Por Mairon Machado

Quem conhece a obra de Elomar, sabe o quanto ele valoriza seus lançamentos. No imenso cenário que a música brasileira possui, o baiano de Vitória da Conquista Elomar Figueira Mello é um ponto fora da curva, impossível de ser classificado, já que o que ele criou é exclusivo, raro e de uma beleza imensurável perto do que foi feito por aqui.

Texto narrando a trajetória da carreira de Elomar

Em virtude dessa sua perfeição, em 2008 foi lançado o sensacional Cancioneiro, material de altíssima qualidade que engloba toda a arte de Elomar através de partituras, letras e textos diversos. O livro, em tiragem limitada de 2000 cópias, tem edição da Duo Editorial, com Planejamento e Gestão da Duo Informação e Cultura em parceria com a Fundação Casa dos Carneiros e Rossane Comunicação. A transcrição da obra de Elomar foi feita pelos “escribas” Avelar Jr., Hudson Lacerda, Kristoff Silva e Maurício Ribeiro, além do próprio Elomar, que transcreveu “Cantiga do Boi Incantado”, e acompanhou todo o processo de pertinho. Também colaborou o filho de Elomar, João Omar, um dos músicos mais talentosos que nosso país pariu nos últimos anos.

Com exceção de seu primeiro álbum, Das Barrancas do Rio Gavião (1973), todos os demais álbuns solo oficiais de Elomar são acompanhados de um luxuoso encarte, trazendo letras e informações sobre as histórias contadas pelo bode trovador. O mesmo luxo aplica-se para Cancioneiro. Essa obra foi lançada em uma grande caixa de papelão, no formato 35,5 x 25 cm, que protege a embalagem central, em formato de caixa também, em papel grosso, no qual estão acomodados um livro central, um caderno de notas e letras e 14 cadernos de partituras.

Explicações sobre leitura das partituras

O livro central, Cancioneiro, possui 80 páginas, encadernado com capa dura. Ao longo das páginas, que abre com um texto da patrocinadora do projeto, a Petrobrás (através do Projeto da Lei de Incentivo a Cultura), e da editora Duo Editorial, assim como um breve texto do próprio Elomar contando um pouco sobre sua história, lê-se uma bela tese sobre a carreira desse gênio da música nacional, que é o texto central, escrito por João Paulo Cunha, chamado de Cantador do Rio Gavião. São 28 páginas que contam sobre toda a trajetória de Elomar até 2008, além de enaltecer e muito o que é a obra do baiano. Uma leitura muito gostosa e que nos mostram como existe qualidade no nosso país. Também há imagens do processo de criação do livro, da caatinga baiana e a discografia de Elomar, desde os discos solos, passando por projetos paralelos e seus primeiros compactos, além de notas sobre o livro.

No caderno Notas e Letras, são 62 páginas, com textos de João Paulo Cunha, falando sobre o processo de criação de Cancioneiro, um texto de Simone Guerreiro, comentando sobre a importância lírica de Elomar para a música brasileira, as letras das 49 canções escolhidas para representar a carreira de Elomar, bem como explicações básicas para a leitura das partituras.

Uma das 49 partituras de Cancioneiro

Estas são dividas em 14 cadernos, e servem de estudos para iniciantes e também feras dos instrumentos como violão, violinos e violas, já que vários são os trechos que necessitam de muito treinamento e técnica para serem reproduzidos. Só esses cadernos já devem fazer parte de cursos de música no mundo à fora, com certeza. As canções presentes com letras e partituras são:

Acalanto

Arrumação

Balada do filho pródigo

Bespa / do ‘Auto da catingueira’

Campo branco

Canção da catingueira

Cantada

Cantiga de amigo

Cantiga do boi encantado

Cantiga do estradar

Canto de guerreiro mongoió

Cantoria pastoral

Cavaleiro do São Joaquim

O cavaleiro da torre

Chula no terreiro

Clariô / do 5º canto do ‘Auto da catingueira’

Corban / 7º canto de ‘O mendigo e o cantador’

Curvas do rio

Dassanta / fragmento do 1º canto do ‘Auto da catingueira’

Deserança

A donzela tiadora / 1º canto de ‘O mendigo e o cantador’

Estrela maga dos ciganos

Faviela / fragmento da ópera ‘faviela’

Função

Gabriela / 2º canto de ‘O mendigo e o cantador’

História de vaqueiros

Homenagem a um menestrel

Incelença para um poeta morto / 4º canto de ‘o mendigo e o cantador’

Incelença pro amor retirante

Joana flor das Alagoas

Loas para o justo

Louvação / fragmento do 5º canto do ‘Auto da Catingueira’

A meu Deus um canto novo

Na estrada das areias de ouro

Naninha / 6º canto de ‘o mendigo e o cantador’

Na quadrada das águas perdidas

Noite de Santo Reis

Parcelada / fragmento do 5º canto do ‘Auto da catingueira’

A pergunta / do auto ‘o tropeiro Gonsalin’

O peão na amarração

O pidido / 4º canto de ‘o mendigo e o cantador’

Puluxias / do auto ‘O tropeiro Gonsalin’

O rapto de Juana do tarugo

Retirada

Seresta sertaneza

Tirana / do auto ‘o tropeiro Gonsalin’

Um cavaleiro na tempestade

O violeiro

Zefinha

Todo o material de Cancioneiro

Cancioneiro é um achado para quem aprecia arte no Brasil e no mundo. O registro é de fundamental importância, já que exalta o trabalho primoroso de Elomar e contribui para a divulgação da obra do velho bode violeiro baiano.

1 comentário

  1. Geordano Bruno Carvalho

    Isso… como um grande amante da boa música, tenho que parabenizar o trabalho e vocês, como muitos sou também apaixonado por bandas como Genesis, King Crimson, Eloy, essa gama de Rock não só progressivo, mais o bom e velho Rock.
    Agora quando eu vejo alguém relembrando e valorizando o trabalho do “Mestre” Elomar, temos que dar uma atenção mais que especial. Cancioneiro da melhor qualidade, tenho certa a que nomes como Ian Anderson, Steve Howe, Steve Hackett.. iriam aplaudir esse homem que é um mostro da música. Gênio. Mais uma vez parabéns pelo trabalho.

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