Por Mairon Machado

O Na Caverna da Consultoria do Rock recebe hoje um dos mais carismáticos e simpáticos membros do grupo Hard n’ Heavy, no facebook, Jaderson Policante. Suas histórias com a música, assim como sua vasta coleção, são tratadas nas perguntas abaixo com toda a alegria que contagia os membros do grupo através dos vídeos e comentários que Jaderson está sempre postando por lá.

E não se engane com a cara de mau na imagem acima, o verdadeiro Jaderson, apaixonado por Heavy Metal e pelo seu Paraná Clube, está bem representado é na imagem abaixo. Vamos as perguntas!!


1. Ola Jaderson, tudo certo? Obrigado por compartilhar um pouco de sua história com a música. Começamos pelas informações básicas: quem é, onde trabalha, quantos anos, agência bancária, número da conta e senha para retirada de valores … 

Olá galera da Consultoria, beleza? Bom, me chamo Jaderson Policante, tenho 36 anos, moro em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba e trabalho como atendente de farmácia. Sou paranista doente e estudante de Jornalismo. Curto Rock e Heavy Metal desde o começo da adolescência, me tornando um colecionador de fato a partir dos 18 anos, quando eu comecei a separar parte do dinheiro que ganhava para comprar CDs, DVDs e VHS também – é ainda existia!
Música, para mim, é o alimento da alma. Apesar de que a minha só gosta do barulho! (risos)

2. Como você conheceu a Consultoria do Rock?
Acho que foi na época do Orkut, nos grupos que eu sempre participava, como a Hard n´ Heavy, do patrão Jairo, a comunidade da Roadie Crew e da Collector´s Room. Foi nesse período, apesar de que não tenho isso bem claramente na minha cabeça. Naqueles tempos de Orkut, fui conhecendo muita gente e absorvendo muita informação. Tanto que ainda mantenho contato com aquela galera, principalmente da Hard n´Heavy, até hoje quase que diariamente.

Uma geral na coleção

3. Quais as matérias que você mais curte na Consultoria?
Gosto das entrevistas com os colecionadores. É legal ver as fotos dos discos, das versões diferentes que a galera consegue, além de ter aquela empatia com os personagens entrevistados. Gosto de ler as resenhas, a seção dos discos que parece que só eu gosto, as discografias comentadas – uma ótima forma de conhecer bandas – e gostei bastante da série sobre as bandas de rock brasileiras dos anos 1970. Uma leitura agradável e bem enriquecedora. Curti muito mesmo!

4. Quais as outras formas que você encontra para acompanhar e atualizar sua paixão pela música?
Hoje meu principal canal de informação acaba sendo o Facebook. Pelo menos em um primeiro momento pois, conforme as páginas que vamos seguindo, ele “filtra” as informações para mim. Aí vou entrando nos sites, blogs e canais do YouTube e vou me atualizando. O grupo da Hard n´Heavy no Facebook também me auxilia nessa parte pois sempre alguém traz alguma informação ou nos alerta sobre algo que saiu em alguma mídia. Além das promoções dos vendedores é claro (risos).

Ratos de Porão, Stratovarius e Judas Priest

5. O que você busca essencialmente em um site de música? Entrevistas? Resenhas de shows? Discografias Comentadas? Outros temas?
Depende. Procuro tudo na verdade. Vejo as entrevistas, as resenhas, críticas de shows e lançamentos, matérias especiais…sempre to ligado em alguma coisa. Gosto de ler e se é um assunto que me interessa então, aí é que eu não paro. Me interessa a opinião do outro sobre aquilo o que ele escreve, mesmo que eu não concorde as vezes (risos).

6. O que você caracteriza como principal característica da Consultoria, que a torna um diferencial nos demais sites de música?
Talvez eu seja repetitivo no que vou dizer, mas o diferencial da Consultoria é que são pessoas que gostam de música escrevendo para outros que também gostam de música. Então, sempre leremos opiniões sinceras, pautadas pelo gosto pessoal é verdade, mas verdadeiras. Sem pretensão de agradar uma gravadora, ou um músico em especial que, infelizmente, às vezes acabamos encontrando nas grandes revistas ou alguns blogs mais “famosos” digamos assim. Isso faz com que o texto fique mais rico. Pelo menos eu sempre vejo por esse prisma.

