Iron Man: Minha Jornada com o Black Sabbath [2011]

22 de agosto, 2017 | por Mairon
Resenha de Livro
7

Por Mairon Machado

Poucos são os livros autobiográficos que te dão alegria em ler, e esse livro de Tony Iommi entra nessa exceção. Ao longo de 400 páginas, o eterno guitarrista bigodudo traz a sua versão para a história de uma das maiores bandas de Heavy Metal da história, sem furtar-se de expor sua opinião sobre vários temas que os fãs consideram pertinentes, como drogas, mulheres, brigas internas e lançamentos de discos.

“Que anjinho”

Iommi conta sua história desde pequeno, como filho único de uma família de pais trabalhadores, e que não aceitavam a escolha do menino pela profissão de músico. Detalhes sobre o decepamento de seus dedos direitos, a criação do Black Sabbath e sua breve passagem pelo Jethro Tull surgem nas páginas do livro com um entusiasmante texto que faz o fã vislumbrar e imaginar as situações propostas. Nessa parte, o guitarrista deixa claro que preferiu não seguir com o Jethro Tull por conta do excesso de profissionalismo por parte do líder da banda, Ian Anderson.

No período clássico com o Sabbath, durante a primeira formação (Ozzy Obsourne nos vocais, Geezer Butler no baixo e Bill Ward na bateria), Iommi perpassa por todos os álbuns narrando como foram as gravações, os processos de composição das músicas, os principais shows e turnês, muitas farras, drogas e brincadeiras (algumas que falharam, como a de tocar fogo na barba de Ward, o que quase o levou à morte), e fatos curiosos, como visões de fantasmas em uma casa onde a banda se hospedou durante o processo de gravação de Black Sabbath. Para aqueles que gostam de temas mais centrais e polêmicos, Iommi apresenta sem pestanejar a sua visão sobre a saída de Ozzy, defendendo-se do fato de ter despedido o vocalista, e citando diversos fatos que fizeram com que o vocalista saísse da banda no final da década de 70, levando a entrada de Ronnie James Dio.

“Brincadeira com o Vinny no Rockfield Studios, durante a gravação de The Devil You Know, em 2008”

Com Dio, surge um novo Sabbath, muito mais profissional e com um trabalho musical ainda mais elevado (visão de Iommi). Porém, problemas pessoais acabaram fazendo com que uma das melhores formações da música mundial durasse apenas um disco (o clássico Heaven and Hell). A entrada de Vinny Appice no lugar de Ward modificou ainda mais a personalidade da banda, tornando-a ainda mais profissional. No auge da nova formação, próximo ao lançamento do álbum ao vivo Live Evil, conflitos internos e algumas fofocas nunca solucionadas acabaram com mais uma formação da banda.

Iommi então passa a contar sobre os anos 80, os abusos de drogas, a entrada de Ian Gillan para os vocais – e os diversos e hilários problemas que apareceram durante a turnê de Born Again – os inúmeros casos inacreditáveis sobre o envolvimento de Glenn Hughes com as drogas, que acabaram influenciando no lançamento de Seventh Star e de uma turnê muito problemática. A entrada de Ray Gillen para os vocais – e sua saída antes mesmo do lançamento de The Eternal Idol – e a chegada de Tony Martin na banda, entre mudanças constantes de formação, são tratadas por Iommi de forma muito honesta e humilde, sem tirar o corpo fora, e admitindo diversas falhas de pensamento e envolvimento com pessoas equivocadas, principalmente em termos de empresários, produtores e fornecedores de drogas.

