Por André Kaminski

Confira aqui a Parte I

Após a tour de Impact is Imminent [1990] e o lançamento do ao vivo Good Friendly Violent Run [1991], o baixista Rob Mckillop deixa a banda. Não encontrei fontes da banda falando dos motivos de sua saída. Mas dizem os boatos internet afora que Rob ficou insatisfeito com a mixagem de seu baixo no disco anterior o que o deixou desanimado com o futuro na música. Tanto é que Mckillop nunca mais tocou em banda alguma. E dizem as línguas que isso foi devido àquele disco do Metallica sem baixo que fez sucesso e que então guitarristas e produtores começaram a querer “copiar” aquele hábito. Enfim, boatos.

A banda então recruta Mike Butler nas quatro cordas e entra em estúdio para gravar o seu quinto álbum.


Force of Habit [1992]

Para quem era fã do Exodus, a diferença foi grande. Apesar do thrash metal ainda comandar, as composições tiveram sua velocidade reduzida e o tom das guitarras foi abaixado. Senti que esse interesse maior por guitarras impactantes e grooveadas foi devido ao sucesso de um disco de uma certa banda com nome de felídeo. Mas achei que a banda deu um corpo legal a elas e conseguiu um tom que muito me agrada já que contrasta mais com a voz rasgada de Zetro. Há boas faixas aqui das quais destaco “Fuel for the Fire” que resgata mais a velocidade da bateria de Tempesta numa música que lembra um pouco mais do velho Exodus (mesmo com paradinha e tudo mais). “One Foot in the Grave” é um caso curioso… já ouvi esse mesmo riff em “Something Wicked”, música do Nuclear Assault e “Psychosocial” do Slipknot. Como essas duas faixas vieram depois, será que o Exodus foi chupinhado aqui… fica a dúvida. Voltando, também gostei de “Count your Blessings”, a segunda faixa mais longa e também com boa velocidade para banguear em um show, além de um interesante encerramento de guitarras limpas ali e “Good Day to Die” é polêmica por Steve Zetro ter usado um estilo vocal mais grave e limpo em vários de seus versos (e que virou clipe). Ficou com cara de vibe de MTV, mas eu até curti bastante esse estilo diferenciado do Exodus. No mais, é aquele álbum “ame ou odeie” da discografia. Muita gente desceu a lenha, mas muita gente hoje o tem como um ótimo disco. Eu fico ali pelo bom, acho-o um pouco longo demais (poderiam cortar os dois covers ruins e mais “Me, Myself & I”, a música que menos gostei) e o disco ficaria ali pelos 50 e poucos minutos. O que faria a audição se tornar mais agradável.


Internamente, a situação da banda ficou intragável. Segundo Gary Holt, os membros da banda reclamavam uns dos outros a todo momento para os empresários ao invés de conversarem entre si para resolvê-los. Sem identificar quem foi, um dos caras chegou reclamando em voz alta para Gary enquanto ele dava uma coletiva de imprensa no Japão quando a tour passava por lá. Na hora mesmo, um jornalista perguntou “Qual o futuro do Exodus?” ao qual Gary disse que tomou a decisão ali mesmo e respondeu “Essa é nossa última tour”. Ainda ele complementou dizendo que jamais continuaria com uma banda se não estivesse mais se divertindo e que foi o que aconteceu. O Exodus encerrou as atividades.

Holt e o velho batera Tom Hunting criaram uma nova banda chamada Wardance, ao qual chegaram criar uma demo, mas que os acertos com as gravadoras para um futuro lançamento da banda nunca ocorreram e também acabou que o projeto não foi para frente. Mas após 5 anos, os amigos de Gary o estavam “pressionando” para chamarem Paul Baloff de volta e retomarem as atividades do Exodus. Ele foi convencido e voltou a entrar em contato com os velhos membros. Da formação clássica do primeiro álbum, só Rob Mckillop não quis. Holt disse que quando foi atrás do lendário vocalista, ele estava vivendo em uma situação de pobreza. Ele estava vivendo em Monterey, uma cidade litorânea da Califórnia, vivendo em um trailer e ganhava seus tostões fazendo castelos de areia na praia para turistas. O guitarrista disse que Baloff não servia para trabalhar em empregos comuns cumprindo horários e tudo mais. Basicamente logo que foi convidado, ele vendeu o trailer e retornou ao Exodus em 1997 junto a Hunolt e Tom Hunting. Jack Gibson que era o baixista do Wardance foi convidado por Gary para completar o time e este aceitou na hora (e está na banda até hoje).