Algumas revistas

7. Você chegou a acompanhar a fase onde revistas como Rock Brigade, Top Rock e Bizz eram soberanas no mercado da música? Independente disso, como você vê o atual cenário de divulgação de música? Há uma guerra sites x revistas?
Sim, com certeza. Comprei muitas Rock Brigade e depois a Roadie Crew. Com a disseminação da internet, algumas mídias impressas começaram a se ver em apuros. Na verdade, não vejo uma guerra do tipo impresso x web. O que acontece é que, em tempos de velocidade da informação, algumas coisas que as revistas costumeiramente faziam perderam todo o sentido. Como aquelas seções de novidades. Geralmente, como as revistas de Heavy Metal, principalmente, são mensais, não há mais lógica em desperdiçar espaço escrevendo que “fulano deixou a banda tal por isso e aquilo”. Na internet o cara pede pra sair e trinta segundos depois a gente já fica sabendo pelo Twitter, Facebook, Instagram e afins. Cabe às revistas, e aí sejam elas de que segmento forem, investirem em matérias mais aprofundadas, correr atrás das informações e apresentar algo original e bem produzido aos consumidores de notícias. Assim, acredito eu, todas as mídias terão seu espaço e seus leitores.

8. Falando agora um pouco sobre a parte pessoal, quais as suas primeiras lembranças sobre ouvir música, e o que o levou a virar um colecionador.
Minhas primeiras lembranças sobre música são de quando eu era bem criança. Meu querido pai, que infelizmente hoje já não está mais entre nós, gostava muito da Jovem Guarda. Eu me lembro de um disco que ele tinha, que era em capa dupla, que quando você abria ele tinha uma foto de um calhambeque vermelho. Nesse disco, tinha músicas da Martinha, Jerry Adriani, Os Vips, Golden Boys, Wanderléa e outros. Eu adorava ouvir aquele disco. Sei as letras de cor ainda hoje. Quando meu pai ouvia esse disco, sempre contava que, quando jovem, ele e um amigo ficavam cantando as músicas por aí. Depois disso, ainda bem criança, lembro de ficar cantarolando “Twist and Shout”, dos Beatles, porque gostei do tipo da música. Acho que a maneira como o John Lennon cantava me atraía. Cara, eu ouvi isso numa rádio AM, se não me falha a memória. Hoje vejo que isso foi a semente plantada na cabeça de uma criança que germinou tempos depois.
Quando eu tinha uns 13 anos, um amigo me apresentou o The Doors. Foi a primeira banda que eu gostei bastante. Logo depois disso vi o filme com o Val Kilmer. Asssisti o filme umas 10 vezes quase que seguidas. Pirei mesmo na história do Jim Morrison e o som também me agradou bastante. Fiquei uns meses nessa onda até que um outro amigo me contou sobre o Black Sabbath. Esse amigo me disse que eles tinham uma música que dizia “my name is Lucifer, please, take my hand”. Ele me emprestou, na verdade pegou o disco da irmã dele para me emprestar, o Sabbath Blood Sabbath. Ao mesmo tempo, fui até a locadora de vídeo e aluguei o home vídeo Black Sabbath history vol. 1. Aquilo mudou minha vida. Deixei de lado o Doors e entrei de cabeça no mundo do Tony Iommi e seus comparsas. Depois de um tempo, com o meu primeiro salário do meu primeiro trabalho, comprei o Sabbath Blood Sabbath, o disco que me apresentou à banda e ao Heavy Metal. Aí foi só ladeira abaixo (risos).

Material relacionado com o Black Sabbath, além de clássicos do Judas e do Motörhead

9. Como você organiza o seu tempo para classificação, garimpo, audição e demais tarefas que todo colecionador necessita fazer para ter seu acervo em dia?
Garimpo agora faço pela internet. Procuro no mercado livre, por exemplo, alguns discos pontuais que faltam na minha coleção. Tenho contato com outros colecionadores e vendedores e lojas no Facebook e eles sempre estão vendendo algo interessante, então quando posso compro algo que não tenho. Voltei a frequentar os sebos, que fazia tempo que eu tinha deixado de ir, e antigamente ia muito nas lojas de discos mas muitas delas acabaram fechando infelizmente. Ouvir meus discos eu ouço mais no carro do que em casa. É nos trajetos do dia a dia que tiro meu tempo para ouvir música. Em casa também, mas não é sempre. No carro é bom pois acabo relaxando e desopilando a cabeça no meio desse trânsito caótico das grandes cidades (risos).

