Por André Kaminski

Já tem um tempo que não faço uma resenha de um disco que tem crescido em meus ouvidos nos últimos tempos. E escolhi esse belo álbum desta ótima baixista que, infelizmente, não é nem um pouco conhecida aqui no Brasil.

Julie Slick é uma baixista americana nascida na Filadélfia em 1986. Tocando o instrumento desde os 11 anos, ela com o tempo adquiriu uma grande reputação principalmente entre os músicos americanos e britânicos já que ela tocou vários anos ao lado de Adrian Belew, ex-vocalista e guitarrista do King Crimson. Além de tocar com ele, ela também integra a banda prog EchoTest. Suas principais influências no instrumento são nada mais, nada menos que Billy Sheehan e Les Claypool. Ou seja, ela é uma shredder. E das boas.

“Você pode ser uma shredder o quanto quiser e tocar mil notas por minuto, mas isso não significa nada se você não consegue fazer a cozinha, também. Como músicos e artistas, nós deveríamos ser pensar fora da caixinha e quebrar as regras, mas nós definitivamente temos a responsabilidade de servir a música e as pessoas com quem tocamos junto”, definiu a artista.

Mesmo com o grande virtuosismo, este seu primeiro disco solo demonstra que a música vem antes dos talentos individuais de seus músicos e isso se demonstrou em qualidade em cada uma das 14 faixas presentes aqui. Julie é responsável pelo baixo (óbvio), pelo sintetizador do baixo, sintetizadores, pianos e arranjo de outros instrumentos de corda enquanto outros músicos são responsáveis por guitarras e bateria. O disco é um rock progressivo instrumental com bastante enfoque no baixo e nos sintetizadores, fazendo o álbum soar bastante eletrônico em muitos momentos. Há algumas poucas vozes eletrônicas da própria Julie declamando mas sem de fato cantar. Há também aquele lado da influência jazz principalmente com o saxofone e com a guitarra slide.

O álbum abre com a instigante “Mela” em que o saxofone e o baixo sintetizado dominam enquanto as quebras rítmicas da bateria nos fazem lembrar bastante do Dream Theater. A sequência com “Many Laughs” já levanta um ritmo mais reto e hipnotizante com o teclado e a guitarra tocando algo uma vibe mais praiana, algo meio Beach Boys.

Dentre as muitas canções, ainda destaco “Aphrodite” com uma pegada de guitarra e baixo mais funkeada e um groove muito gostoso de se ouvir. Aqui a Julie capricha nos tappings de baixo extraindo um som muito foda. “Baron Aloha” já segue num estilo mais metal progressivo em que o baixo sintetizado é o protagonista fazendo solos naquele jeito mais experimental ao estilo do Liquid Tension Experiment. “Nothing to Be Done” é um prog mais vagaroso e delicado, com Julie e seus músicos convidados fazendo solos mais cuidadosos e, sim, com um lindo feeling.

Para finalizar a análise, coloco “Spice Trade” como minha música favorita. Faz um uso muito bonito de um conjunto de cordas para depois cair em um prog experimental daqueles bem intrincados que para muitos pode soar estranho, mas que para mim agradou bastante. É o tipo de ousadia que eu aprecio bastante.

Uma pena mesmo que Julie Slick não tem tanto reconhecimento no mundo da música e este seu trabalho solo passou batido por muitos. Mas cá estou o recomendando que dê uma chance a ele. É um álbum muito variado e rápido (apenas 47 minutos) que valem a pena pelas ideias contidas nele. E se você curte canções diferentes para o baixo, te recomendo mais ainda.

Tracklist

  1. Mela
  2. Many Laughs
  3. February
  4. Mora
  5. Aphrodite
  6. Baron Aloha
  7. Nothing to Be Done
  8. Choke
  9. Awoke
  10. Shadow Trip
  11. Spice Trade
  12. The Rivalry
  13. Cage Match
  14. Blood Blisters

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