Por Leonardo Castro

Logo após o lançamento de Kings Of Metal, em 1988, o Manowar anunciou que o guitarrista Ross The Boss estava deixando a banda. Para o seu lugar foi convocado David Shankle, escolhido entre mais de 150 candidatos. A turnê de Kings Of Metal foi a maior da história da banda até então, tendo mais de 2 anos de duração e levando a banda a diversos países pela primeira vez, principalmente na Europa, onde sua popularidade aumentava vertiginosamente.

Contudo, ao fim da turnê, foi a vez do baterista Scott Columbus se afastar do grupo. A banda anunciou que este afastamento se devia ao estado de saude do filho do baterista, que sofria de leucemia, mas em uma entrevista em 2008, Columbus desmentiu tal informação, apesar de não dar maiores detalhes do real motivo de sua saída da banda na época. O substituto de Scott Columbus foi Kenny Earl Edwards, que logo em seguida ganhou o apelido de Rhino. E foi com esta formação, Joey DeMaio, Eric Adams, David Shankle e Rhino, que a banda entrou em estúdio para gravar seu sétimo álbum, intitulado The Triumph Of Steel.


The Triumph Of Steel [1992]

Com a formação reformulada, o Manowar entrou em estúdio para gravar o seu disco mais pesado, agressivo e ousado até então. De cara, o disco abria com “Achilles, Agony and Ecstasy in Eight Parts”, uma suíte de 28 minutos baseado na obra de Homero.

A composição alterna momentos sensacionais; como a abertura “Hector Storms The Walls”, o emotivo interlúdio “The Death Of Patroclus” e a avassaladora conclusão “The Glory Of Achilles”; e passagens desnecessárias, como os longos solos de baixo e bateria.

Em resumo, “Achilles”, a maior e mais complexa música da carreira da banda, acaba sendo um dos destaques do disco, mas poderia ser ainda mais marcante se não fosse tão longa e cansativa. Ainda na primeira faixa, vale a pena ressaltar a excelente produção do disco e a fenomenal performance do novo baterista, Rhino, repleta de bumbos duplos e viradas jamais vistos na carreira do grupo. Contudo, por mais que a faixa de abertura seja sempre lembrada quando se fala deste álbum, há muito mais em The Triumph Of Steel.

A segunda faixa, a emblemática “Metal Warriors”, se tornou um clássico instantâneo e é um dos melhores hinos da carreira com grupo com um refrão sensacional. “Ride The Dragon” e “The Power Of Thy Sword” são outros destaques, mais rápidas e agressivas, mas com ótimos refrões e um trabalho fenomenal dos dois novos membros, David Shankle e Rhino. Outra faixa que se tornaria uma das favoritas dos fãs era “Spirit Horse Of The Cherokee”.

Lenta e soturna, com uma temática sobre os indígenas norte-americanos, a música fugia do padrão do grupo tanto lirica quanto musicalmente, e tinha linhas vocais inspiradíssimas de Eric Adams. Já “The Demon’s Whip” tinha um início mais lento, com um ótimo riff de Shankle, mas após o solo de guitarra tinha seu andamento acelerado de uma forma jamais feita pela banda, beirando o death metal, o que surpreendeu muitos fãs.

Encerrando o disco havia ainda “Master Of The Wind”, a melhor balada da carreira do grupo, que expandia ainda mais o que o grupo havia feito em “Heart Of Steel”, do álbum anterior. Em resumo, principalmente devido a entrada de Shankle e Rhino, The Triumph Of Steel é o disco mais pesado e complexo do Manowar, que mesclava composições com o estilo clássico do grupo a outras com uma pegada mais agressiva, cortesia dos novos integrantes.


Louder Than Hell [1996]

Quatro anos após o lançamento de The Triumph Of Steel, o Manowar retornava com novas mudanças em sua formação: a primeira era o retorno do baterista Scott Columbus, e a segunda era a entrada do guitarrista Karl Logan, substituindo David Shankle. Em Louder Than Hell, de 1996, o grupo abandonava a complexidade e a agressividade do disco anterior e apostava em uma sonoridade mais clássica, com músicas mais simples, com andamentos menos acelerados e com refrões de fácil assimilação.

