Ouve Isso Aqui: Efemérides 6 por Marcelo Freire

Ouve Isso Aqui: Efemérides 6 por Marcelo Freire

Com Anderson Godinho, André Kaminski, Davi Pascale, Mairon Machado e Marcello Zapelini

Introdução por Marcelo Freire

Quando surgiu a ideia de voltar às nossas listas dos melhores discos dos anos de final 6 para recuperar alguns dos que ficaram de fora, imaginei que teria pela frente o trabalho de vasculhar cada ano em busca de grandes esquecidos. Curiosamente, aconteceu quase o contrário. Ao reler as postagens, percebi que eu mesmo já tinha deixado várias pistas pelo caminho, quase todas nos comentários que fiz em cada uma delas.

Em 1966, por exemplo, já havia dito qual disco colocaria em segundo lugar na minha lista pessoal. Em 1986, concordei imediatamente com um leitor que estranhava determinada ausência e, meses depois, fui ainda mais enfático ao escrever sobre aquele álbum. Ao revisitar 1996, cheguei a perguntar como um dos discos que escolho agora poderia ter ficado de fora. Para 2006, eu próprio já havia montado uma lista alternativa. E, no caso de 1976 e do meu bônus, fui além: recorri a um disco e a uma banda sobre os quais já havia escrito aqui no site.

Assim, esta seleção acabou se tornando menos uma tentativa de corrigir retrospectivamente nossas listas e mais uma recuperação de um pequeno rastro crítico que fui deixando na Consultoria ao longo do tempo. Não precisei inventar novas preferências para justificar as escolhas; bastou voltar ao que eu mesmo já havia escrito, ouvido e defendido. Listas sempre mudam, naturalmente, mas algumas convicções parecem resistir bem à passagem do tempo. São essas que resolvi trazer de volta.


 The Mamas & The Papas – If You Can Believe Your Eyes and Ears [1966]

Marcelo: Quando comentamos a lista de 1966, eu já havia cravado: Revolver seria meu primeiro colocado, este If You Can Believe Your Eyes and Ears viria logo atrás, com Fresh Cream fechando o pódio e Pet Sounds apenas na quarta posição. Portanto, nem precisei pensar muito para escolhê-lo agora. Acho impressionante como um disco de estreia consegue chegar tão pronto, sobretudo nas harmonias vocais, que aqui não são mero enfeite, mas parte fundamental das próprias composições. “California Dreamin’” e “Monday, Monday” evidentemente viraram cartões de visita e trilha sonora dos anos 60, porém o álbum está longe de depender delas. Há folk, pop, pequenas doses de psicodelia e aquela sonoridade ensolarada da Califórnia que, curiosamente, muitas vezes carrega uma melancolia enorme por baixo. Em um 1966 absurdo de tão fértil, deixar este disco fora dos dez melhores me parece uma ausência considerável.

Anderson: O debut do quarteto é uma obra muito bem produzida e que apresenta um folk com elementos de rock, mas com uma cara de pop gigantesca. Creio que o maior destaque é a harmonização vocal do grupo, há uma constante qualidade no material todo. Isso fica bem evidente no, talvez, maior clássico do grupo “California Dreamin’”. Não faz muito meu gosto, mas sua importância é grandiosa no escopo da usical da época, nesse sentido, particularmente, recomendaria as mais animadas como “Somebody Groovy” ou “Straight Shooter”, por mais que não tenham tanto brilho próprio, são mais divertidas de se ouvir.

André: Um delicioso disco que mistura folk, pop, rock e um tico de psicodelia. Mistura da qual saiu uma das melhores obras do pop rock de todos os tempos. As harmonizações vocais são lindas, os arranjos simples mas ganchudos e cada um dos cantores dando um show de interpretação. Além da clássica “California Dreamin”, a versão deles para “The In Crowd” é a definitiva em minha opinião.

Davi: O The Mamas & The Papas foi uma banda que já chegou com sua sonoridade resolvida. Tanto que esse debut traz suas duas músicas mais famosas: a belíssima “Monday Monday”, além do clássico absoluto “California Dreamin´”. O grupo contava com uma sonoridade bem agradável. Tratava-se de um pop suave e delicado onde o ponto forte eram as harmonias vocais. Além das duas faixas já citadas, gosto bastante de “Straight Shooter” e “Hey Girl”. “I Call Your Name” (The Beatles) e “Do You Wanna Dance” não causam o mesmo impacto das versões originais, mas agradam. Bom disco de uma banda que merecia ter durado mais.

