O Rock And Roll E Sua Eterna Luta Com O Passado: Vocalistas

26 de maio, 2017 | por Diego Camargo
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Por Diego Camargo

Há um tempo atrás lá estava eu, no Youtube, me “atualizando” sobre as novidades das bandas mais antigas. Não faço isso com muita frequência, então esse dia acabou me marcando pelo que eu vi. E o que eu vi acabou me fazendo escrever desse artigo.

O assunto em questão é: vocalistas masculinos que perderam suas vozes.

Nós que gostamos de música “das antigas” (anos 60, 70 e 80), temos que entender que nossos heróis já estão todos na casa dos 55 anos pra mais. Isso não é nenhum problema, e é uma coisa muito legal ver homens mais velhos ainda no palco tocando seus instrumentos ou cantando ao redor do mundo (quando os mesmos não tentam se passar por meninos de 20 anos, ai a coisa fica ridícula). No entanto, existe uma linha que a grande maioria dos vocalistas dos anos 70 e 80 já cruzaram, faz tempo. É incontável o número de vocalistas que perderam suas vozes mas que continuam a cantar como se nada tivesse acontecido.

Antes de me aprofundar no porque, (e sem me alongar demais, pra não deixar o artigo chato) deixe-me tentar explicar que o que acontece, na maioria das vezes, é um problema: a) Físico e b) Psicológico. Existe um fator físico, que acontece com toda pessoa (homem ou mulher), mas é muito mais notório na voz masculina. Não vou tentar descrever o que acontece, existem muitos outros lugares para ler sobre isso (como no site A Terceira Idade). Mas basicamente o que acontece é que a voz vai, gradativamente, ficando mais grave e também perdendo sua força, como todo músculo (e a voz é basicamente um músculo). Existem tratamentos para tentar manter as qualidades da voz, mas me digam, que roqueiro se trata, medicamente, com antecedência?

Como eu expliquei ali em cima, esse processo vem em duas partes. O físico, quando bate, é basicamente irreversível, o psicológico é algo que pode ser cuidado. Nós, como fãs, poderíamos fazer algo no aspecto psicológico, por exemplo, não elogiando toda e cada bizarrice que eles fazem no palco… Muitos desses vocalistas passaram 30 ou mais anos em cima do palco, dizer pra eles que não é mais possível fazer o que sempre fizeram pode ser uma coisa dolorosa e impossível de se aceitar.

Um fator externo importante e que dá razão às presepadas dos nossos heróis são os próprios fã(nático)s, por diversas vezes fui vocal em minhas ideias sobre vocalistas e como eles deveriam parar, pois estavam manchando sua reputação e fui recebido com os famosos: “Você faz melhor pra poder criticar?” “Está fazendo o que aqui se você não gosta?” “Vai ouvir Axé, seu idiota” (resposta muito popular entre os amáveis Brasileiros) e a resposta que eu mais fico encantando ao ler: “Você não sabe nada de música, o cara é foda e canta pra caralho!”.

Acredito eu que exista um pensamento escondido na cabeça do fã que tem que justificar todo o tempo que ele investiu em seu artista favorito defendendo todo e cada segundo do que ele faz. Uma bobeira sem tamanho, mas ai entramos no papo psicológico mais uma vez…

Colocando todos esses fatos de lado, essa condição física que eu mencionei faz com que todo vocalista com mais de 50 anos perca sua voz (salvas raras exceções). Isso não atrapalha muito vocalistas que sempre exploraram tons mais graves, no entanto, como bem sabemos, o Rock And Roll é apaixonado pelos registros agudos e é aí que os vocalistas se ferram mais tarde!

São diversas as histórias de vocalistas que, quando jovens, eram capazes de ‘piruetas vocais’ e ‘canto castrati’  que ao envelhecer sobem no palco como se nada tivesse acontecido e fazem aquele papel vergonhoso. E hoje em dia com o Youtube… “ninguém será perdoado…”

Alguns vocalistas são honestos e vão a público em entrevistas ou notas e explicam que não dá mais. Outros simplesmente baixam o tom original das músicas para ainda tentar alcançar os velhos agudos. Já outros continuam como se nada tivesse acontecido e ai temos coisas ‘lindas’ como os exemplos da lista logo abaixo.

Mas veja bem, a minha intenção aqui não é simplesmente ‘detonar’ esses vocalistas, muitas das bandas dessa lista estão entre as minhas favoritas. A minha intenção é mostrar, principalmente ao fã, que não é por que o artista é seu herói que ele não falha. Se o motorista do ônibus estivesse quase cego e precisasse parar de dirigir você não o defenderia para continuar a dirigir, não é verdade? Sejamos honestos com nós mesmos.

A maioria desses vocalistas não precisa mais de dinheiro, todos tem a conta bancária forrada, então não é uma questão mercadológica, é ego, e enquanto todos aplaudem os desafinados no palco, novos e talentosos artistas não tem espaço, pois o fã vai ver o herói desafinar pela décima vez, mas não dá uma chance ao novato bom de gogó.

Bom, chega de queixa, abaixo a lista de vocalistas. O primeiro link é de uma faixa clássica dos anos de ouro do cantor, o segundo é a mesma faixa mas gravada há poucos anos atrás. Tudo, é claro, ao vivo.

E se você acha que eu simplesmente peguei um dia ruim do vocalista, fique a vontade e vá você mesmo ao Youtube pesquisar!