Foram direto fazer uma nova turnê e acabaram gravando o disco ao vivo Another Lesson in Violence [1997] pela gravadora Century Media. Porém, os planos de um retorno definitivo miaram devido a promoção insatisfatória da gravadora em relação ao disco ao vivo e a banda acabou de novo em 1998.

Em 2001, a mesma formação do ao vivo de 1997 se reuniu para shows e havia planos para o retorno definitivo com um novo álbum gravado. Porém, uma tragédia ocorre com a repentina morte de Baloff aos 41 anos após sofrer um infarto fulminante em 2002. Já haviam shows programados naquela mesma época e Holt chama novamente Steve Zetro para finalizar as datas. A banda resolve continuar com Steve e após alguns atrasos, eis que surte um novo disco em 2004, pela gigante do meta Nuclear Blast, após 12 anos desde o último.


Tempo of the Damned [2004]

Quando ouviram o novo trabalho da banda, os velhos fãs ficaram eufóricos com a volta da velocidade e do velho thrash de outrora mas agora com uma produção mais moderna. Como eu disse na época de nosso Melhores de Todos os Tempos de 2004, eu o considero um bom disco e ele já esteve em mais alta conta comigo. Nessa nova ouvida após alguns anos, o álbum até soou melhor do que eu lembrava, mas ainda tem alguns outros que gosto mais. Entretanto, não dá para ignorar o porquê a maioria gosta tanto do disco porque, de fato, há músicas e riffs excelentes aqui. Apesar da letra anticristã muito fraca (chega a ser meio hilária), adoro os arranjos instrumentais, riffs e mesmo aquele vocal agudo rasgado que Zetro faz destilando raiva ao Senhor de Nazaré na canção “Shroud of Urine”. O Exodus nunca foi lá muito um primor lírico, por isso dá de passar de boa. Também gosto da faixa título “Tempo of the Damned” naquele estilo thrash oitentista mesmo que adoramos. Também destaco a porradaria em “Impaler” e “Blacklist” de uma ótima safra de boas canções. De ponto fraco, tem a mais lenta e pouco inspirada “Culling the Herd” sendo também mais longa do que deveria. Muita gente realmente adora o disco (pode reparar lá em nossos comentários do Melhores), mas eu o considero um bom registro com uma nota 8 em minhas preferências pessoais.


Em termos de crítica o disco foi muito bem recebido e os shows estavam cheios. Mas 2004 e 2005 foi um período difícil para a banda. Estava rolando a turnê mas aí Steve Zetro se obrigou a sair quando iria iniciar a perna latino-americana. Segundo ele mesmo, financeiramente a turnê que passaria por México e Brasil não valeria a pena (das 9 datas do Brasil, 4 foram canceladas por problemas quanto aos pagamentos) e Steve tinha um emprego formal como carpinteiro em uma empresa que deu um ultimato para ele voltar e cumprir com seus compromissos. Com família e filho para cuidar, Steve optou pela segurança e saiu da banda um dia antes de um show no México. As pressas, Matt Harvey, Steev Esquivel e Chuck Billy o substituíram nessas datas. Até que em 2005 Rob Dukes assumiu o posto de vocalista em definitivo.

Ainda em 2005, mais duas baixas na banda. O baterista Tom Hunting novamente sentiu os velhos problemas de nervos que estavam afetando a sua performance e saiu para se tratar novamente. Veio o ótimo Paul Bostaph do Slayer e do Testament para o seu lugar. Já o guitarrista Rick Hunolt saiu de maneira mais amigável: ele queria dedicar mais tempo à sua família e conversou com os caras que aceitaram sem problemas. Ele ainda é muito amigo de Gary Holt e que segundo o próprio, Rick é melhor guitarrista do que ele e que ele comprou uma fazenda para cuidar e tirar o seu sustento. Para o seu lugar, foi recrutado o guitarrista ucraniano Lee Altus.

Com três integrantes novos, a banda não perde tempo e lança um novo disco de estúdio no mesmo ano.


Shovel Headed Kill Machine [2005]

Dando uma de Mairon aqui, conhecido por seus gostos por discos não muito apreciados por uma maioria, considero este no momento um dos melhores discos já lançados pelo Exodus e o meu favorito no momento em que escrevo essas linhas. Eu gosto bastante do vocal do Rob Dukes. É naquele estilo esganiçado tipo do Mile Petrozza do Kreator. Não tão agudo quanto os de Zetro. Fica um equilíbrio legal em relação ao instrumental. Outra coisa é que a banda dessa vez também diminuiu a velocidade das canções mas de uma maneira mais agradável do que antes. Os riffs de guitarra e os licks de bateria estão muito mais variados, esta última graças a excelente técnica de Bostaph. “Deathamphetamine” é a mais longa mas está aí uma faixa que segura muito bem o interesse em toda a sua duração. A canção inclusive é sobre os problemas que vários integrantes tinham com as metanfetaminas que usavam nos anos 80 e 90 e que ferraram bastante com a saúde física e mental deles. “Karma’s Messenger” segue também com muito peso e mesmo alguns riffs mais melódicos e solos de guitarra excelentes. Sem contar a metralhadora “bumbo duplo” por parte de Bostaph. A velocidade de “44. Magnum Opus” é de cair o queixo, uma das canções mais pesadas da discografia do Exodus. A que vem em seguida “Shovel Headed Kill Machine” não deixa a peteca cair e solta mais riffs e porradas. Se você não gosta muito deste álbum, eu realmente peço para dar mais uma chance a ele. É diferente e vale a pena tentar mais uma vez, mesmo que seja fanzaço de Baloff ou de Zetro.


The Atrocity Exhibition: Exhibit A [2007]

Não muito tempo depois e o Exodus já lança mais um disco, mas Paul Bostaph deixa a banda para o retorno de Tom Hunting. Ambos se elogiaram, Bostaph disse que o banco do kit de bateria do Exodus pertence ao velho baterista e agradeceu o tempo em que esteve com a banda. Tom retribui o elogio dizendo que terá que trabalhar muito para dar conta da qualidade das batidas que Paul trouxe ao disco anterior. Tudo certo com a troca, mas… o disco deixou a desejar. Não o acho tão ruim como muita gente argumenta, mas sim, há muitos problemas aqui. Um deles que já ficou bem claro é que a banda não tem criatividade (a meu ver) de manter a qualidade alta em músicas muito longas, caso desse álbum que está cheio de canções de mais de 7 minutos. Uma ou outra até vai, mas cinco canções longas é demais. Outra é que alguns riffs e ideias se repetem dentro do próprio disco. O fato é que a banda não estava com canções fortes o suficientes e poderia ter dado um tempo a mais para trabalhar melhor nelas antes de lançar este trabalho. Daqui, acho que valem a pena a boa “Riot Act”, curta e ao estilo Exodus de sempre e a ótima “Funeral Hymn”, a melhor do disco, longa mais com um riff introdutório animal. Mas as outras músicas não seguram o álbum e soam estéreis e pouco originais. Não é um total pedaço de lixo mas não é aquela coisa que esperamos de uma banda do quilate do Exodus.


Volto em mais 15 dias com a última parte e os últimos quatro discos dos californianos. Valeu e até mais!

4 comentários

  1. Fernando Bueno

    É muito maluco a gente pensar nessas questões financeiras dessa bandas. Pô!!! o Exodus não é o Metallica, mas é uma banda conhecida no mundo todo, vários discos e tudo o mais. É muito esquisito pensar que um cara que toca na banda não tenha grana suficiente para se manter ou preferir um trabalho qualquer em relação à banda. Nessa a gente entende pq o Gary Holt preferiu se juntar ao Slayer (uma banda maior que paga um salário) e deixar de lado a SUA banda….

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    • Daniel Benedetti

      Engraçado, eu sempre gostei muito do Tempo of the Damned e nunca consegui gostar do Shovel Headed Kill Machine da mesma forma. Os outros 2 desta parte, eu confesso que nem me recordo…

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      • André Kaminski

        Tempo of Damned fisgou a imensa maioria. O meu gosto nesse caso é que é diferente mesmo.

    • André Kaminski

      Infelizmente, mesmo que o Exodus seja uma banda grande, dificilmente conseguem um alto salário que as bandas consideradas gigantes tiram anualmente.

      Mesma coisa com o Kiko Loureiro e o Megadeth.

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