Por Davi Pascale

Fotos: Pri Secco

Seguinte, moçada. Tenho escutado bastante disco bacana de artista brasileiro, ultimamente. Isso me fez pensar que talvez fosse interessante dar um tempo nas matérias especiais e começar a trazer essas dicas para vocês, mostrar um pouco do que está rolando na cena. E o álbum que escolhi para dar o pontapé inicial nessa saga foi justamente o debut da Malvada.

A Malvada é uma banda bem recente. O grupo nasceu a partir de encontros online realizados no início de 2020. Sim, justamente na época em que explodiu a pandemia. Não tenho dúvidas que isso deve ter dificultado a vida das garotas. Desde a escolha das integrantes, até criação de repertório, brainstorms, etc. Claro que dá para fazer tudo isso online, mas ao vivo ali, no cara-a-cara é outra vibe.

De todo modo, a jogada das garotas deu certo. Pouco a pouco, o nome do grupo vem crescendo entre os rockers. Seja pelos clipes divulgados no Youtube, seja pela recente apresentação ao lado do lendário Golpe de Estado, seja pela projeção que a cantora do grupo teve quando participou do The Voice Brasil, a verdade é que o grupo vem em uma crescente.

 

Da esquerda para a direita: Má, Bruna, Juliana e Angel

 

Se você é fã de rock – e se frequenta esse site, acredito que seja – você certamente já se deparou com o vídeo de uma garota, de mechas azuis, cantando “Welcome To The Jungle”, cheia de atitude, no programa da Globo. E não importa se você assiste a emissora ou não. Afinal, o vídeo chegou a ser compartilhado em diversos grupos do Facebook. Pois bem… É justamente essa garota, que atende pelo nome de Angel Sberse, que lidera a Malvada.

Antes do disco chegar às lojas, 2 músicas já haviam sido lançadas no Youtube: a pesada e arrastada “Mais Um Gole” e a quebrada “Cada Escolha Uma Renuncia”. Nessas 2 canções, já dá para sacar a jogada das garotas. A ideia é fazer um som pesado – mais pendendo para o hard rock – com letras em português e uma mixagem mais moderna. Ou seja, se você achava que existia alguma semelhança entre o Malvada e o Nervosa, quebrou a cara. Talvez, o nome até tenha alguma relação, mas o som é completamente distinto.

 

Malvada no estúdio

 

Ainda não tive a oportunidade de assistir as garotas nos palcos. Elas se apresentaram, recentemente, na minha cidade, mas ainda não me senti confiante para encarar um show no meio da pandemia. Estive conferindo a agenda delas e reparei que em Janeiro, voltam para esses lados. Daí, se tudo estiver mais controlado, irei conferi-las. De todo modo, pelo que ouvi aqui, o time promete. Gostei bastante do trabalho de guitarra da Bruna (bem timbrado e bem resolvido), a Juliana senta a mão na bateria sem dó e a Angel é, sem dúvidas, um dos grandes destaques dessa geração. Voz forte, afinada e com um bom alcance.

A Noite Vai Ferver mistura rock com baladas, com bastante personalidade e boa execução. “O Que Te Faz Bem” e “A Noite Vai Ferver” trazem uma pegada mais clássica e contam com um bom refrão. “Prioridades” conta com uma levada de bateria bem bacana. Simples, porém eficaz. Das baladas, gosto da sonoridade 80´s de “Ao Mesmo Tempo” (aliás, o solo de guitarra dessa música é muito bonito). Também se destacam “Pecado Capital”, que começa com uma pegada meio suingada e logo cai no peso, e “Disso Que Eu Gosto”.

O disco está disponível nos canais de streaming, e o compact disc pode ser adquirido nas lojas especializadas e também no site das garotas, onde também é possível adquirir outros ítens oficias de merchandising. Então, vamos lá dar uma força para as meninas? Eu já fiz minha parte.

 

CD e chaveiro oficial

 

Integrantes:

Angel Sberse – Voz, violão, percussão

Bruna Tsuruda – Guitarra

Má Langer – Baixo

Juliana Salgado – Bateria

Tracklist:

  • A Noite Vai Ferver
  • Prioridades
  • Quem Vai Saber
  • Pecado Capital
  • Ao Mesmo Tempo
  • O Que Te Faz Bem?
  • Disso Que Eu Gosto
  • Mais Um Gole
  • Cada Escolha Uma Renúncia

4 comentários

  1. CLEIBSOM CARLOS ALVES CABRAL

    A MALVADA pertence a uma linhagem que chamo de “rock com ensino fundamental incompleto”, dados os clichês obrigatórios, a estupidez das letras e a falta de criatividade dos arranjos, e o fato de termos mulheres tocando não diminui o constrangimento da coisa toda e não melhora em nada a situação, pois às vezes tenho a impressão de que a crítica pega mais leve com bandas formadas só por mulheres, sei lá por qual razão! É tudo tão infantil, esquemático e previsível que poderia ser feito por uma criança de 4 anos…Este gênero, que possui letras de alto teor poético semelhante a “VOU BEBER ATÉ CAIR E FICAR COM A CARA NA CALÇADA, É ISSO AÍ!!!!!” e “QUANDO ENTRO NELA PARECE UMA FACA QUENTE ENTRANDO NA MANTEIGA, YEAH, YEAH, YEAH!!!!”, não deve ser levado à sério. No Brasil o suprassumo desta palhaçada toda é o MADE IN BRAZIL e no mundo o AC/DC! O estilo engloba tantas bandas que eu poderia citar milhares aqui, mas vou me resumir ao GOLPE DE ESTADO, um dos melhores grupos do estilo no mundo, pau a pau com o grupo dos irmãos YOUNG e muito melhor inclusive do que a banda dos irmãos VECCHIONE, em minha opinião, e BARANGA. Quanto mais desencanada, despretensiosa e bem humorada forem as bandas do estilho, melhor, e AC/DC e GOLPE DE ESTADO perceberam isso muito bem. Aliás, creio que o nome MALVADA venha muito por influência do BARANGA, mas posso estar enganado…Quanto A NOITE VAI FERVER, desejo todo o sucesso do mundo às meninas, mas tenho de ser sincero e admitir, infelizmente, que o negócio é ruim, muito ruim…

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    • Serena

      Muitas vezes é difícil não ultrapassar a linha tênue entre sentir-se em casa na casa dos outros e abusar da hospitalidade do anfitrião, principalmente quando a casa dos outros é na internet e o anfitrião é um redator que a gente tanto gosta de visitar e ler, então me desculpem qualquer coisa, mas nessa aqui eu estou com o Cleibsom.

      Ele ouviu e não gostou, super normal, nada demais e o comentário dele nem é mais “malvado” que muita coisa que foi publicada no Melhores de Todos os Tempos, por exemplo, tanto para discos que eu gosto, como para discos que eu não gosto.

      Para mim foi desnecessário frisar o fato de serem mulheres tocando e isso não deveria ser motivo para aumentar nem diminuir “o constrangimento da coisa toda”. São só pessoas tocando e isso deveria bastar, para o bem e para o mal, mas um dia ainda chegaremos lá.

      É sempre salutar a iniciativa de pesquisar e apresentar coisas novas e bandas iniciantes que estão despontando, ou bandas veteranas solenemente ignoradas por grande parte do público, então que venham as próximas dicas!

      Responder
      • Davi

        Lógico que ele tem o direito de ouvir, não gostar e opinar. Não estou bravo com ele, nem chamando a atenção, só fiz uma brincadeira.

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