Mairon: Marcelo aqui acertou no alvo. Este álbum de estreia dos Mamas & Papas é fundamental para entendermos como o verão do amor torna-se tão importante mundialmente falando em 1967. A construção de tudo surge aqui (e também em Takes Off, do Jefferson Airplane), através de letras pregando a paz e o amor entre as pessoas e a natureza. Os arranjos vocais são excelentes, com óbvio destaque para a (lindíssima) Michelle Phillips e Mama Cass. Ouvir “Monday Monday”, “California Dreamin'”, “Got a Feeling”, “Straight Shooter” e “Hey Girl” é um deleite para os ouvidos nesse quesito, e as recrições para “Do You Wanna Dance” (mega-sucesso de Bobby Freeman, que depois os Ramones gravaram), “I Call Your Name” (The Beatles), “Spanish Harlem” (sucesso de Phil Spector na voz de Ben E. King) e “The ‘in’ Crowd” (sucesso de Billy Page na voz de Dobie Gray) são demonstrações nítidas e essenciais para que o movimento hippie ganhasse força não somente pelas questões sociais, mas também pelas fantásticas capacidades musicais de seus integrantes. Fundamental!

Marcello: O quarteto folk de John Phillips (o cérebro), sua esposa Michelle (o rosto), Cass Elliott (a voz) e Denny Doherty (o zé-ninguém) deixou uma discografia pequena, mas de boa qualidade, e este primeiro LP traz duas de suas músicas mais conhecidas abrindo os lados A e B: “Monday Monday” e “California Dreamin’”, duas músicas que soam nostalgia pura até por quem não viveu os anos 60. John assina mais da metade das músicas, incluindo algumas parcerias com Michelle e uma com Denny, e as versões são bem legais (particularmente, gosto mais do Mamas & Papas cantando “I Call Your Name” do que dos Beatles), como a versão fofinha para “Do You Wanna Dance” e o arrepiante solo vocal de Cass Elliott em “The ‘In’ Crowd” (que quase faz esquecer a ótima versão de Bryan Ferry). Naturalmente, as harmonias vocais do grupo são o ponto forte do disco, pois tirando Mama Cass, nenhum deles era exatamente um grande cantor, mas juntos tiravam o melhor de suas vozes. A música suave do The Mamas & The Papas hoje soa um pouco ingênua, e os arranjos de cordas são um pouco açucarados, mas era perfeita para esse período dos anos 60 e até hoje cativa. Mas não deixa de ter um sabor amargo ver que dos quatro apenas a bela Michelle (que faria carreira como atriz) ainda está viva – uma coincidência macabra é que Keith Moon morreu exatamente no mesmo quarto que Cass num flat londrino, ambos com 32 anos. Acho que nunca tinha ouvido nenhum disco original do grupo, só as coletâneas – agora a injustiça está corrigida. Boa lembrança, acho que ninguém mais pensou nesse disco.


Belchior – Alucinação [1976]

Marcelo: Este aqui é até covardia comigo mesmo: alguns meses atrás escrevi uma matéria inteira celebrando os 50 anos de Alucinação. Continuo achando que ele é muito mais do que um clássico da MPB; é daqueles discos difíceis de enquadrar, com Belchior situado em algum lugar entre o folk-rock visceral de Dylan e o realismo da literatura urbana brasileira. Foi justamente por isso que envelheceu tão bem. “Apenas um Rapaz Latino-Americano”, “Como Nossos Pais”, “Velha Roupa Colorida”, “Fotografia 3×4”, a faixa-título… Não estamos falando apenas de uma coleção de grandes canções, mas de uma visão de mundo articulada ao longo de um álbum inteiro. Belchior canta sobre o desterro, juventude, fracasso, esperança, consumo, tradição e ruptura sem transformar nenhuma dessas coisas em mero discurso panfletário. Em 1976, eu poderia discutir posições; sua presença entre os dez, porém, para mim nem deveria estar em discussão.

Anderson: Muito bom reviver esse material, a muito tempo não topava com Belchior. Satisfatório demais e, ainda hoje, muita coisa atual para se pensar sobre a vida. A pegada de vida real, prática, crua e, apesar de tudo, mostrando que pode, sim, haver esperança na vida é algo muito bom de se ouvir. Sobre a música, muito de folk, rock, um que de baião, enfim… uma verdadeira MPB cheia de influências e caras distintas. A lenda Belchior surge aqui e se mantém viva até hoje. Clássicos como “Apenas Um Rapaz Latino-Americano”, “Como Nossos Pais”, “Velha Roupa Colorida” ou “Sujeito de Sorte” figuram entre outras ótimas músicas como “Como O Diabo Gosta” ou “Alucinação”. Atemporal e clássico.

André: Demorei um pouco, mas o bigodudo também me pegou pelos ouvidos e hoje ouço vários de seus álbuns com prazer. Este não é apenas o disco que o consagrou, mas também é o seu melhor trabalho. Composições marcantes, letras reflexivas e um tino para arranjos excelente, o jovem de 30 anos que já parecia velho continua marcando muita gente, inclusive jovens, com suas canções que soam atemporais.