Paul Stanley (Kiss)

Strutter” (1975) x “Strutter” (2012)



Axl Rose (Guns N’ Roses)

Sweet Child O’ Mine” (1988) x “Sweet Child O’ Mine” (2014)


Andreas “Andi” Deris (Helloween)

If I Could Fly” (2003) x “If I Could Fly” (2013) 


Dave Mustaine (Megadeth)

Holy Wars… The Punishment Due” (1992) x “Holy Wars… The Punishment Due” (2016) 


Ian Gillan (Deep Purple)

Highway Star” (1972) x “Highway Star” (2012)


Geddy Lee (Rush)

Red Barchetta” (1981) x “Red Barchetta” (2011)


 

Jon Bon Jovi (Bon Jovi)

Livin’ On A Prayer” (1995) x “Livin’ On A Prayer” (2016)


Ian Anderson (Jethro Tull)

Thick As A Brick” (1977) x “Thick As A Brick” (2014)


 

Edu Falaschi (Angra)

Nova Era” (2001) x “Nova Era” (2011) / “Nova Era” (2015)


Ozzy Osbourne (Black Sabbath)

Paranoid” (1970) x “Paranoid” (2016)


Nota: vamos ser honestos e dar crédito a quem merece, vocalistas como Steven Tyler (Aerosmith), Paul McCartney (The Beatles, solo), Mick Jagger (The Rolling Stones), Glenn Hughes (Trapeze, Deep Purple), Paul D’Anno (ex-Iron Maiden), Bruce Dickinson (Iron Maiden), James Hetfield (Metallica), Jon Anderson (Yes), Robert Plant (Led Zeppelin), John Fogerty (Creedence Clearwater Revival) e outros ainda seguram a onda muitíssimo bem!

Também deixei de citar vocalistas que pararam de cantar ou que agora cantam em um estilo completamente diferente.



31 Comentarios

  1. Tiago Bittencourt França disse:

    Esse assunto vai longe. Muitas vezes o fã é movido pela paixão de ver seu ídolo ao vivo na sua frente, independente de estar cantando bem ou não. É aquele negócio, o fim está próximo, então é melhor ir vê-los, mesmo decadente, pois pode ser a última vez que passam por aqui. Complicada essa questão. Ótimo texto meu amigo. Abraço!

    • Ronaldo disse:

      Pois é…mas aí cabe a pergunta: que fim é esse que propagam? surgem bandas novas de rock o tempo todo. Há muitas muito boas. Vai ser preciso que uma geração inteira de músicos faleça para que as pessoas finalmente se interessem por novos músicos/bandas…acho uma pena isso!
      Abraço

      • maironmachado disse:

        Concordo Ronaldo. Tem muita coisa boa no mercado. O pessoal tinha mais é que tirar o ranço e a preguiça de procurar pelos novos bons sons …

  2. O Bon Jovi é o que mais sofreu desse povo aí. Até pq ele é relativamente bem mais novo que um Ian Gillan por exemplo…

    • Diego Camargo disse:

      Fernando, eu fiquei chocado ouvindo o Jon Bon Jovi, tipo um dos caras que tinha uma puta voz, independente de eu achar o Bon Jovi uma m***a ou não, o Jon Bon Jovi cantava. Hoje, putz….

  3. maironmachado disse:

    Eu vi o Ian Gillan em 2006, e foi uma das maiores decepções na minha vida de shows. Ele não conseguia cantar nada. Outro que ano passado mandou muito mal foi o Coverdale.

    Vince Neil poderia ter entrado na lista dos que a voz se detonou com o passar dos anos tb

    Por outro lado, quem ainda tá com o gogó afiadaço são Glenn Hughes, Rob Halford e Tom Araya. Os homens (Halford nasceu como …) tão cantando muito.

    Perguntinha cretina: Ozzy algum dia cantou alguma coisa??

    Belo texto, Diego.

    • Diego Camargo disse:

      Cara, eu vi vários e vários e vários vídeos pra organizar uma lista decente. No caso do Vince Neil eu até pensei nele, mas vi uns vídeos mais recentes que apesar da voz batida pela vida, não tava tão ruim. Dava dó ver ele gordo no palco, mas também não tava tão horrível, pelo menos pra mim.

      O Ozzy, bom, concordo que o Ozzy nunca foi um grande vocalista, mas se você assistir vídeos antigos ele tem uma certa força na voz que faz com que seja bacana ouvir ele, mas nos vídeos mais novos, ele simplesmente não canta. O BS já disse que parou, mas ele já disse que vai continuar solo. Ai eu te pergunto, pra que? Pq tem uma montanha de gente que `curte`, ai é foda.

    • Souza disse:

      Mas Halford continua homem, pois não mudou de gênero. A única diferença é que agora beija rapazes.

  4. maironmachado disse:

    Os vídeos do Diego são realmente terríveis, hehehe

  5. Serena disse:

    “Ei! Pare de se divertir! Não vê que ele está cantando mal? Você é burro?”

    Com todo respeito, se me permitirem compartilharei minha opinião.

    Ótima leitura (texto super agradável de ler), tema legal, mas discordo de praticamente tudo que está escrito!

    Antes de tudo preciso falar que é uma tremenda desonestidade comparar um vocalista em decadência com um motorista de ônibus com catarata avançada, eu nunca ouvi falar de ninguém que morreu por ir num show que o cantor desafinou, se nem mesmo quando a Paula Fernandes se calou ao lado do Andrea Bocelli houve escoriações, não é uma desafinada que vai machucar.

    Por que se preocupar tanto com o que sicrano ouve, ou o que fulano gosta? Sério, por que?

    Se o sujeito quer ver sei lá quem desafinar o show inteiro o que eu tenho haver com isso? Nada!

    Lembro de uma pessoa que fez uma playlist no winamp (tem muito tempo isso) com a mesma música 666 vezes. É uma boa ideia? Não. Me parece divertido? Não. É problema meu? Não! Por que me incomodar?

