Participantes: André Kaminski, Daniel Benedetti, Mairon Machado e Ronaldo Rodrigues

O grupo americano de Stoner Rock Yawning Man está na estrada desde a década de 80. Considerados como um dos pais do estilo (influendiadores de gigantes como Kyuss e Fu Manchu), o trio está com novo álbum na área, Macedonian Lines, que foi assim analisado por alguns de nossos consultores.


André: Conheço a banda e já os escutei uma vez, sendo o disco que ouvi deles (Nomadic Pursuits) um bom registro. Foi recente isso, no final do ano passado. A banda é bem antiga, dos anos 80, mas só conseguiram liberar seus primeiros registros no início dos anos 2000. Não sei o que tocavam em seus primórdios, imagino que doom metal. Independente disso, hoje apostam em um stoner instrumental, subgênero tão em voga nos últimos anos. É um bom disco, nada espetacular, adotando melodias melancólicas e reflexivas. Gostei principalmente da homenagem a Bowie na faixa “Bowie’s Last Breath” e da singela e leve “I’m Not a Real Indian (But I Play One on TV)” lembrando alguns momentos à Joe Satriani. Bacaninha, dá de ouvir de boa.


Daniel: Eu não gostaria de soar azedo nesta opinião, até porque não é minha linha, mas, às vezes, é impossível não sê-lo. Macedonian Lines, da banda Yawning Man, é um trabalho com 6 canções instrumentais que, obviamente na minha concepção, podem ser classificadas como “música de elevador”. Até há bonitas melodias aqui e acolá, mas, o que acaba pegando para mim, é sua completa ausência de variação e o fato de jamais desafiar o ouvinte que, desatento, pode pensar que se trata de uma única canção. Para reforçar a percepção, destaco o início de “Bowie’s Last Breathe”, momento em que o baixo distorcido de Mario Lalli apresenta alguma variedade melódica – mas por apenas alguns breves momentos para, depois, retornar à mesmice. Por fim, destaco “Melancholy Sadie”, não por sua sonoridade, mas pelo nome, que reflete bem o que é Macedonian Lines, indicado para se ouvir como trilha sonora de qualquer atividade que desvie toda sua atenção do disco.


Mairon: Como tem surgido essas bandas instrumentais que ficam viajando e improvisando em cima de um único riff, criando uma música ambiente interessantíssima, que regada de muitas drogas, deve causar alucinações fantásticas. Eu aprecio bastante esse tipo de som criado pelo Yawning Man, principalmente por que parece me mostrar muito mais o sentimento do artista do que a técnica. E é isso que realmente ouço em Macedonian Lines. As melodias e harmonias do trio (Gary Arce na guitarra, Mario Lalli nobaixo e Bill Stinson na bateria) são singelas, adociçadas, e grudam fácil na mente. Lalli inclusive adota uma distorção em seu instrumento que chega a soar tipo Lemmy Kilmister tocando para os netinhos. As músicas não são longas, têm em torno de 4, 5 minutos, e o disco em si é bem tranquilo de ouvir. Não vai mudar o mundo, mas tão pouco é algo terrível e de desperdício. Mas fica um porém. Parece que hoje, qualquer um com um computador, um programa de gravação e uma ideia musical, pega um instrumento, chama uns amigos e faz um som para se chamar de banda. Ou seja, parece que virar músico está se tornando uma banalidade. Enfim, gostei do disco, gostei das músicas (“I Make Wierd Choices” é linda), mas é mais do mesmo no mercado do stoner instrumental.


Ronaldo: Desde o início, o ouvinte se impressiona com o material. Arte gráfica muito bonita e uma sonoridade poderosa de baixo introduz a primeira faixa (“Virtual Funeral”), que mescla uma melodia marcante e suave com uma base pesada. O trabalho como um todo sabe como capturar a atenção do ouvinte, quer seja pelas composições, como pela sonoridade, que é de encher os ouvidos. Ainda que as músicas fiquem andando em círculos (o que é comum no estilo stoner/desert-rock/post-rock), elas possuem bons ganchos, o que torna a audição toda bastante agradável e convincente. Macedonian Lines pinta um belo quadro de sons para a imaginação do ouvinte fluir.

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