Entrevista Exclusiva: Roberto Corrêa Scienza (Disaster Boots)

22 de Maio, 2017 | por Thiago Reis
Entrevistas
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Por Thiago Reis

Sabe aquela banda que você não conhece, te indicam para escutar e ela cai direitinho no seu gosto? Foi esse justamente o caso da Disaster Boots. Quando tive a oportunidade de escutar o álbum Disaster Boots lançado em 2016, tive a sensação de escutar exatamente o que estava precisando naquele momento. E o entrevistado da vez, Roberto Corrêa Scienza, vocalista e guitarrista da banda nos conta um pouco da história do grupo, suas influências e planos futuros.


1) Em primeiro lugar, obrigado por nos conceder essa entrevista, Roberto.
Eu é que agradeço a oportunidade!!

2) Conte-nos primeiramente como a banda se formou e a sua proposta inicial.
A gente começou como um power trio, sendo eu (vocal e guitarra), Roger (bateria) e Lucas (baixo). Na verdade eu estava tocando com o Lucas em uma outra banda e a banda foi se fragmentando aos poucos e eu gostei de tocar com o Lucas e eu estava a fim de tocar as minhas músicas autorais e só faltava chamar um baterista para isso. Tinha entrado um calouro no curso, no caso o Roger e eu estava no segundo ano, tinha acabado de entrar também. Eu nunca tinha ouvido ele tocar bateria antes, mas ele era bem tranquilo e gente boa. Na verdade foi uma excelente surpresa quando ouvimos ele tocar. Ele se juntou à banda e começamos a fazer alguns shows e tocamos em trio mesmo. O tempo foi passando e fizemos mais um ou dois shows, tipo cervejada de faculdade e aí a gente chamou o Pedro (guitarra) para a banda um pouco antes de tocarmos no Festival da Canção. A partir daí nos consolidamos como um quarteto. Foi bom, pois sempre senti falta de um guitarrista, já que não sou tão bom solista como o Pedro é por exemplo. Eu gosto muito de fazer os riffs e a estrutura da música, adoro cantar, mas o solo e os arranjos o Pedro é melhor, então como quarteto nós nos resolvemos melhor, sendo consolidado o formato do trio em quarteto no ano de 2013.

3) De onde veio o nome Disaster Boots?
Nós fizemos uma lista enorme de nomes e ninguém gostava de nada e aí a gente achou que Disaster Boots era um nome que traduzia bem a dinâmica, pois parecia que cada um estava tocando uma coisa diferente e não é só isso, todo mundo é desastrado na banda, então isso contribuiu para o nome. E tem aquela coisa de que por onde as botas passam os desastres vão acontecendo.

4) Quais são as maiores influências para o som da banda?
Nós não temos um grande consenso nisso, nós estipulamos que a década de 1970 é muito importante para o som da banda. Então Led Zeppelin, Black Sabbath, Cream, mas isso muda muito. Nós curtimos muito a década de 1990, bandas como Soundgarden e Alice in Chains. Eu gosto muito também do blues mais antigo, como Robert Johnson e Blind Lemon Jefferson, que inclusive é uma das grandes influências da banda, o blues.

5) Vocês lançaram em 2016, o primeiro álbum, intitulado “Disaster Boots”. Como foi a recepção do público a este lançamento?
A recepção do público é bem diferente, nós percebemos que tivemos um burburinho maior fora do Brasil. Eu me sinto um pouco “como não consigo fazer algo para as pessoas que estão mais perto de mim?”. Existe um grande grupo de stoner e rock psicodélico no Brasil, mas nós nunca parecemos fazer parte dele, mas fora do Brasil nós tivemos mais visibilidade. Não que não tenha tido nada no Brasil, na verdade as outras bandas brasileiras do estilo gostam da gente (risos).