10. Quais os principais formatos que você tem em sua coleção? Quantos itens de cada formato?
CDs e DVDs mesmo. E algumas fitas cassete do tempo de adolescente, quando a gente gravava os discos dos amigos, fazia coletâneas ou gravava de fita para fita mesmo – e o som ficava aquela beleza (risos). Não tenho uma coleção muito vasta e grandiosa como de muitos outros colecionadores que eu tenho contato, e daqueles que já li as entrevistas na consultoria, mas é em torno de umas 400 peças ao todo

Fitas k7 (acima) e alguns DVDs (centro e abaixo)

 

11. Como seus familiares e amigos percebem sua coleção?
Quando eu morava com os meus pais, minha mãe reinava um pouco. “Para que você quer tanto disco? Já não tem um monte?”. Depois, quando a quantidade foi ficando bem numerosa, ela até mandou um marceneiro fazer um móvel para eu guardar os CDs. Quando casei levei o móvel comigo para o meu apartamento. Minha esposa entende também e não se opõe. Ela até me deu alguns CDs e DVDs de presente. Mas ela só gosta do Iron Maiden (risos). As outras pessoas têm um mixto de admiração, pela quantidade que para eles é bem numerosa, e incredulidade. “Mas por que você compra tanto disco se pode baixar na internet?”. Nem perco o meu tempo explicando porque eles não vão entender mesmo (risos).

12. O que você pensa sobre o retorno do vinil com força nos últimos anos?
Acho legal, apesar de não ter o formato na minha coleção. No começo eu tinha alguns vinis, mas quando meu pai se desfez do nosso toca discos eu passei a coleção para a frente. Acho o formato charmoso, e, particularmente, com melhor som para ouvir Rock e Heavy Metal, pois os graves no vinil são mais “robustos”, se é que você me entende!

Mais DVDs

14. Você tem experiência em shows? Se sim, quantos já foi e quais os mais marcantes?
Já fui em bastante shows só não sei te dizer quantos. Tenho ótimas lembranças do show do Iron Maiden em 2004 no Pacaembu em São Paulo, na turnê do Dance of Death. Foi um espetáculo, como todos os shows da donzela são – e eu já os vi cinco vezes. Vi o Kreator em Curitiba em 2005, na turnê do Enemy of God, e aquilo foi uma aula de Thrash Metal, assim como o Exodus em 2007, também em Curitiba num local pequeno e colado na frente do palco. A primeira vez que eu vi o Slayer, em 2011 acho, fiquei abismado com a técnica do baterista Dave Lombardo, um dos melhores músicos que vi tocar ao vivo.
E por úlitimo o show da Monsters Tour 2015, na Pedreira Paulo Leminski em Curitiba, com os shows do Motörhead, Judas Priest e Ozzy Osbourne. O Lemmy, infelizmente, nos deixou no final daquele ano e mesmo debilitado fez uma ótima apresentação naquele fim de tarde. O Judas foi perfeito do início ao fim do show. Ver senhores beirando os setenta anos tocando um Heavy Metal vigoroso e sem frescuras, me fez pensar sobre o valor dessa arte underground (ainda, de certa forma) e que não há idade para criar e curtir esse tipo de música. O Ozzy me fez lembrar daquele adolescente que descobriu o Sabbath um dia e que achou que nunca veria um dos inventores do Heavy Metal ao vivo. Chorei bastante no início do show do Madman (risos).

15. Com quantos anos você comprou seu primeiro disco, e qual foi? Você ainda tem ele?
Foi com uns 17, 18 anos eu acho e foi o Sabbath Blood Sabbath. Aquela versão remaster lançada nos anos 1990. Ainda tenho ele sim e em ótimo estado, inclusive!

Motörhead, Moonspell e Sepultura

16. Quais os artistas/estilos predominam na sua prateleira?
A banda que eu mais tenho coisas é o Iron Maiden. Tenho todos os de estúdio, alguns ao vivo e muitos DVDs – os oficiais e alguns bootlegs. Se for olhar por estilo, acho que tem mais coisas de Thrash Metal – que é o meu estilo preferido dentro do Metal sem sombra de dúvida – e Death Metal. Mas eu curto todos os estilos do Metal. Talvez o que eu escute menos são as coisas mais modernas do tipo Metalcore e outros sub-estilos que vão inventando para classificar as bandas mais novas. Meu lance é Heavy Metal, Thrash, Death, Power, Black e Prog. Mais do que essas nomenclaturas, já me confunde tudo a cabeça (risos).

17. Quais os álbuns mais raros que você tem?
Raro eu acho que não tenho nada assim que seja difícil de achar ou que outros colecionadores não o tenham. Talvez o DVD do Iron Maiden – Live After Death, que era vendido em bancas de revista e que foi mandado recolher pela própria banda. Quer dizer, não que seja raro mas é algo que não compramos mais nas banquinhas por aí (risos). Só dos malucos na internet que vende uma peça dessa que é “invendível” (risos).

