Por André Kaminski

Há tempos que eu queria escrever uma matéria que tratasse das bandas de rock progressivo da atualidade, tema que acredito ter sido pouco explorado aqui no site (embora a seção “Maravilhas do Mundo Prog”, do nosso digníssimo Mairon trouxesse alguns discos mais recentes, a maioria deles eram da década de 1970). O progressivo tem lançado muita coisa desde os anos 2000, mas infelizmente poucos acabam se tornando conhecidos de quem aprecia ou de quem está se interessando pelo o que eu acredito ser o mais belo dos subgêneros do rock. Então tratei de ouvir e reouvir alguns discos progs que havia separado a algum tempo, arregacei as mangas e me botei a escrever e recomendar algumas bandas que comprovam que o prog está muito, mas muito vivo.


The Amber Light – Goodbye to Dusk, Farewell to Dawn [2004]

Banda alemã formada em 2001, e possivelmente já com as atividades encerradas visto que suas últimas atualizações da página do facebook datam de 2014. Musicalmente são comparados ao Porcupine Tree e ao Radiohead, inclusive com o vocalista Louis Gabbiani (também tocando os teclados) tendo a voz muito parecida com a de Thom Yorke. Basicamente devem ser o Radiohead que eu deveria gostar visto suas canções lentas e climáticas possuírem enorme qualidade. Completam a banda o guitarrista Jan Sydow, o baixista Rabin Dasgupta e o baterista Peter Ederer com um disco que faria fãs de ambas as bandas citadas anteriormente apreciarem bastante. Destaco a beleza de “Tartaros”, com atmosferas e teclados viajantes e a diferente “Gangsters” com letras em espanhol, mais peso, uma pegada meio jam session e com um saxofone meio doido solando ao final (muitos podem não curtir essa parte). É aquele progressivo mais climático sem ser sinfônico, o que pode afastar alguns progueiros setentistas mas que deve atrair o pessoal que gosta daquele período mais noventista do estilo.

Lineup: Louis Gabbiani (vocais, teclados e guitarras), Jan Sydow (guitarras), Rabin Dasgupta (baixo) e Peter Ederer (bateria)

Tracklist

  1. A New Atlantis
  2. Tartaros
  3. Devil Song
  4. Gangsters
  5. The Drowning Man in My Hands
  6. Hide Inside
  7. Clock Hands Heart
  8. New Day

Nosound – Sol29 [2005]

Projeto liderado pelo italiano Giancarlo Erra, o Nosound já traz aquela sonoridade mais espacial e ambient, em um estilo que lembra muito o Pink Floyd, com as partes mais pesadas de guitarra lembrando o Porcupine Tree. Tirando o baixo tocado por Alessandro Luci em quatro canções, Giancarlo canta, toca, mixou e produziu todo o restante do álbum. Belas músicas aparecem como a curtinha “The Child’s Game” e seu piano e a grandiosa “Idle End”, que te leva a mais uma viagem de sonhos e contemplação mental. A banda ainda está ativa (com mais membros fixos) e segue tocando principalmente na Europa, onde tem mais fãs. Quem gosta das músicas mais ambient do Floyd vai adorar facilmente este disco.

Lineup: Giancarlo Erra (todos os instrumentos), Alessandro Luci (baixo)

Tracklist

  1. In the White Air
  2. Wearing Lies on Your Lips
  3. The Child’s Game
  4. The Moment She Knew
  5. Waves of Time
  6. Overloaded
  7. The Broken Parts
  8. Idle End
  9. Hope for the Future
  10. Sol29

Izz – My River Flows [2005]

Já com norte americanos do Izz, liderado pelos irmãos Galgano, a coisa é bem diferente. Aqui temos guitarras mais pesadas que formam um heavy rock, ali no nível do Rush, misturado com uma pegada harmônica à la Beatles. A banda conta com surpreendentes quatro vocalistas (duas vozes femininas e duas masculinas) que se alternam bastante entre as canções. Apesar de tantas vozes, nessa primeira faixa de abertura “My River Flows” o que se destacam é o baixo e a percussão. Você sente muito destaque na parte percussiva por um único motivo: além do baterista Greg DiMiceli, há também Brian Coralian contribuindo em várias percussões diferentes e programando uma bateria eletrônica junto a comum, o que deixa o som ainda mais intenso. O baixo de John Galgano também é muito presente em “Late Night Salvation”, mais uma canção intensa e que irá te trazer lembranças das canções mais enérgicas do Emerson, Lake & Palmer. Há um longo e muito bom solo de bateria aqui. A banda é muito técnica e o disco é empolgante do início ao fim.

Lineup: Anmarie Byrnes (vocais), Laura Meade (vocais), Paul Bremner (guitarra), Tom Galgano (teclado, órgão, piano e vocais), John Galgano (baixo, violão, piano e vocais), Brian Coralian (bateria programada, percussão) e Greg DiMiceli (bateria)

Tracklist

  1. My River Flows
  2. Late Night Salvation
  3. Rose Colored Lenses
  4. Deception
  5. Crossfire
  6. Anything I Can Dream
  7. Abby’s Song
  8. Deafening Silence

Hidria Spacefolk – Astronautica [2012]

Um prog espacial pesado, quase ao ponto metal. Banda finlandesa instrumental, o Hidria Spacefolk mudou seu som ao longo do tempo, sempre tendo o rock espacial com influências folk como base, mas pesando seu som ao longo dos discos. Apesar de gostar muito do som antigo, confesso que este som mais pesado parece cair ainda melhor aos meus ouvidos, sendo fã do Ayreon como eu sou. Os caras sempre foram muito comparados ao Ozric Tentacles, mas agora eles estão com uma nova identidade e este som soa acachapante ao vivo. “Ad Astra” com a guitarra dando o ritmo e “Serenes” que em momentos lembram as trilhas sonoras de Streets of Rage do Mega Drive (quem já jogou este jogo sabe que esta comparação representa um grande elogio) são as faixas que destaco por aqui.