    Por mais que programas como The Voice e afins tentem mostrar o contrario música não é esporte, músico não é atleta. Ninguém vence, ninguém perde, uma performance tecnicamente ruim pode ser muito boa, depende do público, depende do gosto pessoal, bem como o contrário. É possível inclusive gostar de um cara que canta bem ao mesmo tempo em que se gosta de outro que nem tanto.

    Vi todos os videos azuis (não vi nenhum dos vermelhos), e o que vi em comum em todos eles foi gente se divertindo, estivesse eu gostando ou não da performance. E qual o problema? Por que se incomodar com alguém gostando de algo que você está abominando? Quer dizer, não é como se o Deep Purple tivesse acabado de lançar o Machine Head e você no show de lançamento desse de cara com aquele Purple.

    E sério, “Está fazendo o que aqui se você não gosta?”, hoje, antes de ir em qualquer show é possível saber com grande grau de segurança qual o nível de performance se deve esperar, se está a sua altura vá, do contrario fique, e quer saber? Se quiser ir só para reclamar tudo bem também, só o que não pode é querer [email protected]@r regra e querer que quem está gostando, quem está se divertindo, pare.

    O único ponto que eu quase concordo aos novos artistas/artistas menores, realmente eles precisam de mais espaço, mais atenção, e só há uma forma de fazê-lo, que é dando-lhes mais espaço, mais atenção, ao invés de “perder” tempo falando do quão mal está o Axl, “ganhe tempo” falando como é boa tal banda.

    Uma coisa que sinto muito falta, não só aqui, mas de um modo geral, é de uma boa cobertura da música independente, seja de shows realmente pequenos, seja de discos, e mesmo entrevistas. Um bom equilíbrio entre os medalhões e as “medalhinhas”.

    Eu adoraria que houvesse coberturas e resenhas de shows pequenos de bandas locais das cidades dos consultores. Eu não acho nada legal ficar bloqueando caminhos, então ao invés que criticar quem vai ver o Kiss atualmente, indique uma coisa melhor, e de preferência sem criticar/comparar.

    Quando se fala mal da Anita não se está dando publicidade ao X(insira aqui a banda/artista que você acha que deveria ter mais reconhecimento) está dando publicidade à Anita. A pessoa vai ler e se for curiosa vai procurar a Anita para saber se você tem razão, se o que você disse é verdade, ou se é só um babaca. E após averiguar muitos irão concordar com você, mais se um só gostar da Anita você conseguiu um fã para a Anita e zero para o X.

    Por mais óbvio que pareça é preciso lembrar que música é mais do que um cara cantando, tem também outro tocando isso e as vezes até outro tocando aquilo, assim é possível gostar do todo apesar de beltrano cantando mal, como alguém também pode gostar do que para você é cantar mal.

    Ainda importante ressaltar que para mim essa matéria é totalmente diferente de uma resenha criticando um disco/dvd/show que o critico foi e odiou pelo motivo que for. Com todo respeito MESMO, mas isso aqui é mimimi, com toda classe, pompa e circunstância, porém ainda assim mimimi.

    A resenha de algo que não se gostou serve como um alerta para os outros, o que vai tornar-lo mimimi ou relevante é o conteúdo da crítica e os parâmetros do leitor. Já o texto em questão basicamente me diz que quem não canta como há 20, 30, 40 anos atrás deveria se aposentar, e quem gosta deveria parar, ou seja, puro mimimi.

    Só cabe ao artista quando é ou não a hora de parar, ao público só resta acompanhar ou não, se você acha que ainda vale a pena ver o Gillan, no estado atual do Gillan, veja, se você acha que ele deveria parar simplesmente aja como se ele já tivesse parado e não veja.

    Afinal quem é você para me dizer que eu não deveria gostar do que eu gosto, nem deveria me divertir com o que me diverte? Quem sou eu para dizer para você gostar do que não gosta, ou mandar se divertir com o que lhe chateia?

    Enfim, no geral eu acho muito mais produtivo compartilhar gostos do que desgostos, logo não fale mal da Anita, fale bem do Morphine, ou do Whoopie Cat, ou da Anita, afinal, música não é futebol, é possível gostar de gregos E troianos.

    Ps: Adorei os videos do Deep Purple, Rush e do Jethro Tull, os outros eu achei ok, nada de tão bom, nada de terrível.

    Ps2: jogando lenha na fogueira da contradição sério que vocês acham que o Halford é um exemplo de alguém que envelheceu bem com sua voz? Esse Halford: https://www.youtube.com/watch?v=KG_fqkyJ-wo (nenhuma crítica ao Babymetal, somente à voz do Metal God)? Só me parece a voz de algum rato de desenho animado, tipo Cinderela. Enfim, tem razão quem gosta, mas certo estou eu que não gostei (rs).

    Ps3: estar em um show é TOTALMENTE diferente de avaliar uma performance em casa, sentado, sozinho e comendo besteira no sofá. Veja o caso do vídeo do Megadeth por exemplo, DAQUI estava bem mais ou menos, mas vendo aquelas pessoas se matando na roda parecia que LÁ estava era ótimo, porque um show é muito mais que uma banda tocando, é o público, o clima, a vibe, é você, de preferencia com seus amigos, fazendo algo que todo mundo que está ali gosta de fazer e quer fazer bem, que é se divertir. Já ver em casa realmente é só uma banda tocando, e as vezes o telefone também.

    • Diego Camargo disse:

      Serena, você escreveu e escreveu e se repetiu bastante na seu comentário. Muitas vezes você disse ‘Por que se preocupar tanto com o que sicrano ouve, ou o que fulano gosta? Sério, por que?’

