Por André Kaminski

Inspirado por alguns canais de música do Youtube, iniciarei uma pequena série de matérias tecendo alguns comentários sobre músicas em específico em álbuns conhecidos. Como o conceito de Top 10 já é bastante explorado principalmente em vídeos, não pretendo ficar preso apenas às bandas consideradas como “clássicas” mas sim em discos de alguma relevância em bandas conhecidas para que não fique tudo igual aos trocentos vídeos que existem sobre esses temas. Logo, pode aparecer aí algumas bandas inesperadas. Tentarei dividir um pouco entre as mais clássicas e as bandas importantes de nicho.

Sei que é bem difícil mensurar o que é um disco “mediano”, pois aquilo que considero médio pode ser excepcional ou horrível para ti. Por isso, tentarei usar como base as opiniões internet afora para conceituar o que, na opinião da maioria, seria um álbum “médio” e daí pescar ótimas canções que as vezes passam despercebidas nestes álbuns não tão conhecidos mesmo pelos fãs de determinada banda. Dito isso, vamos a lista!


David Bowie – Fall Dog Bombs the Moon (Reality – 2003)

Assim como a maioria, também considero Reality como um disco mediano da enorme e excelente carreira de Bowie. Mas esta canção é um destaque a parte. Letra crítica fazendo referências a grandes corporações que lucram com a guerra (na época a do Iraque), e um instrumental excelente levado principalmente pelo baixo. Bowie usa um tom mais baixo e grave de voz soando como se estivesse refletindo. As duas guitarras (uma base e outra solo) são outro destaque principalmente com a solo fazendo três linhas (na intro, no meio e mais um no fim da canção). É aquela coisa, no estilo musical que Bowie pretende gravar sempre sai alguma coisa boa. E este é um exemplo.


Blue Öyster Cult – Eye of the Hurricane (Curse of the Hidden Mirror – 2001)

O disco não compromete mas esteve longe de causar algum impacto na cena rockeira da época. Tanto é que foram depois dispensados pela gravadora Sanctuary e até hoje vivem apenas de apresentações ao vivo. Mas essa ótima faixa heavy metal surgiu neste disco. Apesar da letra um tanto complicada de entender por parte de John Shirley, temos o BÖC relembrando seus melhores momentos do início da década de 70 com um instrumental mais pesado, muito teclado, Eric Bloom cantando com mais garra e as guitarras seguindo com um riff simples mas bem feito. Dentro de um disco que joga seguro, “Eye of the Hurricane” faz bonito até.


Judas Priest – Run of the Mill (Rocka Rolla – 1974)

O primeiro do Priest é bem pouco citado entre os fãs, embora dificilmente seja considerado um disco muito bom ou muito ruim. E considero “Run of the Mill” a maior pérola do disco com seu jeito de rock clássico setentista com um tantinho de blues, muito diferente da velocidade e peso pelo qual o Judas ficaria famoso. Com letras falando de alguém que fez tudo pela sociedade mas que depois foi esquecida por ela, temos ao final da canção uma bela surpresa com aqueles agudos insanos pelos quais Rob Halford ficaria famoso no decorrer de sua carreira. Jeito de balada clássica com um final incrível, para mim, merecido estar nesta lista.


Deep Purple – Loosen’ My Strings (Purpendicular – 1996)

Com a segunda saída de Blackmore, a banda novamente fica em uma situação delicada. Mas conseguiram encontrar no ótimo Steve Morse, senão um guitarrista ao mesmo nível do conhecido mal humorado mais adorado do rock, ao menos conseguindo segurar as pontas de uma banda cujo fãs sempre exigiram bastante. Apesar de Purpendicular ser considerado melhor que os quatro anteriores desde o retorno da banda nos anos 80, ainda assim não chega próximo ao patamar estabelecido por eles mesmos na década de 70. Mas julgo “Loosen’ My Strings” a melhor canção desta época e uma das melhores do Purple dos anos 90 até hoje. Roger Glover, que nunca foi um baixista que me encheu os olhos, faz uma linha aqui excelente. O inesquecível Lord também abrilhanta a canção com seus teclados e a guitarra de Morse faz nos lembrar dos melhores momentos daquele Purple sacana das décadas anteriores. Convenhamos, esta música é muito boa, não?


