Editado por André Kaminski

Com Anderson Godinho, Daniel Benedetti, Davi Pascale, Fernando Bueno, Líbia Brigido, Mairon Machado e Marcello Zappellini

Mais um final de rodada do nosso Consultoria Recomenda e vamos pela terceira vez com tema livre. Nada de especial, todos os participantes indicam o que quiserem, sem qualquer limitação temática. Como de costume, álbuns bem distintos uns dos outros deram as caras e vocês podem conferir tudo aquilo que cada um de nós consultores estamos curtindo no momento. Preparem os olhos, porque as paredes de texto estão brutais nesta matéria!

*Líbia Brigido não pôde enviar seus comentários a tempo para a matéria, mas conseguiu mandar para a sua própria indicação.


Psiglo – Ideación [1973]

Por Mairon Machado

Quando conheci o Psiglo foi através de um Uruguaio erradicado em Pelotas, chamado Humberto. O cara era fanático por King Crimson, e trocava qualquer coisa da sua coleção por um disco do King Crimson. Lembro que peguei com ele a estreia dos Mutantes e o Godbluff do Van der Graaf Generator por uma cópia em vinil do Islands com a capa branca (que depois acabei conseguindo novamente). Ele tinha o Psiglo em uma edição em CD com os dois álbuns iniciais do grupo, este e o proibido pela ditadura uruguaia Psiglo II (na época, eram os únicos discos da banda, mas depois ainda veio Psiglo III – Siglo iberico). Chapei  na hora no som dos caras. A harmonia vocal e o baixo pulsante de “Siénteme” foram apenas o início de um mergulho nas profundezas sonoras de Montevidéu. Os vocais também são a atração na lindaça “Catalina”, cuja presença das cordas emociona. Já a instrumental “Nuestra Calma” só tem calma no nome. Que pancada, com um show a parte do hammond, e uma cozinha fabulosa, lindíssima! O quinteto era afiado, fazendo um hard setentista excepcional, tendo letras bastante políticas (por isso a banda foi perseguida pela ditadura) e com destaque para o excelente vocal de Rubén Melogno e os magníficos teclados de Jorge Garcia, os quais lembram Uriah Heep em faixas como “En Un Lugar Un Niño”, ” Piensa Y Lucha”, e principalmente na paulada “Vuela A Mi Galaxia”, onde os vocais agudos também ajudam muito nesta lembrança. Mas nem só de momentos pesados vive Ideación, vide a arrepiante “No Pregunten Porqué”, com seu fabuloso arranjo vocal, violões, piano e uma leve percussão. A faixa principal é sem dúvida “Es Inútil”, começando surpreendendo com um saxofone pesado, um riff ainda mais pesado, e o vocal de Melogno estourando as caixas de som. Um tour de force para fazer você aprender espanhol em apenas dez minutos, de tanto gritar “Es inutil, luchar luchar mucho más”. O trecho do solo de saxofone é algo (e que cozinha fantástica), mas a virada que a música dá, PQP. Nem vou comentar, só digo OUÇAM ESSA SONZEIRA!  Um verdadeiro achado do rock na América do Sul. Espero que os colegas tenham curtido.

Anderson: Os uruguaios do Psiglo surfaram muito bem no que de melhor estava rolando nos anos 70, sem sombra de dúvidas. Nada surpreendente acontece em Ideación, mas quase tudo que está presente é de boa qualidade. Riffs relativamente simples trazendo uma tônica hard rock e em alguns momentos pendendo ao progressivo. Agora, em minha opinião os maiores destaques ficam nas baquetas (Jorge Banegas) e teclas (Carmelo Albano). Destaco, negativamente, o vocalista Julio Dallier que não agrega muito valor ao material, não compromete, mas não se destaca. Algumas referências obvias no som dos caras é Deep Purple e Uriah Heep, pra quem curte fica a dica. E, por fim, pra não dizer que não critiquei: a música ‘Es inútil’ faz jus ao nome. Horrorosa.

André: Fiquei bem impressionado com esse hard rock setentista com alguma coisinha de psicodélico desses uruguaios, que não conhecia mas já considero pacas. Já na faixa de abertura “Siénteme” você sente uma energia gigante vindo dos caras. A terceira faixa, a calma e deliciosa “Catalina” se tornou a minha favorita deste ótimo disco. Uma pena que a produção pobre tira um pouco o brilho dos instrumentos, mas que esses caras tinham criatividade, composições marcantes e qualidade, ah isso tinham.

Daniel: Nunca havia ouvido falar. Banda uruguaia de progressivo. É um disco legal, curti muito faixas como “Ideación” (com guitarras afiadas), a longa “Piensa y Lucha” ou mesmo a introspectiva “Nuestra Calma”. Entretanto, canções como “Es Inútil” e “Catalina” não me pegaram. Mas não é algo que vou animar ouvir novamente.

Davi: Essa é uma banda que, honestamente, nunca havia ouvido falar. Fui pesquisar e vi que se trata de uma banda uruguaia e que a faixa “Vuela Mi Galaxia” foi um grande hit no país. Coloquei para tocar sem saber o que esperar e gostei do resultado. A sonoridade da banda tem um pé no hard rock, outro no progressivo (algumas passagens instrumentais de “Nuestra Calma”, por exemplo, remetem ao Yes – guardada as devidas proporções, é claro). Os músicos são bons, com destaque ao tecladista Jorge Garcia e ao baterista Gonzalo Farrugia. O trabalho vocal é correto, apenas. O disco, contudo, é bem agradável, onde destacaria, além do hit dos rapazes, as faixas “En Un Lugar Un Niño” e “Gente Sin Camino”.

Fernando: Isso aqui surpreendeu logo de cara. Não lembro de ter ouvido nada oriundo do Uruguai antes disso. Claro que num primeiro momento achei que era alguma banda argentina, pois sabemos que os hermanos são bastante prolíficos em termos de rock. A mistura de hard rock, progressivo e pitadas de psicodelia fez a fama de muitas bandas ao redor do mundo e pelo jeito a receita foi recriada aqui por nossos vizinhos em alto nível também. “Vuela Mi Galaxia” empolga como se fosse uma mistura de Sabbath com Uriah Heep. Já em “Es Inutil” o grupo apresenta um pouco das suas influencias de jazz rock. Como ter tempo para ouvir tudo o que a gente quer?