A faixa de abertura, “Return Of The Warlord” tenta recapturar o clima da clássica “Warlord”, de Into Glory Ride, e é uma das mais rápidas e pesadas do disco. Na sequência temos a música mais épica do álbum, “Brothers Of Metal”, composta na época de Fighting The World e dona de um refrão sensacional. “Courage”, a balada do disco, também foi composta nesta época, e apesar de ser uma boa música, não se compara aos hinos “Heart Of Steel” e “Master Of The Wind”.

“The Gods Made Heavy Metal” é outro destaque, com um riff excelente, um belo refrão e um solo maravilhoso de Karl Logan, que tem um estilo mais melódico e menos caótico que seus antecessores. “Number 1” e “King” também tem um andamento mais cadenciado, ao contrário de “Outlaw”, mais rápida e pesada. O disco se encerra com “The Power”, uma das melhores faixas do álbum, que tem belíssimo trabalho de DeMaio e Karl Logan.

No geral, Louder Than Hell é um disco bem linear, com poucas faixas que se destacam, tanto positiva quanto negativamente. Vale ressaltar que foi na turnê deste disco que a banda veio a primeira vez ao Brasil, aumentando consideravelmente a quantidade de fãs que tinha por aqui, o que acabou fazendo de Louder Than Hell um disco bem popular em nosso país.


Warriors Of The World [2002] 

Após um punhado de lançamentos ao vivo, finalmente em 2002 o Manowar lançava um novo disco de inéditas. Warriors Of The World, apesar de extramemente bem sucedido, acabou sendo um disco bem irregular, que se dividia entre músicas mais cadenciadas, outras repletas de influências sinfônicas e outras mais rápidas e agressivas.

Entre as mais cadenciadas, os principais destaques são a faixa de abertura, “Call To Arms”, que segue a linha de hinos como “Brothers Of Metal”, a fenomenal semi-balada “Swords In The Wind” e o grande sucesso do álbum, “Warriors Of The World United”, com seu refrão espetacular. Já as versões para “Nessun Dorma”, fragmento da ópera de Puccini, e “An American Trilogy”, medley  de músicas tradicionais norte-americanas que se tornou conhecido pela versão de Elvis Presley, misturam elementos sinfônicos ao instrumental pesado do grupo, e evidenciam todo o talento de Eric Adams, o principal destaque de ambas as faixas.

Ainda que os resultados sejam positivos, a inclusão destas versões acabou tornando a audição do disco um tanto cansativa, ainda mais quando somadas a outras duas faixas instrumentais. Contudo, a parte final do disco recupera o fôlego perdido com três petardos em sequência, as ótimas “Hand Of Doom”, “House Of Death” e “”Fight Until We Die”, todas com ótimos riffs, que só pecam por serem um pouco parecidas entre sim. Em resumo, Warriors Of The World tem boas composições, mas a escolha da sequência das faixas e o excesso de músicas sinfônicas acabam tornando cansativa a sua audição por inteiro.


Gods Of War [2007]

Se em Warriors Of The World o Manowar investiu em músicas sinfônicas, no seu álbum seguinte, o conceitual Gods Of War, essa ideia foi levada ao extremo. Baseado no deus supremo da mitologia nórdica, Odin, o disco inteiro é repleto de introduções, interlúdios e narrações, sempre conduzidos por uma orquestra, e até algumas das músicas têm o instrumental da banda fundido a elementos sinfônicos.

O principal destaque do disco é “Sons Of Odin”, uma música vigorosa, com um riff pesado e uma grande performance de Eric Adams. Outros bons momentos são “Loki God Of Fire”, que tem um riff interessante; “King Of Kings”, que tem um excelente refrão; e “Odin”, que tem um clima épico que chega a lembrar os tempos de Into Glory Ride. Já a faixa-título, “Gods Of War”, mescla perfeitamente o instrumental da banda com o clima sinfônico do disco, com resultados excelentes. Entretanto, outras músicas do álbum são bem decepcionantes, como a repetitiva “Sleipnir” e a balada “Blood Brothers”, ambas muito fracas.

Entretanto, o principal problema do disco é mesmo o excesso de introduções e interlúdios, que tornam a audição inteira do álbum quase impossível. Ainda que individualmente as faixas citadas sejam bem interessantes, ouvi-las na sequência do disco com todas as narrações e peças instrumentais é uma tarefa árdua. Há ainda uma faixa bônus, “Die For Metal”, que segue o formato clássico dos hinos da banda. Certamente, Gods Of War é o disco menos indicado para os que não conhecem o som da banda.


