Discografias Comentadas: Boston

Discografias Comentadas: Boston
Barry, Tom, Sib, Brad e Fran. Boston no auge da fama

Por Daniel Benedetti

Este artigo pretende analisar a discografia de estúdio da banda Boston. Antes, faremos um breve histórico sobre as origens do grupo.

A formação do Boston gira em torno de seu líder. Tom Scholz começou a compor música por volta de 1969, enquanto ele estudava no Massachussetts Institute of Technology (MIT), onde escreveu uma canção instrumental intitulada “Foreplay”. Enquanto frequentava a MIT, Scholz se juntou à banda Freehold, onde conheceu o guitarrista Barry Goudreau e o baterista Jim Masdea, que viriam a se tornar membros do Boston. O vocalista Brad Delp foi adicionado ao grupo em 1970. Depois de se formar (com um grau de mestre), Scholz trabalhou para a Polaroid, onde usou o seu salário para construir um estúdio de gravação no seu porão e para financiar ‘fitas demo’ gravadas em estúdios profissionais

Estas ‘fitas demo’ foram gravadas (em vários momentos) com Brad Delp nos vocais, Barry Goudreau na guitarra, Jim Masdea na bateria, e Scholz na guitarra, baixo e teclados. As mesmas eram enviadas para as gravadoras, mas recebiam rejeições consistentes. Em 1973, Scholz formou a banda Mother’s Milk com Delp, Goudreau, e Masdea. Esse grupo se desfez em 1974, mas Scholz, posteriormente, trabalhou com Masdea e Delp para produzir seis novas demos, incluindo “More Than a Feeling”, “Peace of Mind”, “Rock and Roll Band”, “Something About You” (em seguida, intitulada “Life Isn’t Easy”), “Hitch A Ride” (em seguida, intitulada “San Francisco Day”), e “Don’t Be Afraid”.

Tom Scholz

Scholz afirma que eles terminaram quatro das seis canções até o final de 1974 e finalizaram “More Than a Feeling” e “Something About You”, em 1975. Scholz tocou todos os instrumentos nas demos, exceto a bateria, a qual foi tocada por Masdea, além de usar pedaleiras que foram concebidas por ele mesmo para criar o som da guitarra desejado. Esta última fita demo atraiu a atenção dos promotores Paul Ahern e Charlie McKenzie. Masdea deixou a banda quase ao mesmo tempo. Segundo Scholz, os gestores insistiram para que Masdea fosse substituído antes da banda obter um contrato de gravação. Scholz e Delp assinaram um contrato com a Epic Records logo após a partida de Masdea, graças a Ahern & McKenzie.

Antes que o acordo fosse finalizado, a banda teve que fazer uma audição ao vivo para os executivos da gravadora. A dupla rapidamente recrutou Goudreau na guitarra, o baixista Fran Sheehan e o baterista Sib Hashian para criar uma unidade executora que fosse capaz de replicar no palco as ricas gravações em camadas de Scholz. A apresentação foi um sucesso e a banda concordou em lançar 10 álbuns ao longo dos próximos seis anos – que, como se verá, não ocorreria. Além da demissão de Masdea, a gravadora também insistiu para que Scholz regravasse as fitas demo em um estúdio profissional. No entanto, Scholz queria que o registro fosse gravado em seu estúdio particular, no próprio porão, a fim de que ele trabalhasse em seu próprio ritmo.

Brad Delps

A pedido de Tom Scholz, Masdea tocou bateria na faixa “Rock and Roll Band” e a instrumentação foi gravada em seu estúdio. Assim, o resultado da gravação foi então levado para Los Angeles, onde Brad Delp acrescentou vocais, sendo o álbum mixado por John Boylan. Foi neste momento que o grupo foi batizado de Boston, por sugestão de Boylan e do engenheiro de som Warren Dewey.

Durante a mixagem do álbum, Tom Scholz foi para Los Angeles e se encontrou novamente com Boylan e Delp. Scholz afirmou ter ficado intimidado, inicialmente, com os engenheiros profissionais, já que ele havia gravado as faixas em seu porão. Mas, posteriormente, Scholz percebeu que, na realidade, eles possuíam um rico arsenal de possibilidades nas mãos, mas não possuíam as habilidades que Scholz adquiriu com sua experiência em seu próprio estúdio. Boylan encontrou seu único real confronto com um Scholz autocrático durante a fase de mixagem, em que Scholz cuidava de guitarra e bateria; e Boylan Dewey dos vocais, com Steve Hodge como auxiliar. Scholz colocou as guitarras muito altas na mixagem, tornando os vocais de renderização inaudíveis por algumas vezes.