Led Zeppelin – In the Evening (In Through the Out Door – 1979)

Tem gente que pode querer o meu couro nos comentários. Mas eu tenho que concordar com muitos que dizem que este disco do Zeppelin é bem menos do que os anteriores. Daqui, gosto muito da tecladeira de “In the Evening” e dos riffs sempre cortantes de Jimmy Page. É uma canção até um tanto psicodélica para os padrões zeppelianos, porém, tenho a impressão que seguiriam algo nessa linha caso continuassem sua carreira nos anos 80. Uma sonoridade que o Rush fez, talvez eles fizessem também. Uma pena que o disco acaba depois seguindo de forma muito irregular. Entretanto, não são poucos que consideram esta canção como uma das melhores da carreira do Led.


Mötley Crüe – White Trash Circus (Saints of Los Angeles – 2009)

O riff principal e a bateria de Tommy Lee me ganham imediatamente nesta música. Peso, aquelas letras venenosas do Crüe e uma energia fodida estão nesta canção cujo álbum nada mais fez do que apenas apagar uma imagem negativa dos três discos anteriores. Já ao contrário das opiniões, vi muita gente não curtindo esta canção. Mas não tem jeito, eu gosto muito desse hard/glam de pegada quase heavy metal que é o caso desta “White Thrash Circus”.


Rush – Limbo (Test for Echo – 1996)

Aqui uma instrumental para dar uma variada. Eu vou ser sincero e nunca gostei muito de Test for Echo, mas está na matéria por eu ser minoria quanto a este disco. O que gosto em “Limbo” é o fato de que esta é a faixa que acho que resume muito bem toda a carreira e toda a evolução musical do Rush até aquele momento. Tem partes progs, hard rocks, algumas progressões pops e outras que lembram a fase do teclado dos anos 80. Sim, eu concordo que “YYZ” é muito boa e eu considero “La Villa Strangiato” a melhor instrumental do Rush, mas esta aqui também é boa, vai?


Megadeth – Blackmail the Universe (The System Has Failed – 2004)

Esse álbum cai um pouco no meu conceito pelo fato de, tirando Chris Poland de volta a guitarra (e só para esse disco), os outros dois sequer são considerados como membros oficiais que passaram pelo Megadeth. Também tem o fato de ser o disco de retorno de Mustaine após ter encerrado a banda em 2002 devido aos seus muitos problemas pessoais. E ainda assim, Mustaine soltou este petardo como faixa de abertura. Aquele riff ali depois do 1 minuto é de arrebentar. Com um disco e esta faixa com aquelas temáticas de guerra e política da qual Mustaine sempre soltou ao longo de sua carreira, aqui temos Mustaine imaginando novamente mais um cenário de ataque político-terrorista aos Estados Unidos e suas possíveis consequências. Este é um exemplo de canção que poderia estar em qualquer um dos discos clássicos da banda.


Nirvana – Negative Creep (Bleach – 1989)

Quando se fala de Nirvana, pouco se fala de Bleach. E se você quiser ouvir uma canção pesada, com um vocal irreconhecível de Cobain, uma mistura do thrash com o grunge que se focariam pouco tempo depois, tá aqui esta porrada que não entendo porque diabos tanta gente ignora. Sem muito o que comentar, muito melhor mesmo é ouvir.


Uriah Heep – Footprints in the Snow (High and Mighty – 1976)

No último disco com o eterno David Byron nos vocais, a crítica da época (e os fãs até hoje) não engolem muito o direcionamento mais mainstream da banda em relação as composições deste trabalho. Porém, “Footprints in the Snow” é a faixa que mais brilha aos meus olhos com seu início calmo e refrão ardido com Wetton e Hensley cantando em harmonia a Byron. Aliás, este baixo de Wetton é nada menos do que excelente. Não é uma música longa, não é daquelas composições bem trabalhadas do Heep dos primeiros discos, mas este final meio destemperado da canção me agrada e muito.

26 comentários

  1. Daniel Benedetti

    Excelente tópico e texto muito bom! Quanto às escolhidas, In the Evening é demais (eu sou do grupo que gosta do In Through the Out Door), Run of the Mill é belíssima, Fall Dog Bombs the Moon também é ótima e Blackmail the Universe tem um riff com a cara do Mustaine mesmo! As demais eu vou ouvir depois para me lembrar. Abraço!

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    • André Kaminski

      Dá de dar uma colher de chá ao Mustaine porque The System Has Failed era para ser um disco solo. Mas saiu com o nome do Megadeth então considero como parte de sua discografia. Dá uma ouvida nas outras e depois opine de novo!

