Um Breve Relato Sobre Robert Plant no C6 Fest

Um Breve Relato Sobre Robert Plant no C6 Fest

Por Eudes Baima (Fotos em celular, com resolução suspeita, feitas pelas brechas das cabeças a minha frente)

IT WAS A BEAUTIFULL DAY

O concerto de Robert Plant, à frente da Saving Grace, na turnê de mesmo nome, no Festival C6, em São Paulo, foi um momento de extrema elevação humana. Uma pausa de hora e meia no maremoto da crise civilizatória.

Plant tem uma carreira solo longa, profícua e…irregular, mas sempre digna.

Neste século, onde Plant toca por amor à arte (juntou uma fortuna que assegura algumas gerações de sua família), ele tem voltado aos seus afetos mais persistente, a música de timbres naturais, as sonoridades do interior das ilhas britânicas, o blues e a música rural estadunidense, as sonoridades universalistas do que o centro europeu considera a periferia do mundo: a música árabe, os sons do Magreb, do Norte da África, da Índia.

Obviamente que a maçaroca que sai destas múltiplas referências remete, na nossa cultura ibérica e a partir de nossa familiaridade auditiva, à música das feiras nordestinas.

Mesmo que o concerto seja majoritariamente contemplativo, claro que tudo isso é tensionado pela eletricidade latente do Led Zeppelin, que assombra o show.

Saving Grace são os melhores músicos que o prestígio, o status de lenda e o dinheiro podem comprar, o que se expressa na exuberância da cantora e multi-instrumentista Suzi Dian.

São tantos momentos de enlevo, quase de arrebatamento e deslumbre, que é difícil escolher um… assim como foi difícil sair do estado de paralisia ao fim da apresentação.

Ah, e o repertório da Saving Grace é irrepreensível.

Plant tem 77 anos. Provavelmente o vi pela primeira e última vez, e fazer isso junto com a família deu aquela sensação de passagem das gerações.

Um comentário em “Um Breve Relato Sobre Robert Plant no C6 Fest

  1. Queria muito ter visto o Plant novamente. O show de 2012 foi uma experiência única. Por mais que as canções tenham sido um tanto quanto “diferentes”, ver o homem ali poucos metros distante de mim foi daqueles momentos que nunca mais esquecerei (ainda bem que tenho esses registros não só na memória, mas também aqui na consultoria —> ).
    Porém, duas coisas me impediram:
    1 – o valor absurdo do ingresso em Porto Alegre (com taxas, o mais barato saiu em torno de 600 reais, e ainda teria que pagar hotel, gasolina, alimentação, etc)
    2 – mesmo com a famosa frase “o Brasil tá quebrado chefe”, os ingressos se esgotaram em poucos dias, sem dar chance hábil de adquiri o mesmo, seja online, seja fisicamente
    Com certeza, tenho noção do que o Eudes sentiu, e sabendo que ele é um fã de Led como eu, o parabenizo por esse momento e pelo aniversário que passou agora em maio (26 anos né Eudes, estou correto?), mas fico pensando, da onde a galera está conseguindo tirar dinheiro para pagar uma pequena fortuna em um show, e ainda, reclamar de que não tem dinheiro. Algo de errado não está certo …

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