 Thunder In The Sky [2009]

 Em 2009, o Manowar anunciou que seu próximo disco seria outro álbum conceitual, com a história baseada em uma saga que o escritor alemão Wolfgang Hohlbein estaria escrevendo exclusivamente para a banda, batizada The Asgard Saga. Enquanto o livro era escrito, a banda saiu em turnê, e lançou este EP como aperitivo.

Felizmente, a maior parte dos exageros sinfônicos dos discos anteriores foi deixada de lado no novo material, que voltava a focar no heavy metal mais puro do início da carreira da banda. O disco tem início com a ótima faixa-título, que remete aos tempos de Sign Of The Hammer ou Kings Of Metal, pesada, direta e com um belo refrão. “Let The Gods” decide tem riffs na linha do Judas Priest oitentista, e não faria feio em “Louder Than Hell”; enquanto “God Or Man” vai na linha das músicas mais pesadas de Warriors Of The World. O disco traz ainda “Die With Honor”, um belo hino, com a participação de um coro no refrão, que havia sido lançado como single no ano anterior; e uma nova versão para “The Crown And The Ring”, bem similar à originalmente gravada em Kings Of Metal.

O único destaque negativo fica para a balada “Father”, gravada em 16 idiomas, inclusive em português, mas que é melosa ao extremo. Vale ressaltar que o EP foi gravado pelo baterista Donnie Hamzik, que havia gravado Battle Hymns, visto que na época o baterista Scott Columbus estava afastado temporariamente da banda, por problemas particulares. Em seguida, seu afastamento foi dado como definitivo, e Donnie Hamzik voltou a ser um membro permanente da banda.


The Lord Of Steel [2012] 

Quando todos esperavam pelo álbum Hammer Of The Gods, que seria baseado na The Asgard Saga, Joey DeMaio deu um pronunciamento dizendo que a banda havia decidido regravar seu primeiro disco, Battle Hymns, para comemorar a volta de Donnie Hamzik a banda e apresentar o material do disco aos fãs mais novos do grupo (leia a resenha deste relançamento aqui).

Contudo, após a turnê de promoção de Battle Hymns MMXI, a banda decidiu fazer mais uma mudança nos planos. De acordo com DeMaio, o grupo lançaria um disco não-conceitual e sem influências sinfônicas, pois era este tipo de material que o grupo estava inspirado a fazer naquele momento. E assim, em junho de 2012, os fãs que fizeram a pré-compra do disco pelo site da banda receberam um link para fazer o download do álbum, enquanto o CD era enviado para suas residências, junto com uma edição especial da revista inglesa Metal Hammer. A versão normal do disco será lançada apenas em setembro.

O álbum, intitulado The Lord Of Steel, traz a banda voltando a investir no heavy metal puro, e remete diretamente a discos como Louder Than Hell e Kings Of Metal. A faixa-título, que abre o disco, soa como uma mistura de “The Power” com o que o Grave Digger tem feito nos últimos anos, com um belo riff de guitarra. “Manowarriors”, mais uma homenagem da banda aos seus fãs, é uma das melhores músicas do disco, e apesar de letra totalmente clichê, certamente cairá no gosto dos fãs. Já “Born In A Grave” é mais lenta e épica, e tem um dos melhores refrões do disco, chegando a lembrar “Brothers Of Metal”.

A semi-balada “Righteous Glory” é outro destaque, e tem a melhor interpretação de Eric Adams em todo o álbum; enquanto “Touch The Sky” vai na linha das músicas mid-tempo de Louder Than Hell, com um belo refrão. Entretanto, algumas faixas deixam a desejar, como a dispensável “Black List”, arrastada ao extremo e cansativa; e “Expendable”, genérica e pouco memorável. Já “El Gringo” traz o clássico som que a banda adotou desde que Karl Logan entrou no grupo, com riffs cavalgados e um belo refrão, assim como a faixa seguinte, “Annihilation”.

Encerrando o disco, “Hail, Kill and Die”, cuja letra revisita diversos discos e músicas da banda, retoma o clima épico com um resultado interessante, mas sem a exuberância de outros tempos. No geral, The Lord Of Steel traz o Manowar voltando a investir em uma sonoridade mais simples e direta, e ainda que o resultado final de algumas músicas seja interessante, o disco não tem o mesmo poder de fogo de clássicos como Hail To England ou Kings Of Metal. Vale ainda ressaltar que o som de baixo do álbum é extremamente distorcido, o que certamente causará estranheza aos ouvintes em uma primeira audição.

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