Por Fernando Bueno
Desde que foi anunciada a entrada de Kai Hansen em uma nova banda que Michael Kiske estava montando todo mundo do metal, principalmente os que curtem essa linha mais melódica, ficou eufórico. A história que eles chegaram a pensar na entrada de Kiske no Gamma Ray e não levarem isso adiante é bastante interessante. Acho que se isso tivesse que acontecer, já deveria ter sido feito logo após a saída de Ralph Scheepers. Seria algo até óbvio na época e certamente teria funcionado melhor, já que o Gamma Ray tem uma carreira consolidada. Os fãs que ficaram felizes com a união dos dois teriam ganho muito mais. O estilo da Gamma Ray é o que todos esperavam do Unisonic. Mas nada disso aconteceu. Eles resolveram que Hansen entraria nessa nova banda e a expectativa foi enorme.
Acredito que boa parte da atenção dada ao Unisonic se deve pela adição de Kai Hansen. Na minha opinião, mesmo que tivessem feito sem ele, muita gente trataria como mais uma banda das várias que Michael Kiske formou depois de sua saída do Helloween. O produtor/baixista Dennis Ward já havia trabalhado com Kiske no Place Vendome. Gravaram dois bons álbuns tocando um hard rock muito próximo ao AOR. A banda tinha, além dos dois, Kosta Zafiriou na bateria, Günter Werno nos teclados e Uwe Reitenauer na guitarra. Dessa formação foram afastados os dois últimos citados e Mandy Meyer e o já mencionado Kai Hansen foram adicionados. Essa formação gravou Unisonic, álbum que está em primeiro lugar no mercado que mais consome esse tipo de som, o Japão, e foi lançado aqui no Brasil pela Hellion Records.
Mandy Meyer, Dennis Ward, Kosta Zafiriou, Michael Kiske e Kai Hansen
Várias ótimas faixas mostram que, se não é metal melódico como muitos esperavam, o material produzido é de ótima categoria. “Unisonic” tem tudo para ser entoada aos berros nos shows, enquanto “Souls Alive” têm um grande refrão como muitos feitos pelo Helloween, Gamma Ray e Kiske solo. A faceta mais hard rock, que é o objetivo da banda, é mostrada em “Never Too Late”. O mesmo acontece com “Never Change Me”. “I’ve Tried”, com um vocal sendo cantado em tons lá nas alturas, mostra porque todo fã de metal idolatra Michael Kiske. A idéia da banda é fincar o pé mais no hard rock do que no metal. O que fazer para deixar isso bem claro? Gravar uma balada, é claro. Isso é feito com maestria em “No One Ever Sees Me”.
My Sanctuary” é, juntamente com a faixa título, a maior candidata à clássico. Ótimo refrão e um andamento empolgante. As duas faixas já haviam aparecido no mini álbum Ignition, que saiu alguns meses antes do CD e serviu como um aperitivo do que estava por vir. O track list de Ignition também conta com uma versão demo para “Souls Alive” e uma versão ao vivo para a mais que clássica “I Want Out”. Essa última entrou na versão americana do álbum e temos ainda mais duas faixas diferentes, “Over the Rainbow” e “The Morning After” que entraram na versão européia e japonesa, respectivamente.
Apesar de Kai Hansen ter entrado com as coisas já bem encaminhadas, ainda deu tempo de ele participar de composições com letras e músicas. E ele se adaptou muito bem ao estilo da banda, apesar de algumas passagens ter sua marca registrada. Claro que isso não é novidade nenhuma já que o talento do alemão e conhecido por todos.
No geral, está mais para álbuns como o Instant Clarity (que contém a participação de Adrian Smith e do próprio Kai Hansen), ChamaleonPink and Bubbles Go Ape (ironicamente gravados depois da saída de Kai Hansen do Helloween) do que para o material de Keeper of the 7th Keys. Ou ainda, uma sequencia natural do Place Vendome (sem os teclados). Esse trabalho dá forças para que o grupo consiga se firmar e, quem sabe, se tornar uma das grandes banda da atualidade. Vamos esperar.

Track List:
1. Unisonic
2. Souls Alive
3. Never Too Late
4. I’ve Tried
5. Star Rider
6. Never Change Me
7. Renegade
8. My Sanctuary
9. King for a Day
10. We Rise
11. No One Ever Sees Me

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