Marcello: Nunca tinha ouvido rock uruguaio antes. Este disco foi uma bela surpresa! Bom instrumental, bons arranjos vocais (quase todos os integrantes cantam), canções interessantes e que te pegam de primeira. Fui pesquisar sobre a banda e vi comparações na Wikipedia com Deep Purple e Uriah Heep, talvez por causa do uso dos teclados, mas o estilo space rock me fez pensar no Nektar, no UFO dos dois primeiros discos, só que com teclados (que são o destaque do grupo, para mim), ou no Jane (na época do Here We Are). Gostei muito das palmas e da percussão marcando o ritmo em “En Un Lugar Un Niño”, dos teclados de “Vuela A Mi Galaxia” (com direito a backing vocal feminino), da semiacústica “No Pregunten Por Qué” e de “Gente Sin Camino” (a mais Heep de todas, com letra em inglês cairia no Look at Yourself!). Por outro lado, a instrumental “Nuestra Calma” soou meio como encheção de linguiça e a longa “Es Inútil” não entusiasma, apesar de ter um bom solo de guitarra. Não é nada de revolucionário, tem aquele cheiro de anos 70, mas é bem agradável de ouvir. Deu vontade de ouvir os outros discos deles. Rubén Melogno canta bem, tanto solo quanto em harmonia, e Jorge García é um tecladista de respeito!


Stray Cats – Stray Cats [1981]

Por Daniel Benedetti

A estreia do Stray Cats é um álbum muito divertido. Ele faz um resgate do rockabilly dos anos 50s, mas com um toque atualizado (para os anos 80s). Por exemplo, “Ubangi Stomp” tem claros toques do Ska, tão em voga naquela época. Mas as roqueiras “Fishnet Stockings” e “Rock this Town” são mesmo minhas prediletas.

Anderson: Muito bom álbum! É interessante pensar que em 1981 os caras tenham resolvido olhar para trás e buscar inspiração no verdadeiro Rock n Roll. O play é um clássico do Rockabilly! Lá estão Elvis, Cochran e outros mestres. Álbum divertido do começo ao fim, realmente é uma obra de arte. Dentre todas as músicas, o meu top três seriam “Runaway Boys”, “Rumble in Bringhton” e a ótima “Rock This Town”. Para quem não conhece, precisa ouvir.

André: Claro que já ouvi falar do Stray Cats, mas nunca tinha parado para ouvir um disco inteiro deles. E encontrei um rockabilly excelente, a banda com aquele visual oxigenado oitentista, e usando ainda aqueles enormes contrabaixos acústicos de orquestras e do jazz como um de seus instrumentos. Dá de perceber que os caras tem técnica, principalmente em seu principal single “Runaway Boys” com clipe e tudo e não ficam apenas em levadas mais simples do estilo. Mais uma banda que preciso conhecer melhor.

Davi: Isso aqui é muito legal. Sempre gostei muito do Stray Cats e de seu líder, Brian Stezer. Esse aqui é, na verdade, o primeiro álbum do grupo. Aparecem aqui as primeiras versões dos clássicos “Rock This Town”, “Stray Cat Blues” e “Runaway Boys”. Muitas pessoas, incluindo eu, ouviram essas faixas pela primeira vez com o álbum Built For Speed, que abriu a porta para os garotos nos Estados Unidos (para quem não sabe, o grupo estourou primeiro na Inglaterra). Para quem não conhece a banda, o trio aposta em um rockabilly extremamente competente e divertido. Outra música que sempre gostei muito – e também aparece no LP de 1982 – é a releitura de “Jeannie, Jeannie, Jeannie”. Classicaço dos anos 50, que ficou conhecido na voz de Eddie Cochran. A banda alterou um pouquinho a letra, mas obviamente manteve o espírito da época e ficou muito bacana. Bela lembrança.

Fernando: Não sei exatamente o motivo de eu nunca ter me interessado por essa cena rockabilly. Deixando o som rolar me parece divertido, mas para ouvir com atenção me cansa rápido. Talvez por eu não ser tão fã dos rock ali dos anos 50 ajude eu não me interessar por essa espécie de revival. A chance disso me pegar é que enquanto eu ouvia meu filho de 5 anos parecia estar se divertindo. “Storm the Embassy” é legal! Quem sabe…

Mairon: Confesso que conhecia o Stray Cats por diversas canções, mas nunca tinha ouvido um disco deles na totalidade. O álbum auto-intitulado já começa com um dos grandes hits do trio, que é “Runaway Boys”, e outro sucesso que conheci de cara foi a ótima “Stray Cat Strut”, cujo clipe onde o batera Slim Jim Phantom está batendo nas latas de lixo, creio que revelou o grupo ao mundo. Stray Cats segue com muita música dançante e empolgante, como manda o Rockabilly. Há espaço para faixas mais leves, do porte de “My One Desire”, mas o que curti muito foram os rockaços de “Crawl Up and Die”, “Double Talkin’ Baby”, “Fishnet Stockings” e “Jeanie, Jeanie, Jeanie”. “Ubangi Stomp” não sei por que me lembrou um pouco do The Clash (acho que pela batida de guitarra e os gritos), assim como “Storm The Embassy”, uma das melhores canções do disco, e que tem um clima bem mais pesado. E que maravilha de faixa é essa “Wild Saxophone”??? Deliciosa. É Rockabilly raiz, se você não gosta do estilo, passe longe, mas se gosta, coloque em alto e bom som. Como adendo, aprecie os belos solos de guitarra que Brian Setzer mostra ao longo de todo o disco.

