Por Daniel Benedetti

Para se buscar as origens do Night Ranger, vai-se voltar no tempo, ao final da década de 1970.

Jerry Martini, um norte-americano nascido em Denver, foi um dos músicos associados ao surgimento da famosa banda chamada Sly and the Family Stone. Ele se apresentou com o grupo desde o seu início, em 1967, até sua primeira dissolução, em 1975.

Ainda em 1975, Martini apareceu no primeiro álbum solo do antigo líder de sua ex-banda, Sly Stone, chamado High on You, o qual contava com o hit “I Get High on You”. Já em 1977, Martini tocou no álbum Now Do U Wanna Dance, o quinto disco de estúdio do conjunto Graham Central Station, o qual era liderado por outro ex-membro do Sly and the Family Stone, o baixista Larry Graham. Depois disso, a nova empreitada de Jerry Martini foi formar sua própria banda, com foco na música Funk norte-americana.

O grupo foi batizado de Rubicon. Formavam o conjunto, obviamente além de Jerry Martini, os seguintes músicos: Greg Eckler (vocal e bateria), Brad Gillis (guitarra), Max Haskett (vocal), Dennis Marcellino (sax e vocal), Jim Pugh (teclados) e Jack Blades (baixo).

Alan Fitzgerald (teclados), Brad Gillis (guitarra), Kelly Keagy (bateria), Jack Blades (vocal e baixo) e Jeff Watson (guitarra)

O Rubicon chegou a gravar 2 álbuns no final da década de 70. O primeiro, autointitulado, saiu em 1978, gerando sua única música de sucesso: o single “I’m Gonna Take Care of Everything” a qual chegou ao 28º lugar da principal parada norte-americana de singles, nela permanecendo por 11 semanas.

Já em 1979, saiu o segundo álbum de estúdio do Rubicon, America Dreams, o qual foi incapaz de gerar qualquer hit parecido com o trabalho anterior. Sem retorno comercial, a decisão de Martini, em conjunto com os demais músicos, foi a dissolução do Rubicon.

E é aí que começa a história do Night Ranger.

Após o fim do Rubicon, em 1979, o baixista Jack Blades formou um trio musical de estilo totalmente diferente de sua banda anterior, com a musicalidade calcada no Hard Rock setentista. Para tanto, Blades convidou outros 2 membros do extinto Rubicon: o baterista Kelly Keagy e o guitarrista Brad Gillis.

Inicialmente, o projeto foi batizado simplesmente de Stereo. Logo depois, o trio adicionou um tecladista, Alan Fitzgerald.

Brad Gillis

Alan Fitzgerald era um músico experiente. Ele havia sido baixista da lendária banda do Hard Rock setentista, o Montrose, gravando os álbuns Paper Money (1974) e Warner Brothers Presents… Montrose! (1975).

Depois disso, Alan Fitzgerald tomou parte na banda que apoiava a carreira-solo de Sammy Hagar (o qual havia sido vocalista do Montrose). Com Hagar, gravou os álbuns Nine on a Ten Scale (1976), Sammy Hagar (1977) e o ao vivo All Night Long (1978). Ainda em 1978, Fitzgerald gravou a estreia da carreira-solo do guitarrista Ronnie Montrose, Open Fire, um álbum instrumental no qual Alan atuou como baixista.

Alan ainda seguiu Ronnie Montrose em seu, então, novo projeto, o grupo chamado Gamma e que tinha como vocalista Davey Pattison. Com o Gamma gravou seu disco de estreia, Gamma 1, de 1979, atuando novamente como baixista. Logo após se juntar ao Stereo, Fitzgerald sugeriu a adição de um segundo guitarrista, transformando o conjunto de um trio para um quinteto. O nome indicado por Alan foi Jeff Watson, um guitarrista virtuoso, que liderava sua própria banda no norte da Califórnia.

Desta forma, as sementes para uma nova banda de Hard Rock melódico foram semeadas, mudando seu nome para simplesmente Ranger.

