Por André Kaminski

Confira aqui a Parte I

Após a ótima repercussão de World of Glass [2001] e uma tour de sucesso com muitos shows principalmente na Europa e na América Latina, a banda tira uma folga em 2003 e 2004 para se concentrar na gravação de um novo trabalho.


Ashes [2005]

Aqueles sinais de mudanças na sonoridade da banda no disco anterior se concretizaram e o novo disco traz uma abordagem um pouco mais pesada e menos sinfônica no novo álbum. Os eletrônicos ainda aparecem e os coros de vozes foram limados. O estilo da banda segue numa linha mais “pura” do gothic metal, sem muitos teclados e mesmo Vibeke usa menos do lírico e mais o vocal limpo, com Østen Bergøy e Kjetil Ingebrethsen (que entrou na banda na tour do disco anterior para fazer os guturais) com participações de maior destaque. Apesar de um pouco menor dentro da discografia deles se compararmos com os três primeiros, ainda é um ótimo disco com destaques para “Equilibrium” (uma música rápida mas com uma tonalidade angustiante), “The Wretched” (umas linhas de bateria que achei excelentes, dão uma cadência muito diferenciada à canção. Os três cantando ao mesmo tempo também nunca havia ocorrido) e “Cure” (com uma pegada mais leve da guitarra overdrive e letras bastante românticas). Por fim, ainda gosto de “Bird”, que finaliza iniciando com uma pegada atmosférica (lembrando o velho Tristania) mas que depois logo cai para um metal pesado e intenso. Um ótimo disco, apesar de diferente, consegue manter a banda em alto padrão.


Ao fim das tours, Kjetil Ingebrethsen deixa a banda gravando apenas um único disco. Segundo disse, ele não desejava mais fazer grandes tours e queria manter sua carreira musical a um nível mais local. Com a saída de Kjetil, a banda decide que o guitarrista Anders Hidle passaria a fazer os guturais e recruta Svein Solvang para fazer a guitarra rítmica.


Illumination [2007]

Aqui eu tive uma pequena decepção quando eu o ouvi pela primeira vez, logo no lançamento. Apesar de seguirem em um estilo ainda próximo ao de Ashes, senti que as composições estavam menos inspiradas, menos trabalhadas, quase que como num piloto automático. Hoje ainda não tenho lá tanta estima por este disco, mas passei a enxergar algumas qualidades nele em relação a algumas canções. As três que mais gosto aqui são “Mercyside”, “Destination Departure” e “Deadlands”. Coincidentemente, a faixa de abertura, a do meio e a última respectivamente. “Mercyside” começa bem bombástica e depois fica alternando com frequência de ritmo. Gosto principalmente do tom pesado que usaram para os riffs de guitarra nesta faixa. “Destination Departure” é uma bela balada, com uma letra impactante e vocais doces de Vibeke com uma grande performance. A melhor balada de todas que a banda já compôs. “Deadlands” é outra balada com uma pegada mais doom metal em que novamente Vibeke impressiona com seus vocais, que os fãs jamais imaginariam, seriam seus últimos em um disco do Tristania. Infelizmente, o restante do álbum é bem aquém aos discos anteriores, com as outras canções parecendo coisas requentadas ou descartadas de Ashes. Considero um disco de fraco para médio, com algumas poucas músicas de destaque e poucos momentos mais inspirados.


Todavia, ninguém esperava pela bomba que estava por vir: no final de fevereiro de 2007, um mês após o lançamento de Illumination, Vibeke anuncia a sua saída da banda. Para os fãs foi um sentimento terrível de perda, até hoje não reparado. No ano anterior, o Tristania já teve que parar a tour para que Vibeke continuasse seus estudos de canto clássico e seu curso universitário. Mas sem mesmo promover o disco, ela salta fora. Suas razões, reveladas um tempo depois, foram que Vibeke desejava construir uma família (ela viria a ter dois filhos), terminar a faculdade que estava parada, dar aulas de canto e também ao fato que ela não estava gostando muito dos caminhos musicais que a banda estava seguindo (sem corais, menos vocais líricos, etc).

Vibeke Stene

Coincidentemente, na mesma época de sua saída, o Nightwish estava para anunciar a sua nova vocalista (Anette Olzon) que viria substituir Tarja Turunen e Vibeke foi já especulada e até alguns blogs já davam como certa que ela assumiria os vocais da banda. Ela teve que dar uma entrevista para desmentir completamente estes boatos.

Vibeke então faria uma pequena participação especial em um disco do Samael e depois manteve por anos sua vida em low profile. Ela participou da gravação de um projeto chamado Gods of Atheists, um disco que já tem praticamente 8 anos de produção e até agora nada. Entretanto, ela voltou aparecer com seus vocais na banda de doom metal Veil of Brides em conjunto com o líder do God of Atheists, Asgeir Mickelson.