Marcello: Eu devia ter uns 12, 13 anos quando vi na TV três figuras de topete, baixão acústico e bateria de dublagem de programa de auditório de TV. Foi meu primeiro contato com Stray Cats e, por muito tempo, o único – até que uns anos depois um amigo tocou o Built For Speed, na época já fora de catálogo no Brasil, e gostei muito mais, até por perceber que Brian Setzer toca muito! O som do Stray Cats me faz pensar o que teria sido dos rockers da década de 50 se tivessem acesso a estúdios e produção decentes. Tenho pouco a falar sobre esse disco, para mim o melhor da banda. É basicamente uma festa de rock’n’roll do começo ao fim, perfeito para ser curtido naqueles momentos que você só quer mesmo é diversão. Meus destaques são “Fishnet Stockings”, Stray Cat Strut (para mim o hino da banda, com sua pegada meio Ray Charles), “Rumble In Brighton” e a profissão de fé de Brian Setzer: R”ock This Town”. Um dos melhores discos do começo dos anos 80, na minha opinião, e um álbum indispensável na coleção de qualquer fã de rockabilly. Os outros discos do Stray Cats são respeitáveis, mas nenhum tão bom quanto essa estreia. Dave Edmunds produziu o LP, e não acho que a banda teria nome melhor, pois ele conseguiu dar simultaneamente um verniz moderno e manter o espírito cinquentista da banda.


Jack Starr’s Burning Starr – Blaze of Glory [1987]

Por Líbia Brigido

Nos últimos meses estava ouvindo Riot e senti curiosidade de conhecer melhor outros trabalhos dos integrantes. Lembrei que o Rhett Forrester havia gravado um álbum chamado “Out of the Darkness” com Jack Starr’s Burning Starr, formada pelo Jack Starr, que foi guitarrista do Virgin Steele. Passou-se uns dias e vi uma notícia de um novo single do Jack Starr’s Burning Starr  para o recente lançamento Souls Of The Innocent [2022] que também está matador e conta com um jovem excelente vocalista. Nessa onda comecei a revisitar a discografia da banda, até me deparar com o Blaze of Glory e não consegui sair dele. E quando pediram para indicar um disco,  foi o primeiro que veio em mente. É um álbum que considero muito fluido com suas 10 faixas. Há duas instrumentais excelentes chamadas “F.F.Z. (Free Fire Zone)” ao estilo Van Halen, e “Excursion” que fecha com chave de outro esse belo registro. Para mim o momento mais emocionante do álbum é na faixa “Metal Generation” que começa com um belo solo muito bem acompanhado dos outros instrumentos e logo em seguida os vocais emocionantes do Michael Tirelli. Nos refrões um bom fã de Heavy Metal sentirá uma paixão pelo estilo sendo declarada, junto à cozinha de William Fairchild e Jim Harris que dá um bom preenchimento a música. A “Go Down Fighting” tem um feeling muito bom, com características de um bom Hard nos seus bons tempos. A bateria é algo que sempre me chama atenção, e há uma bela representação dessa área na faixa seguinte “Burning Starr” que já começa com um solo em doses cavalares. Álbum imperdível dessa banda que merece muito ser lembrada. Espero que tenha sido uma boa experiência ouvi-lo. O álbum que vem após esse, é bem Melodic Hard Rock com algumas faixas refrescantes, mas é assunto para outro dia.

Anderson: Um baita álbum dos primórdios do Power Metal. Vários elementos de Judas Priest ou de Manowar estão distribuídos pelos riffs, melodias e estereótipos, pra quem gosta e não conhece trata-se de um prato cheio. Existem alguns excessos aqui e ali, mas não chegam a atrapalhar, faz parte do metal. Destaco a boa “Go Down Fighting”, a rápida “Burning Starr”, “Metal Generation” e “NY Woman”, muito boas.

André: Se eu não pesquisasse, jurava que era uma banda desconhecida da NWOBHM, mas o cara é americano. Vários momentos me remetia à sonoridade do Raven. Eu particularmente adoro esse estilo de metal oitentista com muitos riffs de guitarra, solos malucos e vocalista com gritinhos agudos. “F.F.Z. (Free Fire Zone)” por exemplo é só o cara solando sozinho e eu achei da hora uma faixa assim. Embora predomine aquele speed metal clássico, também há faixas que, aí sim, referenciam o hard americano. Também gostei principalmente dos riffs de “Metal Generation”, aquela típica faixa de ode ao estilo com jeitão de hino. Ótimo disco, vou atrás de mais coisas dessa banda.

Daniel: Essas baterias “a la “Fly On the Wall” (do AC/DC)” realmente me fazem ter vontade de sair correndo (ocorre nas duas primeiras faixas). Mas resisti e segui em frente. Ainda bem, achei um bom disco. Claro, tem aquela pegada Glam Metal dos anos oitenta, mas é algo que eu sempre curti. Minhas preferidas foram “Stand Up and Fight” e “Overdrive”.

Davi: O virtuoso guitarrista Jack Starr criou o Jack Starr´s Burning Starr em 1984, logo após sua saída do Virgin Steele. Blaze of Glory é o terceiro álbum do grupo de power metal norte-americano. O disco está dentro do esperado. Tudo conforme os padrões da época. Vocal repleto de agudos, bons riffs, solos velozes, refrãos bem construídos. A qualidade de gravação também está dentro do perfil da época. As melhores músicas, para mim, estão no início do CD. Para ser mais específico: “Stand Up and Fight” e “Overdrive”. Os números instrumentais “F.F.Z.” e “Excursion” acho dispensáveis, embora não cheguem a comprometer. Dentre os bônus apresentados, a que mais curti foi “Tear Down The Wall”. No geral, o disco é bacaninha. Não me tornei fã, mas gostei de escutar.

Fernando: Qualquer disco do Jack Starr’s Burning Starr lançado nos anos 80 poderia estar aqui para representar essa grande fase do metal daquela década. O anterior deles, No Turning Back, é o preferido dos fãs, mas esse está no mesmo patamar. O DNA do metal americano oitentista brilha aqui. Eu não sou um grade fã de Virgin Steele e acho que aqui Jack Starr fez bem melhor do que fez junto de David DeFeis – me julguem!!!.

