Participantes: André Kaminski, Daniel Benedetti, Fernando Bueno, Mairon Machado

Mais um Test Drive rodando aqui na Consultoria. Dessa vez, o grupo grego Hypnotic Nausea nos enviou uma cópia de seu mais novo lançamento, The Death of All Religions. Confira as impressões de nossos consultores para esse que é o segundo disco do grupo, e que chegou ao mercado no mês de março.


André: Senti muita técnica e pouca alma neste disco. Parece o Sigur Rós querendo soar como o Tool, mas sem o carisma desta última. Um stoner rock misturado com o post-rock e os principais defeitos de ambos os estilos que são os mesmos timbres de guitarra cansativos do primeiro junto com aquela aleatoriedade de quebras rítmicas que não descem bem aos ouvidos do segundo. Disco demorado de passar, com mais de 50 minutos que pareciam não ter fim. Única faixa que me agradou foi “Outside”, por ser uma faixa instrumental mais calma e até mesmo bela, mas é só. Para piorar, achei essa capa muito da feia. Definitivamente não é disco para mim.


Daniel: The Death of All Religions é o segundo álbum da banda grega Hypnotic Nausea da qual, honestamente assumo, jamais havia ouvido falar. Trata-se de um álbum conceitual e, como o próprio nome sugere, a forma como doutrinas religiosas fazem seus seguidores como servos cegos e indefesos de seus dogmas. Após uma única audição o que restam são impressões – as quais podem ser modificadas em novas ouvidas. Trata-se de um Stoner Rock, muito pesado e com um andamento bastante arrastado. Predominantemente instrumental, o disco se estrutura em faixas longas e pesadas intercaladas por canções menores, suaves e melodiosas. Alguns ótimos riffs são encontrados no trabalho e destaco as faixas “Holy City”, “Priest” e “Inquietum Cor”, esta última, contando com uma boa alternância de passagens leves/pesadas. Como ponto negativo, algumas músicas são demasiadamente arrastadas e longas, dando um aspecto monocromático ao álbum, e alguns minutos a menos as fariam bem mais interessantes. Para mim, alguns instantes do trabalho me trouxe à memória a sonoridade de bandas como Tool e Baroness. No fim, The Death of All Religions sobrevive à primeira audição com um saldo positivo e novas audições poderão confirmar (ou refutar) estas impressões iniciais.


Fernando: O disco chama atenção logo de cara pela arte da capa. Também chamou a atenção o nome do álbum dando a entender que se tratava de um álbum conceitual. Entretanto o nome da banda me remeteu, por algum motivo, à alguma outra de drone ou rock experimental. Como não é minha praia já fui com uma certa apreensão. No fim o som nem é lá tão experimental quanto imaginava e é quase um disco instrumental já que as letras são mito mais declamadas quase escondida atrás dos instrumentos. Mas o instrumental é muito bom, mesmo sem parecer tão técnico. Quando finalizou o álbum já fiquei com vontade de ouvir de novo e, se possível, avaliando as letras.


Mairon: Há algum tempo que eu venho apreciando bandas com tendência Stoner Rock instrumental. O grupo Hypnotic Nausea segue essa linha, e em The Death of All Religions, apresenta um disco conceitual com muita sonoridade para viajar. De cara, curti o riff de “Holy City”, na linha de grupos como Naxatras ou Supersoul (para citar outros grupos gregos contemporâneos), pesado e viajandão. O mesmo vale para “Priest”, que hipnotiza o ouvinte ao longo de seus 9 minutos.  Das instrumentais (6 de 10, sendo 3 delas vinhetas de dois minutos), destacam-se “Dogma”, pesada ao extremo, e “Inquietum Cor”, com um dedilhado delicado e simplesmente lindo. As repetições feitas a exaustão podem não agradar alguns, mas para mim, é um prato cheio para ficar tocando uma air guitar no quarto iluminado apenas pelo dial do rádio/PC. A versão em vinil ainda acompanha um livreto de 24 páginas, que explica a história proposta pelos gregos. Um som muito interessante, que com certeza não vai figurar entre os melhores discos da década, quiçá de 2019, mas que vai rodar bastante nas caixas de som do meu PC.

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