Davi: Segundo álbum da carreira de Belchior e o responsável por consagrá-lo. A minha relação com Belchior sempre foi ambivalente. Por um lado, sempre admirei o seu lado de compositor. Belchior foi responsável por alguns dos maiores clássicos da MPB. Esse disco, em questão, já conhecia mais da metade do álbum e nunca fui um fã de carteirinha, não tenho nenhum disco dele na minha coleção, inclusive. E isso só demonstra a força de sua obra. Por outro lado, nunca gostei de sua voz. Sempre achei sua voz meia anasalada, meia chatinha. Sempre preferi ouvir suas músicas na voz de outros artistas – como a saudosa Elis Regina, por exemplo. O disco em si, é bom. Repleto de músicas atemporais, conta com ótimos músicos, arranjos bem resolvidos, bem gravado. Sem dúvidas, um marco na carreira do cantor cearense e – por que, não – da MPB. Considero seu resgate merecido por sua importância histórica.

Mairon: Eu até me sinto mal de não gostar de Belchior. A ampla maioria do pessoal na minha volta ama e venera o cara, mas sua voz me soa insuportável. Como letrista, sim, Belchior é essencial, mas interpretar suas canções, Elis Regina é quem realmente consegue me cativar. E Alucinação é um belo exemplo disto. Afinal, aqui estão “Como Nossos Pais” e “Velha Roupa Colorida”, que estão também no Falso Brilhante de Elis, lançado em 1976. Tem como comparar??? Adoro a letra de “Apenas Um Rapaz Latino Americano”, sou encantado pela força musical e instrumental de “A Palo Seco” e “Como o Diabo Gosta” (Antenor Gandra, José Roberto Bertrami, Pedrinho Batera, só feras), e admiro muito as harmonias de “Fotografia 3 x 4”, só que bah, a voz de Belchior é chata demais. Desculpe Marcelo, 1976 teve obras muito melhores.

Marcello: Ouvi bastante Belchior na época da universidade por conta dos amigos que gostavam de colocar MPB nas festas. Acho-o um bom compositor (as melodias são boas e as letras têm algumas tiradas ótimas) e bom cantor, embora não goste muito do jeito meio empolado de interpretação que ele adotava em várias músicas, e este disco é o que provavelmente recomendaria para alguém começar a se aventurar na obra do Belchior (até porque não conheço sua discografia). “Apenas Um Rapaz Latino Americano” (primeira música que me lembro de ter ouvido do Belchior na vida), “Como Nossos Pais”, “Não Leve Flores” e “Velha Roupa Colorida” (com seu piano elétrico jazz-fusion) são as músicas mais conhecidas para mim – pelo menos, foram aquelas que ao ouvir novamente em mais de 35 anos eu me peguei lembrando da letra e melodia. As demais músicas não me chamam tanto a atenção, mas não há nada que comprometa – e, aliás, o desempenho dos músicos que acompanham Belchior é muito bom, em especial o tecladista José Roberto Beltrami, que se mostra bem antenado no que os tecladistas estrangeiros de jazz-rock vinham explorando e dá um toque todo pessoal. Apesar disso, não é um disco que vá voltar a ouvir: está muito longe de ser ruim, mas não me atrai. E, da mesma maneira que no caso do bônus selecionado pelo Marcelo, bateu a nostalgia de tempos passados. E não posso deixar de registrar: quando fui conferir as informações no Discogs, dei de cara com o encarte em forma de cédula (não lembro dele quando ouvi o disco físico no final dos anos 80) – nunca imaginei que o Belchior conhecesse Alice Cooper, hehehe…


Black Sabbath – Seventh Star [1986]

Marcelo: Se Dois, da Legião Urbana, não estivesse comprometido com outra recuperação de postagem aqui no site, provavelmente seria minha escolha para 1986. Mas não precisei ir muito longe para encontrar outro disco que eu já havia defendido por estas bandas. Seventh Star é aquele álbum que parece que só eu gosto. Sei de todos os problemas em torno dele: nasceu para ser um trabalho solo de Tony Iommi, acabou lançado sob o nome Black Sabbath, tem muito mais de hard rock oitentista do que do peso sombrio que muita gente espera da banda e ainda coloca Glenn Hughes justamente no lugar em que o fã mais conservador provavelmente menos gostaria de encontrá-lo. Pois é justamente aí que mora boa parte de seu charme para mim. “In for the Kill”, “Danger Zone”, “Heart Like a Wheel” e, sobretudo, a belíssima “No Stranger to Love” mostram um Iommi tentando encontrar um caminho em meio ao caos daquela fase, enquanto Hughes canta como só Glenn Hughes sabe cantar. Não é o Sabbath clássico, e nem pretende soar como ele. Aceitando o disco pelo que efetivamente é, temos um ótimo álbum de hard rock, cheio de personalidade e muito mais interessante do que sua reputação costuma sugerir. Em um 1986 tão concorrido, talvez eu discutisse sua posição; deixá-lo completamente de fora, porém, me incomoda bastante.

Anderson: O primeiro álbum solo do Iommi é um bom material, ainda mais com os vocais do Hughes. Infelizmente creditado ao Black Sabbath, sua sonoridade não soa pertinente à banda. Coisas da “Era das Gravadoras”. Musicalmente, Seventh Star é um álbum de hard rock melódico, com forte influência de blues, bem distante do doom pesado que consagrou o Sabbath. A produção apresenta teclados proeminentes e bateria com som muito processado. Destaques como “Heart Like a Wheel” ou “No Stranger to Love” representam bem essa distância em relação ao Sabbath. Enfim, é um bom material fora da discografia oficial do Black Sabath e um dos vários momentos estranhos dentro da discografia com o nome da banda.