Mairon: Não conhecia esse som metálico do Burning Starr. É Metal tradicional, pesado, com um pouco de hard metal aqui e acolá. Gostei das faixas velozes e pesadas, as quais são “Burning Starr”, “Metal Generation”, ” New York Women” e “Overdrive”. Destaque também para a excelente “Blaze of Glory”, com um vocal que me lembrou muito Michael Kiske. Curti também o vocalista na ótima “Man of the World”, com lindas escalas egípciais na guitarra. Outros bons momentos são a furiosa “Mercy Killer” e o show a parte de Jack Starr no voo solo de “FFZ (Free Fire Zone)”, daquelas boas e velhas faixas onde o guitarrista manda ver em muita velocidade e alavancadas. Outra que Starr brilha solando, mas dessa vez acompanhado de teclados, é a balada “Excursions”, muito bonita. Já “Stand Up And Fight”,”Go Down Fighting” e “Tear Down The Wall” soam muito hard para meus ouvidos, um cheirão de glam metal que não me agradou tanto quanto as outras faixas. O link que peguei do disco ainda trouxe um bônus, mais uma instrumental, a fantástica “Return from the Ashes / Personal Demons”, que é melhor do que boa parte do disco, apesar de ficar perceptível que poderia ter sido melhor registrada em termos de mixagem, mas é lindíssima (me lembrou Uli Jon Roth). É um disco bem interessante, e que mostra como o Heavy Metal oitentista é um poço de bandas obscuras tão grande quanto o hard setentista.

Marcello: Conhecia o guitarrista Jack Starr do Virgin Steele, mas não conhecia esta banda. Tenho certeza de que teria gostado muito se tivesse ouvido o disco quando foi lançado, porque Starr toca muito (“F.F.Z.”, basicamente um solo de guitarra, é uma boa evidência do talento dele), os outros músicos são muito bons (com destaque para o vocalista Mike Tirelli), e no todo as músicas têm o sabor do hard/heavy do final dos anos 80 – o timbre da bateria não deixa dúvidas! A faixa-título foi a melhor para mim, com uma bela introdução de guitarras, mas o nível do disco é elevado do começo ao fim. A velocidade aumenta em “Burning Starr” – música-tema da banda? – fazendo com que ela também chame a atenção. Os refrões das músicas são melodiosos e convidam a cantar junto, fazendo pensar que a banda apostava no sucesso, mas uma “Blaze of Glory” só seria sucesso mesmo com o Bon Jovi… A edição que ouvi tem alguns bônus, incluindo gravações ao vivo com a formação do século XXI. Gostei muito do disco, mas, como disse no início, se tivesse ouvido em 1987, quando foi lançado, teria gostado ainda mais e provavelmente teria virado fã da banda.


Mega Man 8 Original Soundtrack [1996]

Por André Kaminski 

Quis indicar algo totalmente fora da casinha dessa vez. Como esperado de um site de rock, viriam vários discos do estilo. Mas eu quis dessa vez apresentar uma trilha sonora de um jogo que gosto bastante que é esse Mega Man 8. Diferente de outras trilhas da franquia, esta se foca em composições sintetizadas dando uma atmosfera mais relaxante, simples, alto astral e de bem com a vida, meio que representando um ambiente futurista que é a série de uma maneira mais leve e colorida. Não é muita gente que gosta de ouvir esse tipo de som (e ainda mais trilha sonora), mas vou dar uma de diferentão dessa vez e recomendar algo bastante incomum do que costumamos ver por aqui.

Anderson: Nunca gostei de Mega Man. Agora menos ainda.

Daniel: Definitivamente, isso não é para mim.

Davi: Entrei no Spotify, digitei Mega Man e tomei um susto ao notar que o Mega Man gravou mais do que o Prince. Daí, corri para o Youtube e digitei conforme indicação. Caiu em um álbum com pouco mais de meia hora e aproximadamente 30 faixas. Ainda não tenho certeza se ouvi o disco certo. Se for esse mesmo, os arranjos são instrumentais, curtos, alguns inacabados, tendo o teclado como instrumento predominante. Durante sua audição, teve horas que me senti em um parque de diversões, horas que me senti em um buffet infantil, horas que me senti em um circo e horas que me remeteu à minha infância quando ficava no meu quarto jogando videogame. Os que marcaram minha infância e minha adolescência foram o Atari, o Phantom System e o Mega Drive. Nesse sentido, de nostalgia da infância, funciona. Musicalmente, não encontrei nada que me atraísse.

Fernando: Já gostei e me interessei mais por trilhas. Geralmente de filmes das sagas que mais me agradam como Star Wars, Senhor dos Anéis, etc. Porém, fui parando de ouvir pois tenho interesse em tanta coisa que é difícil eu ter até paciência de ouvir uma trilha inteira. Diminuiu meu interesse por ser uma trilha de jogo, hábito que deixei há pelo menos uns 15 anos.

Mairon: Não sei se ouvi o álbum certo, mas se sim, é uma indicação muito surpreendente (não que isso seja sinônimo de ótima). Faixas curtas que vão nos inserindo no mundo do jogo, com predominância de sintetizadores. Há momentos interessantes, como “Frost Man’s Stage”, “Stage Select”, “Sword Man’s Stage” e “Willy Battle”, que mais trabalhadas seriam canções legais, e outros que não me fizeram sentido, como “Boss Intro”, “Boss Battle Intro”, “Dr. Wlily!” e “Willy’s Castle”, que realmente não me disseram para que vieram, e se eu não estivesse acompanhando no youtube, nem saberia que eram músicas. Como nunca joguei Mega Man, fiquei imaginando o que seriam os estágios apresentados, mas confesso que não fui feliz. Audição rápida, que não agregou muito no fim das contas. Desculpe ao consultor que indicou.

