Por Mairon Machado

Vinnie Moore está completando hoje 58 anos. Em sua homenagem, aproveito a oportunidade para apresentar hoje cinco discos para conhecer seu trabalho, ao longo de uma carreira brilhante de um verdadeiro ás do instrumento.


4228Vicious Rumors – Soldiers of the Night [1985]

Pouco antes de participar fazendo a trilha do famoso comercial da Pepsi, o jovem Vinnie Moore era o guitarrista da banda de metal Vicious Rumors, da qual gravou apenas seu disco de estreia, assim como o exímio vocalista Gary St. Pierre. E neste álbum, conferimos como ele era afiado com o estilo dos guitarristas da época, no qual exibiam-se através do chamado shred guitar, aonde o virtuosismo e a velocidade são empregados a exaustão. A pequena vinheta de abertura, “Premonition“, é uma singela apresentação do que viria a ser a obra de Moore posteriormente, o que ouvimos melhor na inesquecível “Invader“, uma aula de guitarra do mesmo nível de “Eruption” (Van Halen), na qual em três minutos, Moore mostra por que veio ao mundo. Ao lado de Geoff Thorpe, o líder da banda, Moore destaca-se através de um pioneiro power metal, enaltecido em “March or Die” e “Blastering Winds”. Em pouco conseguimos ouvir o estilo que caracterizou o guitarrista americano anos depois, mas é notável sua habilidade na construção de riffs, como atestam “Ride (Into the Sun)” e a pesada “Domestic Bliss”, essa saída de algum álbum esquecido do Judas Priest. Destaque para os alucinantes duelos de guitarra na introdução de “In Fire” e durante “Blitz the World“,  além da animada faixa-título e a violenta “Murder“, para mim, a melhor canção da carreira do Vicious Rumors.

Geoff Thorpe (guitarra, backing vocals), Gary St. Pierre (vocais), Vinnie Moore (guitarras), Dave Starr (baixo, backing vocals), Larry Howe (bateria)

1. Premonition

2. Ride (Into the Sun)

3. Medusa

4. Soldiers of the Night

5. Murder

6. March or Die

7. Blitz the World

8. Invader

9. In Fire

10. Domestic Bliss

11. Blistering Winds


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Vinnie Moore – Mind’s Eye [1986]

A estreia solo de Moore é um disco que todo menino metido a guitarrista deveria ouvir. O simpático americano sola demais, e é difícil acreditar que é um garoto de apenas 21 anos quem está fazendo todas as estripulias na guitarra, e ainda por cima, em apenas onze dias no estúdio. Desde “In Control”, passando pela clássica faixa-título, até a balada “The Journey”, Moore solta os dedos com uma agilidade totalmente comparával a nomes como Steve Vai e Yngwie Malmsteen, o que para mim, comprova o fato de ele ser um injustiçado por nunca ter participado oficialmente do G3. É velocidade atrás de velocidade, em escalas complicadíssimas e muita técnica saindo das seis cordas do instrumento, como atestam “Daydream”,  “Lifeforce“, “Shadows of Yesterday” e “N. N. Y.”. Fora isso, a participação dos sintetizadores de Tony MacAlpine, outro talentoso virtuose, dá ainda mais fúria ao álbum, o que fica mais claro na pérola “Hero Without Honor“, repleta de referências à música clássica. Até mesmo no violão, Moore exala virtuose, como podemos conferir na linda “Saved by a Miracle” (com um show de bateria por Tommy Aldridge). Apesar de hoje soar datado com o som dos anos oitenta, Mind’s Eye é um disco perfeito, que ainda intimida nas primeiras audições justamente pela potencialidade do jovem Moore. Não à toa, o LP foi eleito pela revista Guitar World como terceiro melhor álbum de shred guitar em todos os tempos, ficando atrás de Live: Extreme Volume (do grupo Racer X) e de Rising Force (Yngwie Malmsteen), e a frente de potências comoSurfing with the Alien (Joe Satriani) ou Passion and Warfare (Steve Vai)

Vinnie Moore (guitarra, violão), Tony MacAlpine (teclados), Andy West (baixo), Tommy Aldridge (bateria)

1. In Control

2. Daydream

3. Saved by a Miracle

4. Hero Without Honor

5. Lifeforce

6. N. N. Y.

7. Mind’s Eye

8. Shadows of Yesterday

9. The Journey


vinnie moore - meltdownVinnie Moore – Meltdown [1991]

Assim como Mind’s Eye, o terceiro álbum de estúdio de Vinnie Moore possui muito do virtuosismo do guitarrista exalado como se estivessemos assistindo a uma video-aula sobre guitarra. Porém, aqui Moore caprichou ainda mais no uso do instrumento, acompanhado de Joe Franco na bateria e Greg Smith no baixo. A canção mais conhecida deste álbum é “Last Chance“, mas Meltdown possui muito mais. O início do álbum é muito alegre, com a faixa-título e “Let’s Go” apresentando solos vibrantes e um acompanhamento típico dos guitarristas virtuosos, mas são em faixas como “Earthshake”, com Moore pisoteando o wah-wah como poucos, ou na linda “Deep Sea”, que podemos ver a real versatilidade do guitarrista. Entre escalas velozes, bends rasgados e alavancadas, Morre emprega melodia e balanço com equilíbrio, fazendo mais um álbum perfeito. “Midnight Rain” possui um riff saído dos anos 60, inspirado na Jimi Hendrix Experience, assim como a linda balada “Coming Home“. Já o baixo pode ser melhor ouvido em “Ridin’ High” e “Check It Out!”, e gosto muito do ritmo de “Cinema”, na qual a bateria destaca-se mais. Destaque maior para a arrepiante “Where Angels Sing“, na qual sozinho, Moore executa um dos trabalhos mais singelos e belos de sua carreira.