André: Não ligo para o fato do disco soar mais hard rock porque nem era para ser chamado de Black Sabbath. Independente de considerarmos como o primeiro álbum solo de Iommi, o fato é que as composições pouco acrescentam à carreira do britânico. Daqui, gosto apenas da abertura “In for the Kill” com sua bateria muito bem tocada e velocidade típica do bom heavy metal oitentista e de “Turn to Stone”, também veloz e com outra bela intro de bateria de Eric Singer. É um disco ouvível, mas infelizmente se esquece fácil dele.

Davi: Esse é um disco que costuma dividir opiniões e até consigo entender a razão. Afinal, a sonoridade que Tony Iommi apresenta aqui está bem longe daquele heavy metal pesado, arrastado e obscuro que se tornou marca registrada da banda. Esse LP, na verdade, era para ter sido lançado como um trabalho solo do guitarrista, mas a gravadora negou e o obrigou a lançar como um LP do Sabbath. O lineup é excelente e conta com o grande Eric Singer (Kiss, Alice Cooper) na bateria e o lendário Glenn Hughes nos vocais. Sim, é verdade que Glenn teve problemas com os vocais na turnê desse disco, mas no álbum, estava em plena forma. A sonoridade aqui é um hard/heavy oitentista (sim, mais hard do que heavy). Imagine, sei lá, o trabalho que Ray Gillen e Hughes fizeram ao lado do Phenomena com uma dose de peso extra. “In For The Kill”, “No Stranger to Love” e “Danger Zone” são os grandes destaques. Acho um disco bacana, mas não considero um dos pontos altos da carreira do Sabbath.

Mairon: Tony Iommi estava desesperado para voltar a ter sucesso, e Glenn Hughes estava desesperado por uma oportunidade de voltar a cantar. Resultado, um disco surpreendente, e que se na época foi extremamente malhado, hoje passa a receber o seu devido valor como uma das grandes obras dos anos 80. Muito das boas músicas do disco se deve a excelente performance de Eric Singer, um novato que está demolindo na bateria, principalmente em faixas como “Turn To Stone”, uma paulada sem tirar nem pôr, e no blues de “Heart Like a Wheel”. Iommi executa seus solos e riffs característicos ao longo do álbum, sem brilhar tanto quanto outrora. Já Hughes está muito bem nos vocais, seja no hardaço oitentista de “Danger Zone”, na ótima abertura de “In For The Kill”, na pesada “Angry Heart” e na sensacional faixa-título. Ok que “No Stranger To Love” engana, com os mesmos teclados de “Die Young”, mas que é uma baladinha bem da filha-da-puta (assim como “In Memory”), mas no geral, Seventh Star é um disco muito bom, e ainda melhor de ver o Marcelo relembrando ele aqui.

Marcello: Em 1986 eu estava numa fase de verdadeira idolatria pelo Black Sabbath, e tanto eu quanto meus amigos nos perguntávamos se a banda iria sobreviver, afinal, desde Born Again não rolava nada em termos de disco novo. Aí veio a bomba: Tony Iommi tinha convidado ninguém menos que Glenn Hughes para o vocal! Antes de o LP chegar na loja, um programa de TV exibiu o clip de “No Stranger to Love” numa tarde de sábado – e a emoção de ouvir algo novo do Sabbath eclipsou o fato de que se tratava de uma baladinha, e que a voz de Hughes soava diferente para quem só o conhecia do Deep Purple Mk.III. Aí pintou o disco e o jovem Marcello de 16 anos endoidou com “In for the Kill”, “Turn to Stone”, a faixa-título e “Danger Zone”, emocionou-se com “No Stranger to Love” e “In Memory…”, saiu correndo para catar o babador com o solo de Iommi no blues “Heart Like a Wheel” – e depois da audição se deu conta de que nem se lembrava de “Angry Heart” e “Sphynx (The Guardian)”. E daí que não tinha Bill Ward nem Geezer Butler? O Sabbath finalmente voltava. Quarenta anos se passaram, e Seventh Star não me entusiasma mais tanto, mas ainda é um bom disco. E eu ainda gosto da bateria de Eric Singer em “In for the Kill” e “Turn to Stone”, ainda acho o solo de “Heart Like a Wheel” fantástico, e ainda me emociono com a homenagem de Iommi ao pai em “In Memory…”. Hoje em dia, ouvindo a Deluxe Edition em CD duplo, que traz no segundo disco uma parte de um show do ótimo Ray Gillen, eu ainda penso que Tony Iommi acertou em não deixar o Black Sabbath morrer. É tão bom quanto os discos com Ozzy e Dio? Não. Mas é melhor do que o que Ozzy (The Ultimate Sin) e Dio (o anêmico EP Intermission – té hoje me pergunto por que ele não lançou na época um disco ao vivo à altura da sua carreira até então) fizeram naquele ano, então para mim está valendo.


