Por Daniel Benedetti

“Traveler in Time” é a faixa de abertura do terceiro álbum de estúdio da banda alemã Blind Guardian e que foi lançado em 2 de outubro de 1990. Neste texto, vai-se mostrar um pouco da inspiração para a canção.

A temática de “Traveler in Time” é baseada na obra chamada Dune (Duna, em português), do escritor e jornalista norte-americano Frank Herbert.

Frank Herbert nasceu em 8 de outubro de 1920, em Tacoma, nos Estados Unidos. Com uma infância de pobreza, Frank começou a trabalhar no jornal Glendale Star aos 19 de idade. Ele serviu nas Seabees da Marinha dos Estados Unidos, por seis meses, como fotógrafo, durante a Segunda Guerra Mundial e depois recebeu uma alta médica. Depois da guerra, Herbert frequentou a Universidade de Washington, onde conheceu Beverly Ann Stuart, em uma aula de redação criativa em 1946. Eles eram os únicos estudantes que haviam vendido qualquer trabalho para publicação; Herbert havia comercializado duas revistas de aventuras para revistas, a primeira para a revista Esquire em 1945; e Stuart vendera uma história para a revista Modern Romance. Eles se casaram em Seattle, em 20 de junho de 1946, e tiveram dois filhos.

Em 1949, Herbert e sua esposa se mudaram para a Califórnia, para trabalhar na Santa Rosa Press-Democrat. Lá eles fizeram amizade com os psicólogos Ralph e Irene Slattery, os quais apresentaram Herbert ao trabalho de vários pensadores que influenciariam em sua escrita, incluindo Freud, Jung, Jaspers e Heidegger; eles também familiarizaram Herbert com o zen-budismo.

Herbert não se formou na universidade; de acordo com seu filho Brian, ele queria estudar apenas o que lhe interessava e, portanto, não completava o currículo exigido. Frank retornou ao jornalismo e trabalhou no Seattle Star e no Oregon Statesman, além de ser escritor e editor da revista California Living, por uma década.

Frank Herbert

A primeira história de ficção científica de Herbert, Looking for Something, foi publicada na revista Startling Stories, na edição de abril de 1952, na época, editada mensalmente por Samuel Mines. Mais três de suas histórias apareceram em 1954, nas revistas Astounding Science Fiction e Amazing Stories.

A carreira de Herbert, como romancista, começou em 1955 com a publicação em série de Under Pressure in Astounding, a partir de novembro de 1955; depois sendo publicado como um livro da editora Doubleday, The Dragon in the Sea. A história explorou a sanidade e a loucura no ambiente de um submarino do século 21 e previu conflitos mundiais sobre o consumo e a produção de petróleo. O trabalho acabou sendo um sucesso crítico, mas não um grande comercial. Durante esse período, Herbert também trabalhou como redator de discursos para o senador republicano Guy Cordon.

Dune é um romance de ficção científica, publicado originalmente como duas séries separadas na revista Analog.

Herbert começou a trabalhar em Dune em 1959. Ele pode se dedicar inteiramente à sua carreira de escritor, pois sua esposa voltou a trabalhar em tempo integral, como publicitária de lojas de departamento, tornando-se a provedora da casa durante os anos 60. Herbert contou a Willis E. McNelly que o romance se originou quando ele deveria fazer um artigo de revista sobre as dunas de areias do Oregon (perto de Florence). Ele ficou muito envolvido e acabou com muito mais matéria-prima do que o necessário para um artigo. Este, nunca foi escrito, mas plantou a semente que levou a Dune.

Dune levou seis anos, entre pesquisa e escrita, para ser completada e foi muito mais longa que as obras de ficção científica comercial da época eram. A revista Analog (a renomeada Astounding) publicou-a em duas partes, compreendendo oito fascículos, Dune World, de dezembro de 1963, e Prophet of Dune, em 1965, mas o material foi rejeitado por quase vinte editoras de livros.

A capa de Tales from the Twilight World

Situado em um futuro distante, em meio a uma sociedade feudal interestelar na qual várias casas nobres controlam os feudos planetários, Dune conta a história do jovem Paul Atreides, cuja família aceita a administração do planeta Arrakis. Enquanto o planeta é um deserto inóspito e escassamente povoado, simultaneamente, é a única fonte do melange, ou o “the spice”, uma droga que prolonga a vida e aumenta as habilidades mentais. Como o melange só pode ser produzido em Arrakis, o controle do planeta é uma tarefa cobiçada e perigosa.

A história explora as interações multicamadas de política, religião, ecologia, tecnologia e emoção humana; e em como as facções do império se enfrentam em uma luta pelo controle de Arrakis e suas especiarias. Em 1990, a banda alemã Blind Guardian se reuniu no Karo Studios, com produção de Kalle Trapp, na Alemanha, para gravar seu terceiro álbum de estúdio, Tales from the Twilight World.

Hansi Kürsch (Vocal e Baixo), André Olbrich (Guitarra solo), Marcus Siepen (Guitarra base) e Thomas ‘Thomen’ Stauch (Bateria) formavam o grupo alemão.