      Posso te devolver a pergunta, porque se preocupar tanto com a minha opinião? Se não te incomoda a galera cantando mal pra cacete em cima do palco, e ainda cobrando BEM alto pra isso, tudo bem, tudo certo, aproveita, se divirta 🙂

      Outra coisa
      `Afinal quem é você para me dizer que eu não deveria gostar do que eu gosto, nem deveria me divertir com o que me diverte? Quem sou eu para dizer para você gostar do que não gosta, ou mandar se divertir com o que lhe chateia?`

      Teu comentário entrou, basicamente, no que eu escrevi no texto. Eu não sou ninguém e nem tenho pretensão de ser, mas você só confirmou o que eu escrevi, para os fã(nático)s seus heróis são, em cima do palco, irretocáveis.

      E se você não entendeu a minha comparação com o motorista, bom paciência 🙂

      Obrigado pelo comentário de qualquer forma, é bom ver diferentes opiniões!

  6. Serena disse:

    Diego Camargo,

    não que eu tenha visto vestígio de entendimento contrário, mas apenas para ficar bem claro, tudo o que escrevi, e escrevo agora, o que faço com total respeito pela opinião alheia, inclusive, é claro, a sua, e também com certo bom humor (ao meu entender pelo menos), se pareceu diferente minhas desculpas. O confronto é de idéias, não de pessoas (não que eu tenha visto algo diferente, mas só para ficar expresso, porque certas nuances são muito difíceis de transpor para palavras).

    Desculpe também por escrever e escrever e me repetir bastante, vou tentar ser mais sintético, o caso é que geralmente é mais fácil me alongar e publicar como está do que ficar lendo e relendo e aparando arestas em algo que não passa de uma comentário num blog, mea culpa.

    Bom, respondendo a sua pergunta primeiro: não me preocupo com a sua opinião, seja qual for, tão pouco sua opção quanto ao que quer que seja, no caso específico se você não quer ver, pelo valor que for, quem você julga que já não canta tão bem quanto há não sei quanto tempo atrás, tudo bem, você está certíssimo, é o seu tempo, seu dinheiro. O que me incomoda, e foi o teor do meu questionamento, e que você não respondeu é: “Por que se preocupar tanto com o que sicrano ouve, ou o que fulano gosta? Sério, por que?”. Veja bem, eu não questiono seu gosto, e sim seu questionamento quanto ao gosto dos outros, ou seja, por que se incomodar com quem quer ver o sujeito desafinando a noite toda.

    Sim, você não é ninguém quando o assunto é o gosto alheio, assim como eu deixei bem claro que eu também não sou, porque na realidade ninguém o é neste assunto, e meu questionamento todo é esse, por que meter o bedelho e se incomodar se alguém gosta ou não disso ou daquilo. Todos somos, ou ao menos deveríamos ser, livres para gostar ou desgostar do que quer que seja sem termos de ser julgados por isso.

    Eu pessoalmente não tenho heróis, sequer nutro qualquer fanatismo pelo artista/banda que for, faço grande distinção entre a arte e o artista, de modo a gostar de inúmeras obras de autores com os quais discordo de tudo na vida. Por outro lado podem desgostar a vontade das coisas que eu gosto na minha frente que não me faz mal nenhum, geralmente é muito engraçado quando eu vejo que o elemento que eu mais gostei em tal música foi o que afastou completamente qualquer outra pessoa, e vice versa.

    O caso é que se o cidadão quer ver seu ídolo caindo aos pedaços ou não ninguém deveria julgar, e o que para uns pode ser decadência para outros pode ser determinação ou exemplo de superação, ou até mesmo amor a música ou seja lá o que for.

    E se você não entendeu que não é comparável um motorista de ônibus que coloca centenas de vida em jogo dirigindo sem enxergar com um músico que no máximo irá frustar alguns fãs por desafinar, mas mesmo desafinando irá frustar tantos outros se parar, bom paciência.

    Obrigado pela resposta, e com certeza é bom ver opiniões divergentes, e conversar agradável e civilizadamente com quem as tem.

    Outra coisa que eu escrevi que eu acho que você podia ter dado mais atenção foi para o fato que eu destaquei que se você quer que seus gostos sejam compartilhados por mais pessoas é melhor você chamar atenção para o que você gosta do que para o que você não gosta, que foi o que você fez aqui. Por exemplo, seria bem enriquecedor se você colocasse também links para videos daqueles que você acha que ainda mandam bem.

    Eu tinha mais para dizer, mas me esqueci, e esqueci porque eu concordo totalmente com você, e aqui eu escrevo, escrevo e me repito e acabo me perdendo em algumas coisas, mas por mim tudo bem, afinal isso nem é uma matéria, é só um comentário de ninguém, e para ninguém (rs).

    E me desculpem se abuso do espaço quando apareço, mas esse é o preço por tratarem qualquer pessoa tão bem (rs).

  7. Alisson Caetano disse:

    “Nota: vamos ser honestos e dar crédito a quem merece, vocalistas como […] Paul D’Anno (ex-Iron Maiden) […] e outros ainda seguram a onda muitíssimo bem!”

    http://www.museudememes.com.br/wp-content/uploads/2017/04/capa.png

  8. Eudes Baima disse:

    Voz demanda sabedoria…os grandes vocalistas de todos os tempos foram capazes de ir adaptando suas emissões ao desgaste do tempo e ao limites que ele impõe.

  9. Igor Maxwel disse:

    Senti falta de Roger Waters e David Gilmour (Pink Floyd)
    Peter Gabriel e Phil Collins (Genesis).

    • Diego Camargo disse:

      Igor, acho que vc tá enganado. Os dois vocalistas do Pink Floyd ainda seguram a onda, obivamente não tem mais as mesmas vozes, mas eles tão muito longe de passar vergonha.