Coleção do Iron Maiden, destacando a rara versão do Live After Death

18. Você tem algum álbum que seus amigos veem na coleção e dizem: “Que que isso está fazendo aqui”? Ao mesmo tempo, qual é aquele disco que quando alguém chega em casa para ver sua coleção você faz questão de mostrar?
A única coisa que estranharam em eu ter comprado foi o Turbination do Hudson Cadorini, da dupla sertaneja Edson e Hudson. Quem estranhou que eu comprei o disco foi minha esposa na verdade, mas mais pelo trabalho principal do cara. Na verdade é um disco principalmente para quem gosta de guitarristas. Nada que vai mudar o mundo, mas bacana de ouvir. Agora meu xodó mesmo da coleção é o Box do Metallica – Live Shit, e os discos do Iron Maiden. Se o Steve Harris gravar um disco só com o som de dele batendo palma eu compro sem pensar (risos).

19. Na década de 90, muita gente se desfez do vinil e foi em busca do CD. Você acompanhou a onda ou pelo contrário, arrebatou peças que hoje são consideradas raridades?
Como eu disse, eu tive poucos discos e os passei à frente quando fiquei sem toca discos. Na verdade quando comecei a comprar discos fui comprando CDs e DVDs mesmo. Então acho que fui na onda. Eu peguei uma época de transição e aprendi a ouvir música com CDs mesmo.

CDs

20. Musicalmente, o que todo mundo gosta e você não consegue gostar? O que só você gosta?
Quando mais moleque eu não gostava de Kiss e não dava muita bola para o AC/DC. Conforme fui aprendendo mais sobre música e ouvindo bandas e mais bandas (e ficando mais velho), comecei a gostar muito do AC/DC principalmente e hoje tenho boa parte do trabalho dos australianos na minha coleção. A mesma coisa com o Kiss, que eu gosto bastante hoje, apesar de ter poucas peças deles na minha coleção. Ainda bem que existe o YouTube. Ouço os discos deles por lá, enquanto não pego os CDs. Rolling Stones, aí não consigo ser fã. Só de uma ou outra música.
Agora, não que só eu goste, o Angra talvez seja a banda que eu goste bastante do trabalho mas a boa parte dos amigos que eu tenho contato não gostam. Assim como seus filhotes o Hangar, o Shaman e o Almah – acho o Edu Falaschi um excelente compositor, principalmente de baladas. Agora o tal do Noturnall não dá. Muita punhetação e pouca musicalidade, na minha humilde e dispensável opinião (risos).

21. Você já teve a oportunidade de comprar um álbum que estava procurando há algum tempo, e desistiu por causa do preço, mas depois se arrependeu?
Isso sempre acontece. Mas não é nem pelo preço, às vezes vejo os caras vendendo coisas que eu não tenho por preços bacanas até, mas não pego por estar sem grana. Aí depois fico arrependido pensando “deveria ter comprado depois eu dava um jeito!” (risos). Mas na verdade é bom eu me segurar porque senão eu compro tudo e fico até sem pagar a fatura da luz! (gargalhadas)

Angra, Anthrax, AC/DC e Black Sabbath, entre outros

22. O que você gostaria de ter, musicalmente falando, mas nunca encontrou o mesmo para venda por um preço justo?
Vai ser até meio bobo o que vou escrever mas é o Kill ´em All do Metallica. Explico: Há muito tempo atrás uma locadora de filmes que eu frequentava estava fechando e vendendo todo o estoque a preços bem convidativos. Eles locavam CDs também, então fui lá para comprar o que eu conseguisse de coisas bacanas que eu sabia que eles tinham lá. Peguei, por exemplo, o Ace of Spades do Motorhead, o Peace Sells do Megadeth e o Kill ´em All. Os dois primeiros estavam em um excelente estado, mas o debut do Metallica estava bem judiado. Riscado até no miolo e o encarte é só uma folha impressa em um papel colorido – bem impresso na verdade, engana bem.
Então pensei, “quando eu ver um novo na loja eu compro”. Mas não o acho por menos de R$ 35,00 (em lojas como livrarias e outros locais que vendem discos, como as Americanas). Me recuso a pagar esse valor, sério mesmo. É birra eu sei, mas só compro a hora que o preço abaixar (risos).

23. Qual o máximo de itens que você já adquiriu de uma vez, e qual a maior “fortuna” que você já desembolsou para comprar um único álbum?

De uma só vez não muitos. Tipo cinco ou seis para fazer parcelado. Mas em um mês já cheguei a comprar uns 20 no máximo. Uns cinco numa loja, três com um vendedor, dois com um colecionador, um no sebo e por aí vai. Agora o item que eu mais gastei dinheiro foi no Box do Metallica. Paguei uns R$ 200,00 na época e fiz em quatro vezes no cartão (risos). Nem sei se é o preço que ele valia, ou vale hoje, só sei que eu vi ele nas lojas Americanas e comprei de supetão. Mas não me arrependo não. Esse material é algo que todo fã de Metal tem que ter.