Lineup: Sami Wirkkala (guitarra e sintetizadores), Mikko Happo (guitarra e guitarra Moog), Veikko Aallonhuippu (piano e teclados), Kimmo Dammert (baixo), Teemu Kilponen (bateria) e Olli Kari (marimba, vibrafone e percussão)

Tracklist

  1. Ad Astra
  2. Cycloop
  3. Badding
  4. Endymion
  5. Seirenes

Deluge Grander – Heliotians [2014]

Mais uma banda norte-americana que é liderada pelo tecladista Dan Britton. Aqui há um prog sinfônico que se para uns pode soar pomposo, para outros como a mim soa rico. Muito mellotron, violoncelo e flauta unidos a um bom gosto musical faz desse disco um belo achado visto o fato da banda ser bem pouco conhecida e divulgada (para se ter uma ideia, apenas 365 cópias desse disco foram feitas segundo o facebook da banda). Com apenas três longas canções, sendo a melhor delas a épica “Reverse Solarity”, eu os recomendo ao pessoal mais ligado ao prog setentista aproveitar um belo rock sinfônico com melodias serenas e instrumental marcante. A parte vocal soa inferior ao instrumental (até mesmo no volume da gravação), mas a considero bastante decente para o que o disco se propõe.

Lineup: Megan Wheatley (vocais), Cliff Phelps (guitarra, vocais), Dan Britton (mellotron e violão), Natalie Spehar (violoncelo), Christopher West (baixo, flauta e vocais) e Patrick Gaffney (bateria)

Tracklist

  1. Ulterior
  2. Saruned
  3. Reverse Solarity

Os finlandeses do Hidria Spacefolk

11 comentários

  1. Mairon

    Bela matéria, André. Eu sugiro ainda, dessas novas bandas prog que estão nascendo pelo mundo nesse milênio, as bandas Beardfish, Big Big Train e Gungfly. Diego Camargo irá com certeza citar mais

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    • André Kaminski

      Big Big Train eu conheço bem e já o indiquei com um ótimo disco na lista de Melhores do Ano da edição passada. O Beardfish entrou numa das últimas listas de Melhores e lembro que fiquei maravilhado com o disco. Não conheço o Gungfly, mas se for da mesma qualidade do Beardfish então certeza que vou apreciá-lo bastante!

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  2. António Marcos

    Parabéns Andre . São excelentes dicas em um texto bem elaborado, realçando que o Radiohead é uma influência importante para algumas novas bandas, ainda que essa constatação não seja o foco de sua análise. Paraná você Mercúrio Rev pode ser considerada uma banda prog?.

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    • André Kaminski

      Obrigado pela consideração, Antonio. Você sabe bem que o Radiohead nunca esteve em meus gostos pessoais, mas jamais poderia negar a importância da banda e seu sucesso influenciando tantas outras, mesmo dentro do progressivo.

      Quanto ao Mercury Rev, não conhecia. Dei uma ouvida aqui em um par de canções e me lembraram as duas primeiras bandas desta edição e com uma sonoridade bem floydiana. Acho que podemos considerar sim que seriam uma banda prog.

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      • António Marcos

        Obrigado pela atenção e parabéns pelos seus textos que são bem esclarecedores e com excelentes dicas.

  3. Walter

    Olha, tentei ouvir todas, mas o som soa meio sintético e equalizado demais para o meu gosto. Falta sempre algo para lembrar o bom rock dos anos 70.
    como dizem por aí, sinto a cada dia que o rock morreu.
    Mas valeu pelas dicas.

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    • André Kaminski

      Não creio que o objetivo de todas elas é lembrar o rock dos anos 70, querendo ou não, a tendência é a produção ser menos analógica e cada vez mais digital. Gosto de ambas (velhas e novas) produções, cada uma com suas características.

      No mais, agradeço seu comentário!

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  4. Diego Camargo

    Da nova gerção eu recomendaria duas da Noruerga: Arabs In Aspic e Procosmian Fannyfiddlers.

    A primeira segue um som anos 70 (comecinho) meio Heavy Prog, o disco deles de 2013, Pictures In A Dream, fantástico. A segunda é Prog comédia (imaginem), letras bizarras mas som foda.

    Da Itália tem várias, mas o Macroscream e La Coscienza Di Zeno são dois destaques.

    Tem tb o Dreadnaught dos EUA que são doidões e como eu não mencionaria o El Trio, da República Dominicana com sua mistura de Jazz e Rock e que eu lancei pela Progshine Records recentemente (https://progshinerecords.bandcamp.com/) 🙂

    Tem vários outros, mas já é um começo 🙂

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    • André Kaminski

      Conheço La Conscienza e de fato fazem um belíssimo trabalho. As outras vou dar uma ouvida. Obrigado pelas dicas, Diegão!

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  5. Fernando Bueno

    Acredito que o progressivo passa por sua melhor fase desde a década de 70. Sem, claro, estar no mainstream. O que vcs acham dessas bandas que nasceram mais extremas e hoje são praticamente mais prog que qualquer outra coisa como o Opeth, Paradise Lost, Anathema, Amorphis, etc?

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    • Diego Camargo

      Anathema pra mim não é Prog nem interessante rs

      Opeth é fantástico, mesmo que você não goste tem de reconhecer que a junção de estilos que eles fizeram é algo único. Mas confesso também que das bandas mais pesadas eu conheço pouco. Andei ouvindo o Mastodon, e achei fantástico também.

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