Boston in the act

Toda a operação foi descrita como “uma das ações corporativas mais complexas da história do mundo da música.” Com exceção de “Let Me Take You Home Tonight”, o álbum foi uma cópia virtual das fitas demo. O álbum foi gravado por um custo de alguns milhares de dólares, uma quantia irrisória em um setor acostumado a gastar centenas de milhares de dólares em uma única gravação. O disco Boston foi composto principalmente de canções escritas muitos anos antes de suas aparições no álbum. Scholz escreveu ou co-escreveu todas as músicas do álbum, tocou praticamente todos os instrumentos e gravou (participando da engenharia) de todas as faixas.

Para Scholz, a idéia de belas harmonias vocais foi inspirada no grupo The Left Banke, e o aspecto das guitarras foi influenciado pelos Kinks, o Yardbirds e pelo Blue Cheer. Outro elemento de assinatura do “som do Boston”, em termos de produção, envolve o equilíbrio entre guitarras acústicas e elétricas. Para este fim, Scholz inspirou-se em sua audição de infância de música clássica, observando que o “conceito básico” era fixar o ouvinte em uma mudança que está chegando durante uma canção, sendo que tal efeito havia sido explorado por centenas de anos naquelas composições.


Boston [1976]

Lançado em 25 de agosto de 1976, pela Epic Records, com a produção sob responsabilidade de John Boylan e do próprio Tom Scholz, Boston foi um gigantesco sucesso comercial. Dispensando maiores apresentações, uma bela melodia embala os momentos iniciais de um dos clássicos da música pop internacional: “More Than A Feeling”. Em “Peace of Mind”, o Boston aposta em um riff o qual possui maior peso e intensidade da guitarra, embora desenvolva uma melodia cativante e maliciosa, leve e impressiva na mesma certeira tonalidade. “Foreplay” é uma canção com óbvias e determinantes orientações progressivas, sendo de extremo bom gosto e, após 2 minutos e meio, um inspirado solo de guitarra introduz “Long Time”, um rock com melodia suave e encantadora, com vocais que se casam perfeitamente com a parte instrumental. “Rock & Roll Band” é a menor canção de todo o álbum e vai direto ao ponto: um rock simples e direto, que flerta deliberadamente com o Hard, mas dosando de maneira equilibrada sua melodia envolvente e o peso da guitarra. Um riff muito bom, pesado e intenso, é a base para a ótima “Smokin'”, que bebe fartamente no Hard Rock com influência Bluesy. “Hitch a Ride” se inicia de maneira leve, suave e envolvente, com os vocais se casando de maneira perfeita com a melodia instrumental. Em “Something About You”, o ouvinte estará diante de um Hard Rock com guitarra proeminente e pesada, com um espírito alegre e festivo. “Let Me Take You Home Tonight”, a derradeira faixa do álbum, aposta em uma melodia muito suave e leve, com doses quase homeopáticas de peso. “More Than a Feeling”, “Long Time” e “Peace of Mind” foram lançadas como singles e, respectivamente, alcançaram os 5º, 22º e 38º lugares na principal parada norte-americana desta natureza. Catapultado especialmente pelo sucesso de “More Than a Feeling”, o álbum Boston conquistou a 3ª posição da Billboard 200 e a 11ª colocação na principal parada britânica de discos. O trabalho também supera a casa de 17 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos. Em resumo: o álbum de estreia do Boston, um gigantesco sucesso comercial, é o registro inicial do talento inegável de Tom Scholz não apenas como músico e compositor, mas também como homem de estúdio, já que suas inovações na gravação do disco seriam seguidas dali para a frente, sendo que o mais impressionante no álbum Boston é que todos os detalhes são minuciosamente pensados de modo a que contribuam para o resultado final das canções. É tudo feito com extremo bom gosto e com muita precisão.