Alice in Chains – MTV Unplugged [1996]

Marcelo: Quando resolvi revisitar a lista de 1996, estabeleci um critério: esquecer o impacto de época e perguntar quais discos ainda se sustentavam trinta anos depois. Ao chegar aos que haviam ficado de fora, minha reação ao Unplugged foi basicamente: pouco me importa se álbum acústico vale ou não para a lista, como deixar este de fora? Minha opinião, aliás, também ficou preservada nos comentários da postagem original. Tenho também uma relação afetiva enorme com ele. Comprei o CD aos 21 anos, num sábado, pouco depois de comprar meu primeiro carro, e voltei para casa ouvindo aquilo pela estrada, sem entender como uma banda tão pesada poderia soar tão perfeita naquele formato. “Nutshell”, especialmente, tornou-se para mim ainda mais triste, sombria e intensa do que em estúdio. Talvez seja justamente essa a grandeza do disco: ele retira volume sem retirar peso. Ao contrário, expõe ainda mais a escuridão que sempre esteve no Alice in Chains.

Anderson: Toda vez que falo de Alice in Chains vem um misto de tristeza e alegria, é impossível não pensar sobre a verdadeira epidemia de drogas que assolava os EUA e que ajudou a matar significativa parte dos jovens músicos, muitos dos quais provenientes do Grunge. Quanto ao Unplugged do Alice in Chains, diria que é um exemplo ótimo de como existem materiais que envelhecem bem, se observarmos a repercussão em reportagens da época, ou mesmo a colocação do álbum em seu lançamento, nas famosas listas de vendas da época, é perceptível que ele não obteve a repercussão que o consagra nos dias atuais. Fato é que o resultado de um vocalista moribundo, mas extremamente talentoso, em conjunto com uma banda com vontade de fazer acontecer resultou em um material único. Sobre as músicas, algumas versões são tão épicas que superam de longe as originais, mesmo com tudo o que aconteceu naquele dia. “Nutshell”, “Brother”, “Down in a Hole”, “Frogs”, “Would?”, “Sludge Factory”… enfim… um verdadeiro documento de despedida. Eterno.

André: Tá aí uma banda que eu jamais imaginaria que fosse soar bem sem o amplificador e os pedais das guitarras. Porém, confesso: nunca ouvi este álbum anteriormente, mesmo gostando da banda. Sinto que perdi uma bela apresentação e versões de músicas que estou acostumado a ouvir com o peso das guitarras soarem muito boas. Parece que eu mesmo preencho as guitarras com o meu cérebro a cada faixa ouvida. “Would?” é a que mais me surpreendeu neste formato acústico.

Davi: Comprei esse disco na época de seu lançamento. O Alice In Chains fez história ao ajudar a catapultar o movimento grunge ao lado do Soundgarden, do Pearl Jam e do Nirvana. “Man In The Box” foi a canção que os levou ao estrelato. Não demoraria para que se tornassem trilha da juventude. O grupo de Layne Staley e Jerry Cantrell apostando no formato acústico nunca foi uma novidade para seus admiradores. Pelo contrário, os músicos já haviam explorado essa sonoridade nos EPS Sap e Jairflies. Portanto, era só questão de tempo até que a MTV resolvesse convidar os rapazes para gravar seu unplugged. E o resultado não poderia ter sido melhor. Os músicos conseguiram entregar uma performance que era, ao mesmo tempo, melódica, harmoniosa e sombria. Layne sempre foi um bom cantor, Cantrell sempre foi um ótimo guitarrista e também mandava bem nos vocais. Sempre foi afinado. Sean Kinney – embora menos celebrado – sempre foi um baterista eficiente. Os caras tinham o time certo e sabiam exatamente o que estavam fazendo. O repertório é espetacular e traz grandes performances de “Down In a Hole”, “Got Me Wrong”, “Heaven Beside You” e “Over Now”. No entanto, canções como “Would” e “Sludge Factory” funcionam melhor com as guitarras ligadas no overdrive. Ainda assim, bela banda e belo show. Uma das melhores apresentações da série MTV Unplugged.

Mairon: Um dos melhores ao vivos da história, este Unplugged pega um AIC afastado dos palcos há algum tempo (pouco mais de três anos para ser preciso). E quem acha que o som pesado dos caras não ia combinar com o modo acústico, se engana redondamente. Algumas faixas tornam-se dançantes, o que é algo inesperado para a banda, como as animadas “Got Me Wrong”, “Heaven Beside You” e “Over Now”, mas principalmente, a sensacional “No Excuses”. Mas é na depressão e sombrio que o disco me pega. Logo de cara, “Nutshell” já coloca a casa abaixo, numa versão lindíssima. “Frogs” é uma faixa agonizantemente deliciosa ao longo de seus mais de 7 minutos. O que dizer de “Down in a Hole”? Simplesmente para chorar. Ainda há o peso violento de “Angry Chair”, “Killer is Me” “Rooster” e “Sludge Factory”. Os caras baixaram os tons dos violões, e conseguiram traze todo o peso original para o formato acústico, com “Would?” sendo uma aula de como tocar pesado desta forma. Layne Staley está dando suas últimas forças aos fãs, Jerry Cantrell está tocando (e cantando) demais, a cozinha Mike Inez/Sean Kinney faz o feijão-com-arroz fundamental para segurar tudo, enfim, discaço. Falei mais sobre ele aqui!