Uns meses após a sua saída e sem promover ainda o novo álbum, a banda recruta a vocalista italiana Mariangela Demurtas e a turnê foi feita. Mas infelizmente, o baixista Rune Østerhus, o baterista Kenneth Olsson e o guitarrista Svein Solvang largam a banda no meio do caminho. Para ajudar, Østen Bergøy também disse que não quer mais fazer parte da banda, mas aceita fazer os vocais do próximo disco como um vocalista de estúdio. Somente com o guitarrista solo e vocalista gutural Anders Hidle e o tecladista Einar Moen como membros originais, mais Mariangela, eles finalmente se estabilizam com a entrada de Ole Vistnes no baixo, a ex-membra do Octavia Sperati Gyri Losnegaard na guitarra rítmica, Tarald Lie na bateria e Kjetil Nordhus no vocal limpo. E aí vem o disco novo com a estreia de todos os novos integrantes.


Rubicon [2010]

E que decepção… disco bem ruim. A impressão que tive é que eles realmente gostaram do Karmacode [2006], o pior disco do Lacuna Coil que deixou de lado o gothic metal para se focar numa espécie de rock/metal alternativo, e queriam virar um Evanescence sem grife e carisma. O disco tem uma clara pegada mais leve e comercial, uns poucos licks de piano em algumas músicas, uns violinos desafinados e praticamente nenhuma atmosfera densa do qual o Tristania sempre fez muito bem. Tudo muito pasteurizado, feito no relaxo e na preguiça. Não culpo Mariangela e nem quero fazer comparações com Vibeke, eu gosto dela como vocalista naquilo que ela se propõe a fazer que é um vocal limpo competente. Mas os dois noruegueses líderes e preguiçosos e provavelmente querendo ainda pegar o fim da festa do sucesso criado pelo Evanescence em relação a rock/metal com vocalistas femininas, soltaram esse álbum fraco. Para não dizer que tudo é ruim, “Amnesia” é uma boa faixa que contém uns riffs legais e umas linhas melódicas que daria para fazer parte do Ashes.


Darkest White [2013]

Felizmente, eles perceberam que aquela vibe meio pop/meio alternativa não funcionou e eles aqui voltaram a fazer um gothic metal decente. Não chega a se comparar com os três primeiros discos, mas é um trabalho competente. Os riffs voltaram a ganhar peso, as músicas voltaram a ganhar também atmosferas melhores e o trabalho de letras (todas escritas pelo baterista Tarald Lie) e arranjos também estão bem melhores. Embora Einar Moen seja creditado como o tecladista, foi Bernt Moen do Green Carnation (não sei se há parentesco com Einar) que verdadeiramente gravou os teclados. As melhores músicas aqui são “Diagnosis” com uma bateria acelerada e riffs agressivos e do qual Mariangela e Kjetil transmitem emoção em seus vocais, assim como “Night on Earth” também pesada e com Hidle fazendo gutural, chega até mesmo lembrar uma banda melodeath sueca. Música muito diferente e interessante numa nova (e boa) faceta do Tristania. Ainda destaco “Lavender” que tem uma beleza instrumental incrível assim como era o Tristania de seu início de carreira, além de “Cypher” com muitas quebras de ritmo e que retoma o espírito do excelente World of Glass. Um ótimo álbum que apagou a mancha e o gosto amargo que o anterior deixou.


Obviamente houve a tour, mais outros shows e alguns recessos por parte da banda. Todavia, já são 8 anos sem nenhum lançamento e pelas postagens nas redes sociais, nenhuma menção a um novo disco. Nesses últimos anos, a banda tem se focado mesmo apenas a shows. Inclusive, haviam até agendado uma grande tour pela América Latina em setembro do ano passado, com várias datas no Brasil, mas a pandemia não deu trégua nem na Europa e nem aqui.

Chego ao fim de mais uma discografia comentada de mais uma banda que gosto muito. Torço para que tirem a bunda da cadeira e voltem logo a compor visto que o último disco me deixou um gostinho de quero mais.

2 comentários

  1. Alex

    Vibeke era a alma da banda. Mariangela é uma boa vocalista, mas soa comum, não tem aquele diferencial que a Vibeke tinha, e as composições também não ajudam muito. Ela deu azar de pegar a banda numa época pouco inspirada.

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    • André Kaminski

      Gosto da Mariangela como vocalista, mas concordo contigo que a Vibeke era um diferencial e tanto para a banda.

      Responder

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