Por André Kaminski

Sempre gostei dessa mistura de folk com rock seja de qual país for. Seja com o rock ou com o heavy metal. A união de sonoridades nativas locais com o rock sempre foi muito mais de nicho do que de grandes sucessos do mainstream com algumas exceções (Bob Dylan, Van Morrison e mais alguns) com seus artistas em sua maioria das vezes conseguindo um reconhecimento maior nos seus países de origem, como é de se esperar. O lado celta europeu é um desses folks que sempre me atraiu com sua instrumentação, em geral, alegre e divertida. Então resolvi apresentar aqui cinco discos dessa mistura ao qual tais bandas foram rotuladas como celtic rock para te incentivar a correr mais atrás desse gênero e dessas bandas que apresentam discos muito bons. Dá uma olhada aí e depois diga o que achou!


Horslips – The Book of Invasions: A Celtic Symphony [1976]

O Horslips é considerado por muitos como os fundadores do celtic rock visto serem os primeiros a focarem toda a sua sonoridade na mistura entre as canções tradicionais irlandesas ao rock com algumas doses de progressivo. Ainda me falta conhecer muito da discografia deles mas The Book of Invasions é o que eu considero o melhor representante para aparecer aqui. Há toda aquela gama de instrumentos típicos do folk por aqui como flautas, mandolins, violinos e tudo mais e juntamente com aquela pegada mais rock como em “The Power and the Glory” em que isso está claramente à mostra. A banda surgiu em 1970, encerrou as atividades em 1980 e voltou depois de 2004 com seu último lançamento e agora fazem shows e pequenas tours esporádicas. Ainda assim, nos últimos tempos, a internet os resgatou do limbo e agora gozam de um reconhecimento maior tanto na Irlanda como no Reino Unido, além dos fãs mais novos espalhados pelo mundo que os acabaram conhecendo recentemente. Um disco animado e divertido como toda festa céltica deve ser.

Charles O’ Connor (violino, mandolin, vocais), Jim Lockhart (flauta, teclados), John Fean (guitarra, vocais), Barry Devlin (baixo, vocais) e Eamon Carr (bateria, percussões).

Tracklist

  1. Daybreak
  2. March into Trouble
  3. Trouble (With a Capital T)
  4. The Power and the Glory
  5. The Rocks Remain
  6. Dusk
  7. Sword of Light
  8. Dark
  9. Warm Sweet Breath of Love
  10. Fantasia (My Lagan Love)
  11. King of Morning, Queen of Day
  12. Sideways to the Sun
  13. Drive the Cold Winter Away
  14. Ride to Hell

Dan Ar Braz – Douar Nevez – Terre nouvelle [1977]

Pouca gente fora da Europa sabe, mas a cultura celta não ficou só restrita às Ilhas Britânicas. Tem um pequeno pedacinho na França (Bretanha) e outro na Espanha (Galicia) em que a cultura destes velhos povos europeus sobreviveu com o tempo. Dan Ar Braz é um guitarrista franco-bretão que justamente faz seu rock instrumental com base na influências desses celtas bretões de seu país. Aí temos um belíssimo disco que também inclui as participações de Benoit Widemann (Magma) nos teclados e Dave Pegg (Fairport Convention) no baixo, entre outros músicos que contribuem com as flautas, gaita de foles e outras percussões. Minhas favoritas aqui são a atmosférica “Naissance de La Ville” que traz toda aquela mística folclórica que os amantes desse estilo de música apreciam e a curtinha acústica “L’ennui do Roi” com o violão protagonizando um lindo dedilhado cujo toques e melodias me remetem a algo que o Almir Sater faz por aqui com a nossa música folclórica brasileira. Um disco muito bonito e gostoso de ouvir tanto para quem gosta de delicadeza e belos dedilhados quanto a quem prefere aquele prog mais visceral ao estilo de um Emerson, Lake & Palmer temperado com folclore celta.

Dan Ar Braz (guitarra, violão), Patrick Moulard (flauta, gaita de fole), Benoit Widemann (teclados), Dave Pegg (baixo), Michel Santangeli (bateria) e Marc Chantereau (percussões).

Tracklist

  1. Intro
  2. Retour De Guerre
  3. Naissance De Dahud
  4. Mort Et Immersion De Malguen / Fin Du Voyage
  5. Naissance De La Ville
  6. Morvac’h (Cheval de La Mer)
  7. Orgies Nocturnes
  8. L’Ennui Du Roi
  9. Les Forces Du Mal
  10. L’Appel Du Sage
  11. Submersion De La Ville
  12. Douar Nevez (Terre Nouvelle)

Moving Hearts – Moving Hearts [1981]

Já o Moving Hearts pega caminhos diferentes de outros representantes daqui: busca um lado mais rock e rápido, contando com toda a instrumentação e influência céltica para criar algo mais grandioso e tocado em grandes casas de shows e arenas e sem a influência do progressivo. A banda foi fundada das cinzas do Planxty em que Dónal Lunny (bouzouki) e o vocalista Christy Moore se unem a outros grandes músicos conhecidos na cena irlandesa para criar uma espécie de “supergrupo folk”. Este autointitulado de 1981 consegue ter canções muito diferenciadas uma das outras desde algo mais simples e bacana como “Faithful Departed” como um folk rock mais próximo do Jethro Tull como em “No Time for Love”. Assim como o Horslips, o Moving Hearts segue sua carreira intermitente, mas volta e meia anunciam alguns shows de retorno para depois ficarem um tempo parados. Uma pena que a discografia possui apenas três lançamentos, todos na década de 80.

