Por Pablo Ribeiro


O ano de 2011 marca os 30 anos de um dos mais importantes discos do rock ‘n’ roll. Trata-se de Too Fast for Love, o primeiro e certeiro tiro do Mötley Crüe. O quarteto formado por Vince Neil (nascido Vincent Neil Wharton, em 1961, em Hollywood), pelo guitarrista Mick Mars (Robert Alan Deal, natural de Indiana, nascido em 1951), além dos “Terror Twins” Nikki Sixx (nome real: Frank Carlton Serafino Ferrana, Los Angeles, 1958) no baixo e “Tommy Lee” (Thomas Lee Bass, grego de Atenas, 1962) na bateria, cuspiu o disco que praticamente inventou e definiu o glam metal, mesclando doses generosas de hard rock setentista, glam rock, heavy metal e punk rock. As influências da banda passavam por Slade, David Bowie, T-Rex, Judas Priest, UFO, Sex Pistols, Ramones, Stooges e vários outros, resultando em uma mistura única e surpreendente. 
Nikki Sixx, Vince Neil, Tommy Lee e Mick Mars

Gravado praticamente ao vivo no estúdio, a um custo irrisório, no Rock City West, em Los Angeles, Too Fast for Love esbanja atitude, frescor e ineditismo. Até aquele ponto, nada do estilo havia sido feito, não só no quesito musical, mas também visual. 

Se o amálgama punk/glam/heavy transbordava nas letras, a “persona” de cada um dos integrantes da banda não ficava atrás no que dizia respeito ao visual. A começar pela capa, uma tirada de onda com a clássica arte do também clássico Sticky Fingers, álbum dos Rolling Stones (na verdade, um close da pélvis do vocalista Vince Neil), tudo ia na onda punk/glam com um tempero “marginal” e sujo. 
Musicalmente, Too Fast for Love é uma paulada certeira, mesclando todas essas influências citadas de uma forma surpreendentemente coesa e eficaz. Sons como a poderosíssima “Live Wire” (presença obrigatória em qualquer show dos caras até hoje), “Public Enemy #1”, “Take Me To The Top”, “Starry Eyes”, “Stick To Your Guns” (originalmente lançada como single em vinil de 7″ um pouco antes de Too Fast…, em 1981, e que trazia a também ótima “Toast of the Town” em seu lado B), e as “proto-power ballads” “Merry-Go-Round” e “On With the Show”, alicerçaram não só o nome do Mötley Crüe no hard rock, mas tanto serviram de inspiração quanto definiram os parâmetros do gênero em si. 
Muito dessa inovação e urgência sonora devia-se, além das ótimas composições, à produção crua e direta do disco, a cargo da própria banda. Originalmente prensadas 900 cópias do álbum, todas esgotaram-se rapidamente, chamando a atenção da gravadora Elektra (uma divisão da poderosa Warner), que decidiu assinar um contrato com o grupo, e relançar o álbum no ano seguinte (1982). 
Mick Mars, Nikki Sixx, Vince Neil e Tommy Lee

Contrato assinado, a gravadora tinha uma ressalva: para relançar o disco de estreia dos californianos, o mesmo seria remixado, o que desagradou o grupo (principalmente Neil) que temia que o álbum perdesse a força. Foi o que aconteceu, pelo menos em parte. Apesar de manter a qualidade do álbum como um todo – o que não poderia ser diferente face à indiscutível força das composições – a remixagem reduziu consideravelmente a crueza e impacto do álbum. 

Essa então nova mixagem (que também reordenou as faixas e limou “Stick To Your Guns” do track list final, cortou a parte inicial da faixa-título, além de possuir sutis alterações nas imagens de capa e contracapa) acabou por tornar-se a versão oficial do disco em todos os subsequentes relançamentos do título. A versão original de Too Fast for Love, a partir de então, passou a ser item cada vez mais procurado pelos colecionadores e admiradores do quarteto, atingindo valores que chegam perto dos dois mil dólares. 
Contracapa da versão da Elektra (acima) e
a versão original (abaixo)

Apesar de nunca relançado em nenhum formato individual, a versão “Leathür” (assim chamado por ter sido lançado originalmente pelo selo independente do grupo, de mesmo nome) foi incluída a título de bônus no box set Music To Crash Yor Car To: Vol 1, lançado em 2003. A despeito de todo o material de qualidade indiscutível contido nesse lançamento (são quatro discos, 60 músicas), só essas mixagens originais já valeriam o salgado preço do pacote. 

De qualquer forma, Too Fast for Love, mesmo em sua posterior mixagem mais “limpa” (o relançamento do álbum, de 2003 é uma excelente pedida) é um puta disco, digno de respeito e indicado aos fãs de um hard rock forte, sujo, e malandro. Enfim, uma aquisição obrigatória, que marca o primeiro capítulo de uma das maiores, melhores, mais ultrajantes e importantes bandas não só do hard rock, mas do rock ‘n’ roll em geral. Obrigatório!

Track list:

Too Fast for Love [Original “Leathür” Mix] – 1981

1. Live Wire
2. Public Enemy #1
3. Take Me To The Top
4. Merry- Go-Round
5. Piece Of Your Action
6. Starry Eyes
7. Stick To Your Guns
8. Come On And Dance
9. Too Fast For Love
10. One With The Show
 

A capa da Elektra, com algumas diferenças em relação
à capa original (foto principal desse post)



Too Fast for Love [Elektra Remix] – 1982

1. Live Wire
2. Come On And Dance
3. Public Enemy #1
4. Merry- Go-Round
5. Take Me To The Top
6. Piece Of Your Action
7. Starry Eyes
8. Too Fast For Love
9. One With The Show

2003 Re-Release Bonus Tracks:

10. Toast Of The Town [Single B-Side]
11. Tonight [Previously Unreleased Raspberries Cover]
12. Too Fast For Love [Original Leathür Version – Full Intro]
13. Stick To Yor Guns [Single A-Side]
14. Merry-Go-Round [Live In Texas]

7 comentários

  1. diogobizotto

    Meu preferido do grupo é o seguinte, "Shout at the Devil", mas é inegável quão paradigmático é "Too Fast For Love", abrindo as portas em direção à deliciosa decadência hard rock/glam metal oitentista através desses quatro dementes, que até hoje merecem o rótulo de rock stars. O disco é todo legal, mas "Live Wire" é arrasadora, feita pra agradar até aquele seu amigo headbanger mais radical.

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  2. Groucho KCarão

    Ouvi e curti, mas pelamorde! "Live Wire" é forte candidata a pior do disco! Curti bem mais as faixas "Come on and Dance", "Too Fast for Love" e as melódicas, como "Public Enemy #1" e "On with the Show".

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  3. LUCIANO

    ESSE É DAQUELES DISCOS ENIGMÁTICOS PRO FAN: SEMPRE TEM UMA HISTÓRIA A MAIS E LA VAI UMA QUE NAO ESTA AQUI: A PRIMEIRA PRENSAGEM(900 COPIAS) O LOGO ESTA EM MATERIAL SEMELHANTE AO COURO, MEU lp LANÇADO AQUI TEM O ÓCULOS NA CONTRA CAPA, ENTAO NAO É O REMASTERIZADO É O SOM CRU E TOSCO. HA HA!

    WE ARE MOTLEY FUCKI’N CRÜE !

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