      No caso do Genesis, os dois vocalistas mudaram seus estilos há muitos anos e a intenção da lista era nomear vocalistas que continuam fazendo o mesmo som, mesmo não podendo mais. 🙂

  10. Vicente Toledo disse:

    Os caras não param porque gostam de estar no palco. Não é porque tem gente pagando pra vê-los, afinal não precisam do dinheiro (estou falando dos artistas do primeiro escalão). Mas eu me incomodo muito com quem não aguenta cantar afinado, alguns aí nem abaixando o tom não conseguem segurar a onda. Não acho nada divertido ver o Ozzy cantando num tom e a banda em outro. Um dos casos mais deploráveis é o do Don Dokken, me perdoem, mas quem consegue assistir um show dele achando bom não tem a mínima noção. Mas se o povo se diverte, fazer o que…
    Só acho que não custaria nada descer uns 2, 3 tons, e cantar num tom muito mais adequado pra condição atual dos vocalistas. A grande maioria não ia notar mesmo, e o show seria muito menos ofensivo para os ouvidos do público e para a voz dos cantores.

    • maironmachado disse:

      O Geddy Lee fez isso em várias músicas, e honestamente, ficou horrível … Mas a pergunta que não quer calar é: “Por que alguns ainda cantam tão bem como nos anos 70, e outros não??”

      • Vicente Toledo disse:

        Também não gosto da alteração de tons, descaracteriza demais a música, mas é menos vexatório que tentar cantar algo que não dá mais ou ficar alterando a melodia original. O porque de alguns (poucos) ainda cantarem tão bem depende de vários fatores, como se cuidar, estudar as técnicas corretas, cantar e não berrar igual louco, etc… ou talvez não fazer nada disso e simplesmente ser abençoado com um gogó de ouro, como Glenn Hughes, que foi um viciado de marca maior e hoje está dando uma surra em vocalistas 40 anos mais novos que ele.

  11. Ronaldo disse:

    Pauta interessantíssima e muito bem posta pelo nosso colega Diego.
    Vou comentar a minha opinião a respeito em outro post, esse fica só pro elogio!
    Abraço,

  12. Ronaldo disse:

    Um ponto interessante que foi posto (a questão psicológica) é um dilema que é recente na história de um estilo musical tão jovem quanto o rock. Estamos vendo talvez a segunda geração de músicos que estão envelhecendo e partindo dessa pra melhor. A primeira geração (fim dos anos 50) já partiu ou se retirou do mercado. Na questão artística, seja na poesia, literatura, na pintura, artes plásticas ou cinemas, a criação permanece longeva e constante até praticamente a morte do artista. Mas creio que assim como na dança, na música não é assim. Primeiro porque essas duas tem em comum o fato de serem presenciais – pode se tanto admirar a obra gravada ou a obra sendo executada ao vivo. E segundo porque essas duas formas de arte tem um caráter intrínseco de uma atividade física intensa. Apesar da colega acima discordar, (especialmente) cantar é sim uma atividade física, e das brabas. Tocar bateria envolve MUITO físico do músico também. Instrumentos de sopro, nem precisa comentar. Em geral, a perda da voz está muito relacionada a ter feito essa atividade sem o devido preparo (aquecimento, alongamento, etc.) ou abusar muito da musculatura vocal (seja por gritos, agudos excessivos, fumo, bebida, shows muito frequentes, etc.). Então, nesse ponto, tratar do assunto “aposentadoria” para um músico deveria ser visto de forma mais natural. Principalmente quando o músico não está mais criando música de forma consistente, e sim, apenas reproduzindo músicas de um período de sua criação. Eu, francamente, discordo veemente da garota que comentou acima. Parece que os músicos ou até mesmo o público (que muitas vezes deixa seu senso crítico propositalmente desligado) devem ser isentos de crítica e tudo ser visto na base do “tô pagando”, ou “tô me divertindo”. Fosse assim, porque nós estaríamos lendo, escrevendo ou comentando sobre música? apenas para elogiar, massagear o ego? Acho que a gente quer mais que isso. Vale ressaltar que a única coisa que move pra frente é a crítica. O elogio acomoda, não faz ninguém evoluir; no máximo se faz ver que está no caminho certo. Para vocês verem como a nossa geração não tolera a crítica, eu escrevi ao menos 5 ou 6 textos sobre bandas e festivais pequenos; pelo fato de não terem sido textos integralmente de elogios, ou ter alguns pontos de críticas, as bandas envolvidas os ignoraram, nem sequer agradeceram por eles ou os divulgaram em suas mídias. Então, é naturalmente questionável se devemos continuar tratando disso, ou ser um site dedicado só a falar bem do material que chega até nós. Sou músico e felizmente já fui criticado. Apesar de dolorido, o questionamento gerado por uma crítica foi excelente para me sacudir e me levantar a trabalhar mais e melhor.

    Na minha opinião, acho cruel ficar baixando tom de música…mas ainda sim é melhor do que passar vergonha desafinando; o desafino é uma atitude antiprofissional, um deslize, não é algo desejado ou esperado pela plateia; é no máximo tolerado por ela. Então, deve ser evitado a todo custo. Desafinos sistêmicos mostram desleixo e se apoiam em um público desqualificado (me perdoem a franqueza) ou muito tolerante, do qual não é difícil arrancar aplausos qualquer coisa que se faça.
    O assunto rende, e isso é ótimo!
    Abraço,

    • Serena disse:

      Olá Ronaldo,

      creio que minha opinião não foi muita bem compreendida, vou tentar esclarecer alguns pontos levantados por você dos quais discordo de sua interpretação.

