Discografias Comentadas: Dokken

10 de janeiro, 2011 | por Diogo Bizotto
Discografias Comentadas
21
Por Rafael “CP”
Dando início à nossa serie de discografias comentadas, que promete ter uma grande frequência no blog, trazemos o amigo e colaborador Rafael “CP”, grande fã da banda norte-americana de hard rock Dokken. Rafael traz o ponto de vista de um fã e demonstra suas opiniões acerca dos diversos trabalhos desses artistas.

O Dokken, como o próprio nome diz, é uma banda totalmente idealizada e comandada pelo seu frontman Don Dokken. Mas, devido à qualidade de seus outros membros, Don não pôde se limitar a ser a única estrela do grupo como sempre quis. Inclusive reza a lenda que por causa das atenções voltadas ao virtuose da guitarra George Lynch, surgiram os conflitos que resultariam no fim da parceria. Mas vamos à obra deles, que é o que nos interessa:


Back in the Streets [1979]

Este primeiro registro do Dokken ainda está intimamente ligado aos anos 70, e pouco tem de oitentista em sua sonoridade, embora o movimento que mais tarde ficou conhecido no Brasil como “farofa” já estivesse se iniciando. É um disco bem pesado, e das seis faixas presentes, a que teve alguma repercussão na época foi “Felony”. Destaque ainda para a versão ao vivo de “Prisoner”.


Breaking the Chains [1983]

Aqui começa o embrião do sucesso do Dokken e a sonoridade oitentista que os consagraria como uma grande banda de hard rock. Em Breaking the Chains também está o seu primeiro sucesso da era dos videoclipes, com a famigerada faixa-título, que de ruim só tem o vídeo mesmo, pois trata-se de um hard rock grudento, de refrão facilmente decorável.

Presentes no álbum também estão destaques como “I Can’t See You”, além da pérola das guitarras “Paris Is Burning”, sempre constante nos sets da banda até hoje.


Tooth and Nail [1984]
É o primeiro disco da formação de ouro do Dokken, a saber: Don (vocais), George Lynch (guitarra), Jeff Pilson (baixo), Mick Brown (bateria). Também foi o primeiro álbum do grupo a ser premiado nos EUA com disco de platina.
É um dos mais pesados da banda, prova disso é a faixa-título, que conta com um dos melhores solos da história do hard rock. “Alone Again” é simplesmente a balada mais famosa do Dokken. E lá vem mais peso, em faixas como “Just Got Lucky”, além de um dos maiores sucessos do grupo, “Into the Fire”. Um dos favoritos dos fãs.


Under Lock and Key [1985]
A banda está no auge da criatividade e entrosamento, e neste álbum bebe da fonte das power ballads, comuns na época, criando hinos como “Unchain the Night”, “The Hunter”, “Don’t Lie to Me”, “Will the Sun Rise”, além de mais um megahit, “In My Dreams”, que fecha a maioria dos shows do grupo.
Obrigatório na discografia dos die hard fans, Under Lock and Key é considerado por alguns o melhor álbum do Dokken.

Back For the Attack [1987]

Um clássico, um marco na carreira da banda, este é o álbum que perpetuou o Dokken definitivamente como uma das maiores bandas dos anos 80.

Back For the Attack é o disco que marca a primeira separação da formação de ouro do grupo, e George Lynch libera toda sua fúria em solos nervosos, como nas conhecidas “Mr. Scary” e “Kiss of Death”, sempre presente nas turnês, além da balada “Heaven Sent” e o clássico absoluto “Dream Warriors”, que levou o Dokken ao cinema, na trilha sonora do bem sucedido “A Hora do Pesadelo 3”, com o notório vilão Freddy Krueger.


Dysfunctional [1995]

Depois de brigas, carreiras solo e a onda grunge afundando os aúreos anos, a banda tenta um retorno com esse fiasco que foi o patético Dysfunctional.

O que se vê por aqui é uma tentativa frustrada de se adaptar aos novos tempos da música, permeada por uma coisa ou outra do som hard’n’heavy de outrora.

