Por Mairon Machado

Formada em 2010, tendo como principal ideia unir música autoral, rock clássico e contemporâneo, a The Gard tornou-se uma das principais atrações da música pesada de Campinas a partir de então. Apesar de ser fortemente reconhecida por seu show Tributo ao Led Zeppelin, o grupo atravessou a década atual em busca de uma gravadora para registrar suas canções. Somente em abril de 2018, em parceria com a NG2 e o Som do Darma, eis que finalmente chega às lojas o álbum de estreia do trio Beck Norder (baixo, guitarras, vocais), Allan Oliveira (guitarras) e Lucas Mandelo (bateria, vocais).

Intitulado Madhouse, o debut auto-produzido apresenta uma sonoridade bem distinta entre suas faixas, com mesclas de diferentes estilos que torna-se difícil de classificar em uma primeira audição, a qual é prazerosa e capaz de te fazer sentir vontade de colocar o CD novamente para rodar. O álbum abre com “Immigrant Song”, o clássico do Zep recebendo um arranjo totalmente inovador – obra da mente de Beck, praticamente o líder do grupo – e que de imediato, surpreende positivamente, tornando-se mais pesada, recebendo violões e modificando boa parte das linhas vocais originais de Plant. A canção inclusive virou single, e ganhou um video-clipe para ajudar na promoção de Madhouse.

O grupo no clipe de “Immigrant Song”

“Play of Gods” vem na sequência, apresentando de cara um belo solo de guitarra por Dennis Arthur, e com um riff que lembra muito o Zep. Dennis também surge no segundo solo, rasgado e com muita distorção. A faixa-título já apresenta uma nova cara no som do The Gard, saindo das raízes setentistas do Led para explorar um som mais moderno, próximo de grupos como Skid Row. É um som simplesmente rocker, que certamente irá agradar aqueles que apreciam os grupos americanos dos anos 90.

Chegamos na melhor canção do álbum, a longa “The Gard Song”. Sua introdução com violões e bandolim foge totalmente do que havia sido apresentado até então. Após um minuto, surge o riff que nos mostra uma faixa próxima ao prog rock, com os vocais de Beck lembrando um pouco Michael Kiske na fase Avantasia. São 10 minutos e 30 segundos onde você irá parar o que está fazendo e prestar atenção na interessante construção musical feita pelos campinenses, principalmente a partir de sua segunda metade, onde fãs de Helloween irão delirar com a sequência de riffs e solos de guitarra. Por fim, violões e voz encerram essa grande faixa, a qual parabenizo o The Gard por sua criação.

Lucas Mandelo, Beck Norder e Allan Oliveira

O uso do glockenspiel na introdução e a longo da também experimental “Music Box” leva Madhouse para um novo caminho musical, que me remete a bandas britânicas dos anos sessenta, tais como Beatles ou Stones em suas fases psicodélicas, muito por conta do uso de vocalizações. O instrumento foi tocado por Isadora Conte, e quanto a própria “Music Box”, confesso que não me chamou tanto a atenção, talvez por vir logo após “The Gard Song”. “Back to Rock” faz jus ao nome, e retorna ao rock pesado apresentado anteriormente na faixa-título. Destaque para a longa introdução, caprichando no solo de Allan, e no riffzão para pular pela casa. É mais uma faixa para se sentir em Slave to the Grind, por exemplo, essencialmente no refrão.

Encarte com caricatura da banda, e o CD

Confesso que quando “Kaiser of the Sea” começou, lembrei-me do nosso colega Thiago Reis. Afinal, é uma canção puramente Black Sabbath fase Tony Martin, daquelas saídas de Cross Purposes ou Headless Cross, mostrando toda a versatilidade da The Gard, ainda mais quando inesperadamente, surge um bonito solo de violão. Fecha Madhouse “Panem et Circensis”, voltando as inspirações setentistas, mas ligadas agora ao Aerosmith, onde Allan se aventura no slide guitar, e deixando a sensação de que valeu a pena a audição dos pouco mais de 40 minutos de duração.

O encarte, com 8 páginas, é bem caprichado, apresentando as letras de todas as canções e uma caricatura do trio, além de artes por Samir Monroe e a indicação para o site da banda, onde você pode ouvir Madhouse na íntegra de forma gratuita.  Mas detendo-se apenas no som, que é o que importa, a The Gard passa acima da média em sua estreia, a qual deixa boas expectativas para o futuro da banda. E fica a mensagem do release da banda: ” … temos o privilégio de existir em uma época onde Richard Wagner já trouxe ao mundo seu trabalho. Schoenberg, cantos gregorianos, músicas tribais, Beatles. Temos tudo isso com uma facilidade de acesso que nunca vimos antes. Há muito o que combinar ainda, o que se experimentar e aventurar“.

Contra-capa

Track list

  1. Immigrant Song
  2. Play of Gods
  3. Madhouse
  4. The Gard Song
  5. Music Box
  6. Back To Rock
  7. Kaiser of the Sea
  8. Panem Et Circensis

 

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