Tom Scholz, então com 29 anos, planejava abandonar seu sonho de rock and roll; ele ainda trabalhava na Polaroid durante as primeiras semanas após o lançamento do registro. Scholz sentia-se pessimista sobre o sucesso até que o álbum vendeu 200 mil cópias. Já em janeiro de 1977, o disco de estreia havia vendido dois milhões de cópias, tornando-se um dos álbuns estreantes que mais rapidamente vendeu tantas cópias da história do rock. O álbum acabou por receber vários prêmios, incluindo uma indicação ao Grammy de Melhor Artista Novo. Com uma popularidade maciça, o Boston chegou a ser colocado no patamar de estrelas estabelecidas, como Peter Frampton, Fleetwood Mac, e Stevie Wonder.

De uma pequena turnê de 6 semanas, prevista anteriormente ao lançamento do disco, o Boston acabou fazendo outra que duraria 10 meses. Scholz se recorda de ficar extasiado quando via que as pessoas já conheciam as canções do grupo. O Boston finalmente começou a ser Headliner em shows a partir de 1977 e esgotando quatro shows no sul da Califórnia, com um intervalo de uma semana. Bob Seger and The Siver Bullet Band fez a abertura para o grupo em Detroit. O sucesso era tanto que a banda esgotou os ingressos para 3 apresentações em New York City, no famoso Madison Square Garden. Apesar de ter problemas com o empresário Paul Ahern, sendo envolvido no meio de uma briga entre Ahern e seu parceiro de negócios Charles McKenzie, e fazendo a maior parte do trabalho de gravação sozinho, Scholz completou o segundo álbum do Boston dois anos após o lançamento do álbum de estreia.


Don’t Look Back [1978]

Segundo álbum de estúdio do grupo, Don’t Look Back foi lançado em 2 de agosto de 1978, através do selo Epic Records e com produção de Tom Scholz. A faixa-título abre o disco com as maiores características do Boston: a mescla entre guitarras marcantes e pesadas com passagens mais suaves, com teclados bem presentes. “The Journey” é uma faixa com pouco mais de 1 minuto e que serve de abertura para “It’s Easy”, uma canção bem animada e com ótimos vocais. “A Man I’ll Never Be” possui uma incrível atuação de Brad Delp nos vocais e é uma música mais introspectiva, contando com uma bela melodia. “Feelin’ Satisfied” é uma canção contagiante, com guitarras fortes e seção rítmica muito presente. “Party” é um Hard Rock intenso que lembra, em partes, o Kiss dos anos 1970. Mais belos vocais de Brad Delp são os principais destaques da suave “Used to Bad News”. O disco é encerrado com a vibrante “Don’t Be Afraid”, uma canção com a presença bem forte das guitarras. “Don’t Look Back”, “A Man I’ll Never Be” e “Feelin’ Satisfied” foram os singles para a promoção do trabalho e ficaram, respectivamente, com as 4ª, 31ª e 46ª posições na principal parada norte-americana desta natureza. Don’t Look Back ficou com a excelente 1ª colocação da Billboard 200, obtendo o 9º lugar em sua correspondente britânica, além de ter superado a casa de 7 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos. Don’t Look Back tinha a difícil missão de suceder um sucesso grandioso como a estreia do Boston e se pode dizer que conseguiu exitosamente fazê-lo: é um álbum que consolidou a qualidade musical do conjunto, mantendo o nível das composições – e de sucesso comercial.

Na época, os 2 anos entre a estreia e o segundo disco do conjunto foi considerado um longo intervalo entre os álbuns, mas Scholz ainda considerou Don’t Look Back um trabalho apressado e ficou insatisfeito com o segundo lado do LP em particular. Outra turnê se seguiu (tocando com nomes como AC/DC, Black Sabbath, Van Halen, Sammy Hagar e The Doobie Brothers), e a faixa-título do álbum se tornou um hit. Apesar do sucesso, o relacionamento de Scholz com Ahern se deteriorou completamente. Atrasado por renovações técnicas em seu estúdio, Scholz finalmente começou o processo de trabalho no terceiro álbum do Boston, determinado a concluí-lo em seu próprio ritmo e de acordo com seu padrão exigente.

Durante os próximos anos, Tom Scholz se envolveu em problemas com o empresário do Boston, Paul Arhen, além de enfrentar um processo contra a gravadora CBS. A qual alegava atrasos para a entrega de um novo disco do grupo. Scholz acabou levando o Boston para a MCA Records e vencendo o processo, mas um novo disco do Boston só sairia em 1986. Neste então novo trabalho, além de Tom Scholz, Brad Delp e Jim Masdea, o baterista Sib Hashian e o guitarrista Gary Pihl também participariam das gravações.