      “Apesar da colega acima discordar, (especialmente) cantar é sim uma atividade física, e das brabas.” – Jamais disse que cantar não é uma atividade física, tão pouco que não exige esforço, não sei como você concluiu o contrário. O que eu disse foi que mesmo que o cantor já não atinja determinadas notas, ou mesmo nota nenhuma ou pelo motivo que for não consiga realizar seu ofício de maneira adequada a decisão de parar é dele, não pode/não deve ser tomada por terceiros. Diferente de um motorista de ônibus, que ao não enxergar satisfatoriamente deve ser compulsoriamente afastado do emprego, queira ou não. Ou seja, se o cantor não canta da maneira que lhe agrada não ouça, não vá ao show, diferente do motorista de ônibus, que pode passar por cima de você. Por isso disse que não é comparável.

      “…discordo veemente da garota que comentou acima. Parece que os músicos ou até mesmo o público (que muitas vezes deixa seu senso crítico propositalmente desligado) devem ser isentos de crítica e tudo ser visto na base do “tô pagando”, ou “tô me divertindo”.” – Nenhum artista está isento de críticas, e novamente jamais disse o contrário, agora o gosto alheio sim, como/por que criticar o que os outros gostam/desgostam? Aqui mesmo uns acham que o Paul Di’Anno ainda manda bem, já a Mônica acha que não, quem tem razão? Não sei, como resolver? Quem ainda gosta que prestigie, quem não, ignore, pronto, ponto.

      Pessoalmente considero a crítica, e principalmente a análise trabalhos muito importantes. O crítico é confrontado com uma obra e deve honestamente expor os pontos que ele enxerga positivos e os negativos observados, e o saldo final vai dizer se para ele aquela é uma boa obra ou não, e o leitor vai dizer para si se a crítica é válida ou não. O analista expõe significação àquela obra, novamente cabe ao público compactuar ou não com aquela significação.

      Bem, a presente matéria, a MEU ver, não faz nenhum dos dois, apenas diz que os cantores que o autor julga cantarem mal passam vergonha e devem parar, e o público deveria parar gostar. Como eu já disse: o cantor parar, ou o público gostar, são ações individuais e não devem ser julgadas. Eu já abandonei apresentações que julguei não serem dignas de meu tempo, enquanto tantos outros que ficaram se divertiam loucamente, nem por isso sai me sentindo superior, nem considerei os que ficaram sem senso crítico, simplesmente acho que quanto a isso não há julgamento.

      Totalmente diferente de ir a um show e fazer uma crítica do que foi visto, ouvido e vivido. Para a banda pode servir como um feedback, e serve ao público como um alerta, tipo: “vá!”, ou “não perca seu tempo”.

      “Vale ressaltar que a única coisa que move pra frente é a crítica.” – essa é uma afirmação extremamente polêmica e contestável. Existe um fenômeno chamado “regressão a média”, muito bem explicado aqui: http://jovemadministrador.com.br/como-agir-perante-um-erro-do-seu-funcionario/ que contesta essa crença de que só a crítica negativa constrói.

      “Para vocês verem como a nossa geração não tolera a crítica, eu escrevi ao menos 5 ou 6 textos sobre bandas e festivais pequenos; pelo fato de não terem sido textos integralmente de elogios, ou ter alguns pontos de críticas, as bandas envolvidas os ignoraram, nem sequer agradeceram por eles ou os divulgaram em suas mídias.” – Desses textos me recordo de um sobre um festival de prog rock e acho super válido, uma leitura me agrada. Agora esperar reconhecimento e mesmo agradecimento me parece meio absurdo, e a chave da frustração, se acontecer ótimo, se não paciência, parte pro próximo projeto. Espero que isso não lhe impeça, nem aos outros consultores, de lançar novas críticas a shows, especialmente pequenos, sejam críticas positivas, ou não, mas sempre sinceras.

      Nunca podemos nos esquecer que ver um show é totalmente diferente de estar em um show, por mais que a comodidade nos seduza não é possível comparar as experiências. Não que ninguém aqui tenha feito isso, mas de certa forma essa matéria nos leva a crer que analisar uma performance ruim no youtube é o suficiente para saber se um show será bom ou não, o que não é verdade.

      Adorei o vídeo do Deep Purple porque achei a performance dos músicos excelentes, principalmente do Glover e do Paice, então eu não gostei de ver o Gillan desafinando, mas apesar dele. Por outro lado é possível imaginar o Purple fazendo shows, a essa altura, com outro vocalista? Acho que não, mas para ver um todo com saldo positivo vale a pena relevar certos equívocos, e se você acha que não, não vá que não tem problema, só não se incomode com os que vão. E novamente, música é mais que um vocalista.

      E se for e não gostar, seja do que for, porque for, faça uma matéria, uma crítica, compartilhe sua experiência, é muito legal ler esse tipo de coisa, só não espere que todos concordem, tão pouco glórias e louros por isso.

      Só pra ficar bem claro, o que eu não acho legal é discutir gostos/opções alheias. “Desafinos sistêmicos mostram desleixo e se apoiam em um público desqualificado (me perdoem a franqueza) ou muito tolerante, do qual não é difícil arrancar aplausos qualquer coisa que se faça”, eu lhe garanto que se você se expor o bastante, e procurar o suficiente vai achar alguém “qualificado” para desqualificar o seu gosto, seja ele qual for, por isso, esse tipo de coisa ME PARECE desnecessário.

      Cantar mal hoje não mancha nada lá atrás, não macula carreira nenhuma, o que macula uma carreira é o sujeito admitir que nada daquilo lá atrás foi feito por ele, foi um músico de estúdio desconhecido ou o computador, fora isso nada abala.