Marcello: Alice in Chains foi uma das poucas bandas que acompanhei desde o primeiro disco, comprado na época que saiu. E me bateu uma grande tristeza quando anunciaram o fim do grupo – e outra maior ainda quando o ótimo Layne Staley morreu. A primeira encarnação do AIC durou pouco, mas deixou três bons discos de estúdio (dois deles figurinhas carimbadas na lista de melhores do ano) e esse monumento gravado ao vivo para a MTV. A banda apresenta um repertório muito bem selecionado de dois dos três full-lenght (apenas Facelift não é representado, o que é uma pena; teria sido legal ouvir “Man in the Box” acústica) e dois EPs anteriores, e uma música inédita, “Killer is Me”, que encerra o show. A saúde de Staley estava bastante deteriorada pelo abuso de drogas e Jerry Cantrell tinha sofrido uma intoxicação alimentar, mas você não diria isso a partir da performance do grupo. Particularmente considero este disco um dos melhores Unplugged lançados oficialmente, se não for o melhor; as versões de “No Excuses”, “Rooster”, “Heaven Beside You” e “Over Now” já bastariam para sustentar meu argumento, mas ainda há uma versão absolutamente fantástica de “Down in a Hole” (impossível ouvir o dueto de Cantrell e Staley e não se debulhar em lágrimas) e uma ainda mais espetacular de “Would?”, que parece ter sido feita para ser reinterpretada nos violões. Do começo ao fim, são mais de 71 minutos de um show maravilhoso, um testamento digno para a primeira fase do Alice In Chains e uma homenagem a esse excelente vocalista que era Staley, um talento fora do comum que parecia destinado a brilhar no céu como um meteoro – rápido, fugaz, mas impressionante.


Audioslave – Revelations [2006]

Marcelo: Minha primeira reação quando reli a lista oficial de 2006 foi pouco elegante: “Rapaz, como tem disco ruim nessa lista…”. Depois, provocado pela lista do Davi, montei meus próprios dez melhores e Revelations estava lá. Continuo com ele. O terceiro e último disco do Audioslave talvez não tenha causado o impacto do primeiro, mas gosto justamente de como aqui a banda parece finalmente deixar de soar como a soma de Chris Cornell com três quartos do Rage Against the Machine para assumir uma personalidade própria. Há mais groove, mais soul e até certo balanço que não aparecia com tanta naturalidade antes, sem perder o peso de Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk. “Revelations”, “Original Fire”, “Sound of a Gun” e “Shape of Things to Come” mostram uma banda que ainda tinha muito caminho pela frente. Saber que foi o último álbum torna tudo um pouco mais frustrante. Entre os esquecidos de 2006, este entra sem dificuldade na minha lista.

Anderson: Esse terceiro material da banda soa um tanto diferente dos dois anteriores, com menos peso e mais melodia ao mesmo tempo que com algumas referências mais claras ao RATM. Particularmente, muitas coisas me agradam no álbum, apesar de a banda em si nunca ter sido das minhas favoritas (muito por conta das baladas chatas que não paravam de tocar nas rádios). Em relação aos bons momentos do álbum, gosto bastante de “Sound of a Gun” em que a agressividade da letra reflete na música, outra muito boa é Broken City que representa bem o álbum e sua tentativa de trazer mais elementos funk, guitarra e baixo se destacam no groove. Por fim, “Somedays” acho interessante de destacar em função de apresentar um pouco do que a banda tinha sido nos dois materiais anteriores. O derradeiro material do Audioslave entrega algo do que poderiam ter sido num futuro, o que nunca saberemos…

André: Não dá, qualquer trabalho que tenha Chris Cornell em seus créditos eu já ouço de boca torta. Como de costume, um disco de rock genérico, com aquela pegada comercial implorando para ser tocada em alguma MTV da vida.

Davi: Terceiro e último álbum do Audioslave. Lembro que fiquei bem impactado quando ouvi “Cochise” nas rádios e extremamente preocupado quando “Like a Stone” começou a tocar sem parar. Meu medo era que a banda perdesse um pouco do folego, buscando fazer músicas mais comerciais para manter o sucesso adquirido. E, infelizmente, foi justamente essa a impressão que tive de Out of Exile. Em Revelations, o grupo soa mais impactante que no álbum anterior, mas ainda longe do poder de fogo do seu debut. Tom Morello continuava criando riffs espertos, Chris Cornell continuava entregando um vocal forte e emotivo, mas ainda acho que há um excesso dessa pegada mais comercial. “Revelations”, “Original Fire”, “Somedays”, “Shape of Things to Come” e “Jewel of the Summertime” são os grandes momentos desse (bom) disco.

