Por Fernando Bueno

Nesses últimos meses de pandemia saíram muitos discos de bandas brasileiras. Você já deve ter lido resenhas de discos do Kiko Loureiro, Nervosa, Sepultura, Edu Falaschi, Crypta e vários outros dessas banda e artistas mais conhecidos de nosso país. Porém pode ter passado batido de alguns outros álbuns e vou tentar trazer cinco discos para aumentar seu leque musical.


Brave – The Oracle (2020)

The Oracle é o terceiro disco da banda oriunda lá de Itú que ataca com um power metal, uma especialidade nacional, com características bastantes oitentistas. A voz de Sidney é muito parecida com a de Chris Boltendahl do Grave Digger. O som é bastante na linha do Manowar e do Virgin Steele, mas com uma timbragem mais crua e é isso que me faz mencionar os anos oitenta. O destaque fica para o peso o que dá uma característica bastante particular para a banda.

Sidney Milano – vocal
Carlos Bertolazi – guitarra
Ricardo Carbonero – baixo
Carlos Alexgrave – bateria


 Electric Mob – Discharge (2020)

Uma das maiores surpresas recentes que tive foi com o Electric Mob. O Brasil já teve muitas bandas de hard rock, sendo seu principal expoente o Dr Sin, que tinha em bandas como o Van Halen, Mr Big, Kiss, Whitesnake como grandes influências. Porém uma banda que atacasse no Brasil com a vertente mais festeira como as bandas californianas dos anos 80 nem sempre foi o forte por aqui. E não deixe se levar pelo visual dos músicos que está no encarte do CD. Quem julgar somente por ele pode imaginar uma banda de emocore e vai estar totalmente enganado. Alguns maneirismos na voz, a interação com a língua inglesa nos faria pensar que é uma banda nativa americana e se assim fosse, certamente estaria bem mais am alta cotação por aí. Não é a tôa que suas músicas estão rolando em rádios americanas. Ouçam “Devil You Know”, a melhor para conhecer a banda.

Renan Zonta – vocal
Yuri Elero – baixo
André Leister – bateria
Bem Hur Auwarter – guitarra


 Evilcult – At the Darkest Night (2020)

Black metal tupiniquim é sempre curioso. Afinal não temos aquelas paisagens branquinhas e geladas lá dos países nórdicos e sempre parece caricato quando tenta-se copiar as temáticas de uma cultura que não é a nossa. Porém a música do demo já foi muito bem feita aqui no Brasil desde os primórdios do metal brasileiro. Sarcófago, Mystifier, Volcano, Sextrash e muitas outras bandas já faziam isso e influenciaram muitas cenas. Hoje temos o black metal nacional em bandas como Power From Hell, Flagelador, Grave Desecrator, Apokalyptic Raids e a lista é grande. A estreias do Evilcult vai agradar quem curte o black metal mais tradicional, sem ser super produzido. A banda, um duo, foi formada em 2016 na cidade de Bento Gonçalves, lançou um EP em 2018 e agora em 2020 saiu seu primeiro full lenght.

Mateus “Blasphemer” – bateria
Lucas “From Hell” – vocal, guitarra e baixo


 Papangu – Papangu (2021)

Quem acompanha o rock progressivo já deve ter encontrado o termo zeuhl em algum lugar. Zeulh é uma mistura de rock progressivo, jazz, música clássica tempos quebrados e muito experimentalismo. Não faz parte do rol das coisas que eu gosto, mas me chamou atenção o termo sendo relacionado à uma banda brasileira. Ainda mais quando outra classificação era a de brutal prog. Fiquei curioso e tive que ouvir. “Ave-Bala” é uma pancadaria instrumental frenética. Muito peso, com guitarras meio sludge. Só a voz poderia ser um pouco mais nítida. Cantado em português, a temática é a da cultura nordestina, principalmente da Paraíba. Mas fica um pouco embolado no meio dos instrumentos. Em “Holoceno” temos uma calmaria com vozes quase como se os componentes estivesses em uma novena tudo acompanhado de um saxofone bastante interessante. A faixa segue até entrar em um momento que lembra muito o que o King Crimson fez em seu disco Red, certamente uma influência da banda. Se você procura algo fora da casinha feito aqui no Brasil eu recomendo.

Marco Mayer – baixo, vocais e sintetizadores
Hector Mota – guitarra, vocais e percussão
Rai Accioly – guitarra e vocais
Nichollas Jaques – bateria e percussão


Vulcano – Eye in Hell (2020)

De longe os mais experientes dessa lista. O Vulcano tem uma uma trajetória que se iniciou em 1982 sempre capitaneado por Zhema Rodero. Eye In Hell me surpreendeu muito desde na questão musical, produção, timbres ainda mais para quem faz a comparação com o característico som da Cogumelo Records lá dos anos 80. O Vulcano hoje está com uma cara na linha de Slayer, Venom, Vader e outras porém carregando as características da sua própria trajetória, moldando cada vez mais seu som e fazendo um dos grandes discos do metal nacional dos últimos anos.

Zhema Rodero – guitarras
Luiz Carlos Louzada – vocais
Carlos Diaz – baixo
Gerson Fajardo – guitarra
Bruno Conrado – bateria

5 comentários

  1. Anderson Godinho

    Massa. Desses, ouvi 3 sendo que o do Eletric Mob e Vulcano achei realmente fortes. O Brave não me convenceu muito, mas cho que vale a pena revisitar. Vou achar os demais.

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  2. Davi Pascale

    O Electric Mob eu tenho em casa e acho excelente. Escutei algumas músicas dos outros artistas da lista para conhecer e, infelizmente, não curti. O Vulcano foi o que eu achei um pouco melhor, mas mesmo assim não virei fã. De todo modo, esse tipo de matéria é muito bacana. Parabéns!

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  3. Fernando Bueno

    Me veio na cabeça agora que comentei que no Brasil não temos as paisagens dos países nórdicos que as bandas de black metal tanto gostam. Mas o Evilcult é de Bento Gonçalves e, se for ver, é bem gelado lá…..rs

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  4. Elson Mauricio Gomes de Andrade

    Cara, que porrada esta banda Papangu, e olha que é o primeiro disco… muito bom rock da melhor qualidade. E andavam dizendo por aí que o rock brasileiro estava acabado. Parabéns a nova banda,sucesso e que o próximos lançamentos da banda sejam tão bons quanto esse de estréia. Valeu.

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