6) A banda lançou o álbum, em uma tiragem limitada, que inclusive já está esgotada. Existem planos para uma segunda prensagem do disco?
Pretendemos fazendo com uma outra empresa, pois não gostamos muito do resultado da primeira prensagem, além disso brigamos com a gráfica, mas não vai ter uma tiragem exatamente como aquela, talvez a primeira tenha sido deluxe. Agora nós faremos uma tiragem mais simples.

7) No site disasterboots.bandcamp.com o público pode adquirir o álbum no formato digital e pagar o que achar justo pelo material. Você acha que esse será o futuro da música, até mesmo para as bandas consagradas?
O band camp é uma plataforma e cada banda tem a sua página nessa plataforma e você pode adquirir o álbum dessa forma. Eu fiquei muito surpreso por saber que as pessoas pagam por um álbum que está disponibilizado de graça para elas baixarem. Então tem essa coisa de ajudar a banda, principalmente de pessoas de fora do Brasil, nós percebemos que as doações para a aquisição do álbum de US$0,50, US$1,00 e às vezes até valores como US$8,00 vieram de fora. E nós conseguimos contratar os posts patrocinados do facebook exatamente com o dinheiro que foi arrecadado no band camp, o que ajudou muito a banda e continua acontecendo, as pessoas continuam mandando dinheiro. Não é muito, mas é uma grande ajuda.

8) Em minha opinião, os principais destaques do álbum são “Mr.Lakeman”, “Space Cat” e “Blind Man Down Blues”. Qual é a sua opinião a respeito dessas canções e como foi realizado o processo de composição dessas três músicas?
“Mr. Lakeman” é a música que mais gosto do CD. A Disaster Boots em sua maior maturidade se encontra quando tocamos “Mr.Lakeman” pela primeira vez. Foi tudo feito de uma maneira muito espontânea, todos fizeram ao mesmo tempo, conseguia contribuir junto. Eu gostei muito do resultado dela. É a música mais stoner do álbum é ela, mais arrastada. É uma crítica ao homem moralista, aquele homem que vive no “mundinho” dele. É uma analogia a “homens-lago”, “homens-rio” e “homens-oceano”, essa é a ideia de “Mr. Lakeman”. Já a “Space Cat” é uma viagem completa, onde misturamos rockabilly, um pouco de stoner. O Lucas faz um solo no baixo como se tivesse um rato fugindo de um gato, algo do tipo. “Blind Man Down Blues” é uma musica mais antiga, fiz quando estava num período bem triste, bem para baixo e fiz esse blues. Ela era maior, tinha uma parte mais reggae, tinha uma gaita no meio também, mas decidimos gravá-la de uma forma mais enxuta, dividindo melhor as guitarras e acabou saindo do jeito que está no álbum.

Lucas (baixo), Pedro (guitarra), Roberto (guitarra/vocal) e Roger (bateria)

9) Conte-nos os próximos planos da banda. Existe a chance do lançamento do segundo álbum já em 2017?
Já nesse ano eu não sei com relação ao lançamento, mas a gravação sim. Nós já estamos em processo de finalização de pelo menos cinco músicas, já tocando junto na medida do possível, pois moramos em lugares bem distantes um do outro. Nós iremos tocar no Guarapuava Rock City em maio (o evento já aconteceu) e tocaremos uma musica nova lá. Estou gostando da pegada das novas músicas, acho que estão trazendo mais groove, estou gostando muito do resultado.

10) Mande uma mensagem final para os leitores do Consultoria do Rock, Roberto.
Em primeiro lugar gostaria de agradecer a oportunidade, espero que gostem do CD e acessem as nossas redes sociais para maiores informações sobre a banda. Facebook , além do Band camp.



2 Comentarios

  1. Tiago Bittencourt França disse:

    Mais uma banda para conferir pois tenho impressão que vou gostar muito. Valeu Thiagão.

  2. Thiago Reis disse:

    Cara, o som é sensacional…quem curte anos 1970 com certeza vai curtir essa banda!! Valeu pela leitura, Thiagão!

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