Por Daniel Benedetti

“Hangar 18” é a segunda canção do álbum Rust in Peace, o quarto de estúdio da banda norte-americana Megadeth e que foi lançado em 24 de setembro de 1990. Desde seu lançamento, a música se tornou um clássico do grupo e possui uma curiosa temática, a qual será abordada neste texto.

Os créditos de composição da faixa foram dados ao líder do Megadeth, o vocalista e guitarrista Dave Mustaine, mas algumas fontes citam que o baterista da banda na época, Nick Menza, poderia ter contribuído com as letras.

A temática envolta às letras de “Hangar 18” envolve conspirações ufológicas, segredos militares e visitas alienígenas à Terra. Uma possível inspiração para a canção foi o filme de mesmo nome, Hangar 18, de 1980, dirigido por James L. Conway e estrelado por Darren McGavin e Robert Vaughn.

Em linhas gerais, Hangar 18 é um filme sobre um acobertamento governamental após um incidente envolvendo um OVNI e um Ônibus Espacial. Um satélite, recém-lançado do orbitador, colide com um objeto não identificado que, depois de ser visto em um radar (em movimento a grande velocidade), posicionou-se um pouco acima do ônibus espacial. A colisão mata um astronauta na baía de lançamento. Os eventos são testemunhados por Bancroft e Price, os astronautas a bordo. Depois de retornar à Terra, os dois são imediatamente censurados quando tentam discutir o que aconteceu. O baterista Nick menza teria assistido ao filme e isto o inspirara a criar a música.

O Hangar 18 está localizado na Base Wright-Patterson, da Força Área Norte-Americana, situada a leste de Dayton, no estado de Ohio. Esta Base foi sede de um projeto denominado Project Sign (Project Grudge em 1949, Project Blue Book em 1952) que, a grosso modo, seria um serviço de inteligência para investigações de objetos voadores não identificados (OVNI) e cujos relatórios teriam começado em julho de 1947.

Em 1947, ocorreu o chamado Incidente Roswell.

Em meados de 1947, um balão das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos caiu em um rancho perto de Roswell, no estado norte-americano do Novo México. Após o amplo interesse inicial no ‘disco voador’, o exército dos EUA declarou que era apenas um balão meteorológico convencional.

O interesse diminuiu até o final dos anos 1970, quando os ufólogos começaram a promover uma variedade de teorias conspiratórias cada vez mais elaboradas, alegando que uma ou mais espaçonaves alienígenas haviam pousado (ou se acidentado) e que os ocupantes extraterrestres haviam sido recuperados pelos militares americanos, os quais, então se engajaram em acobertar os fatos.

Na década de 1990, os militares dos EUA publicaram dois relatórios divulgando a verdadeira natureza do objeto acidentado: um balão de vigilância de teste nuclear do chamado Project Mogul. No entanto, o incidente de Roswell continua a ser de interesse da mídia popular, e as teorias de conspiração em torno do evento persistem. Roswell tem sido descrito como “a mais famosa, mais exaustivamente investigada e mais completamente desmascarada reivindicação ufológica”.

Em 1990, o Megadeth contava com, bem possivelmente, sua melhor formação. Além dos supracitados Mustaine nos vocais/guitarra e Menza na bateria, a banda tinha o baixista David Ellefson e o excelente guitarrista Marty Friedman.

“Hangar 18” já começa arrepiante, em um clima caótico e eletrizante, contando com um ótimo riff e guitarras gêmeas afiadíssimas. De início, as letras abordam a Base Militar onde se encontra o Hangar e os segredos ali guardados:

Welcome to our fortress tall
Take some time to show you around
Impossible to break these walls
For you see the steel is much too strong
Computer banks to rule the world
Instruments to sight the stars

Já o refrão, revela que aquilo que se esconde na Base não deve ser revelado, em um tom claro de ameaça:

Possibly I’ve seen too much
Hangar 18 I know too much

Após o refrão alguns ótimos solos de guitarra continuam embalando uma sonoridade visceral.

A próxima estrofe envolve a guarda de vida extraterrestre e sua manutenção para estudos:

Foreign life forms inventory
Suspended state of cryogenics

Por fim, naquela época, o conhecido humor ácido de Dave Mustaine em suas críticas ao establishment norte-americano é demonstrado, ao denunciar o suposto uso de amnésia seletiva e ao condenar a inteligência militar:

Selective amnesia’s the story
Believed foretold but who’d suspect
The military intelligence
Two words combined that can’t make sense

O refrão é repetido mais uma vez e a canção, a partir de sua metade, torna-se instrumental. Mustaine e Friedman se destacam em solos de guitarra infernais enquanto Nick Menza destrói nas baquetas. “Hangar 18” foi escolhida como single para promover o sensacional Rust in Peace, tendo como maior projeção a 26ª posição da parada britânica desta natureza. O videoclipe sobre a música é bem criativo, contando com a banda tocando em um Hangar e a presença de aliens por toda parte. A faixa é emblemática para o Megadeth e está presente em várias coletâneas e álbuns ao vivo.

A base de Wright-Patterson foi fundamental durante a Segunda Guerra Mundial, tendo sido utilizada como escritório, laboratório, além de fornecer alojamentos e serviços para tropas. Depois da guerra, ela continuou importante não apenas para estudos de fenômenos ufológicos mas também como base técnico-científica. Já o incidente de Roswell permanece, ainda, sob alguma nebulosidade.

6 comentários

  1. Fernando Bueno

    Clássico do Megadeth e só não podemos dizer que é seu melhor trabalho instrumental pq no mesmo disco eles fizeram miséria na faixa título… Gosto também da letra de Take no Prisoners….

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    • Daniel

      Rust in Peace é um dos meus álbuns favoritos de Metal. O trabalho instrumental é incrível e as temáticas das letras são interessantes. “Rust in Peace… Polaris”, “Holy Wars”, “Tornado of Souls”, enfim, o nível é altíssimo!

      Responder
      • Fernando Bueno

        Eu costumo colocar o Rust in Peace na frente dos discos do Metallica quando sou obrigado a fazer listas. Para mim ele e o Ride The Lightining são os discos definitivos do estilo.

      • Daniel

        Sou daqueles que acha o Master of Puppets a obra definitiva do Metallica. Rust in Peace ficaria 1 milímetro abaixo, mas à frente de todos os demais. Abraço!

  2. André Kaminski

    Este é um verdadeiro clássico do Megadeth em um disco praticamente sem defeitos. Fica ainda melhor ao vivo. O trabalho de guitarras de Mustaine e Friedman a transformaram em um hino.

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