      Novamente e por fim, se você acha que fulano devia estar aposentado aja como se estivesse, pare de dar atenção e pronto, resolvido, nenhuma nota errada vai voltar a lhe incomodar; se acha que sicrano merece mais atenção, chame toda a atenção para sicrano, esqueça fulano, esqueça beltrano que tem mais atenção e não merece, simplesmente exalte sicrano, e demostre porque ele é tão bom, quanto mais gente vê mais gente pode gostar.

      Enfim, chega de lengalenga, e abraços.

  13. Davi Pascale disse:

    “A maioria desses vocalistas não precisa mais de dinheiro, todos tem a conta bancária forrada, então não é uma questão mercadológica, é ego, e enquanto todos aplaudem os desafinados no palco, novos e talentosos artistas não tem espaço, pois o fã vai ver o herói desafinar pela décima vez, mas não dá uma chance ao novato bom de gogó.”

    Vou discordar. Enquanto músico, colecionador, pesquisador e alguém que frequenta shows há pelo menos 24 anos. Artista bom tocando pra ninguém sempre existiu e sempre irá existir. O fato do pessoal não frequentar shows de artistas mais jovens não têm nada a ver com esses caras estarem na ativa. Existe algo chamado carreira e existe algo chamado investimento. Não existe mais um investimento massivo no rock. O mercado internacional, hoje, em termos gerais, está voltado para o country, o rap e o pop. E o brasileiro está voltado para o sertanejo universitário (especialmente, a sofrência), pop, e funk mc (esse, agora está caindo um pouco). Com a chegada da internet, as vendas caíram, selos e gravadoras quebraram, mas mesmo assim, as gravadoras grandes que continuaram na ativa, continuam dominando o mercado midiático. Só que eles não podem mais correr riscos. Então eles vão no que é certeiro (certeiro, em relação à vendas) e eles utilizam a própria internet para saber no que investir (já que a resposta é mais rápida). E quem domina a linguagem de internet é um publico cada vez mais jovem. Com isso, temos uma musica cada vez mais superficial e teenager. Quem foge a regra, dificilmente entra na mídia e chega ao grande publico. E como o rock tem uma linguagem mais adulta, já viu… Basta lembrar que quando esses “desafinados” estavam no início de sua trajetória, sem apoio de mídia, também tocavam para ninguém. Tirando isso, tem o fato de que todos esses “desafinados” já tinha carreira construída, nome estabelecido, quando o cenário passou pela tal revolução digital. Com isso, une-se o publico jovem, que não teve a oportunidade de vê-los antes e quer ver de perto o cara que fez historia (e que, muito provavelmente, influenciou os “bons de gogó”, que aliás é bem provável que muitos deles estejam no meio da plateia com os olhos cheios de lagrima) com a galera que acompanhou boa parte de sua trajetória, e que embora note que o musico está longe de estar em seu auge, assiste e o aplaude por nutrir um respeito, justamente por conhecer sua história, sua obra e saber da sua influência e da sua importância. Eu, particularmente, dou graças à Deus que esses caras ainda estejam na ativa. Honestamente, não acredito que o rock ressurgirá das trevas quando esses caras estiverem aposentados ou mortos. Acredito, exatamente no contrário. Que cada vez mais, o rock será um gênero de nicho e a ideia de grandes nomes realizando shows em arenas e estádios, tendem a desaparecer. E… ah, sim, vários desses “desafinados” dão chance para os “bons de gogó” abrirem seus shows e tocarem para um publico (em termos de números) que jamais tocariam, se não em uma oportunidade como essa. Aliás, veja só que demais, o Lollapalooza que bate no peito a ideia de ser alternativo, sempre fecha a noite com um nome mais popular. Por que será?

    • Serena disse:

      Concordo quase que inteiramente com quase tudo, meu maior porém é a afirmação: “(…) temos uma musica cada vez mais superficial e teenager”, mas o quão verdadeira ela é?

      Sinceramente eu não sei, mas acho esse um tema super complexo e interessante, por um lado isso de que hoje tudo é superficial/banal/infantil é um argumento evocado, muitas vezes, mesmo involuntariamente, que denota uma certa sensação de nostalgia, de que antes tudo era melhor, hoje nada presta.

      Muitas vezes o problema é a inaptidão do sujeito em se adaptar/identificar/conectar com os novos signos, as novas linguagens, e isso é muito natural, é justamente o novo dando lugar ao velho, quer o velho queiro ou não ceder o lugar.

      Por outro lado parece que vivemos em uma época de produção artística verdadeiramente industrial inigualável, onde o produtor cada vez mais ocupa o espaço que antes era do próprio artista, transformando a música em algo cada vez mais vez impessoal, voltado, no máximo, aos elementos mais genéricos e universais do ser humano, fazendo músicas que cada vez mais falam quase nada a quase todo mundo, transformando a música em algo cada vez mais inofensiva, em todos os sentidos.

      Contudo é necessário negar que sempre houve música ruim, em todas as épocas, o caso é que elas ficaram perdidas em suas épocas, já que ninguém quer garimpar as piores músicas dos anos 40, seja por desinteresse, seja por impossibilidade, já que muitas se perderam literalmente no tempo.

      Por outro lado em nenhuma época o artista teve tanto acesso aos próprios meios de produção musical quanto hoje, jamais foi tão possível fazer música para ninguém só para ver no que vai dar como hoje.

      Ao mesmo tempo inúmeros artistas não conseguem se desenvolver em seus campos por falta de um apoio financeiro robusto um gravadora por exemplo. Se por um lado hoje é possível fazer música com parâmetros inimagináveis dada a facilidade em ter acesso aos meios de produção, por outro é muito difícil esse artista desenvolver uma carreira com tanta concorrência e tão pouco apoio. Mas quando foi fácil construir uma carreira?