Third Stage [1986]

Após um hiato de 8 anos, Third Stage foi lançado em 23 de setembro de 1986, através do selo MCA Records e com produção de Tom Scholz (novamente). Um dos clássicos do grupo, a balada “Amanda” abre o disco com suavidade e um refrão bem grudento! “We’re Ready” é mais pesada que sua antecessora, contando com uma guitarra mais forte e bons solos. Apesar de ter menos de 3 minutos, “The Launch” é formada por 3 trechos diferentes: “Countdown”, “Ignition” e “Third Stage Separation”; sendo completamente instrumental e pouco memorável. “Cool the Engines” é bem mais agressiva que suas predecessoras, especialmente por conta das guitarras. “My Destination” é outra balada, com menos de 3 minutos e totalmente dispensável. A também dispensável e curtíssima instrumental “A New World” antecede outra balada descartável, “To Be a Man”. “I Think I Like It” tem a cara do ‘AOR’ dos anos 1980s, sendo bastante ‘açucarada’. A sequência não melhora muito, pois traz a não muito inspirada “Can’tcha Say (You Believe in Me)/Still in Love”. O disco termina com “Hollyann”, mais uma balada, mas, desta feita, com um pouco mais de potência. O álbum trouxe 5 singles: “Amanda”, “Cool the Engines”, “We’re Ready”, “Can’tcha Say (You Believe in Me)” e “Hollyann”. “Amanda” atingiu o topo da principal parada norte-americana de singles e “We’re Ready” conquistou o 9º lugar da mesma parada. Third Stage também alcançou a 1ª posição da Billboard 200, ficando com a 37ª colocação de sua correspondente britânica, além de suplantar a casa de 4 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos. Third Stage reflete todo o processo conturbado de sua construção, sendo um disco pouco homogêneo, com bons momentos convivendo com outros dispensáveis, sendo seu maior mérito a atuação do vocalista Brad Delp.

Fran Cosmo

O grupo saiu em turnê para promover Third Stage em 1987 e 1988. O disco foi tocado em sequência em sua totalidade durante os shows, com arranjos expandidos em algumas faixas. Para a turnê, o grupo foi acompanhado por Doug Huffman e David Sikes, os quais estiveram com a banda em meados da década de 1990. Brad Delp acabou deixando o grupo em 1990, sendo substituído por Fran Cosmo, e fazendo com que apenas Tom Scholz ficasse remanescente como membro fundador do conjunto. Pelo segundo álbum consecutivo e pela segunda vez em uma década, o trabalho de Scholz foi atrasado por reformas em seu estúdio. No final, oito anos se passaram entre Third Stage e Walk On, o próximo disco do Boston. Para este, o conjunto contava com Fran Cosmo nos vocais, Gary Pihl na guitarra, David Sikes no baixo, Doug Huffman na bateria, além de, claro, Tom Scholz.


Walk On [1994]

Walk On foi lançado em 7 de junho de 1994, pela MCA Records, com produção do próprio Tom Scholz. As gravações se esparsaram entre novembro de 1990 e dezembro de 1993, em um longo processo. O disco é aberto com “I Need Your Love”, uma balada bem suave, com os vocais de Fran Cosmo e um belo solo de guitarra. “Surrender to Me” é mais rápida e mais direta, com um bom trabalho de guitarras. “Livin’ for You” é uma balada sofrível, com teclados clichês e uma melodia “qualquer coisa”. Da faixa 4 a 7, há uma espécie de medley chamado ‘Walk On Medley’. Começa com a instrumental “Walkin’ at Night”, na qual a guitarra é o ponto central. Depois aparece “Walk On”, uma faixa divertida, mas uma cópia básica do Mötley Crüe fase “Girls, Girls, Girls”. Depois surge “Get Organ-ized”/”Get Reorgan-ized”, também instrumental, uma espécie de continuação da canção anterior, mas completamente baseada nos teclados. Por fim, “Walk On (Some More)” retoma a música título “Walk On”. “What’s Your Name” segue a linha de Rock mais suave do disco, com as guitarras dando as caras de forma mais eventual. A versão para “Magdalene”, da banda Hybrid Ice, é mais uma baladinha, mas, infelizmente, que também soa genérica. Para encerrar o disco, “We Can Make It” traz um AOR animado. “I Need Your Love” e “Walk On” foram os singles, com apenas a primeira atingindo a 51ª colocação na principal parada norte-americana desta natureza. O álbum atingiu o 7º lugar na Billboard 200, ficando com a 56ª posição na correspondente britânica. Na realidade, Walk On soa como uma cópia cansada dos melhores momentos do próprio Boston e Fran Cosmo não possuía os mesmos atributos vocais de Brad Delp, contribuindo, desta maneira, para que o disco soasse como um esforço menos inspirado do conjunto.