Vinnie Moore (guitarras), Greg Smith (baixo), Joe Franco (bateria)

1. Meltdown

2. Let’s Go

3. Ridin’ High

4. Earthshaker

5. Deep Sea

6. Cinema

7. Midnight Rain

8. Where Angels Sing

9. Check It Out!

10. Last Chance

11. Coming Home


rhythm-of-time-52770b6fe2e77Jordan Rudess – Rhythm of Time [2004]

Para gravar seu nono álbum solo, o tecladista do Dream Theater convidou diversos exímios guitarristas, entre eles, Moore. Apesar de participar de apenas duas faixas, são exatamente nelas que vemos como Moore aprimorou sua técnica, desvinculando-se da velocidade e empregando outras manobras, como o arpejo, as distorções e o tapping, voltando ao mundo do metal pesado do Vicious Rumours e flertando com o prog metal, sendo este o único álbum em que Moore participa diretamente com algo relacionado ao estilo. E se sai muito bem. Rhythm of Time também mostra aos fãs de Schenker que sim, Moore poderia servir também como ótimo músico acompanhante. “Time Crunch” e “Ra”, as duas que Moore participam, por vezes lembram a guitarra de John Petrucci, principalmente nos duelos existentes na primeira canção. Elas acabam sem sombra de dúvidas sendo as melhores canções de um disco interessante, já que além de Moore, temos Satriani e Steve Morse ajudando nos malabarismos construídos por Jordan Rudess. Vale a pena ressaltar que Rudess ficou duas semanas isolado antes de gravar esse disco, e que a citada “Ra” é para ele a sua melhor composição, tanto que seguido ela aparece durante os solos que o músico faz nas apresentações do Dream Theater. Para ser ouvido com atenção e claro, muita curiosidade.

Jordan Rudess (teclados), Dave LaRue (baixo), Rod Morgenstein (bateria)

Convidados

Vinnie Moore (guitarra em 1 e 7)

Joe Satriani (guitarra em 2 e 3)

Greg Howe (guitarra em 4 e 6)

Steve Morse (guitarra em 5 e 6)

Daniel Jakubovic (guitarra em 4)

Kip Winger (vocais em 4 e 8)

Bill Ruyle (tabla)

1. Time Crunch

2. Screaming Head

3. Insects Among Us

4. Beyond Tomorrow

5. Bar Hopping With Mr. Picky

6. What Four

7. Ra

8. Tear Before the Rain


Ufo-the-visitor-2009-cdUFO – The Visitor [2009]

A estreia de Moore no UFO foi em 2004, no álbum You Are Here, após (mais uma) saída conturbada do guitarrista Michael Schenker. O som acabou mudando, e a partir de The Monkey Puzzle (2006), novos fãs passaram a acompanhar a banda, influenciados pelo som do novo guitarrista. Somente com The Visitor que os xiitaas adoradores de Schenker deixaram sua antipatia de lado, e curvaram-se perante a nova sonoridade do UFO. Sem as brigas internas, e com a saída precoce do líder Pete Way, Moore soltou-se e comandou o álbum com riffs grudentos e solos velozes, que juntamente da voz de Phil Mogg, consolidaram o UFO para uma nova geração, mostrando que os velhinhos ingleses ainda tem muito o que dar. Assim, saímos de canções mais leves (“On the Waterfront”, “Living Proof“, “Can’t Buy a Thrill” e “Stop Breaking Down” ) com rocks dançantes que são amostras claras do novo UFO (“Hell Driver“, “Stranger in Town” e “Villains & Thieves” ). Destaque para o uso do slide nas bluesísticas “Saving Me” e “Rock Ready“, e também na balada “Forsaken”, algo que dificilmente encontramos na carreira desse grande guitarrista americano.

Phil Mogg (vocais), Vinnie Moore (guitarras), Paul Raymond (teclados, guitarras), Andy Parker (bateria)

Músicos convidados

Peter Pichl (baixo)

Martina Frank (backing vocals em 6 e 8)

Melanie Newton (backing vocals em 2 e 8)

Olaf Senkbeil (backing vocals em 2, 3 e 4)

1. Saving Me

2. On the Waterfront

3. Hell Driver

4. Stop Breaking Down

5. Rock ready

6. Living Proof

7. Can’t Buy a Thrill

8. Forsaken

9. Villains & Thieves

10. Stranger in this Town

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Momento bolha com Vinnie Moore e este que vos escreve

5 comentários

  1. Marcello

    “Mind’s Eye” é uma obra-prima! Lembro-me bem de quando o LP saiu, porque eu e muitos dos meus amigos estávamos todos curiosos por causa das boas críticas que o disco recebeu, e ninguém conseguia encontrar o disco à venda; quando um colega conseguiu, acho que as fitas cassete virgens esgotaram na cidade, porque todo mundo estava copiando. Moore salvou o UFO de virar uma paródia de si mesmo, pois tem personalidade de sobra para ocupar o lugar que foi do Michael Schenker e do “Tonka” Chapman e deixar sua marca.

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    • Mairon

      Perfeito Marcello. Concordo totalmente sobre o UFO. E sobre a gravação das fitas, bons tempos hein? ahauhaahah. Abração

      Responder
      • Marcello

        Era o ritual: a gente comprava o LP novo, ouvia, comentava, levava na escola para os amigos babarem de inveja, e depois tinha que se virar com os pedidos de gravação! Depois veio o CD, e só mudou mesmo quando ficou tudo disponível na Internet…

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