Marcello: Uma trilha sonora de game, confesso, estaria entre as últimas coisas do mundo que eu ouviria. Basicamente são vinhetas curtinhas, que, se fossem desenvolvidas em músicas completas, teriam sido interessantes no contexto da música eletrônica. A maior parte do tempo me peguei pensando em que situações do jogo aquelas músicas seriam apresentadas – mas como não conheço o game, não tenho ideia! “Mid Boss”, com seu ritmo intenso, fez com que eu esperasse por uma continuação, ou pelo menos, por mais um minuto de música; as “marimbas” de “Clown Man Stage” me fizeram sorrir enquanto ouvia (música é diversão, afinal); “Blues”, com o que parecia um baixo fretless, deveria ter mais do que 42 segundos; e “Willy Machine” me lembrou as bandas eletrônicas do final dos anos 70 (poderia ter sido um trecho de música do Automat). Não encontrei informação sobre os músicos e compositores envolvidos, mas no Reddit um fã postou uma longa análise da trilha sonora – longa demais para prender minha atenção. No final das contas, a trilha apresenta boas ideias, mas músicas com menos de dois minutos normalmente me passam desapercebidas.


Slash’s Snakepit – Ain’t Life Grand [2000]

Por Davi Pascale

Estava realmente perdido sobre o que indicar. Então, acabei optando por pegar um artista que eu goste bastante e indicar um álbum que tenha escutado pra caramba. E foi daí que veio a ideia de indicar o segundo – e último – álbum do Slash´s Snakepit. Sempre fui muito fã do Slash, muito por conta do seu trabalho ao lado do Guns n Roses. Sempre gostei do estilo dele de tocar. Esse CD eu comprei na época de lançamento e é um CD que, de tempos em tempos, me pego escutando. Trata-se de um hard rock pesado, com influências de blues. O vocalista Rod Jackson é um destaque com uma voz forte e cativante. A voz dele não é tão aguda quanto ao Axl Rose ou Myles Kennedy, é mais rasgadão, vai para uma linha mais John Corabi de ser. O repertório é excelente e nos brinda com diversas pérolas como “Been There Lately”, “Just Like Anything”, “Back To The Moment”, “Landslide” e “Serial Killer“. Espero que os colegas gostem.

Anderson: O Slash’s Snakepit merecia um destaque maior do que teve em sua origem e esse álbum é um ótimo exemplo do motivo. Considero esse álbum melhor do que o material que o guitarrista produz atualmente, além do mais Rod Jackson canta demais, uma pena não terem dado continuidade juntos. Nesse material se encontra uma das baladas mais gostosas que esse músico já construiu ‘Back to the Moment’, mas apesar desse momento mais melódico a tônica do disco é a agitação com riffs de peso como em “Speed Parade” ou “Serial Killer”. Vale cada segundo.

André: Já conhecia este disco. É um hard rock mais pesado e moderno por parte de Slash, ainda com alguma influência do rock noventista da época. Não diria que é um trabalho marcante, mas que tem boas composições sendo “Shine” com Slash abusando do pedal wah-wah e a faixa título “Ain’t Life Grand” que tem até naipe de metais dando uma ar meio pomposo mas que normalmente curto esse tipo de ousadia que foge do comum. Só não gosto muito desse vocalista Rod Jackson que faz um trabalho, nos seus melhores momentos, passável. Contudo é um bom disco, no saldo geral.

Daniel: Bom disco. Hard Rock simples e direto, mas que por vezes trouxe o Guns à minha memória (em especial na balada “Back to the Moment”). Em outros apresentava um toque mais modernoso, para aquela época, como as guitarras de “Serial Killer”. Minha preferida foi “Been There Lately”.

Fernando: Nunca tinha ouvido esse segundo disco do Slash’s Snakepit. Lembro da expectativa quando ficamos sabendo do primeiro disco que saiu em 1995. Expectativa que estragou um pouco a nossa percepção na época. Talvez esperávamos algo com uma espécie de sequencia do que o Guns estava lançando na época e não encontramos. Na época do lançamento de Ain’t Life Grand eu estava praticamente full time imerso em rock progressivo e não lembro nem mesmo de ter visto algo sobre seu lançamento. É o Slash pagando tributo aos seus ídolos de sempre: Aerosmith e Alice Cooper. Disco legal – “Mean Bone” é uma baita faixa –, não supera It’s Five O’ Clock Somewhere, mesmo assim já gerou uma nova anotação para minha wishlist.

Mairon: Confesso que a carreira do Slash fora do Guns nunca me atraiu. Apesar de curtir muito o grupo que revelou o cabeludo, e ser um admirador do cara como músico, nunca tinha parado para ouvir um disco dele em carreira solo. Obviamente que comparar o som daqui com o do Guns é algo impossível, pois ninguém canta como Axl Rose (e não estou dizendo que isso é bom ou ruim). Mas é interessante como o álbum soa mais pesado musicalmente, mas leve em termos do clima que as canções passam, vide a energia positiva de “Been There Lately” e “The Alien”, por exemplo, ambas com inspirações em Aerosmith. Me surpreenderam as cordas em “Shine”, o jazz (?!) de “Ain’t Life Grand”, baita som,  o cheirão de maquiagem de Alice Cooper em “Serial Killer”, e faixas como “Landslide” e “Life’s Sweet Drug” que me remeteram um pouco ao Audioslave. Gostei do disco no geral,  passou tranquilo na audição, mas não me entusiasmou a ir atrás dos demais, ou ainda, de assistir Slash em carreira solo. Prefiro vê-lo mais uma vez em ação ao lado de Axl Rose (ingresso garantido).

Marcello: Slash dispensa apresentações. Quando ele deixou o Guns N’Roses, a banda deveria ter acabado; ele pode não ser um compositor no nível de Izzy Stradlin’, mas era indubitavelmente o melhor músico do Guns e carregava pelo menos metade do carisma da banda. Neste, que foi o segundo disco do Snakepit (e que só tinha ouvido na época que saiu), a formação tem músicos menos conhecidos do que no primeiro, mas não perde muito para os originais (embora não seja fã dos vocais de Rod Jackson). A abertura com “Been There Lately” é matadora, e o que vem depois é hard rock com aquele leve toque pop que fez a fama do Guns. Slash é figura carimbada nas listas de melhores guitarristas de todo tempo (embora eu pessoalmente considere isso um exagero), mas não é por causa deste disco: embora seus solos e bases sejam bons, não se destacam tanto, talvez porque ele quisesse que fosse um álbum de banda, não um disco solo. Outras músicas que se destacam são “Mean Bone”, “The Truth” e a jazzística faixa título, fazendo de Ain’t Life Grand um bom disco, mas nada marcante. Fãs do cartola vão adorar, ouvintes ocasionais vão achar interessante, mas nada marcante, e quem não gosta vai continuar não gostando.