CDs diversos, de Deicide, Dr. Sin e Dream Theater (acima) até Krisiun e Led Zeppelin (abaixo)

24. Dentro da coleção, você possui apenas uma única versão de um determinado álbum ou busca diversas versões?
Não ligo muito para versões não. Lógico que tem alguns discos em versões legais, com bônus tracks e DVDs, mas não me apego muito nisso. Tanto que, para você ter uma ideia, cheguei a ter dois The Number of The Beast, do Iron Maiden. A prensagem mais antiga, aquela com a cor errada da capa e sem a música “Total Eclipse”, e a versão Enhanced. Dei a mais antiga de presente a um amigo. Se bem que se formos levar ao pé da letra o significado de colecionador, acho que talvez seja aquele que tem várias versões de lançadas do mesmo disco. Bom, na verdade todos somos colecionadores. Cada um a sua maneira. Se todo mundo colecionasse igual não teria sentido até mesmo essa coluna, não é mesmo? (risos)

25. Qual a sua opinião sobre sites de downloads, e ainda, colecionadores de MP3?
Olha, eu particularmente não gosto de fazer downloads. E não é nem por nada altruísta, do tipo “estou roubando o artista que eu gosto” ou coisa do tipo. É por falta de paciência de ficar procurando o link, baixando no PC ou celular, é muita mão de obra. É legal para conhecer bandas novas, para pesquisar bandas que não conhecemos toda a discografia e ouvir aqueles álbuns que estão fora de catálogo. Mas eu, particularmente, faço tudo isso pelo YouTube. Tipo o novo do Kreator. Ainda não peguei, mas ouvi o disco no YouTube. Então eu nem baixo coisas, é muito raro eu fazer isso.
Quanto a colecionadores de MP3, não dá para chamar o sujeito que junta arquivos em um PC ou qualquer outro dispositivo de colecionador. Tirando o cara que compra discos e passa as músicas em MP3 para ouvir no carro ou quando está na rua. Porque não são somente as canções. Um disco tem toda uma arte envolvida. A concepção das ideias das músicas, que podem se refletir na capa, o artista que fez a capa, o fotógrafo que tirou as fotos, as artes, símbolos e signos presentes na obra toda, os agradecimentos, as informações do time que produziu e ajudou a dar vida para aquele trabalho… é muita coisa envolvida para o sujeito ouvir só a música comprimida.

Matanza, Megadeth, Metallica, Ozzy entre outros

26. Com OBI ou sem OBI?
Tanto faz. Não sei ler em japonês mesmo (risos)

27. Capa dupla ou capa tripla?
Quanto mais lados uma caixinha tiver melhor. Dupla, Tripla, Quádrupla…Peguei um Death importado, o Individual Thought Patterns, que abre para tudo quanto é lado (risos). Quanto mais caprichado tiver, mais nós gostamos!

28. Ao vivo ou coletânea?
Os dois. Ao vivo para ver qual é da banda – se ela é boa na hora que o bicho pega – e coletânea para conhecer um grupo com vários plays lançados mas que você por algum motivo nunca ouviu.

Destaque para a versão do Individual Thought Patterns (acima), Sepultura e Slayer, entre outros

29. Encartes apenas com imagens ou encartes com letras, imagens, informações e agradecimentos para a turma do pastel?
Tudo o que tiver direito. Até receita de bolo (risos)

30. LP ou CD
Eu vou dizer que é o CD pois é o formato que eu efetivamente consumo. Mas para ouvir gosto dos dois. Porém, discos que foram lançados originalmente no formato LP, prefiro ouvir no bolachão do que no CD. Acho que o som é diferente. Não sei explicar mais cientificamente, digamos assim, mas o som do LP é mais “cheio”, mais “gordo” (risos). Dizem que tem a ver com frequências que se perdem nas compressões – do LP para o CD e do disquinho para o MP3 também – mas é um papo muito cabeça que eu não tenho cabedal para discutir(risos).

Iron e Judas

31. Show ou box set?
Vou ficar em cima do muro. Os dois. Se você se refere a ir aos shows ou comprar um Box legal, vou te dizer que depende do momento. Tem altos boxes legais que eu não tenho, como a caixa de remasters do Judas por exemplo, e tem bandas que quero ter a oportunidade de ver que ainda não vi ao vivo, como o Metallica. Então, vai depender da época da vida! (risos)

32. Quais as principais lojas que abastecem sua coleção, assim como sites, e que você pode indicar para os nossos leitores?
Hoje eu compro mais de colecionadores mesmo, em grupos da internet que participo como a Hard n´Heavy e a Business Collector´s, a Nuclear Music do amigo Rochael lá do Rio de Janeiro, que inclusive está relançando várias bandas legais como o Katatonia e o Malevolent Creation, a Die Hard que é exemplo em como tratar bem o cliente, e as lojas do tipo livrarias que sempre quando eu passo por uma dou uma olhada para ver se acho alguma coisa – tem sido cada vez mais difícil garimpar alguma coisa nessas lojas mas a gente tenta.