      Afinal, até onde a música hoje é pior ou não que em qualquer outra época? Até onde hoje é mais ou menos difícil ter uma carreira de sucesso, seja qual for o parâmetro para medir o sucesso?

      Uma coisa que parece ser inegável é que a forma de se ouvir música mudou drasticamente, se antes ela ocupava um protagonismo em diversas ocasiões na vida das pessoas, hoje ela parece ser muito mais presente, porém menos importante. Antes uma pessoa qualquer com uma vida social moderada conheceria um número X de músicas que todas as outras pessoas também conheciam, gostassem elas dessas músicas ou não, porque estavam expostas a elas em todo lugar. Já hoje é possível ver jovens em aniversários onde cada um está ouvindo suas próprias músicas em seus aparelhos, ao tempo em que eles não estão vivenciando aquela experiência coletiva de ouvir a mesma música de todos os outros presentes e ainda de maneira em que ele também não está dedicado a realmente ouvir o que escolheu para si.

      Enfim, um ótimo assunto com diversos e inesgotáveis desdobramentos.

  14. Rafael Senra disse:

    Esse fenômeno de mudança da voz pega quase todo mundo, é algo orgânico e natural. Mas a genética beneficia algumas pessoas, e permite que elas mantenham o mesmo registro de voz ao longo dos anos. Antes de vir ao Brasil em maio, Annie Haslam do Renaissance comentou sobre isso, com um conhecimento profundo do assunto. Ela disse que provavelmente herdou da mãe a característica de manter o mesmo timbre de voz mesmo na velhice (contou que sua mãe falava com voz bem aguda e limpa mesmo com idade avançada). Annie canta as músicas nos tons originais. Ainda assim, é possível ver alguns “maneirismos” da idade quando ela canta, umas oscilações e vibratos involuntários, coisas que não tenho conhecimento técnico para comentar.

    Alguns artistas que abaixaram o tom das músicas para dar conta são os ex-Genesis Peter Gabriel e Phil Collins, que hoje em dia cantam cerca de 1 tom abaixo ou até mais que isso. Mas, ainda assim, cantam maravilhosamente bem.

    Sobre o Geddy Lee, ele parece fazer como o Guilherme Arantes, insiste em manter os tons, mas na hora de cantar acaba forçando bastante. Li uma entrevista mais recente do Geddy que me pareceu muito constrangedora… o entrevistador tentando dar a entender que ele não tá dando conta, e ele fugindo dessa questão, dizendo que está cantando bem, etc. O problema nem é alcançar o tom (caso dos dois, Geddy e Guilherme), mas conseguir ainda cantar de maneira suave. Tenho buscado alguma análise técnica do que acontece em casos como esses, mas ainda não encontrei nada.

  15. Diogo Bizotto disse:

    O Diego foi generoso com alguns vocalistas que ele citou no fim do texto como caras que ainda seguram a onda, especialmente Paul Di’Anno. James Hetfield e Bruce Dickinson também estão meio combalidos, mas sim, segurar a onda eles seguram sim.

    Dos citados, e que eu vi alguma performance ao vivo recentemente (em vídeo ou in loco), os que mais têm mandado bem são Steven Tyler e Glenn Hughes. Quanto a Tyler, fico até surpreso, considerando seu histórico de abusos. Decerto aprendeu a se cuidar de verdade nos últimos anos ou tem uma genética privilegiada. Quano a Hughes, já faz 25 anos que aprendeu a valorizar seu dom e cuidar bem dele.

    Tá certo que foram apenas duas músicas, mas vi recentemente a cerimônia em que o Yes foi induzido ao Rock and Roll Hall of Fame e gostei muito de ouvir Jon Anderson cantar. Outro cara das antigas que, pelo menos até bem pouco tempo estava segurando bem demais ao vivo é Paul Rodgers. Mark Farner é um que vi ao vivo há poucos anos e estava cantando como se estivesse na década de 1970, de maneira cristalina e sem apelar para a plateia.

  16. Diogo Bizotto disse:

    ÉSTRANHÍSSIMO, pra dizer o mínimo, esse vídeo do Bon Jovi. Não que eu ache eu isso isenta Jon de qualquer coisa. Fica bem evidente que ele está cantando muito mal. Pelo que tenho reparado de vídeos das últimas turnês, suas performances têm variado. Às vezes está como nesse vídeo, às vezes tira força das tripas e quase verte lágrimas, mas consegue cantar ok em algumas músicas mais difíceis. Não dá pra dizer que o cara não se esforça pra honrar o $ que os fãs gastaram. O que eu quero dizer é que, fossem outros vocalistas “pegos” em vídeos como esse aí, a situação deles ficaria ainda mais feia.

    Ainda sobre Jon, creio que ele tenha cometido o mesmo erro que tantos outros vocalistas cometeram na juventude, que é trabalhar no limite em uma época em que suas vozes estavam ou no auge ou em evolução. Até “These Days” (1995) e a subsequente turnê, dá pra sentir que o cara ainda estava se puxando mais ou menos nesse limite, um pouco menos a partir de “Keep the Faith” (1992), que já veio depois de um intervalo após anos de turnês quase ininterruptas e excessivas. Eu não manjo de teoria musical nem sei reconhecer notas, trabalho apenas com minha experiência como ouvinte, mas, na minha percepção, de “Crush” (2000) em diante fica bem clara uma tentativa de trabalhar em um registro mais confortável, sem abusos. Coisas como “Hearts Breaking Even”, de “These Days”, não mais. Aliás, essa é uma música com grande performance e que a banda nunca executou ao vivo, e as razões são óbvias. O problema é que muitos hits contam com performarces puxadas, aí dê-lhe quase verter lágrimas pra cantar “Always” de vez em quando e outras mais…

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