“Meu primeiro casamento, com John Bonham como padrinho (à direita na foto), 1973”

A partir da entrada de Tony Martin, Iommi conta que conseguiu novamente uma base e uma inspiração para voltar a tocar, ainda mais quando montou a parceria com o baterista Cozy Powell. Os processos diferentes de composição por Martin, bem como o talento infinito de Powell, levaram ao lançamento de TYR, para Iommi, um dos melhores discos que ele gravou, e que só acabou por conta de um reencontro com Dio, que voltou para a banda e gravou Dehumanizer (junto com Vinny Appice). A nova velha formação brigava muito fora dos palcos, e mais uma vez, o grupo se desintegrou depois de Iommi e Butler aceitarem participar do show de aposentadoria de Ozzy Osbourne (o famoso show de Costa Mesa, no qual Rob Halford substituiu Dio).

Iommi senta o pau sem piedade em Forbidden, narra com carinho as apresentações nos festivais Ozzfest e principalmente, emociona o leitor quando fala sobre as gravações de Iommi e The Devil You Know, esse que foi o último registro feito por Dio antes de sua morte, em 2010.

“Tocando o acordeão, assim como meu pai costumava tocar, no quintal de nossa casa em Park Lane”

Além das histórias ligadas com a música, Iommi não redime-se de falar sobre sua vida pessoal, apresentado as esposas que teve – e os problemas com elas -, a difícil relação com a mãe de sua filha Tony, tendo o fato de ter sido preso injustamente por não pagar pensão alimentícia bem como ganhou na justiça o direito da guarda da menina, o uso de drogas, sua breve relação com Lita Ford, entre outros contos que vem naturalmente através das páginas de Iron Man, mostrando que acima de um guitarrista fabuloso e fantástico, está realmente um homem de ferro, que superou problemas para se tornar um mito na música.

“Coletiva de imprensa com Ian Gillan na Armênia, em 2009. Recebemos um prêmio em reconhecimento ao single que havíamos gravado 25 anos antes para arrecadar dinheiro em prol de vítimas de um terremoto naquele país”

O livro foi originalmente lançado em 2011 (Europa e Estados Unidos), e chegou no Brasil apenas em 2013. Possui ainda 16 páginas de imagens pessoais – algumas nessa postagem – comentadas pelo próprio Iommi. É fácil encontrá-lo nos principais sites de livrarias de nosso país, e inclusive, em épocas de promoções, você consegue adquiri-lo por um preço entre dez e vinte reais (o que foi o meu caso). Um dinheiro que será muito bem investido, já que o valor da história que você levará para casa está muito acima do preço que irá pagar pela aquisição da mesma.



7 Comentarios

  1. Thiago Reis disse:

    “A partir da entrada de Tony Martin, Iommi conta que conseguiu novamente uma base e uma inspiração para voltar a tocar, ainda mais quando montou a parceria com o baterista Cozy Powell. Os processos diferentes de composição por Martin, bem como o talento infinito de Powell, levaram ao lançamento de TYR”.
    E digo mais, o período Headless Cross e TYR foi muito criativo para Iommi e cia. Ele cita também como seus favoritos, um de cada fase: Sabbath Bloody Sabbath, Heaven and Hell e Headless Cross. Este último em função da banda recuperar seu nome após alguns fracassos comerciais (Seventh Star e Eternal Idol). Na Europa, essa fase de 1989 e 1990 fez muito sucesso em países como Alemanha, Rússia, Itália, Holanda, Áustria, etc…
    Parabéns pelo texto, Mairon.

  2. Rodrigo disse:

    Ótimo texto! Deu vontade de ler o livro. Vou procurar. Abraço!

  3. Igor Maxwel disse:

    PQP, como o Iommi era uma gracinha quando era pequeno!

  4. Anônimo de volta disse:

    Caramba, nem depois de velho o Iommi deixava de sacanear os amigos dele. A foto do Vinnie Apice é hilária. Bill Ward então foi quem mais sofreu nas mãos do Iommi que ateou fogo de verdade no amigo. Pobre Bill, e ainda foi excluído da reunião da formação original do Sabbath. Só mancada atrás de mancada. hehehehehe

  5. Ronaldo disse:

    Super dica! essa do Bonham ser padrinho de casamento dele foi surpreendente! hahahaha
    Abraço,
    Ronaldo

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