Por André Kaminski

Mais uma daquelas bandas que quase ninguém conhece aqui no Brasil embora eles fossem grandes na Finlândia, terra de onde eles vieram.

O Kiuas foi uma banda de um power metal com influências folk e thrash fundada no ano de 2000 e que encerrou suas atividades em 2013 após quatro discos de estúdio e alguns EPs. Diria que a sonoridade deles pelo lado power/thrash foi bastante influenciada pelo Iced Earth (as guitarras inclusive possuem alguns riffs similares à banda de Jon Schaffer) enquanto o lado folk lembra o Elvenking e o Turisas. Ou seja, imagine que o som deles é uma fusão dessas três bandas. A formação deste disco era Ilja Jalkanen (vocais), Mikko Salovaara (guitarra), Atte Tanskanen (teclado), Teemu Tuominen (baixo) e Markku Näreneva (bateria).

Após alguns anos trabalhando em demos e um EP, eles conseguiram lançar seu primeiro disco de estúdio The Spirit of Ukko em 2005 e o segundo Reformation em 2006 pela Spinefarm Records, famosa gravadora finlandesa por lançar diversas bandas nacionais no mercado europeu que acabaram por ser reconhecidas mundialmente. Ambos os discos se saíram muito bem em vendas na Finlândia e principalmente no Japão, terra em que bandas do estilo deles são muito valorizadas até hoje.

Teemu Tuominen (baixo), Atte Tanskanen (teclado), Ilja Jalkanen (vocais), Mikko Salovaara (guitarra) e Markku Näreneva (bateria)

Não é lá uma banda cheia de histórias peculiares mas uma delas é o fato de que eles foram a primeira banda internacional (não é nem só de heavy metal, mas sim qualquer artista estrangeiro) a tocar nas Ilhas Maldivas em 2008, ano do lançamento deste disco. Pode não parecer grande coisa, mas convenhamos, conseguir fazer um show completo (e detalhe, lotado com direito ao público fazendo os chifrinhos do rock e tudo mais) em um país nanico em que o governo força à população os dogmas mais restritos do islamismo, além de banir qualquer outra religião que não seja o islão, é um feito e tanto. Querendo ou não, eles abriram as porteiras do heavy metal no país e o Arch Enemy foi tocar por lá dois anos depois e, felizmente, as coisas deram uma mudada por lá para os fãs maldivos do rock pesado.

Nesse mesmo 2008 que lançaram The New Dark Age, o disco desta resenha em questão. Eu ouvi esta banda há muito tempo, lá em 2009 mais ou menos, mas só recentemente dei mais atenção a este trabalho que, sinceramente, é surpreendentemente bom. E não foi só eu que achei isso. Fui atrás de umas resenhas da época e as notas estão sempre lá em cima, mesmo a turma mais rígida e xaropenta do Metal Archives jogando notas lá em cima.

O disco já começa de maneira agressiva, com guitarras fazendo uma bela parede sonora em “The Decaying Doctrine” com o vocalista Ilja Jalkanen fazendo aquele vocal todo ao estilo “vamos a guerra!” típico do estilo de Rhapsody e Grave Digger. Metendo o pedal duplo no melhor estilo “metralhadora”, a banda segue com “Conqueror”, outra canção pesada e empolgante. O guitarrista Salovaara também é muito bom nos solos, numa mistura de partes fritadas ao estilo Malmsteen com aquela melodia power popularizada por caras como Timo Tolkki. “Kiuas War Anthem” foi, como o próprio nome diz, feita para ser o hino da banda. Embora seja uma ótima canção, faltou aquele refrão mais marcante para atingir esse objetivo.

“The New Dark Age” já tem um estilo diferente, com riffs com afinações thrash e um tanto mais cadenciado, com a estrutura da música lembrando as bandas de metal progressivo. Apesar do rótulo “metal espadinha” na cara deles, a verdade é que eles de fato usam as influências de outros estilos em suas composições. Até mesmo ocasionais vocais rosnados do black metal Ilja faz.

“To Excel and Ascend” começa com um curioso dedilhado de temática indiana para depois vir Ilja cantar com vocais guturais mais do death metal. Devido ao tema indiano, o tecladista Atte Tanskanen aparece mais, embora ele esteja bem discreto em praticamente o disco todo. Ele voltaria aparecer na canção “Black Rose Withered”, mais mediana e sem a mesma inspiração das demais.

Para finalizar, ainda destaco a última música “The Wanderer’s Lamentation” uma balada para contrastar um pouco com o peso das músicas anteriores finalizando um ótimo disco que apesar de famoso na Finlândia e no Japão, não conseguiu muita repercussão em outros países.

Depois de mais um álbum em 2010, a banda encerra das atividades. Mesmo com o bom trabalho da Spinefarm, a banda teve competição ferrenha dentro do mercado e sem explicarem os motivos (mas imagina-se que se deva as baixas vendas), finalizou com um último show em outubro de 2013, convidando todos os seus ex-membros para tocarem juntos. Uma ótima banda que infelizmente não conseguiu sobreviver ao competitivo e complicado mercado da música.

Tracklist

  1. The Decaying Doctrine
  2. Conqueror
  3. Kiuas War Anthem
  4. The New Dark Age
  5. To Excel and Ascend
  6. Black Rose Withered
  7. After the Storm
  8. Of Sacrifice, Loss and Reward
  9. The Summoning
  10. The Wanderer’s Lamentation

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