O grupo, com Delp agora de volta à banda, fez uma turnê no verão de 1995 com Cosmo e Delp combinando vocais. Naquela época, o baterista Huffman havia sido substituído por Curly Smith, que estava anteriormente no Jo Jo Gunne. Após a conclusão da turnê “Livin’ For You” em 1995, Scholz anunciou que um álbum de grandes sucessos seria lançado. Inicialmente planejado para agosto de 1996, o álbum foi adiado para lançamento em 1997. Scholz voltou ao estúdio em 1998 para começar a trabalhar em um quinto álbum, que acabou se tornando Corporate America. O grupo conta com Tom Scholz, os vocalistas Brad Delp e Fran Cosmo, os guitarristas Gary Pihl, Anthony Cosmo; os baixistas David Sikes e Bill Carman, os bateristas Curly Smith e Tom Moonan, além de várias outras participações.


Corporate America [2002]

Em 5 de dezembro de 2002 foi lançado Corporate America, o quinto álbum de estúdio do Boston. As gravações duraram de 1998 a 2002 e o disco foi lançado pelo selo independente Artemis Records, com produção dos músicos Tom Scholz, Gary Pihl, Fran Cosmo e Anton Cosmo. O disco começa com a terrível “I Had a Good Time”. As coisas não melhoram muito com a excessivamente açucarada “Stare Out Your Window”, em outro esforço sem nenhuma vibração. O flerte com a música eletrônica traz a simplesmente pavorosa faixa-título, “Corporate America”. O álbum tem um respiro com “With You”, uma balada acústica simples, mas eficiente. “Someone” é totalmente insípida enquanto “Turn It Off” opta por uma pegada mais pesada e baseada nas guitarras. “Cryin’” oscila em momentos acústicos e suaves e entre passagens que remetem aos anos iniciais do Boston. Em “Didn’t Mean to Fall in Love”, os teclados estão ainda mais evidentes e os vocais de Delp são bons, mas a faixa parece não deslanchar. Para fechar o trabalho, “You Gave Up on Love”, uma cópia rasa de tudo que o grupo fez no passado. A crítica especializada odiou o álbum em sua maioria – não sem razão, diga-se. Ainda assim, o álbum conquistou a 42ª posição da principal parada norte-americana, a Billboard 200. Entretanto, carecendo de composições mais inspiradas, também de execução mais vibrante – e com algumas faixas bem próximas do constrangimento – Corporate America é, com sobras, o pior disco do Boston.

O grupo embarcou em uma turnê nacional para divulgar o álbum em 2003 e 2004. Em 9 de março de 2007, o vocalista Brad Delp morreu por suicídio em sua casa em Atkinson, no Estado norte-americano de New Hampshire. A polícia o encontrou morto em seu banheiro principal. No banheiro onde ele morreu, duas churrasqueiras a carvão foram encontradas nas louças sanitárias, e a porta foi selada com fita adesiva e uma toalha por baixo. A polícia disse que nenhum crime foi indicado. Delp estava sozinho no momento de sua morte, de acordo com o relatório policial. Ele foi encontrado por sua noiva, que viu uma mangueira presa em seu carro. De acordo com o médico legista de New Hampshire, sua morte foi o resultado de suicídio por envenenamento por monóxido de carbono. O último show de Delp com o Boston foi realizado no Boston Symphony Hall, em 13 de novembro de 2006.