Este disco vendeu uma quantidade bem abaixo dos anteriores, não chegando a disco de ouro. Deste álbum, está presente em alguns setlists a fraca “Too High to Fly”. Dispensável.


Shadowlife [1997]

Um fiasco, a continuação do trabalho anterior, mas piorado. Aqui praticamente nada de Dokken resta.

Um álbum ridículo do início ao fim, onde nada merece um destque positivo, portanto nem citarei faixas, apenas lamentarei esse equívoco e direi que este álbum marca a despedida definitiva do saudoso George Lynch das guitarras.

Pior disco da banda.


Erase the Slate [1999]

Depois de dois álbuns ridículos, o Dokken retorna com um monstro das guitarras, Reb Beach, vindo do Winger e da banda de Alice Cooper. O guitarrista traz o peso do heavy à banda, que grava um álbum muito bom, meu favorito do grupo.

Acredito que a substituição tenha sido à altura, pois Reb é um puta guitar man. Destaco a faixa título, com seu solo direto e rápido, um hino da banda que infelizmente não faz parte do set da maioria dos shows, além de mais pesada “Maddest Hatter”, que me tira lágrimas e moshs no sofá ao mesmo tempo. Retorno com estilo.


Long Way Home [2002]

Depois de algumas coletâneas e mais duas baixas na formação (Reb Beach e Jeff Pilson), o Dokken retorna com o lendário John Norum (Europe) nas guitarras, além do baixista Barry Sparks.

Este álbum foi meio desprezado pelos fãs, pela mídia e pela banda nas subsequentes turnês, mas o considero um disco muito gostoso de ouvir, meio fora do padrão do grupo, mais melódico, como em lindas músicas como “Little Girl” e a mais bela ainda “Goodbye My Friend”. Long Way Home ainda tem bons momentos nas faixas “You”, na mais agitada “Magic Road” e no cover dos Yardbirds “Heart Full of Soul”. Vale a a pena conferir.


Hell to Pay [2004]

Este agradou demais aos antigos fãs da banda, mas confesso que quase não o ouço. Aqui temos um novo guitarrista, o também advogado da banda, Jon Levin (Warlock, Doro).

Em Hell to Pay o que se encontra são músicas que remetem aos primórdios da banda e um Levin inspirado, executando belos solos. Destaque para as faixas “The Last Goodbye” e “Escape”, mas todo o álbum mantém o mesmo nível.


Lightning Strikes Again [2008]

Neste último álbum de estúdio, o Dokken retorna totalmente à sonoridade clássica e grava um disco muito bom, digno de honras e bem próximo de seus maiores sucessos.

Tudo que se ouve aqui agrada, mas me permito destacar o belo hard rock “Standing on the Outside”, “How I Miss Your Smile” e a linda “Give Me a Reason”. Um retorno triunfal, que faz justiça à grandeza desse ícone dos anos 80, mesmo com um Don Dokken já cansado e com a voz debilitada, e sem os clássicos membros George Lynch e Jeff Pilson.


Greatests Hits [2010]

Para encerrar, esta coletânea de clássicos regravados (prática que considero de muito mau gosto), contando com um repertório muito bem escolhido, em gravações mais limpas, utilizando recursos mais sofisticados.

Basicamente é a mesma coisa, com um som menos “animal” e mais polido, com muito perfeccionismo, mas contando com um Don Dokken sem sua voz jovial, uma qualidade que este infelizmente não tem mais, mas ressaltada pela magia dos estúdios. Porém, não deixa de ser uma boa pedida imaginar como seria se o Dokken tivesse surgido em 2010. Esse é o espírito da coisa. Quanto à inédita “Almost Over”, ela é bem direta e pesada, na linha do meu disco favorito, Erase the Slate, um presentão para os Dokkenmaníacos como eu, que sempre esperam por novidades da banda.



21 Comentarios

  1. fernandobueno disse:

    Gostei bastante dessa discografia comentada. Quando um grande fã (como é o Rafael pelo Dokken) fala que determinado disco é mais fraco, ruim, etc… dá credibilidade às opiniões.