Mairon: O derradeiro disco do Audioslave não tem o impacto de seus antecessores, mas mesmo assim, apresenta ótimas canções. Chris Cornell continua em uma forma soberana, mandando seus vocais em “Broken City”, “Sound of a Gun” e “Wide Awake”. Tom Morello continua o gênio das guitarras, fazendo suas estripulias cheias de efeitos em “Original Fire”, “Moth”, forte candidata a melhor do disco, “Revelations” e na ótima “Somedays”, outra que concorre a melhor. A cozinha com Brad Wilk e Tim Commerford dita o ritmo que segura tudo isso, tendo como melhores exemplos a já citada “Original Fire”, ótima para pular pela casa, na funkeada “Jewel of the Summertime” e na viajante “Shape of Things to Come”. Tem riff matador em “One And The Same”, tem a baladinha de sempre em “Until We Fall”, tem a encantadora “Nothing Left to Say but Goodbye”. Um disco muito bom, que encerrou um dos melhores e mais surpreendentes grandes projetos dos últimos anos. Pena que acabou cedo (caramba, 20 anos deste disco, como pode?).

Marcello: O terceiro – e último – disco do Audioslave mostra que a união de Chris Cornell com os (ótimos) instrumentistas do Rage Against The Machine, infelizmente, não era feita para durar. Cornell é, para mim, o melhor cantor surgido na geração grunge e um dos grandes da história do rock, Tom Morello é um guitarrista de mão cheia, tanto nos riffs quanto nos seus solos econômicos, e a cozinha de Brad Wilk e Tim Commerford é segura e pesada na medida correta. Como no caso dos outros discos do Audioslave, as músicas são uniformemente boas e a qualidade dos músicos faz toda diferença. Mas, para citar os destaques, gosto muito das duas primeiras (a faixa-título e “One of the Same” – com direito a introdução no pedal wah-wah), “Wide Awake” – uma das poucas músicas em que se pode ouvir o baixo de Commerford com mais destaque e Chris abrindo a caixa de ferramentas no final, “Shape of Things to Come” (riff contagiante e vocal soberbo puxam a música para cima), “Until We Fall”, que me trouxe o grunge à cabeça novamente, e de “Nothing Left to Say”, que tem uma guitarra mais limpa e um riff meio psicodélico que a torna diferente do resto. O peso e o ritmo arrastado de “Moths” me fazem lembrar um pouco do Black Sabbath – e aí entendo por que Brad Wilk participou do 13. No cômputo geral, Revelations é um bom disco que não tem músicas ruins, nada que o comprometa, mas ainda prefiro o segundo álbum do Audioslave a este aqui. Boa lembrança do Marcelo novamente.


bônus

Casa das Máquinas – Casa de Rock [1976]

Marcelo: Já escrevi aqui que Lar de Maravilhas é, para mim, o ponto máximo do Casa das Máquinas, portanto escolher Casa de Rock como bônus não é uma tentativa de reescrever a hierarquia da discografia. É outra coisa: este é um baita disco de rock! Com a entrada de Simbas e a pressão da gravadora por um som menos progressivo, a banda endureceu, simplificou e chegou mais perto do hard rock, sem perder completamente sua identidade. A produção também ajuda muito: incentivados pelo técnico Don Lewis, eles gravaram buscando reproduzir no estúdio a energia com que tocavam juntos ao vivo. O resultado aparece em “Stress”, “Jogue Tudo para a Cabeça” e, sobretudo, na faixa-título, quase um manifesto de pertencimento ao rock and roll. Lar de Maravilhas é mais ambicioso, porém Casa de Rock é mais imediato, mais certeiro. E, numa lista de 1976, eu teria enorme dificuldade em deixá-lo simplesmente de fora da festa.

Anderson: Um som direto, seco e calcado no Hard Rock setentista é o que vemos aqui. A impressão que tive ao ouvir, e nunca tinha ouvido o álbum inteiro (apenas duas músicas), foi de que algo me lembrava o Deep Purple em função da rapidez dos solos de guitarra e alguma coisa de teclados. Em um segundo momento, até Mutantes me veio a mente em função de melodias que apresentam algum virtuosismo. Outro ponto que chama a atenção é a questão da bateria, me soou bem criativa e com momentos muito distintos, a produção deixou os instrumentos muito limpos. Gostei bastante de Londres, da faixa título, Dr. Medo e Mania de ser (Pecados Banais), cada uma com sua pegada: Londres e a Casa de Rock representam muito bem a proposta de um álbum Rock N Roll, enquanto Dr. Medo remete ao passado mais psicodélico da banda criando uma atmosfera repleta de sintetizadores e teclados. Estes que também são muito bem trabalhados em Mania de Ser, porém essa soa mais como uma espécie de balada. Um ótimo representante dos anos 1970.

