Sangue old school italiano

3 de outubro, 2017 | por Fernando Bueno
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Por Fernando Bueno

O youtube é um dos lugares mais usados para se ouvir música nos dias de hoje. Eu mesmo venho utilizando o site para música – e até para ouvir noticiário político nos diversos canais oficias das rádios. Assim como em muitas outras fontes de música pela internet quando você ouve alguma coisa o programa te indica algo na mesma linha. Eu não lembro exatamente o que estava ouvindo, mas um dessas indicações foi o Baphomet’s Blood. O singelo nome da banda chamou atenção então aceitei a indicação e comecei a ouvir. E não era que o troço era muito legal!

O primeiro disco que ouvi foi o mais recente que havia sido lançado, In Satan We Trust (2016), quarto álbum da banda lançado após um hiato de sete anos do lançamento de Metal Damnation de 2009. Até então a banda lançava discos com mais frequência já que o debut, Satanic Metal Attack saiu em 2006 e o seguinte, Second Strike em 2008.

Para quem ainda está perdido e nunca ouviu falar no Baphomet’s Blood acho válido situar um pouco seu som. Imaginem uma banda formada por integrantes originais do Motorhead e Venom com a intenção de manterem as principais características de cada banda intactas e tudo encharcada de cerveja e whisky. É mais ou menos isso que o Baphomet’s Blood entrega. Também acredito que vai agradar os fãs da banda americana Midnight ou dos australianos do Destroyer 666. Já nas próprias capas dos discos há um selo informando que aquele lançamento se trata de um álbum de speed metal talvez usando o mesmo critério que era utilizado nos anos 80, o que é bastante propício.

S.R. Bestial Hammer, Necrovomiterror, A. Trosomaranus e Speednecromancer

A banda, como vocês devem ter percebido pelo título da matéria é oriunda da Italía, mais precisamente da cidade de San Benedetto del Tronto, cidade litorânea banhada pelo Mar Adriático bem no meio da península itálica. Seus integrantes utilizam pseudônimos fofinhos ao estilo de inúmeras bandas que gravaram algum disco de metal um pouco mais pesado por volta de 85-86. A banda tem em seu líder Necrovomiterror, vocalista e guitarrista, eventualmente baixista, junto de seu companheiro, o guitarrista Angel Trosomaranus, o núcleo principal do grupo desde 2003. Porém durante mais de uma década foram acompanhados de R.R. Unholy Bastard na bateria e S.V. Goat Necromancer no baixo. Essa última (sim, apesar do pseudônimo é uma mulher) gravou todos os quatro álbuns antes de deixar a banda. Todos são oriundos de outras bandas do underground italiano como por exemplo o Blasphemophager em que Necrovomiterror é o baterista.

Por se tratar de uma banda essencialmente underground é difícil achar muito material oficial, a não ser algumas informações pinçadas das poucas entrevistas e resenhas que li pela internet. O som dos italianos não conseguiria altas notas no quesito originalidade e nem no de habilidade de seus músicos, mas certamente passaria com louvor em relação à diversão.

Depois do Baphomet’s Blood também descobri outras bandas italianas que seguem mais ou menos a mesma linha como o também destaque Bunker 66, o Barbarian, o Necromessiah e o Satanika. É clara a intenção desses grupos em trazer o metal oitentista old school para os dias atuais. Ouvindo a banda é impossível não se imaginar em um daqueles inúmeros shows que qualquer fã de metal já foi em um barracão isolado com uma banda tocando no fundo dele, sem ao menos ter um palco. E pode ter certeza que, caso ele realmente exista, o Capiroto estaria ali no meio tomando sua cerveja, dando risada de tudo sem ter nenhuma outra preocupação. Podemos relacionar o som dessas bandas mais recentes com os veteranos do Bulldozer, isso só para ficar com grupos italianos.

Uma das característica interessante e curiosa da banda é que eles se recusam a lançar seu material em CD. Quando eu me interessei no grupo procurei em toso os lugares que costumo adquirir material e não encontrava nada. Só tinha visto os LPs em seu site oficial. Mas eu achei que a intenção era de vender um material diferenciado no site oficial e os CD serem vendidos em outros lugares. Daí com ajuda do Rate Your Music e da Discogs eu descobri que realmente não existiam CDs. No verso do LP tem até um selo de aviso dizendo que CD não faz bem à saúde. Na verdade eles pegaram o mesmo texto do selo que alguns lançamentos traziam há um tempo atrás expondo os perigos das drogas. O grupo também lançou ao longo da carreira três EPs, também em vinil e duas coletâneas que foram lançadas apenas em fitas cassetes.

Porém apesar da aparente tosqueira, não pense que você terá uma gravação parecida com as clássicas da Cogumelo dos anos 80. Aqui a gravação teve sim um esmero. Claro que a ideia de tentar reviver os anos 80 é apenas artística, tecnicamente isso não seria necessário já que não há motivos para não se usar novas tecnologias, basta dizer que os trabalhos foram ficando cada vez melhores em relação ao som. Ou ponto que reforça isso é que caso o fã não queira ter o material em vinil ele tem a opção de comprar as versões digitais diretamente do seu site oficial.



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