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      • Daniel Benedetti

        Aceitei o desafio e as ouvi novamente. Limbo e Footprints in the Snow foram lembranças primorosas, tanto que vi que eu preciso ouvir o High and Mighty de novo e urgentemente. Loosen’ My Strings não me comoveu tanto, embora os solos do Morse sejam ótimos. Eye of the Hurricane eu acho apenas ok e White Trash Circus me soa sem alma e me fez lembrar o porquê não gosto de Saints of Los Angeles, mesmo me considerando um grande fã do Crüe. Mas, óbvio, é só questão de gosto mesmo. Abraço!

  2. Mairon

    Do High and Mightly, minha favorita é “One Way Or Another”. Sonzeira, com o vocal poderoso do Wetton. Do In Through the Outdoor, prefiro “Carouselambra”. “Limbo” foi uma baita lembrança, lindo som. Massa o texto!!

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    • André Kaminski

      Concordo que “One Way or Another” é uma boa música também, poderia entrar na matéria. “Caroulesambra” tem um jeito de composição parecido com “In the Evening”, aí foi mais questão de gosto meu porque vi que também há muitos fãs que gostam de ambas.

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  3. Tiago Bittencourt França

    Gostei do texto. Quanto ao Saints of Los Angeles do Motley Crue, pouca coisa se salva, pois no geral o álbum é bem fraco mesmo.

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  4. Mauro

    Parabéns pelo artigo.

    Do Purpendicular, gosto muito de “Sometimes I feel like scream”.

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  5. Igor Maxwel

    Tem tanto disco mediano (desprezados pelos fãs) com apenas uma música boa, mas vou citar alguns exemplos que eu conheço de grandes músicas em álbuns medianos de várias bandas que curto bastante:

    AC/DC = “Rock and Roll Damnation” (Powerage, 1978) e “Let’s Get it Up” (For Those About to Rock, 1981)

    ACCEPT = “It’s Hard to Find a Way” (Russian Roulette, 1986) e “Koolaid” (The Rise of Chaos, 2017)

    BRUCE SPRINGSTEEN = “The Promised Land” (Darkness on the Edge of Town, 1978) e “Brillant Desguise” (Tunnel of Love, 1987)

    DEEP PURPLE = “Demon’s Eye” (Fireball, 1971) e “Rat Bat Blue” (Who Do We Think We Are, 1973)

    DIRE STRAITS = “Calling Elvis”, “Heavy Fuel” e “The Bug” (On Every Street, 1991)

    ELTON JOHN = “Someone Saved my Life Tonight” (Captain Fantastic, 1975)

    GENESIS = “The Knife” (Trespass, 1970), “Dance on a Volcano” (A Trick of the Tail, 1976) e “All in a Mouse’s Night” (Wind & Wuthering, 1977)

    IRON MAIDEN = “From Here to Eternity” (Fear of the Dark, 1992), “New Frontier” (Dance of Death, 2003), “The Reincarnation of Benjamin Breeg” (AMOLAD, 2006) e “The Talisman” (The Final Frontier, 2010)

    JUDAS PRIEST = “Hot Rockin” (Point of Entry, 1981), “Out in the Cold” (Turbo, 1986) e “Monsters of Rock” (Ram it Down, 1988)

    LED ZEPPELIN = “Tea for One” (Presence, 1976)

    PINK FLOYD = “Summer ’68” (Atom Heart Mother, 1970), “Your Possible Pasts” (The Final Cut, 1983) e “Keep Talking” (Division Bell, 1994)

    SCORPIONS = “Lady Starlight” (Animal Magnetism, 1980) e “Passion Rules the Game” (Savage Amusement, 1988)

    SUPERTRAMP = “A Soapbox Opera” (Crisis? What Crisis?, 1975)

    YES = “On the Silent Wings of Freedom” (Tormato, 1978)

    ZZ TOP = “Velcro Fly” (Afterburner, 1985) e “Burger Man” (Recycler, 1990)

    Por enquanto é só desses exemplos que eu me lembro.

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      • Igor Maxwel

        Obrigado, Mauro. Apesar de não gostar muito do AHM como um todo, acho “Summer ’68” uma grande música. Obra-prima do saudoso Rick Wright!

    • Anônimo polêmico

      Igor Maxwel, como você pode dizer que o Powerage do AC/DC é um álbum mediano? Um disco que “só” tem Riff Raff, Up To My Neck On You”, “Sin City” e Kicked in the teeth é “mediano”? Por favor né meu brother!