  2. fernandobueno disse:

    Agora é ir atrás de alguns discos…

  3. Massa, e esse sistema para as capaz ficou muito bom.

  4. Tooth And Nail, Under Lock and Key e Back For The Attack são indispensaveis para quem curte Hard & Heavy, e o trabalho de guitarras do George Lynch nesses discos é uma coisa de outro mundo. Pena que a banda se separou nessa época.

    Dos mais recentes, eu gosto muito do Long Way Home, que tem muita influencia de Beatles, e do Lightning Strikes Again, onde o novo guitarrista John Levin soa tanto como o Lynch que pode ser facilmente confundido com ele.

    Dos ao vivo, o primeiro Beast From The East é o mais essencial, gravado na turne do BFTA, e quem conseguir a versao dupla japonesa pode compra-la na hora, uma vez que vem com faixas bonus. O semi-acustico One Night Live também é maravilhoso, com a formação clássica e performances absurdas de todos os musicos, inclusive com o Jeff Pilson e o Mick Brown cantando.

  5. Rafael disse:

    Cara , vou falar pra vc , é muito gostoso falar de musica , e de coisas que a gente gosta , tentei ser sincero , não adianta a gente achar que nossos heróis não tem defeitos , pq todos tem , e ficar babando tudo que sai , só por ser de tal banda . Fica como dica o album ao vivo " Live From The Sun Theatre ," com Reb Beach nas guitarras que é um classico , com belas versões , é um dvd q eu amo demais . No mais , espero q tenham gostado.

  6. diogobizotto disse:

    Minha opinião é muito semelhante a do Leonardo. Os três citados são realmente indispensáveis. A banda estava azeitada, e George, um dos meus dez guitarristas favoritos em todos os tempos, fazendo miséria. Só o que ele toca em "Kiss of Death" já é suficiente para incluí-lo nesse rol.

    Não acho "Dysfunctional" toda essa ruindade, pois encontro vários momentos empolgantes no decorrer do álbum, mas realmente nada que se compare aos anteriores. "Shadowlife" é porcaria mesmo, sem condições, uma despedida amarga da grande formação do Dokken. Mas há de se destacar positivamente que, desde "Erase the Slate" a banda está mantendo um nível muito interessante em seus discos, sempre trazendo algumas faixas de muito destaque. Meu provável favorito dessa fase mais recente é "Lightning Strikes Again", que realmente é o mais próximo da fase antiga, mas não posso deixar de destacar "Long Way Home" e seu lado mais melódico, em canções como "Sunless Days" e "Little Girl", além de "Erase the Slate" e as diretaças "Maddest Hatter" e a faixa-título.

    Gostaria muito que Jeff Pilson tivesse recebido mais oportunidades de cantar em estúdio. Ele tem uma boa voz e manda bem ao vivo.

  7. diogobizotto disse:

    Mais alguém aqui concorda que, em comparação com as outras bandas de hard rock da época, o Dokken costuma contar com umas capas melhorzinhas? "Long Way Home" "Lightning Strikes Again", "Hell to Pay", "Beast From the East"… sem falar em uma das minhas favoritas, "Back For the Attack".

  8. As do BFTA e do Beast From The East sao lindas, mas a do Under Lock And Key…

    Das mais recentes, gosto da do Long Way Home e do Lightning Strikes, mas nao curto a do Hell To Pay.

    Das capas de Hair Metal, gosto da do Invasion Of Your Privacy, do Ratt, do Pyromania, do Def Leppard, e do Slave To The Grind.

  9. eduardoluppe disse:

    Posso dizer que no princípio foi difícil me acostumar com a voz do Don Dokken, pois ele tem um timbre único no meio musical, mas depois que ouvi a pancadaria Kiss of Death… lá estava eu procurando por todos os álbuns desta incrível banda!!! Recomendo o mega-clássico Back For the Attack !!! simplesmente fudido!!!

  10. Rafael disse:

    Cara , eu ja ia falar nisso , as capas do Dokken e do Guns N Roses , e no metal , do MAiden , são demais … Essa do Erase The Slate e do Long Way Home são das melhores de todos os tempos .