Curtindo Megadeth

33. Quais os dez melhores discos da década de 60?
Bom, não é uma época com a qual eu esteja familiarizado mas qualquer coisa que os Beatles tenham feito e os discos do Doors vale a pena dar uma conferida.

34. Quais os dez melhores discos da década de 70?
(Sem ordem definida e considerando o ano 0 como da década)
Black Sabbath – Paranoid (1970)
Black Sabbath – Master of Reality (1971)
Led Zeppelin – IV (1971)
Scorpions – Tokyo Tapes (1978)
Rita Lee e Tutti Frutti – Fruto Proibido (1975) *esse eu descobri há pouco tempo, mas tem um baterista fantástico nesse disco que se chama Franklin Paolillo que me deixou doido.
Judas Priest – Stained Class (1978)
AC/DC – Let There be Rock (1977)
AC/DC – Highway the Hell (1979)
KISS – Love Gun (1977)
Jethro Tull – Thick as a Brick (1972)

35. Quais os dez melhores discos da década de 80?
Slayer – Reign in Blood (1986)
Annihilator – Alice in Hell (1989)
Metallica – Ride The Lightning (1984)
Judas Priest – British Steel (1980)
Iron Maiden – Powerslave (1984)
Megadeth – Peace Sells (1986)
Sepultura – Beneath the Remains (1989)
King Diamond – Abigail (1987)
AC/DC – Black in Black (1980)
Kreator – Extreme Agression (1989)

36. Quais os dez melhores discos da década de 90?
Megadeth – Rust in Peace (1990)
Megadeth – Countdown to Extinction (1992)
Metallica – Black Álbum (1991)
Annihilator – Never Neverland (1990)
Kreator – Coma of Souls (1990)
Grave Digger – Tunes of War (1996)
Sepultura – Arise (1991)
Raimundos – Lavô tá Novo (1995)
Dream Theater – Awake (1994)
Judas Priest – Painkiller (1990)

Malevolent Creation

37. Quais os dez melhores discos dos anos 2000 (de 2001 até agora)?
Kreator – Violent Revolution (2001)
Dream Theater – Systematic Chaos (2007)
Eterna – Epiphany (2005)
Destruction – The Antichrist (2001)
Krisiun – The Great Execution (2011)
Iron Maiden – The Book Of Souls (2015)
Testament – The Formation of Damnation (2008)
Megadeth – Endgame (2009)
Metallica – Hardwired…to Self- Destruct (2016)
Gamma Ray – Majestic (2005)

38. Cite dez discos que você levaria para uma ilha deserta.
Black Sabbath – Paranoid (1970)
Black Sabbath – Master of Reality (1971)
AC/DC – Let There be Rock (1977)
Slayer – Reign in Blood (1986)
Metallica – Ride The Lightning (1984)
Megadeth – Rust in Peace (1990)
Annihilator – Never Neverland (1990)
Sepultura – Arise (1991)
Judas Priest – Painkiller (1990)
Iron Maiden – Brave New World (2000)

Tive que ser coerente e escolher entre os melhores que eu acho das épocas não é mesmo?

39. Cite dez itens que deveria ter nessa ilha deserta para completar o prazer de estar com esses dez discos.
Internet, celular e uma SmarTV. Cerveja, comida infinita e um sofá. Um aparelho de som com energia elétrica. Utensílios para fazer um rango e minha esposa – que não é uma coisa é a mulher da minha vida, óbvio!

A máquina motora, com o logo do Annihilator

40. Conte-nos alguma história engraçada/curiosa envolvendo a compra de um álbum, uma visita a uma loja, um encontro com determinado artista, enfim, algo envolvendo a música.
Uma vez eu estava no Largo da Ordem, um conhecido ponto de encontro de headbangers aqui de Curitiba, bebendo uma cerveja quando um maluco chegou oferecendo um monte de CDs para venda. Eu comprei o Angels Cry do Angra, meu camarada pegou um Dio e outros que por ali estavam arremataram o lote do cidadão. Perguntei para ele o por que dele estar vendendo os discos e esperava que ele me contasse uma história toda cheia de detalhes ou algo do tipo. Ele só olhou para mim e disse, “porque eu não gosto mais”. E eu fiquei lá com cara de quem não entendeu porra nenhuma.

