo para forjar excelentes refrões fica nítida.

“The Suicider” mostra o lado mais pesado de direto da banda, enquanto “The Rain Comes Falling Down” apresenta a faceta mais climática e viajante do conjunto. O disco ainda guarda duas pérolas no seu fim, a melódica “Drown Together” e a pesada “Let Go (The Last Chapter)”, que encerram o álbum em grande estilo.


Crimson [2000]
 

Cada vez mais seguros e confortáveis com a sonoridade adotada desde Down, o grupo lançou em Crimson um belíssimo apanhado de canções, que coroavam o bom momento da carreira da banda.

O disco abre com a excelente “Bleed In My Arms”, que tem um ótimo refrão e linhas de guitarra interessantíssimas. Outros destaques são as fortes “Fragile” e “Broken”, que também têm refrões fortes e marcantes, assim como o single “Killing You, Killing Me”.

Contudo, a melhor faixa do álbum é “Dead Moon Rising”, que é climática, soturna e inesquecível. O nível do disco cai um pouco em sua segunda metade, mas ainda assim Crimson é um dos principais lançamentos da carreira da banda, e expandiu ainda mais o nome da mesma no mundo todo.


The Cold White Light [2002]
 

Lançado em 2002, The Cold White Light seguia exatamente de onde Crimson havia parado. Mantendo a mistura de hard rock, heavy metal e goth rock que a banda vinha adotando, o disco abre com a ótima “Cross My Heart And Hope To Die”, seguindo o padrão Sentenced de compor ótimos refrões.

“Excuse Me While I Kill Mylself”, mais rapida e direta, se tornaria uma das favoritas dos fãs, e uma constante nos shows da banda, assim como “Brief Is The Light”. A música de trabalho do disco foi a balada “No One There”, onde o talento do vocalista Ville Laihala e dos guitarrista Miika Tenkula e Sami Loppaka ficam bastante claros. Em resumo, The Cold White Light trouxe poucas novidades à sonoridade do grupo, mas agradou aos fãs devido à qualidade das composições.


The Funeral Album [2005]
 

Com um nome forte na cena, fazendo turnês como headliners e com diversas apresentações em festivais pela Europa, foi uma surpresa quando o Sentenced anunciou que encerraria suas atividades, e que seu próximo disco, propositalmente intitulado The Funeral Album, seria também seu último.

E a despedida foi em grande forma. mantendo o estilo que o grupo vinha adotando nos últimos 10 anos, The Funeral Album apresenta a mistura entre hard rock, heavy metal e gótico que a banda sempre fez tão bem, repleta de belas melodias e refrões marcantes. Músicas como “May Today Become The Day”, “Ever Frost” e “Vengeance Is Mine” fazem jus a carreira do grupo, e são os principais destaques do disco. Há ainda uma pequena ode ao passado death metal da banda, na curta instrumental “Where Waters Fall Frozen”.

O disco termina com a melancólica “End Of The Road”, que é triste, lenta e soturna como deveria ser, encerrando o disco e a carreira de uma das mais interessantes bandas das décadas de 90 e 00.

 

1 comentário

  1. Marckus

    Curto o Sentenced a partir do Amok que é ao lado do Down e The Cold White Light os melhores álbuns da banda, em minha opinião claro, sei que muita gente não curte o Amok pela mudança brusca de sonoridade, contudo, acredito que esse tipo de inovação é sempre salutar para que as bandas não caiam no ostracismo.

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