Confraria da Costa – Canções de Assassinato [2012]

Por Anderson Godinho

A Confraria da Costa é uma banda que usa a temática pirata como fonte para suas letras e referências musicais. Emulam os tempos passados e fictícios que rondam toda a mística da pirataria, inclusive nos seus animados shows em que vestimentas e interações com o público chamam atenção. O álbum aqui destacado, e que completa 10 anos em 2022, traz algumas das músicas preferidas dos fãs como “Rússia Reversa”, “Preparar…apontar….fogo” e a faixa título. É um álbum com 12 faixas sendo algumas apenas de transição (“Hungarian Dance n° 5” e “Pablo Delapaz”) e que com seus 46 minutos demanda um tempo para degustar com calma. O som dos caras perpassa o rock, mas trazem elementos do folk em muitos momentos. É um tipo de música diferenciado dentro do cenário brasileiro, não é todo dia que bandas assim surgem e se mantém por tanto tempo ativas por aqui.

André: Nunca fui muito desse estilo de rock tipo Matanza e Velhas Virgens, que faz ode à bebida e a vida loka universitária. Mas o Confraria da Costa é diferente porque os considero divertidos e fazem um som mais rico e sem medo de ousar. Além de umas letras bem ácidas e provocantes. É daqueles sons para se dançar ao som de piratas brasileiros e brindar com uma garrafa de rum.

Daniel: Também não conhecia. Achei divertido, bem tocado e com vocais muito bons, mas não é algo que me emocione e que vá fazer eu procurar mais. Mas valeu a audição. Ah, eu adorei “Oh! Garrafa”.

Davi: Essa banda de Curitiba aposta no gênero Pirate Rock. Para quem não está por dentro do que se trata, seria uma mistura de folk, rock, música irlandesa com pitadas de blues. O grupo conta com um bom humor que reflete em suas letras repletas de ironia. Para quem ainda não se ligou no que se trata, bom.. Vocês já devem ter ouvido alguma coisa do Jimmy & The Rats. A banda que o carismático Jimmy London se juntou após sua saída do Matanza, certo? Imagine o som dos caras sem as guitarras distorcidas e a bateria pesada. É mais ou menos, isso. Para quem curte esse tipo de som, o projeto é bem feito. Está bem gravado, bem tocado. Para mim que não sou um grande fã do gênero, me soa cansativo. A faixa “Meu Pequeno Demônio”, que conta com uma influência mais escancarada de blues é, definitivamente, a minha favorita.

Fernando: Bati o olho na capa e pensei “Running Wild”. Aí busquei algo na internet e me deparo com o termo rock pirata. Ou seja, pelo menos em imagem não estava muito longe. Porém o Confraria da Costa passa longe do metal e utiliza muito mais o folk como base para sua música com a presença de vários instrumentos como violinos, banjo, flauta, etc. Não é algo que eu consumiria com frequência, mas confesso que não consegui deixar de ouvir todo. Algumas passagens lembra um pouco o Velhas Virgens, como é o caso de “Meu Pequeno Demônio”. No geral, não é difícil imaginar uma estalagem em alguma ilha do Caribe por volta do século 18 tocando isso aí.

Mairon: Confesso que não sabia o que esperar dessa recomendação. Nunca tinha ouvido falar do disco, e tão pouco da banda. A capa de Canções de Assassinato me fez esperar algo ligado ao country rock, ou ao Southern, ou também algo meio farrístico, tipo polcas com ritmos mais pesados, e foi o último que surgiu nas canções. Faixas animadas em clima de bar, onde o violino é o instrumento que chama a atenção entre o ritmo dançante das canções, que são para curtir com muita cerveja, vide a faixa-título, “Rússia Reversa”, “Oh! Garrafa!, “Pablo Delapaz” e “Preparar … Apontar … Fogo” . As que mais gostei foram “Balada dos Mortos”, com sua levada jazzística, o blues de “Meu Pequeno Demônio”, a ótima letra de “As Ovelhas São Iguais” e as inspirações clássicas de “Hungarian Dance N° 5” . Não é um estilo de música que aprecio, mas para quem curte, certamente tem seu valor.

Marcello: Este é outro que não conhecia nem mesmo a banda dentro da lista que foi selecionada. O som – som marítimo ou rock pirata, no dizer da banda curitibana – é meio Gipsy punk, fez-me lembrar um pouco do Gogol Bordello, talvez pelo violino proeminente. Não é minha praia, admito; é interessante para ouvir algo diferente do meu habitual, mas provavelmente não ouvirei mais vezes além destas que escutei para comentar. Pelo que pude ver nos vídeos do YouTube, os shows devem ser muito interessantes, os músicos têm boa presença de palco e realmente parecem estar se divertindo no palco (o que sempre ajuda num show); mas só ouvir o disco, para alguém que não gosta do estilo, não foi das melhores experiências. As letras são divertidas e os músicos são bons (destaque absoluto para o violino), mas as músicas passam longe dos estilos que mais me atraem. Dentre os destaques, “Rússia Reversa” com uma letra inteligente e muito bem elaborada, “Preparar, Apontar, Fogo”, que abre o disco muito bem, e a bluesy “Meu Pequeno Demônio”, que foi a que mais me agradou, aproximando-se mais do meu gosto musical, mas não é exatamente representativa do som da banda. No todo, um disco diferente, divertido e bom para descontrair.