Outra vez, num show do Angra, depois que acabou a apresentação ficou eu e um amigo de bobeira dando um tempo na casa de shows esperando ficar mais sossegado para sair do recinto. Esse meu brother estava com um camisa do Dream Theater, a capa do disco Awake, quando um cara breaco lá começou a puxar papo. Até aí tudo bem, até que ele elogiou a camiseta do meu amigo e falou que curtia a banda, que aquele disco era o melhor dos caras e coisa e tal.
Aí o bobão aqui caiu na besteira de falar que achava o Systematic Chaos melhor, mas no sentido de eu gostar mais de um disco do que de outro. Pra que! O bebinho ficou doido, só faltou me bater. Mas ficou indignado o sujeito. Me falou um monte de besteira! Como sou um cara tranquilo levei na boa. Contei essa história em uma comunidade qualquer do finado Orkut quando um cara me respondeu:
“Mas você merecia ter apanhado mesmo por dizer uma barbaridade dessas!”.

Fazer o que né? Gosto é gosto, oras! (risos)

41. Alguma coisa mais que gostaria de passar para nossos leitores?
Primeiro agradecer a atenção dispensada para esse humilde colecionador (risos).
Agradecer também a você Mairon e todo o pessoal da Consultoria que demanda parte do seu tempo para fazer esse trabalho que é de fã de música para fã de música. Queria dizer a todos também para que continuem apoiando iniciativas como essa aqui da Consultoria, continuem pesquisando, ouvindo e dividindo o conhecimento, pois isso é o que realmente importa. Que (insira sua divindade favorita aqui) abençoe e dê saúde para todos vocês! Um grande abraço!!!

27 comentários

  1. Jairo Granado Jr

    Um dos caras mais gente fina da Hard & Heavy.
    E todo mundo de lá cita meu nome nas entrevistas. Sou mais citado que o Aécio na Lava Jato. Kkkkk
    Grande entrevista e excelente coleção (apesar de ter visto um Mamonas Assassinas no meio). KKK
    Abraço, meu amigo.

    Responder
    • Jaderson Policante

      E tem mesmo hahahhahaha
      É de um programa da MTV, aquele que mostrava as bandas na estrada!

      Abraço cara!

      Responder
  2. Marco Néo

    Muito boa entrevista, os vídeos do Jaderson são marca registrada da Hard’n’Heavy!

    Já tinha visto a estante em um dos vídeos mas não custa reafirmar: parabéns pela coleção!

    Responder
  3. Fernando Bueno

    Valeu Janderson!!!
    Escolheu o Brave New World para a ilha deserta e nenhum outro do Maiden?!?!? Vou ter que reavaliar nossa amizade!!!! E o BNW é fodão hein!
    O que é aquele Balada Sangrenta?
    Esse povo que não gosta de Angra deve ter alguma história por trás. O Angra foi uma banda importantíssima para difundir o metal para uma penca de moleques ali nos anos 90. Eu gosto da banda desde antes dela existir….rs.
    Abraços

    Responder
    • Igor Maxwel

      É Fernandão, o Iron Maiden só tem quatro discos ótimos como um sexteto (sendo Brave New World o mais comentado), já que o que eu ouvi em The Book of Souls nada mais é do que o Maiden fazendo outra coisa: uma xerocópia bem tosca de si mesmo!

      Responder
    • Jaderson Policante

      Pois é Fernando! Poderia ter levado o Powerslave! hahahaha

      O dvd Balada Sangrenta é um filme que ganhei de um amigão meu! É um filme do começo dos anos 1970 com o Jimmy Cliff, que conta a história de um jovem que quer ser cantor de reggae. Daí ele é enganado por um produtor e acaba se envolvendo com o mundo do crime. É bem legal! Bem naquela estética da época. E foi filmado na Jamaica.

      Responder
  4. Diego Camargo

    Que entrevista bacana essa do Jaderson. O cara parece gente finíssima mesmo!

    E outra, sou igual ele. Não pago caro em CD/Vinil/DVD de jeito nenhum. Ainda mais um disco que já vendeu milhões de cópias. Por exemplo, até uns 2 anos atrás eu não tinha nem o Ten do Pearl Jam nem o Nevermind do Nirvana. Toda vez os Cds custavam cerca de 50 conto aqui (por aqui um lançamento internacional custa 60 e um nacional custa 40), sempre me recusei a pagar, quando achei cada um por 20, comprei! 😛

    Responder
    • Fernando Bueno

      Diego
      Vc tem que explicar que quando vc fala “aqui” não tá falando de …sei lá… Carapicuíba! Mas tá falando do leste europeu….hehehehe

      Responder
      • Diego Camargo

        Eeeeepppppaaaaa… Leste Europeu não. O pessoal aqui fica mordido quando falam que a Polônia fica no leste Europeu.

        Oficialmente é Europa Central
        ‘…Polônia, é um país da Europa Central…’

        Leste Europeu tem uma conotação ruim, e eles evitam a todo custo rs

    • Jaderson Policante

      Valeu Diego!