Em 2008, Scholz e Michael Sweet (Stryper) introduziram uma nova formação do Boston, que posteriormente fez uma turnê de verão na América do Norte, tocando em 53 datas em 12 semanas (em um projeto duplo com o Styx). Scholz foi o único membro fundador do Boston a tocar na turnê, embora o membro de longa data Gary Pihl também fizesse parte da banda, e Dahme e Neal voltaram no baixo e bateria, respectivamente. Tommy DeCarlo e Sweet compartilharam os vocais principais. Sweet deixaria o grupo em 2011 e o guitarrista/vocalista David Victor seria contratado. O Boston sairia em turnê durante o ano seguinte. Para seu sexto disco de estúdio, além de Tom Scholz, o Boston contaria com o guitarrista Gary Pihl, Kimberley Dahme no baixo, Curly Smith na Harmonica e os vocalistas Tommy DeCarlo, David Victor, Louis St. August, Jeff Neal, Jude Nejmanowski, Beth Colen, além do falecido Brad Delp, este, obviamente, em faixas gravadas anteriormente a sua morte.

 


Life, Love & Hope [2013]

Em 3 de dezembro de 2013, saiu Life, Love & Hope, o sexto (e até agora) o último álbum de estúdio do Boston. O selo responsável foi o Frontiers Records e Tom Scholz foi o produtor. Como o leitor irá perceber, o disco traz várias releituras de músicas lançadas anteriormente pelo próprio grupo. “Heaven on Earth” começa o trabalho de forma interessante, com boa intensidade. “Didn’t Mean to Fall in Love” é uma releitura da faixa lançada no álbum anterior, mas segue sendo pouco convidativa. A curtinha e instrumental “Last Day of School” antecede a estranha, mas interessante “Sail Away”. “Life Love and Hope” relembra os melhores momentos do Boston, embora os vocais de DeCarlo fiquem abaixo das exigências. A balada “If You Were in Love” é razoável e precede a inofensiva “Someday”. Pela primeira vez na história da banda, Tom Scholz se arrisca nos vocais de “Love Got Away”. A banda volta a insistir na terrível “Someone (2.0)”, outra tragédia ressuscitada de Corporate America, bem como o grupo investe novamente em “You Gave Up on Love (2.0)”, com resultados semelhantes. O álbum se fecha com “The Way You Look Tonight”, uma canção baseada nos teclados e com os vocais insossos de DeCarlo. Life, Love & Hope atingiu a 37ª colocação da Billboard 200 e recebeu críticas mistas da imprensa especializada. Na realidade, o grande pecado do disco é insistir em repaginar as fracas composições de Corporate America e não investir em material novo.

Em 2014, o Boston embarcou na “Heaven on Earth Tour” nos Estados Unidos e no Japão com uma formação incluindo Scholz, Pihl, DeCarlo, Victor e Ferrie. Dahme voltou, desta vez tocando guitarra base e vocais, e as tarefas de bateria foram divididas entre Neal e Smith, com Neal cuidando da primeira parte da turnê. Victor deixou o grupo no meio da turnê por razões não especificadas, pouco antes de um show em 8 de julho em Nova York. Não houve nenhuma explicação oficial para sua saída.

Boston in Concert – Dec 14, 1988

Em 2015, o Boston lançou outra turnê com uma formação composta por Scholz, Pihl, DeCarlo, Ferrie, Neal, Smith e a nova integrante Beth Cohen, que tocou teclado, guitarra base e vocais. Cohen já havia gravado com o grupo em Corporate America e em Life, Love & Hope como vocalista e flautista. A turnê de 2016 marcou o 40º aniversário do grupo e incluiu shows no Wang Theatre de Boston, suas primeiras apresentações completas em sua cidade homônima desde 1994. Em 22 de março de 2017, o ex-baterista Sib Hashian morreu após desmaiar em um navio de cruzeiro Legends of Rock. Alguns rumores chegaram a surgir sobre um novo álbum de estúdio, mas não passaram disto. A discografia do Boston conta com 6 álbuns de estúdio, 2 coletâneas e 22 singles.

3 comentários sobre “Discografias Comentadas: Boston

  1. Provavelmente a banda mais idiossincrática da história do rock, mas que para mim deveria ter ficado nos primeiros dois LPs. Third Stage é legal, mas nada se compara ao trabalho anterior da banda. O riff de More Than a Feeling gruda tanto na cabeça de quem ouve que Kurt Cobain pegou-o emprestado para Smells Like Teen Spirit.

  2. Caramba detestei a análise sobre o álbum “Corporate América”, só vi crítica, e o álbum tem ótimas músicas e cada uma tem o seu valor.

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