Christy Moore (vocais, guitarra, bodhrán), Dónal Lunny (vocais, bouzouki, sintetizadores), Declan Sinnott (guitarra, violão e vocais), Tony Davis (backing vocals), Eogan O’ Neill (baixo, vocais), Brian Calnan (bateria, percussões), Davy Spillane (uillean pipes), Keith Donald (saxofone) e Nollaig Casey (violino).

Tracklist

  1. Hiroshima Nagasaki Russian Roulette
  2. Irish Ways And Irish Laws
  3. McBrides
  4. Before The Deluge
  5. Landlord
  6. Category
  7. Faithful Departed (Chevron)
  8. Lake Of Shadows
  9. No Time For Love

The Waterboys – Room to Roam [1990]

A mais famosa das bandas do rock celta. Todavia, apesar da banda possuir dois discos bem mais famosos do que este (This is the Sea e Fisherman’s Blues), dessa vez quis dar destaque em um disco que considero “underrated” na longa discografia deles que é este animado Room to Roam. Tendo como líder principal o escocês Mike Scott, nessa fase a banda opta por utilizar mais de suas influências folk e aqui utiliza bastante dos instrumentos comuns ao estilo e as batidas de bateria e percussão também dão aquele ar mais tradicionalista e animado do estilo. “In Search of a Rose” é um exemplo claro disso logo na abertura. A curtinha “Islandman” já demonstra um lado mais forte, enérgico e exagerado dessa mistura do rock com o folk. A banda encerrou as atividades em 1993 mas retornou em 2000 e segue até hoje e está para lançar um novo álbum em poucos dias, o seu 18º de estúdio.

Mike Scott (guitarra, piano, vocais), Colin Blakey (flauta, órgão hammond, piano), Anthony Thistlethwaite (saxofone, mandolim), Steve Wickham (órgão hammond, vocais), Sharon Shannon (acordeão), Trevor Hutchinson (baixo, bouzouki), Noel Bridgeman (bateria, percussões).

  1. In Search of a Rose
  2. Song from the End of the World
  3. A Man Is in Love (Scott) / “Kaliope House
  4. Bigger Picture
  5. Natural Bridge Blues
  6. Something That Is Gone
  7. The Star and the Sea
  8. A Life of Sundays
  9. Islandman
  10. The Raggle Taggle Gypsy
  11. How Long Will I Love You?
  12. Upon the Wind and Waves
  13. Spring Comes to Spiddal
  14. The Trip to Broadford
  15. Further Up, Further In
  16. Room to Roam
  17. The Kings of Kerry

Antichrisis – A Legacy of Love [1998]

Aqui são alemães produzindo rock celta. O Antichrisis começou como uma banda de gothic metal em seu primeiro álbum, mas mudou para a sonoridade tema desta matéria logo em seu segundo trabalho. Algumas influências da música gótica ainda aparecem aqui e ali, mas o lado tradicionalista fala mais alto. Um exemplo disso aparece em “Our Last Show” com o teclado e a guitarra tem ali uma leve influência gótica em meio ao celta. Já a mais folk “Forever I Ride” traz um belíssimo dueto vocal de Elizabeth Toriser, contratada como vocalista de estúdio para este disco, e o multi-instrumentista Sid que também é o líder da banda. Nos últimos 10 anos porém, Sid segue somente com sua atual esposa Ayuma ao qual ele canta (as vezes limpo, as vezes rasgado) e toca todos os instrumentos e ela faz as vozes femininas. Mas aqui eles ainda eram uma banda com ideias muito interessantes e criativas que se utilizam do celta mais medieval junto a uma pegada mais metal e gótica que difere bastante dos anteriores citados na matéria.

Sid (guitarra, vocais, baixo, teclado e bateria), Alexander “Näx” May (guitarra, uillean pipes, mandolim, teclado, bodhrán), Tilo Rockstroh (teclado), Jens “Gnu” Bachman (guitarra), Elizabeth Toriser (vocais).

Tracklist

  1. How Can I Live on Top of the Mountain?
  2. Nightswan
  3. Trying Not to Breathe
  4. Baleias Bailando
  5. Dancing in the Midnight Sun
  6. Planet Kyrah
  7. The Sea
  8. Our Last Show
  9. Forever I Ride
  10. The Farewell

3 comentários

  1. Mairon

    Fazia tempo que não lia uma matéria onde não conheço nenhuma das bandas citadas. Vou atrás. Valeu André

    Responder
    • André Kaminski

      Acho que o Horslips e o Dan Ar Braz são os discos que curtirá mais, Mairão! Abraços!

      Responder
  2. Marcello

    Não conhecia essas bandas, fiquei curioso com as presenças de Dan Ar Bras, que foi membro brevemente do Fairport Convention, e do Noel Bridgeman, do Skid Row irlandês, junto à The Waterboys. Acho que vou atrás dos discos para ouvir, até porque conheço pouco dessa mistura, mas esse pouco é bem interessante!

    Responder

Deixar comentário

Seu email NÃO será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.