      E é bem isso mesmo. Me recuso a pagar caro em algo que não tem nenhum outro atrativo para custar mais do que R$ 25,00 hahahahahahaha

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      • Diego Camargo

        Por ai mesmo. Ontem mesmo fui numa loja daqui me dar uns presentes de aniversário. Voltei com Born On The Run do Springsteen, Making Movies do Dire Straits e Test For Echo do Rush. 20 zl cada (cerca de 18 Reais).

        Também encomendei hoje o Alice in Chains de 95 (a do cachorro) por 25 e o novo do Roger Waters eu encomendei por 40.

        Ou seja, tirando o Waters que é lançamento, 4 cds por 85 zl, ou 80 reais. Ai vale, pelo menos eu acho rs

      • Ronaldo

        E eu me achava pão duro! kkk…
        A entrevista foi muito boa, com trechos muito engraçados!
        Abraços,

  5. Igor Maxwel

    Entrevista sensacional com o Jaderson, como sempre gostei de conhecer um pouco da vida dele, mas gostaria de ressaltar algumas coisas que concordo e que não concordo em relação ás listas de 10 melhores discos de várias décadas e a lista de 10 discos para ilha deserta: Primeiro, gostei das citações ao Judas Priest, Iron Maiden (valeu por citar Powerslave), “Back in Black” do AC/DC (ressaltando que não sou fã da era Bon Scott, tanto que ele citou dois discos dessa fase), “Thick as a Brick” a obra-prima do Jethro Tull, dentre outros.

    Segundo, não gostei das escolhas dele em relação ao Metallica: “Black Album” na lista de 1990, e o mais recente “Hardwired” na lista de 2000 pra frente. Eu sou dos que, particularmente, gostam mais do Metallica da fase pré-Black Album, ou seja, seus quatro primeiros discos (1983-1988), tanto que eu considero Ride the Lightning (citado pelo Jaderson duas vezes, na lista de 1980 e na lista “ilha deserta”) o “patinho feio” desses quatro. Apesar de conter três das minhas músicas preferidas do grupo (“For Whom the Bell Tolls”, “Creeping Death” e “Fade to Black”, em especial), o que torna este disco menos interessante aos meus ouvidos é a longa instrumental “The Call of Ktulu” que eu não acho que se encaixa no padrão de “encerramento digno de um álbum clássico” e que pra mim soa deslocada do contexto de Ride the Lightning.

    Prefiro mil vezes o Master of Puppets (1986) por ser mais aclamado pelos fãs e por não conter faixas deslocadas de seu conceito proposto. Mas por outro lado admiro e gosto do Ride the Lightning por ser uma parte da melhor fase do Metallica – a inicial, que pra mim chegou ao fim em And Justice for All (1988).

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    • maironmachado

      “como sempre gostei de conhecer um pouco da vida dele”

      DE ONDE VOCÊ CONHECE O JADERSON??

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      • Igor Maxwel

        Chefão Mairon, o “como sempre” é em relação as outras entrevistas deste quadro “Na Caverna da Consultoria” postadas aqui, e sim, gostei de conhecer um pouco da vida e da história desse cara super gente boa que é o Jaderson.

    • Jaderson Policante

      Valeu Igor!
      Eu gosto muito do Ride The Lightning é um disco que marcou muito a minha adolescência. Apesar que, se formos comparar com o Master talvez ele perca um pouco. Foi uma escolha com o coração, se é que você me entende. hahahahahah

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      • Igor Maxwel

        Compreendo totalmente e entendo sua escolha, mesmo reconhecendo em Ride the Lightning que seu ponto mais fraco é realmente a citada “The Call of Ktulu”.

      • Igor Maxwel

        De jeito nenhum, meu caro Fernandão! Ride the Lightning seria sim um álbum melhor se “The Call of Ktulu” (a “Los Endos” do Metallica) não fosse escolhida como a música de encerramento, mas só por conter “For Whom the Bell Tolls”, “Creeping Death” e “Fade to Black” já vale alguma coisa. Mas por enquanto eu continuo com o imbatível MASTER OF PUPPETS, que contém, dentre outras coisas, a melhor música instrumental do Metallica: “Orion” (R.I.P. Cliff Burton!).

  6. José Carlos

    Jaderson, gente boa pra caramba!! Bela coleção, cara, parabéns!

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  7. Tiago Bittencourt França

    Excelente entrevista. Coleção voltada mais para o metal. Parabéns.

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  8. André Kaminski

    Bem leve, simples e divertida entrevista com o Jaderson. Leitura que sempre faz o dia melhor.

    Belos discos, queria ter quase todos os que você possui.

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    • Jaderson Policante

      Obrigado André!
      É sempre um prazer falar daquilo que a gente gosta!
      🙂

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