Por Leonardo Castro
Na segunda metade dos anos 90, quando o heavy metal clássico era dado como morto nos Estados Unidos, algumas poucas bandas mantinham a chama do estilo viva no underground norte americano. Enquanto o Iced Earth alçava vôos mais altos, principalmente na Europa, grupos como o Skullview e o October 31, do lendário baterista/vocalista King Fowley (Deceased), batalhavam em clubes e pequenas casas de show, além de lançarem seus trabalhos através de pequenas gravadoras. E foi nessa cena, amadora no melhor sentido da palavra, que surgiu uma das mais interessantes bandas americanas de heavy metal clássico da atualidade, o Twisted Tower Dire.
The Curse Of Twisted Tower
Após inúmeras mudanças de formação e um punhado de demos e splits, o grupo se estabilizou com o fundador Scott Waldrop (guitarra), Dave Boyd (guitarra), Jim Murad (baixo), Marc Stauffer (bateria) e o sensacional vocalista Tony Taylor, e foi com essa formação que o primeiro álbum, The Curse Of Twisted Tower, foi lançado em 1999. Apesar da fraca produção, o disco apresentava um heavy metal vigoroso, épico e repleto de melodias, mas totalmente calcado na escola norte-americana do estilo, como a sonoridade de bandas clássicas como Omen e Manowar, além da evidente influência do Iron Maiden. As músicas eram bem longas, mas empolgantes e marcantes, como pode se conferir em Hail Dark Rider“. Após o lançamento do disco, o grupo embarcou em uma auto-financiada turnê mundial, que culminou com uma participação no Wacken Open Air!
Isle Of The Hydra
Em 2001, a banda lançou seu segundo disco, Isle Of The Hydra. Contando com uma produção infinitamente melhor que o primeiro disco, o álbum apostava em músicas mais curtas e marcantes, mas ainda assim com uma sonoridade clássica e épica. Os duetos e melodias de guitarra impressionavam, mas o principal destaque do disco vai para a performance de Tony Taylor, capaz de alcançar notas altíssimas sem soar irritante, como na “faixa-título” e música  “The Dagger’s Blade“.
Crest Of The Martyrs
Com a boa repercussão de Isle Of The Hydra, a banda assinou com a gravadora alemã Remedy Records, que escalou o produtor Piet Sielck (Iron Saviour) para conduzir os trabalhos do disco seguinte, Crest Of The Martyrs. Lançado em 2003, o disco teve a arte da capa feita por Derek Riggs (Iron Maiden), e mostrava o grupo apostando em uma sonoridade um pouco mais direta e não tão épica, ainda mais influenciada pelo Iron Maiden, como a faixa de abertura, “At Night“, deixa bem claro. Outros destaques do disco são “Axes & Honor“, que tem um refrão espetacular; e “Fight To Be Free“, onde os vocais de Tony Taylor se destacam mais uma vez. Crest Of The Martyrs foi muito bem recebido na Europa e no Japão, tendo sido escolhido um dos 20 melhores discos de power metal de todos os tempos pela revista Terrorizer, da Inglaterra, em 2005.
Netherworlds

Entre 2004 e 2006 a banda trabalhou no seu álbum seguinte, Netherworlds. Lançado em 2007, o disco mostrava uma banda mais madura, misturando o som épico dos primeiros discos com a simplicidade do terceiro, tendo como destaque as músicas “Dire Wolf” e “Casualtyof Cruel Times“. Infelizmente, após o lançamento de Netherworlds o vocalista Tony Taylor deixou a banda. O músico, que há anos lutava contra a depressão, decidiu se mudar para mais perto de sua família, e acabou falecendo em um acidente de motocicleta em 2010.
TTD em 2001, com Tony Taylor ao centro
 
Com a saída de Taylor, o grupo recrutou o vocalista Johnny Aune, da banda Viper, como novo membro. A nova formação estreou em 2009 com o lançamento de um split com o The Lamp of Thoth, intitulado Hail Britannia, no qual gravaram um cover para “Rank, Name and Serial Number“, dos pioneiros da NWOBM, Fist. O novo vocalista tinha uma voz muito diferente da de Tony Taylor, mais anasalada, o que deixou os fãs ainda mais curiosos para saber como o grupo soaria no próximo disco de estúdio.
Make It Dark
 
Tal curiosidade terminou com o lançamento de Make It Dark, em 2011. No novo álbum, o disco retomou a sonoridade mais direta de Crest Of The Martyrs, lembrando bastante a sonoridade que o Iron Maiden tinha entre os discos The Number Of The Beast e Powerslave, como a faixa “The Stone” deixa bastante claro. Mais uma vez, os riffs, solos e duetos de guitarra são os principais duetos, e os vocais de Aune, apesar de bem diferentes dos de Tony Taylor, não chegam a comprometer o resultado do disco. Há ainda uma regravação para uma música de uma das primeiras demos do grupo, “Open The Gates”, que mostra o lado mais épico da banda.
Em resumo, o Twisted Tower Dire é uma banda que tem tudo para agradar os fãs de heavy metal clássico, e apesar de ser pouco conhecida no Brasil, certamente fará a cabeça dos fãs do estilo.

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