D’virgilio, Morse & Jennings – Troika [2022]

Por Fernando Bueno

É difícil de acompahar a carreira do Neal Morse, principalmente depois de sua saída do Spock’s Beard. Ele criou uma espécie de linha de produção de músicas e discos que o faz lançar muita coisa ao mesmo tempo. Porém dificilmente ele erra a mão e esse é um desses casos. Juntando forças com seus ex-parceiro de Spock’s Beard e agora líder do Big Big Train, Nick D’Virgilio. Para completar o trio, Ross Jennings do Haken. O que se ouve aqui é um prog mais acessível, muita melodia e com muitas partes somente acústicas com uma superposição de vozes que lembra muito o Crosby, Stills & Nash.

Anderson: Esse tipo de som, um tanto quanto folk, não é necessariamente o que eu tenho por hábito ouvir. Tecnicamente é irrepreensível a qualidade da produção e dos músicos em si. Alguns momentos me chamaram mais a atenção, sendo: “You Set My Soul On Fire”,  “My Guardian” as melhores, além das destoantes “King for a Day” e “Second Hand Sons” que dão uma animada no disco. No mais, o padrão acústico e bem cadenciado e algumas baladas são a regra.

André: Como sempre, esperava uns progs cheios de pompa de um projeto capitaneado por Neal Morse e quando escuto é algo na linha Crosby, Stills & Nash. Um folk rock leve, gostoso, divertido e claro, com um tecladinho aqui e ali porque não podem faltar nunca nos discos em que ele assina. Tem aquelas influências do country e do blues e as harmonias vocais que o trio famoso citado por mim anteriormente, Eagles e as bandas clássicas americanas tanto gostam. Bem bacana, muito legal de ouvir e os três cantam muito bem. Aliás, vejo que preciso urgentemente ir atrás de mais bandas e discos desse gênero.

Daniel: É viagem minha, ou este álbum tem uma pegada Crosby, Stills & Nash? Muitas composições bem suaves, várias harmonias vocais… tinha muito para me agradar, mas não me pegou… talvez tenha faltado justamente isso: o Crosby, o Stills e o Nash… A que mais curti foi “King for a Day”.

Davi: Gosto bastante do Neal Morse, especialmente do trabalho que realizou ao lado do Spock´s Beard. No entanto, confesso que ainda não havia parado para ouvir esse disco. E o resultado me agradou bastante. Um dos melhores discos dessa lista. No entanto, tenha cuidado. O Neal Morse é muito associado ao rock progressivo e essa não é a pegada desse trabalho. Para os fãs de sua carreira solo e inúmeros projetos (ele está quase alcançando o Megaman), acredito que as faixas “Second Hand Sons” e “My Guardian” sejam as mais fáceis de assimilarem. A tônica do disco são baladas acústicas com uma harmonia vocal bem na onda do Crosby, Stills & Nash. As faixas são espetaculares e o trabalho dos músicos, como de se esperar, é de altíssimo calibre. A única música que achei meio chatinha foi “If I Could”. Ainda que tenha sido interessante notar o uso de uma cuíca, a composição não me cativou. De resto, sem reclamações. Belo trio, belo álbum.

Mairon: Este projeto dos Spock’s Beard Nick D’Virgilio e Neal Morse, ao lado de Ross Jennings, é bem surpreendente. De cara, os violões e as vozes em “Everything I Am” já agradam e muito, linda faixa. O que curti é que são exatamente os instrumentos acústicos que predominam ao longo do disco, como os violões de  “Another Trip Around The Sun” e “What You Leave Behind”, o piano de “Julia”, assim como a bela “You Set My World On Fire”, que me lembrou Blind Faith. Destaque especial para “King For a Day”, faixa complexa e muito interessante. É um álbum com bons arranjos vocais, vide “A Change Is Gonna Come” e “One Time Less”, ótimas composições, instrumental muito bem feito (“My Guardian” que o diga), disquinho redondinho. Não gostei apenas de “If I Could”, muito alegrinha, e “Second Hand Sons”, faixa pesada que não combina com o resto do disco. Mas no geral, foi uma boa recomendação!

Marcello: Spock’s Beard é, sem dúvida, uma bela banda de rock progressivo, uma das melhores do século XXI. Ao tomar conhecimento deste disco, imaginei um trabalho nessa linha. Em vez disso, o que se tem é uma coleção de belas composições que exploram a harmonia vocal dos três integrantes. Não conhecia Ross Jennings nem sua banda Haken, mas Nick D’Virgilio e Neal Morse já tinham em chamado a atenção tanto em discos com o Spock’s Beard ou em suas carreiras solo. Mas, vamos ao disco em si. A primeira impressão foi de desapontamento, afinal, pensei que seria um disco de progressivo; passado o choque, as músicas me cativaram. Violões, percussão, algumas guitarras e teclados, e, sobretudo, vozes: quase uma volta ao passado. A comparação com Crosby, Stills & Nash é inevitável, mas honrosa. Em termos das músicas, Julia é, para mim, a melhor música do disco, sobretudo a versão final, embora a alternativa também seja boa; “One Time Less”, com direito a slide guitar, foi uma favorita instantânea; “King for a Day” me fez cantar junto na segunda audição. “Second Hand Sons” lembra um pouco o Spock’s Beard, e teria mais impacto se fosse a faixa de abertura. Gostei bastante do disco; sem dúvida vou ouvi-lo mais vezes.