André: Para apreciar este disco, é necessário esquecer que existem os dois anteriores focados no rock progressivo. Aqui a banda passa a dar uma de Roxy Music à brasileira com rocks que se pautam muito mais no glam do que no hard ou no prog. É um disco legalzinho e divertido, mas os dois primeiros mais progs são melhores.

Davi: Em seu terceiro – e, por um bom tempo – último disco, o Casa das Máquinas apostava em um hard rock mais tradicional. Sim, há influências de MPB, algo que podemos perceber na balada “Certo Sim, Seu Errado”. E também há referências ao rock progressivo, como podemos notar em faixas como “Eu Queria Ser”. “Londres” traz bastante influência de Deep Purple no trabalho de guitarra e no órgão, mas minhas faixas preferidas desse disco são realmente nos rocks mais tradicionais: “Stress”, “Pra cabeça”, “Essa é a Vida”, além da inesquecível faixa-título, uma das músicas que mais gosto do grupo. O lineup deles era irrepreensível. Mario Testoni Junior, Netinho (sim, aquele que já tinha nos encantado ao lado dos Incríveis), Simbas… Só feras! E não podemos nos esquecer que nas composições, os músicos contavam com o auxílio do talentoso Catalau que, anos mais tarde se tornaria um dos grandes frontmans do rock brasileiro, ao lado do Golpe de Estado. Disco essencial para entender o rock feito em nosso país.

Mairon: Adoro Casa das Máquinas, adoro o Lar de Maravilhas, mas infelizmente, acho que o derradeiro disco da banda é muito aquém do que seus dois antecessores. Se a banda privava por um rock progressivo de ótima qualidade, sustentado pelos teclados de Mario Testoni, aqui é puro rock ‘n’ roll brasileiro dos anos 70, na linha do que Rita e o Tutti Frutti faziam contemporaneamente. Testoni aparece pouco, e quando aparece, é mais no piano, como na bonita “Sonho de um Vagabundo (Lei do Sonho de um Vagabundo)”. As letras são simplórias e diretas, não há espaço para as religiosidades e o movimento contra-cultura. Ok, gosto do disco, principalmente “Certo Sim, Seu Errado”, com uma forte crítica à censura da ditadura militar, a pegada de “Londres”, onde Piska dá um show particular no solo, e a ótima “Eu Queria Ser”, que é a única a trazer este som mais progressivo (pero no mucho), só que lembrando mais O Terço do que o próprio Casa das Máquinas. Assim, se é para escolher ESSE tipo de rock, prefiro muito mais Entradas & Bandeiras.

Marcello: Meu irmão mais velho comprou o LP depois de ter visto a banda no Fantástico com um clip para a stoneana “Casa de Rock” – essa é uma memória que carrego comigo 50 anos depois do evento. A banda era formada por ótimos músicos (Pisca na guitarra e baixo, Marinho Testoni nos teclados, Marinho e Netinho – o mesmo dos Incríveis – nas baterias e Simbas nos vocais, e o álbum foi gravado ao vivo no estúdio por Don Lewis, ex-técnico de som de Alice Cooper que se estabeleceu no Brasil. O disco saiu pela Som Livre, gravadora da Rede Globo, com o selinho verde e azul em espiral (que hoje me lembra o original da Vertigo – será que foi inspirado nele?), e a sequência de abertura com “Casa de Rock”, “Jogue Tudo pra Cabeça” (outra música claramente influenciada pelos Stones), “Certo Sim, Seu Errado” (que diminuía o ritmo para uma balada fusion) e “Stress” mostrava que o Casa das Máquinas tinha um belo disco de rock, em que a única bola fora era a enjoada baladinha “Sonho de um Vagabundo”. O lado B não é tão bom quanto o A, mas ainda assim tem coisas legais como “Dr. Medo” (ótimos riffs e solo, aliás), “Essa é a Vida” (outro rock’n’roll arregaçado) e “Eu Queria Ser” (a mais variada do disco em termos de ritmo, mas não menos rocker), com seu baixo sinuoso (Pisca era fera nesse instrumento também). Ouvi o disco algumas vezes ao longo dos anos, depois que o encontrei em MP3 e no streaming, e sempre foi uma viagem nostálgica. E, como não poderia deixar de ser, ouvir de novo agora foi como encontrar um velho amigo e relembrar tempos mais simples e divertidos.

Um comentário em “Ouve Isso Aqui: Efemérides 6 por Marcelo Freire”

  1. Essa lista do Marcelo foi tranquila de ouvir, afinal, somente o The Mamas & The Papas eu nunca tinha ouvido e os dois brasileiros foi caso de relembrar. “Seventh Star” tem mais fãs do que a gente imagina, e o Alice In Chains é praticamente unanimidade! Difícil não ouvir o disco com um pouco de amargura, afinal, como esquecer do grande Layne Staley! Acho que se fosse para escolher apenas um dos discos resenhados, seria este “Unplugged” – sem dúvida um dos melhores da série.

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