Por Micael Machado

Seis anos depois, o projeto formado pelo guitarrista Ritchie Blackmore (que, acredito, dispense maiores apresentações) e sua esposa Candice Night (cantora e responsável pelos instrumentos de sopro) está de volta com Nature’s Light, décimo primeiro álbum de estúdio da dupla, mais uma vez voltado para sonoridades da época medieval, com muitos mandolins, violinos, instrumentos de sopro, tamborins e percussões, além de alguns teclados aqui e ali para dar um ar mais “moderno” para a sonoridade da música do casal, que, neste disco, é acompanhado por uma banda formada por David Baranowski nos teclados (listado no encarte como “Bard David of Larchmont”), Mike Clemente no baixo (creditado como “Earl Grey of Chimay”), David Keith na percussão (ou “Troubadour of Aberdeen”), Claire Smith no violino (“Scarlet Fiddler”) e Christina Lynn Skleros (“Lady Lynn”) nos backing vocals.

Lançado no Brasil pela gravadora Shinigami Records (apenas em sua versão em CD simples, sendo que lá fora existem edições também em vinil e em CD duplo, onde o segundo disco é uma espécie de coletânea com uma música de cada álbum anterior da dupla), Nature’s Light, felizmente, não trará grandes novidades aos fãs do projeto, mantendo a mesma linha adotada já há quase vinte e cinco anos pelo casal que lhe dá nome. Apesar de alguns “arroubos” mais “modernosos”, como o que parece ser uma bateria eletrônica em “Four Winds” (que ganhou um lyric video para si) ou os timbres de teclados que conduzem parte da nova versão para “Darker Shade Of Black” (presente também em All Our Yesterdays, registro anterior da dupla), o que se ouve aqui é uma continuação da sonoridade característica desta “fase medieval” de Blackmore, que, neste registro, encontra-se um pouco mais contido, sem grandes arroubos instrumentais e, em boa parte dos arranjos, cedendo espaço para outros instrumentos da banda tomarem o protagonismo, como o violino que brilha em “Feather In The Wind” ou as fanfarras e teclados da faixa título (que também ganhou um vídeo clipe), mostrando que, talvez aos 76 anos (completados no último abril), o famoso “ego” do guitarrista esteja, finalmente, deixando de ser tão “importante” quanto no passado.

O casal Ritchie Blackmore e Candice Night, responsáveis pelo Blackmore’s Night

O maior atrativo do projeto ainda acaba sendo a lindíssima voz de Candice, extremamente agradável em sua suavidade, embora sem tanto alcance ou virtuosismo quanto outras cantoras de seu estilo, como, por exemplo, Sarah Brightman (de quem o casal faz, aqui, uma versão para “The Second Element II”, reinterpretada como “Second Element”, para a qual foi gravada um vídeo de divulgação) ou Annie Haslam, do Renaissance, de quem o grupo já gravou uma versão para “Ocean Gypsy”, em seu álbum de estreia. É também no registro inicial do projeto que se encontra sua primeira versão para “Wish You Were Here”, de Leskelä Teijo (não confundir com a música homônima do Pink Floyd), que aqui ganha uma regravação mais “encorpada” pelos teclados e percussões, além de partes na guitarra elétrica, que a tornaram bastante diferenciada da anterior.

O álbum ainda conta com a belíssima “The Twisted Oak” (cujo ritmo, por vezes, chega bem perto de se tornar uma valsa), um novo arranjo para a tradicional canção italiana “Fuggi, Fuggi, Fuggi da Questo Cielo”, que ganhou novas letras por parte de Candice e se tornou “Once Upon December”, além da participação dos filhos do casal, Autumn e Rory Blackmore, nos backing vocals finais de “Going To The Faire”, e da instrumental “Der Letzte Musketier”, com um andamento mais “bluesístico”, e que, pela introdução nos teclados e por ser uma das únicas a trazer Ritchie “soltando o dedo” na guitarra (embora não tão alucinadamente como nos “velhos tempos”), certamente fará a alegria dos fãs dos projetos anteriores do músico, especialmente de seus tempos no Rainbow (sobre esta música, aliás, cabe o comentário que li, e que não posso confirmar, de que seria uma homenagem aos dois outros membros de uma de suas primeiras bandas, o trio The Musketeers, ambos já falecidos, o que tornaria Blackmore “o último mosqueteiro”, ou “Der Letzte Musketier”, no idioma alemão).

Contracapa de Nature’s Light

Como já apontei, em certo sentido os pouco mais de quarenta e cinco minutos de Nature’s Light podem ser considerados um “mais do mesmo” na discografia do Blackmore’s Night, mas são bastante agradáveis de se ouvir, e certamente não decepcionarão aos fãs do projeto, embora aqueles que procurem aqui o virtuoso guitarrista dos tempos de Deep Purple ou Rainbow o irão encontrar em poucos e esparsos trechos, os quais, posso garantir, ainda possuem o brilho de outrora, embora em estilos bem diferentes. Um álbum que, sem dúvidas, vale conferir!

Track List

01. Once Upon December

02. Four Winds

03. Feather In The Wind

04. Darker Shade Of Black

05. The Twisted Oak

06. Nature’s Light

07. Der Letzte Musketier

08. Wish You Were Here (2021)

09. Going To The Faire

10. Second Element

2 comentários

  1. André Kaminski

    Não ouvi o disco todo, apenas umas duas faixas. Digamos que o Blackmore’s Night “acdciou” com o tempo, ou seja, hoje faz bons discos mas sem tentar surpreender mais os seus fãs. Deve servir para pagar as contas e dar uma “bombada” no projeto nesses tempos de mais parcos lançamentos.

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    • Micael

      Realmente, André, a dupla parece ter encontrado um “estilo” e fica meio no piloto automático dentro daquilo. Sabe que os fãs vão gostar, e prefere não se arriscar a mudar, musicalmente falando… é um pouco decepcionante pois sabemos do talento e capacidade do Blackmore, mas não parece que eles se importem com isso…

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