The Rolling Stones – Live in El Mocambo 1977 [2022]

Por Marcello Zappellini

Lançamento oficial de dois shows lendários dos Rolling Stones num pequeno clube de Toronto, “disfarçados” como The Cockroaches, banda de abertura para o April Wine. 300 sortudos ganharam ingressos para os dois shows, em 4 e 5 de março de 1977. A pergunta é: 45 anos depois, vale a pena investir no disco? Se você gosta dos Stones ou é apenas fã ocasional, a resposta é SIM!! Se não gosta, pelo menos ouça – ali está o coração da banda, acompanhada apenas por Billy Preston nos teclados e vocais e Ollie Brown (da banda de Stevie Wonder) na percussão. A qualidade de gravação é ótima – os piratas disponíveis não chegam nem perto – e os Stones dão o melhor de si. Claro, você já deve ter ouvido “Jumpin’ Jack Flash”, “It’s Only Rock’n’Roll”, “Brown Sugar” e “Tumbling Dice” milhões de vezes; mas no setlist tem-se “Crackin’ Up, (Bo Diddley)”, “Around and Around” (Chuck Berry), “Route 66” (Bobby Troup) e “Mannish Boy” (Muddy Waters) sendo ressuscitadas, “Worried About You”(que só sairia em Tattoo You), “Melody” e “Crazy Mama” sendo tocadas ao vivo pela primeira vez, e músicas pouquíssimo executadas como “Dance Little Sister”, “Hand of Fate”, “Luxury”, “Fool to Cry” (com Billy Preston fazendo boa parte dos falsetes) e “Worried Life Blues”. Quem tem Love You Live, o duplo lançado em 1977, sabe que os shows do El Mocambo foram intensos – aqui se tem o original, sem overdubs. Como Keith Richards disse, em muitas noites os Stones não eram a maior banda de rock do mundo; em 4 e 5 de março de 1977, eles foram. E Live at the El Mocambo está aí para provar.

Anderson: Por quase duas horas podemos ouvir uma performasse que deve estar marcada – nos mínimos detalhes – na mente de quem esteve presente na boate El Mocambo em 1977. Todos os integrantes da banda aparecem extremamente bem nesse material, com uma gana de apresentar algo realmente relevante. Demorou 45 anos, mas eles lançaram o show completo e, mesmo todo esse tempo depois, é impressionante de ouvir. O set list também chama a atenção por trazer músicas de discos mais recentes (à época), alguns covers e novas versões. A banda entrega o que tem de melhor, mesmo eu que não curto álbuns ao vivo gostei muito de apreciar a obra.

André: O que falar dos Stones que já não foi esmiuçado por tanta gente internet afora? São uma grande banda, são clássicos, merecem tudo o que conquistaram, mas a verdade é que a banda nunca arrebatou pra valer o meu coração. Então escutar grande parte de seus clássicos ao vivo e alguns covers nesse lançamento recente não teve impacto para mim. Para falar a verdade, nem sabia que haviam lançado este disco. Quem é fã deve estar se deleitando, para mim, nada mais que um bom disco de rock ao vivo de uma banda que nunca tive lá tanta estima.

Daniel: Stones ao vivo… não tem muito erro. Diversão pura e garantida. Clássicos em sequência, com uma boa execução, enfim, é só deixar rolar e curtir. A versão de “Fool to Cry” merece atenção, simplesmente matadora!

Davi: O Rolling Stones abriu o baú há alguns anos e vem nos brindando com uma série de registros ao vivo das mais diferentes fases da banda. Falar que o show é bom, é chover no molhado. Os caras sempre foram bons de palco. O que torna esse registro imperdível, contudo, é justamente o repertório. Na ocasião, a banda estava divulgando o álbum Black and Blue e nos brindam aqui com 5 músicas desse LP. Entre elas, está a que sempre foi minha favorita, o rockão “Crazy Mama”. Há ainda espaço para outras músicas não tão manjadas como “Dance Little Sister” e “Luxury”, além de músicas do início de sua trajetória, covers de blues e, é claro, alguns de seus grandes clássicos. Ahhh, o set não tem nenhuma música cantada pelo Keith Richards e nem o hino “(I Can´t Get No) Satisfaction”. Sem dúvidas, um show bem diferenciado e um dos lançamentos mais interessantes dessa série até o momento.

Fernando: Showzaço do The Cockroaches gravado para cerca de 300 pessoas em um show de “abertura” para o April Wine. A banda já tinha passado um pouco de sua fase de ouro, mas quando você vê o track list não dá para deixar de admirar o que eles tinham feito até então. Apresentação secreta que é um sinal da época e praticamente impossível de acontecer hoje em dia com a facilidade que temos de ter, enviar e absorver informação. Lançamento para presentear os fãs.

Mairon: Essa série de lançamentos de shows emblemáticos dos Stones estão cada vez melhores. El Mocambo 1977 vem colocar aos fãs o show completo da apresentação que tivemos uma palinha em Love You Live (e que inclusive comentei aqui). E o que ouvimos em Love You Live só é corroborado aqui. A energia dos caras para a seleta plateia do El Mocambo é fantástica. Começando com “Honky Tonk Women”, a banda passeia por sucessos de sua carreira, além de divulgar mais da metade do então recém-lançado Black and Blue, onde  “Fool To Cry” certamente te fará de tolo, arrancando lágrimas dos olhos. Há também o resgate de faixas mais obscuras, além da inédita (até então) e linda “Worried About You”, com mais de 8 minutos de duração. Momentos exclusivos de ouvir essas raridades ao vivo. Para consagrar de vez a apresentação, os Stones fazem versões inspiradíssimas para clássicos do rock e do blues. Fase mágica do quinteto, e certamente, quem foi ao El Mocambo naquelas noites de 1977, deve ter saído embriagado de muita bebida e de música da melhor qualidade. Que venham mais lançamentos nessa linha.

9 comentários

  1. Mairon

    Legal que a galera curtiu o Psiglo, e mais legal ainda que a maioria dos discos apenas o responsável pela indicação conhecia.

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  2. Marcello

    Obrigado pela oportunidade de participar da seção e, sobretudo, conhecer algumas coisas diferentes. Quando recebi a lista, tentei descobrir quem tinha indicado o quê – não acertei nenhuma, hehehehe…

    Responder
      • Fernando Bueno

        Eu sabia que tinha sido vc o responsável pelo hardão progressivo do Uruguai. O da Libia também estava mais ou menos fácil de adivinhar

    • Davi Pascale

      E eu que achava que estava sendo óbvio citando o Slash kkkkk Eu acertei 3 (Stray Cats, Jack Starr e o Mega Man).

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  3. Fernando Bueno

    Uma coisa que é muito importante para esse disco que eu indiquei do Neal Morse e outros é a ausência do Portnoy. Só de ele não estar junto já dá uma cara diferente ao que o Morse fez.

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