Um Breve Relato Sobre Robert Plant no C6 Fest

Um Breve Relato Sobre Robert Plant no C6 Fest

Por Eudes Baima (Fotos em celular, com resolução suspeita, feitas pelas brechas das cabeças a minha frente)

IT WAS A BEAUTIFULL DAY

O concerto de Robert Plant, à frente da Saving Grace, na turnê de mesmo nome, no Festival C6, em São Paulo, foi um momento de extrema elevação humana. Uma pausa de hora e meia no maremoto da crise civilizatória.

Plant tem uma carreira solo longa, profícua e…irregular, mas sempre digna.

Neste século, onde Plant toca por amor à arte (juntou uma fortuna que assegura algumas gerações de sua família), ele tem voltado aos seus afetos mais persistente, a música de timbres naturais, as sonoridades do interior das ilhas britânicas, o blues e a música rural estadunidense, as sonoridades universalistas do que o centro europeu considera a periferia do mundo: a música árabe, os sons do Magreb, do Norte da África, da Índia.

Obviamente que a maçaroca que sai destas múltiplas referências remete, na nossa cultura ibérica e a partir de nossa familiaridade auditiva, à música das feiras nordestinas.

Mesmo que o concerto seja majoritariamente contemplativo, claro que tudo isso é tensionado pela eletricidade latente do Led Zeppelin, que assombra o show.

Saving Grace são os melhores músicos que o prestígio, o status de lenda e o dinheiro podem comprar, o que se expressa na exuberância da cantora e multi-instrumentista Suzi Dian.

São tantos momentos de enlevo, quase de arrebatamento e deslumbre, que é difícil escolher um… assim como foi difícil sair do estado de paralisia ao fim da apresentação.

Ah, e o repertório da Saving Grace é irrepreensível.

Plant tem 77 anos. Provavelmente o vi pela primeira e última vez, e fazer isso junto com a família deu aquela sensação de passagem das gerações.

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