Por André Kaminski

Já são 40 anos de Sodom! Pioneiros na cena thrash alemã junto aos conterrâneos do Kreator e do Destruction (e sendo um pouco mais antiga do que ambas) e liderada pelo veterano baixista e vocalista Tom Angelripper, o Sodom vem por estas quatro décadas lançando discos com regularidade e alternando pouco a qualidade entre eles, sendo seus cinco primeiros álbuns considerados clássicos e seus outros onze discos normalmente bem avaliados com uma ou outra exceção.

Nunca considerei o ano de 1997 como um bom ano para a música pesada em geral, mas este aqui é um daqueles que se salvam em um ano que considero ruim para as bandas de metal. ‘Til Death Do US Unite apresenta o velho thrash do Sodom misturado com algumas influências punk tanto em sua sonoridade quanto em seus letras, me lembrando bastante o som pelo qual o Ratos de Porão é conhecido. Gravando quase sempre em trio, aqui Tom Angelripper se une ao guitarrista Bernemann e ao baterista Bobby Schottkowski para registar esta bolacha.

O disco abre bem com “Frozen Screams” demonstrando grande velocidade vinda da bateria de Bobby. Porradaria e um grande solo de Bernemann já esquenta os ouvidos e traz boas expectativas ao restante do material. Na segunda faixa já começa a influência do punk e da anarquia com “Fuck the Police”, uma letra que poderia muito bem ter sido escrita pelo Sex Pistols. Interessante registrar que o Sodom neste álbum abandona grande parte das letras blasfêmicas de antes e se foca em um conteúdo mais de guerra e de críticas políticas.

Dando uma tirada no pé do acelerador, temos “That’s What an Unknown Killer Diarized” da qual eu achei excelente e uma das minhas favoritas do disco. Aqui se nota um groove muito maior e um foco em riffs pesados e intensos à la Pantera. A faixa título “Till Death Do Us Unite” tem um riff inicial mais lento e pegado, novamente remetendo a bandas do groove metal tal como o já citado Pantera e o que faria o Lamb of God uns anos depois. O Sodom também não se leva muito a sério e é costume ter algumas faixas mais bem humoradas tal como o bizarro cover de “A Hazy Shade of Winter” da dupla folk Simon & Garfunkel. Mais para o lado final do disco, ainda destaco as fortes “Suicidal Justice” e “Master of Disguise” e a última canção “Hey, Hey, Hey Rock’n Roll Star” mais uma vez bem humorada e fazendo graça com eles mesmos e sua “carreira de sucesso”.

Foi ótimo reviver este disco com mais atenção. Em um período em que o Destruction estava mal das pernas nos anos 90 e o Kreator mergulhava mais em seus acenos gótico-industriais, o Sodom meio que segurava toda a cena thrash germânica no período. Fica a dica aí para quem curte um bom thrash que foge um pouco dos medalhões mais conhecidos. Vá nesse excelente disco do Sodom sem medo de ser feliz!

3 comentários

  1. Fernando Bueno

    Deve fazer uns 10 anos que não ouço esse disco. Como vc disse eles mantém uma regularidade muito interessante, mas esse faz parte de uma trinca de discos considerados mais fracos da banda. Apesar que muita gente ainda despreza as coisas que eram feitas nos anos 90, não só do Sodom, mas de todas essas bandas.

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    • André Kaminski

      É bizarro porque a trinca de discos considerados “fracos” deve ser a diferença de um disco nota 8 para um nota 7. Infelizmente é aquela noção de desprezar o que as bandas oitentistas produziram nos anos 90 sem ouvir com atenção.

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  2. Marcelo

    Eu não lembro se ouvi esse disco, mas dos anos 90 do Sodom eu lembro do porrada “Tapping the Vein”, que é um disco puro death metal mesmo!!! Foda, Sodom é uma banda pra mim que quase sempre transcendeu as barreiras do dito “thrash”.

    E detalhe, essa parada de letras blasfêmicas e satãnicas o Sodom já tinha mudado desde o “Persecution Mania”.

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