  11. amandac.parra disse:

    Adoorei a discografia comentada! Adoro suas c´riticas construtivas e também de seus elogios 🙂 Já estou indo atrás de cada disco, menos do Dysfunctional e do Shadowlife porque detesto perder meu tempo escutando bandas boas de hard tentando se adaptar ao Grunge! detesto isso :@ Mas obrigada pelos conselhos, conserteza vou conhecer cada disco bom dos Dokken agora 🙂

  12. diogobizotto disse:

    Olha, Amanda… como eu disse, não considero o "Dysfunctional" toda essa ruindade não, essa qualificação para mim pertence apenas ao "Shadowlife", mas nada como umas boas escutadas para tirar a prova!

  13. Rafael disse:

    Amandinha minha querida , como o Diogo msm disse , o Dysafunctional não agrada ao meu gosto , mais ele tem suas qualidades pra quem curte o seu estilo em sí , já o Shadowlife não agrada a seu ninguém , mais como nós temos gostos muito parecidos , sei que vc não deve curtir ele também

  14. O Dysfunctional é legal, muito melhor que o Shadowlife, e eu o acho até melhor que o Hell To Pay. Mas dos discos sem o Lynch, os que eu mais gosto sao o Erase The Slate, bem tradicional e com o Reb Beach destruindo tudo, o Long Way Home, que é mais melodico e tem muita influencia de Beatles, alem do John Norum, e o Lightning Strikes Again, que tenta recuperar o "velho" som da banda, tendo bastante sucesso. Nenhum dos 3, pra mim, se compara aos classicos, mas garantem um sorriso no rosto durante a audicao.

  15. Excelente post! Inclusive, estou levando todos os discos para dar aquela ouvida no fim de semana. Sobre o Dysfuctional… eu tenho ele edição japa… e se se nao me engano, nem leva esse nome… eu acho um disco animal!!! muito bom… pesado e com boas musicas. E já nao gosto dos primeiros pela gravação tosca… vai entender!!! rsrsrsrs!!! Vou escutar tudo de novo…

  16. O Dysfunctional saiu um pouco antes no Japao, sem titulo e com um "yin-yang" na capa.

  17. Rafael "CP" disse:

    o Dysfunctional é um álbum pra quem tem a mente mais aberta , pois ele já começa a chupar da cena Grunge . Eu e a maioria dos fãs essencialmente Hard detestamos ele , mais ele não é tão ppéssimo quanto Shadowlife não , inclusive vira e mexe tem coisa do Dysfunctional ao vivo nos sets da banda .

  18. Jackson disse:

    Que otima iniciativa,falar dos Monstros do Hard dos anos 80.Dokken domina sempre.Concordo em muito com as opniões no texto,exceto quanto o dysfunctional que acho aproveitavel,é diferente que é mais pesadão sem aquela veia melodica que nos faz apegarmos as musicas deles.Do Shadowlife, gosto da linha de guitar da puppet on a string mas o album é totalmente dispensavel.e realmente o Long Way Home é gostoso de se ouvir…Parabens por conseguir escrever sobre essa maravilhosa banda.Dokken Rules

  19. Rafael "CP" disse:

    Dokken foi e é ainda uma banda respeitada em diversos segmentos do Rock , pena q na época , as bandas eram forçadas a se enquadrar no visual famigerado dos anos 80

    • Anônimo de volta disse:

      Quanto ao visual, tanto faz. Os babacas dos punks e dos thrashers mais radicais é que ficavam perseguindo os posers nos anos 80. Os punks idiotas sempre invejosos porquê os caras do hard rock só saim com mulher bonita e tinham dinheiro, enquanto eles só saim com mulher baranga e só iam beber em buteco podre e sujo. kkkkkkkkkkkk

  20. Anônimo de volta disse:

    Fico puto quando vejo neguinho thrasher falar mal das bandas “farofas” dos anos 80, em especial ao Dokken e ao Ratt. Que se dane se os caras são posers, usam roupas coloridas o que importa é som porra. Antes uma banda poser com guitarristas virtuosos e “exibicionistas” do que indies afetados imitando aquele mala sem alça do Bob Dylan.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *