Por Pablo Ribeiro

Gravado no começo da tour de divulgação de 13, Live… Gathered In Their Massesmescla músicas de dois shows do Black Sabbath em Sidney, na austrália, acontecidos nos dias 29 de abril e 1º de maio de 2013. Lançado em 26 de novembro de 2013, a gravação foi lançada em cinco configurações distintas: DVD, Blu Ray, DVD + CD, Blu Ray + CD (todos em caixinhas plásticas comuns) e a edição de luxo aqui resenhada.

O material é apresentado em um box (medindo aproximadamente 15cm de largura x 20cm de altura x 3cm de profundidade), e contém um livreto de 16 páginas com fotos e informações sobre os shows, réplicas do cartaz de divulgação original e do ingresso, cópia do setlist e um par de palhetas, todos acondicionados em uma espécie de display em cartão dobrável.

Além da memorabilia, estão inclusos quatro discos (acondicionados em envelopes individuais): 1 Blu Ray, 2 DVDs e 1 CD. E é exatamente aqui o que há de mais importante na caixa em comparação ao material regular. No Blu Ray estão inclusas três canções extras, entrevistas com o trio original da banda, e um frature sobre o dia do show: atrativos que não constam em nenhuma outra versão do lançamento.

Esses mesmos extras contam em um DVD bônus (também exclusivo do box). O outro DVD e o CD replicam o material das versões comuns.

Quanto ao material gráfico em si, poderia ter havido um pouco mais de capricho. Não que a caixa seja “porca”, mas em comparação com a recente versão Super Deluxe do próprio 13 por exemplo, essa caixinha aqui deixa a desejar em certos aspectos. O encarte – todo em papel couché – é curto demais (com quase todas as – poucas – fotos apenas do trio original da banda), os discos armazenados nas malditos envelopes simples de papelão (uma roleta russa de arranhões) e pouca informação. Não que isso tire o brilho da coisa toda, mas esperava um pouco mais.

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E o principal, o show em si? É aqui que Gathered in Their Masses acerta em cheio, com as apresentações extremamente bem gravadas, com uma edição de imagens excelente, que se distancia daquele ritmo frenético que se tornou praxe em shows de metal ultimamente (como os lançamentos mais recentes do Iron Maiden e do Metallica por exemplo). Cada take foca o suficiente em cada membro da banda, permitindo sacar vários detalhes, sem no entanto ficar monótono. E a banda, meu amigo, desce o pau em cada uma das músicas.

Tony Iommi, mesmo em tratamento contra um linfoma, se mostra muito bem disposto, disparando – sem clemência – uma avalanche de riffs assassinos. Geezer Butler, em ótima forma, completa a dupla com Iommi, despejando toneladas de linhas de baixo, preenchendo o som com uma parede grave e demolidora. Não é a toa que ambos formam a mais poderosa e influente dupla de guitarra/baixo do metal. Na retaguarda, o jovem (cerca de metade da idade dos integrantes originais do Sabbath) mas muito experiente baterista norte-americano Tommy Clufetos, que faz por merecer o posto que conquistou, com sobras. O cara desce o braço sem dó, com muito peso, em uma performance sólida, mas ainda assim dotada de groove e originalidade, sem no entanto desvirtuar as canções das características originais (a cargo de Bill Ward). Mas e Ozzy Osbourne?

Bem, tem ficado cada vez mais evidente nos últimos anos que o sujeito está cada vez mais longe da figura insana de “Madman” pela qual ficou conhecido. Mas mesmo que os anos de excesso e loucura estejam cobrando um preço alto hoje em dia, ao assistir o show fica evidente o indiscutível fato de que Osbourne é o vocalista do Sabbath. Fato aliás, que ficou claro, também, nos shows que o grupo levou a cabo no Brasil em 2013. Na verdade, Ozzy está mais parado, orbitando em um curto espaço ao redor do microfone. Isso se dá principalmente pelo seguinte motivo: O cara tem uma puta dificuldade de decorar as letras, e por isso recorre aos famosos teleprompers. Quando se trata das músicas mais antigas do grupo, ele até arrisca “passeios” maiores (ainda que limitados pelos seus recentes problemas físicos), mas nas músicas do recente 13 a coisa complica, e o cara fica o tempo inteiro com os olhos travados nos aparelhos – posicionados aos seus pés.

HOLMDEL, NJ - AUGUST 04: (Exclusive Coverage) Black Sabbath perform during their "13" Tour at PNC Bank Arts Center on August 4, 2013 in Holmdel, New Jersey. (Photo by Kevin Mazur/WireImage)

Entretanto, essa constatação passa a ser um insignificante detalhe frente à poderosíssima força do Black Sabbath enquanto banda. Ozzy (que convenhamos, nunca foi um exemplo quando se trata de decorar letras). E a explicação é simples: O grupo é tão poderoso, e sua música é tão atemporal e espetacular que não há ser humano na face da terra com um mínimo de sangue quente nas veias que não se empolgue e até se emocione com o material.

No final das contas, Live … Gathered In Their Masses é um testamento da reunião mais esperada e comemorada do metal, e mostra claramente que esses senhores, às portas dos 70 anos, apesar da doença, dos excessos e do cansaço da idade, ainda podem facilmente reduzir a pó a grande maioria de seus “discípulos”, mesmo depois de quase meio século. Um registro histórico e obrigatório – em qualquer uma de suas versões – em qualquer coleção séria relacionada ao rock.

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• Blu Ray / DVD:
1. War Pigs
2. Into The Void
3. Loner
4. Snowblind
5. Black Sabbath
6. Behind The Wall Of Sleep
7. N.I.B.
8. Methademic
9. Fairies Wear Boots
10. Symptom Of The Universe (Intro) / Drum Solo
11. Iron Man
12. End Of The Beginning
13. Children Of The Grave
14. God Is Dead?
15. Sabbath Bloody Sabbath (Intro) / Paranoid
• Bonus Tracks (Blu Ray e DVD Bonus):
1. Under The Sun
2. Dirty Women
3. Electric Funeral
4. Interview
5. Showday – Behind The Scenes

• CD:
1. War Pigs
2. Loner
3. Black Sabbath
4. Methademic
5. N.I.B.
6. Iron Man
7. End Of The Beginning
8. Fairies Wear Boots
9. God Is Dead?
10. Sabbath Bloody Sabbath (Intro) / Paranoid

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