Sob o nome de Ranger, o grupo se apresentou bastante até conseguir um contrato com a gravadora Boardwalk Records, em 1982. E começou a trabalhar em seu primeiro álbum de estúdio, Dawn Patrol. As primeiras edições do álbum foram impressas e estavam prontas para serem enviadas às lojas quando se descobriu que havia uma banda country, da Califórnia, com o mesmo nome. Chamada de The Rangers, o tal conjunto reivindicou uma violação de marca registrada.

Assim, banda que se chamava Ranger, decidiu nomear-se Night Ranger, devido a uma canção que Blades havia composto para o álbum. A gravadora destruiu as cópias impressas com o nome da banda como simplesmente Ranger. Dawn Patrol faz jus ao seu nome, com uma capa que mostra um sistema de vigilância.

Os teclados de Alan Fitzgerald se destacam, logo de início, em “Don’t Tell Me You Love Me”, com uma sonoridade típica dos anos oitenta. “Sing Me Away” possui um ritmo mais cadenciado, com destaque para uma guitarra mais intensa, ao fundo, e a liderança melódica dos teclados de Fitzgerald. Em “At the Night She Sleeps”, o Night Ranger aposta em um ótimo riff de guitarra, forte e intenso, em uma pegada Hard Rock, mas muito melódico. “Call My Name” é uma balada, mas com força e intensidade, especialmente no refrão. “Eddie’s Comin’ Out Tonight” aposta na alternância de passagens, ora mais suaves e lentas, ora mais pesadas e intensas.

Em “Can’t Find Me a Thrill”, quem dita o ritmo são as guitarras, mais fortes e com mais distorção. Já em “Young Girl in Love”, é nítida uma forte influência AOR, com um ritmo cadenciado, muitos teclados e guitarras presentes. “Play Rough” começa mais lenta com sonoridade bem típica do Hard Rock oitentista, com peso, mas muita melodia. É impossível ouvir “Penny” e não se lembrar imediatamente do Van Halen, mesmo que no refrão a pegada inicial da composição se abrande. Em “Night Ranger”, a derradeira música do álbum, o grupo flerta com o Heavy Metal, empregando mais peso e intensidade à composição, com a seção rítmica muito constante.

Jack Blades

Catapultado por 2 singles de sucesso, Dawn Patrol acabou se saindo muito bem, especialmente se levando em conta o fato de ser um debut. O disco acabou atingindo a boa 38ª posição da principal parada de álbuns dos Estados Unidos, a Billboard. A crítica especializada acabou recebendo o trabalho de forma positiva. Eduardo Rivadavia, do site AllMusic, dá ao álbum 4 de um máximo de 5 estrelas e afirma: “Ao contrário de muitos de seus contemporâneos do Glam Metal, o primeiro trabalho do Night Ranger envelheceu muito bem, e esta excelente estreia, de 1982, é um segredo bem guardado do gênero”. E complementa: “E apesar de oferecer a balada obrigatória em “Call My Name” (que é realmente muito boa), a banda raramente permite que o nível de intensidade do álbum diminua”.

O Night Ranger buscou mais elementos do Hard Rock no seu primeiro trabalho. Uma sonoridade não tão pesada e com muitos toques do AOR, um estilo muito em alta naquele momento. A influência do supracitado AOR é mais evidente na forma com que os teclados de Alan Fitzgerald dominam boa parte de Dawn Patrol. Por muitos momentos do álbum, ele é o responsável por oferecer a linha melódica das canções.

O grupo saiu em turnê, como banda de abertura para nomes de peso, como ZZ Top e Ozzy Osbourne. Este último havia empregado Brad Gillis como guitarrista substituto para Bernie Torme, o qual havia sido, também, um substituto provisório do então recentemente falecido guitarrista Randy Rhoads, morto em março de 1982. Brad Gillis ajudou Osbourne a encerrar sua turnê e aparece no álbum ao vivo de Ozzy, Speak of the Devil, também lançado em novembro de 1982 e cujas gravações ocorreram em apresentações dos dias 26 e 27 de setembro daquele mesmo ano.