Um tom épico, embalado pela bateria de Stauch e com vozes em coro, prenuncia a nuance da canção:

The Morning Sun of Dune
The Morning Sun of Dune
The holy war’s
Waiting for
The morning sun

A música se desenvolve em um power metal típico, rápido e bem pesado, com ótima atuação do vocalista Kürsch. As letras associam o planeta Arrakis e o deserto de emoções:

The morning sun of Dune
There’s no tomorrow
The apparation of this land and it’s dream
Makes me feel I’ve seen it before
I can taste there’s life
Everywhere you can find
In the desert of my life
I see it again and again

Um belo solo de André Olbrich introduz a ponte. A letra revela o prenúncio de uma guerra:

And again, again, again, again
dark tales has brought the Dijahd
like whispering echos in the wind
and I’m a million miles from home

O refrão se refere ao protagonista do romance, Paul Atreides:

Traveler in Time
Knowing that there’s no rhyme

O peso e a intensidade continuam em larga escala enquanto as letras refletem a união de Paul ao povo Fremen – e a guerra, ao mesmo tempo em que descobre seus poderes premonitórios. Sardokaurs refere-se a força militar fiel ao Imperador:

The morning sun is near
First light of dawn is here
The morning sun is near again
The Fremen sing that
Their kingdom will come
And I’m the leading one
Battlefields on our crusade
Filled with Sardokaurs
Killing machines crying
In raising fear they’re hiding
Where do we go now?
So where is the way?
When I’m a million miles from home

Após mais uma repetição do refrão, a música entra em um trecho instrumental relativamente longo, no qual o peso permanece presente, mas as doses de melodias também são generosas. A guitarra de Olbrich traz solos muito bons, enquanto Stauch “castiga” a bateria.

Na nova estrofe, a letra desenvolve os dilemas que o protagonista de Dune tem com o fato de poder prever o futuro e viver a eterna sensação de ‘déjà-vu’:

The morning sun I feel
All pain and sorrow
The apparation of my words in these days
Makes me feel I’ve told them before
All my plans will come true
I’ll controll destiny
In the desert of my life
I’ve seen it again and again

A musicalidade continua com o vigoroso power metal do Blind Guardian, bem como as letras discutem o fardo de Paul em encerrar os conflitos na qualidade de líder:

By my dreams I must find a way
To stop the raging war
I’ve to choose now
I will leave
My body and seek
And time will stand still
When I’ve to leave
My body and find
A way back to the world I love
When I’m a million miles from home

O refrão é repetido mais uma vez e a faixa se desenrola para o final, com a marca registrada do início da carreira do Blind Guardian, o peso e a melodia de mãos dadas, em um molde power metal.

Tales from the Twilight World continua como um dos melhores trabalhos do Blind Guardian assim como “Traveler in Time” é uma de suas mais impactantes canções. Sterling E. Lanier, um editor da Chilton Book Company, leu os seriados de Dune e ofereceu um adiantamento de 7.500 dólares, mais royalties futuros, pelos direitos de publicá-los como um livro de capa dura. Dune logo foi um sucesso de crítica. Ganhou o Prêmio Nebula de Melhor Romance, em 1965, e dividiu o Prêmio Hugo em 1966 com … And Call Me Conrad, de Roger Zelazny. Dune foi o primeiro grande romance ecológico de ficção científica, abrangendo uma infinidade de temas inter-relacionados e múltiplos pontos de vista de personagens, um método que percorreu todo o trabalho de Herbert.

Cartaz do filme de 1984

No final de 1972, Herbert havia se aposentado dos jornais e se tornado um escritor de ficção em tempo integral. Durante as décadas de 1970 e 1980, ele desfrutou de considerável sucesso comercial como autor. Neste período, ele escreveu inúmeros livros e impulsionou ideias ecológicas e filosóficas.

Herbert escreveu cinco sequências para o seu romance Dune: Dune Messiah, Children of Dune, God Emperor of Dune, Heretics of Dune, e Chapterhouse: Dune (No Brasil, respectivamente: O Messias de Duna (1969), Os Filhos de Duna (1976), O Imperador-Deus de Duna (1981), Os Hereges de Duna (1984) e As Herdeiras de Duna (1985)).

Dune e a saga Dune constituem uma das séries e romances de ficção científica mais vendidos no mundo; Dune, em particular, recebeu ampla aclamação da crítica e é frequentemente considerado um dos melhores romances de ficção científica de todos os tempos, se não o melhor.

Dune exerceu grande influência na cultura pop ocidental. Um filme, Dune, dirigido por David Lynch, foi lançado em 1984 e está prevista uma nova adaptação para 2020, desta feita com direção de Denis Villeneuve.

Na música, há várias obras inspiradas no livro. Chronolyse, de 1978, do francês Richard Pinhas e Visions of Dune, de 1979, do também francês Zed, são alguns exemplos de álbuns inspirados em Dune.

Em 1983, o Iron Maiden compôs uma música com nome provisório de ‘Dune’ e pediu autorização a Frank Herbert para batizá-la. A resposta foi: “Frank Herbert não gosta de bandas de rock, particularmente bandas de heavy rock, e especialmente bandas como Iron Maiden”. A canção foi batizada de “To Tame a Land”.

Após a morte de sua esposa Beverly, Herbert se casou com Theresa Shackleford, em 1985, ano em que publicou Chapterhouse: Dune, que amarrava muitos dos tópicos da história da saga. Este seria o último romance individual de Herbert (a coleção Eye foi publicada naquele ano, e Man of Two Worlds foi publicado em 1986). Ele morreu de uma embolia pulmonar maciça, enquanto se recuperava de uma cirurgia de câncer pancreático, em 11 de fevereiro de 1986, aos 65 anos.

Olbrich, Kürsch, Siepen e Stauch

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