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      • Igor Maxwel

        É apenas a minha opinião, meu brother. Eu só citei este álbum por que “Rock and Roll Damnation” foi o único hit de Powerage na época e também pelo fato de não ser muito fã do saudoso Bon Scott (respeito a memória dele, apesar de tudo). E sobre a música que citei do For Those About to Rock, afirmo que sofre do mesmo mal que Powerage sofre: apenas uma ou duas músicas são lembradas enquanto as outras ficam relegadas a segundo plano. Ainda mais o álbum de 1981 do AC/DC, que veio depois do aclamadíssimo Back in Black (1980), onde podemos encontrar os maiores hits dos caras. Por falar nisso, Back in Black já está na casa das 60 milhões de cópias vendidas mundialmente!

    • Anônimo polêmico

      No Fear of The Dark tem uma música realmente que é a “Judas be my Guide”, baita solo de guitarra. Uma das melhores do Maiden.

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      • Igor Maxwel

        Pra dizer bem a verdade, acho que Fear of the Dark é o único disco do Maiden dos anos 90 que dá pra ouvir do começo ao fim… Pra mim é o sexto melhor deles!

    • Diogo Bizotto

      Eu que nem sou chegado em AC/DC já acho um absurdo chamar um disco cultuado como “Powerage” de mediano, é algo que transcende a opinião pessoal e cai na ignorância mesmo. Agora citar “Darkness on the Edge of Town” como mediano já é loucura mesmo, completo desconhecimento da obra em si e do conjunto total.

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      • Igor Maxwel

        Mas chefe… O problema do DOTEOT é que este é um disco menos cultuado por boa parte dos fãs do “The Boss”, mas ele possui algumas músicas famosas que ele canta até hoje nos shows (como a citada por mim “Promised Land”) e outras muito boas, mas não muito lembradas tanto pelo artista como pelos fãs. Ressaltando que DOTEOT veio depois do aclamado disco Born to Run, desde sempre um clássico – assim como Wish You Were Here, do Pink Floyd (em se tratando do ano de 1975), por exemplo.

    • Anônimo polêmico

      Ram It Down é um álbum injustiçado! Olha quanta “música ruim” tem no disco: “Heavy Metal”, a faixa título Ram it Down, “Hard as Iron”, “I’m a Rocker”, “Come and Get It”. Bom, mas aí é questão de gosto, e gosto não se discute, se lamenta.

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      • Igor Maxwel

        Ram it Down é mesmo um ótimo álbum, mas é injustiçado mesmo! A única música que não gosto do Ram it Down é aquele cover ridículo que o Judas fez de “Johnhy B Goode”… Ainda bem que na minha versão deste disco esse lixo não está incluído!

      • Anônimo polêmico

        A versão de Johnny B Goode é ruim mas o solo da música é muito bom.

      • Igor Maxwel

        Tremenda sacanagem que o Judas fez com o Chuck Berry… Os melhores cover deles para mim são os de “Diamonds and Rust”, “Race with the Devil” e “The Green Manalishi”. E só!

  6. Anônimo polêmico

    Um disco ruim que eu detesto mas que tem pelo menos duas músicas boas é o Pleasant Dreams do Ramones, o pior disco da carreira da banda, o mais mela cueca. Temos All’s Quiet on the Eastern Front” e Sitting in My Room. Não me venham com The KKK Took My Baby Away porque apesar de boa canção, é uma música de corno.

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  7. Diogo Bizotto

    Legal a iniciativa André. Concordar ou não se um álbum é mediano, bom ou ruim mesmo é algo muito pessoal, e não vale a pena perder muito tempo com isso. Eu, por exemplo, gosto muito de “Rocka Rolla”, mas acho que ele se encaixa muito bem na sua publicação e “Run of the Mill” é, ao menos para mim, a escolha obviamente mais acertada, pois se trata de uma das melhores canções do Judas Priest.

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    • Igor Maxwel

      É o seguinte, chefe: em se tratando do Judas Priest (que eu simplesmente adoro e coloco acima de todas as outras bandas do metal), o exemplo mais óbvio que eu conheço de música boa em disco mediano é a música que eu citei de Point of Entry, tirando as que eu citei de Turbo e Ram it Down (que são meras escolhas pessoais minhas). Já Rocka Rolla, Sad Wings of Destiny e Sin After Sin nunca me disseram nada e acho que a banda começa de verdade a partir de Stained Class.

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