Depois que o selo Boardwalk Records quebrou, o produtor Bruce Bird assegurou ao Night Ranger um contrato com a gravadora MCA Records, através de sua subsidiária, a Camel, em 1983. Em outubro de 1983, o Night Ranger lançaria seu segundo álbum de estúdio, Midnight Madness.

Formação:

Jack Blades – Baixo, Vocal

Jeff Watson – Guitarras

Brad Gillis – Guitarras

Alan Fitzgerald – Teclados

Kelly Keagy – Bateria

 

Faixas:

  1. Don’t Tell Me You Love Me
  2. Sing Me Away
  3. At Night She Sleeps
  4. Call My Name
  5. Eddie’s Comin’ Out Tonight
  6. Can’t Find Me a Thrill
  7. Young Girl In Love
  8. Play Rough
  9. Penny
  10. Night Ranger

10 comentários

  1. paulo gueiral

    Brad Gillis , rei da alavanca , mas fez um belo trabalho n álbum Speak of the Devil !

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  2. André Kaminski

    Gosto bastante do Night Ranger principalmente a fase oitentista. Aliás, são uma das poucas bandas que conseguiram manter a formação por 4 discos seguidos (os quatro primeiros).

    Deram uma decaída dos anos 90 (como quase todas as outras) mas lançaram bons discos nessa última década também. É uma das poucas bandas hard com uma discografia longa mas bastante sólida e sem muitos tropeços.

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    • Daniel

      É André, eu gosto principalmente dos 4 primeiros álbuns. São bem legais. Os noventistas eu gosto de faixas isoladas e os mais recentes eu não acompanhei. Vou procurá-los.

      Estou na minha “Hard Season”, isso tem refletido nas minhas últimas colaborações. Valeu pelo comentário, saudações!

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  3. Diogo Bizotto

    Gosto do Night Ranger, é uma banda que representa bem uma época de transição da sonoridade do rock dos anos 1970 para os anos 1980. Pra dar outro exemplo, penso que os primórdios do Survivor (até “Caught in the Game”) também se encaixam muito bem nisso. O rei dessa transição? Começa com “Van” e termina com “Halen”, obviamente. O Night Ranger se diferencia, assim como o VH, por já adiantar alguns elementos de uma sonoridade que ainda estava sendo formatada: o glam metal, esse sim o representante-mor do rock pesado na década. O trabalho em dupla de Brad e Jeff já tem muito daquilo que logo em seguida estaria em evidência, elevando o nome de vários músicos ao status de guitar hero e, penso eu, inclusive incentivando a indústria, que cresceu para muito além de Les Pauls e Stratocasters, consolidando novas marcas e modelos.

    Uma percepção interessante que tenho sobre Jack Blades é a seguinte: por mais que seja um bom vocalista, sempre foi o segundo melhor nessa posição, em tudo o que fez. No Night Ranger há Kelly Keagy; No Damn Yankees e no Shaw/Blades, Tommy Shaw; no Tak Matusmoto Group, Eric Martin.

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    • Diogo Bizotto

      Sem fazer nem ideia, acabei mencionando o Van Halen poucas horas antes de ter sido noticiada a morte de Eddie. Não há muito o que se falar, trata-se do meu guitarrista favorito. Tony Iommi mudou minha vida quando me converteu em um aficionado por música, mas se tem um cara que eu ouso colocar um degrau acima como guitarrista, esse cara é Eddie Van Halen. Em se tratando de técnica, criatividade e musicalidade, já existiam diversos guitar heroes antes dele, mas Eddie inventou essa categoria como a conhecemos. Esse cara pariu o rock pesado dos anos 1980, que é a escola na qual me iniciei na música.

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      • Daniel

        Seu comentário ganhou uma nova dimensão com o acontecimento de hoje, Diogo. Por hora, resta -me assinar embaixo de suas palavras e lamentar a morte de um dos maiores de todos os tempos.
        Sua observações sobre o Eddie foram cirúrgicas.
        Saudações!

      • Diogo Bizotto

        Saudações, Daniel! A vida e o trabalho de Eddie seguirão sendo celebrados por muita gente!

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