Entrevista Exclusiva: Baranga

31 de Março, 2017 | por davipascale
Entrevistas
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Por Davi Pascale

Trago, hoje, no Consultoria do Rock, uma entrevista muito bacana que realizei com a galera do Baranga. Nesse momento, os músicos estão preparando seu sexto disco, o primeiro sem o batera Paulão Thomaz (Centúrias). Conversei com os caras sobre o que está por vir, a saída do Paulão, a breja com os caras do Motorhead, entre outros assuntos. Ligue seu som no máximo, abra uma cerveja e se divirta com os depoimentos bem humorados dos rapazes. Rock on! (Obrigado, Diego Camargo, pelo contato)

  1. Sei que vocês estão gravando um novo álbum… O que podem nos adiantar sobre o novo trabalho?

ALEMÃO: Está bem legal, com as boas influências de sempre de Motörhead, Status Quo e AC/DC, mas não necessariamente nessa ordem…

DECA: 1º, estamos animados com as gravações! Serão 11 músicas, sendo 10 inéditas e mais a regravação de uma versão que está na demo que gravamos bem no comecinho da banda e que todo mundo pede há anos para regravarmos. Como se chama a versão? Procura aí pela internet que você acha… kkkkk Uma outra novidade é que as gravações estão acontecendo no estúdio Orra Meu, um estúdio novo de propriedade do Soneca e do irmão dele, o Marcello Schevano (Carro Bomba). As etapas de edição, mixagem e masterização acontecerão no Mr. Som, do Heros Trench e do Marcello Pompeu (Korzus), onde os outros 5 álbuns foram 100% produzidos.

2. Conheço a demo de vocês. Deve ser “Carona”…  Mas, diz aí, a produção continua nas mãos do Heros Trench?

ALEMÃO: Sim, Heros é bacana. Já tinha gravado com ele no Carro Bomba e também em um outro projeto. O cara manja muito e, melhor de tudo, gosta de trabalhar com a Baranga!

DECA: O Heros estará na produção e vai fazer as etapas mais sensíveis que são as de mixagem e masterização final. Ele vai produzir a gravação da voz do Xande e os backing vocals do Soneca, além de produzir meus solos de guitarra. Mas, desta vez, fizemos diferente nas produções da etapa de gravação com a participação de nós da Baranga na gravação da bateria e com o Breno, da escola de áudio IAV, como engenheiro de som. O Marcello Schevano produziu as gravações das bases de guitarra e solos do Xande. A gravação do baixo do Soneca foi produzida por ele, em conjunto com o Schevano. É isso mesmo! É “Carona”! Na verdade, essa música chama-se “O Carona”. Escrevemos errado na demo…

3. O próximo álbum será o primeiro sem a presença do Paulão Thomaz, sendo assim preciso fazer a inevitável pergunta. Por que o Paulão saiu da banda?

ALEMÃO: Ele queria fazer outro tipo de som.

SONECA: Esta pergunta quem pode responder melhor é o Paulão. Quando fizemos a reunião em que o Paulão nos comunicou, entendi que ele estava a fim de se dedicar ao seu novo projeto. Foi melhor assim porque não seria legal ele continuar desmotivado na Baranga. O bacana é que, logo após a reunião, fomos todos para o bar beber, da mesma maneira que a banda começou.

DECA: Continuamos todos amigos. Já fizemos 3 shows com nossas bandas juntas e, em dezembro do ano passado, ele assumiu a batera da Baranga por 1 show. Sem contar as várias vezes que a gente se encontra em shows de outras bandas e, depois, vamos tomar umas cervejas. Ficou melhor e mais legal pra todo mundo!

4. Acredito que a escolha pelo Alemão tenha sido natural, já que tanto ele quanto o Soneca possuem uma ligação com o Carro Bomba. Como tem sido a adaptação dele ao grupo? A entrada dele mudou de alguma forma o som da banda?

ALEMÃO: Não foi muito natural, não… kkkkk Eu tinha o “filme queimado” com os caras por ter abandonado o Carro Bomba… Tive que insistir com o Xande para que me deixasse participar das audições que estavam rolando com outros bateras. Felizmente, me deixaram fazer o teste e rolou tudo legal desde o 1º ensaio e em poucos dias já estava fazendo o 1º show com a Baranga. A adaptação foi tranquila. Não acho que minha entrada mudou o som da banda. A Baranga já tem uma identidade bem característica. É difícil (ainda bem!) fugir disso!

DECA: Nem sabia dessa treta!!! Kkkkk A entrada do Alemão não mudou o estilo porque as composições sempre foram minhas, do Xande e do Soneca, apesar de que o Alemão participou bastante, com várias levadas de batera que forjaram vários riff’s. Talvez tenham umas coisas mais precisas como se faz no Metal, porque ele curte bastante várias bandas desse estilo.

SONECA: Conheço o Alemão desde antes de começar a tocar e tivemos uma banda quando éramos moleques, bem antes de existir a Baranga. Nesta banda também estava meu irmão, Marcello Schevano e o Rodrigo Hid (Ex- Patrulha Do Espaço e Pedra). Ele sempre esteve presente nos ensaios e nos shows, de modo que a adaptação foi instantânea. Talvez os arranjos de bateria tenham mudado um pouco, mas não descaracterizou a banda. Já se passaram dois anos desde que ele entrou e fizemos muitos shows neste período, até agora ninguém chegou pra gente e reclamou então penso que fizemos a escolha certa.

Formação anterior: Soneca, Paulão Thomaz, Xande e Deca

5. A banda é conhecida, entre outras coisas, pela energia dos shows. Vocês já estão indo para o sexto trabalho de inéditas. Já pensaram em algum momento em fazer um registro ao vivo?

SONECA: Vamos fazer este registro em breve. A gravação do álbum ‘Ao Vivo’ está programada para acontecer este ano.

6. Uma curiosidade… Vocês chegaram a dividir o palco com o Motorhead. No site de vocês, há um comentário sobre vocês terem recebido um balde de cerveja de presente do Phil Campbell. Acredito que, para vocês, tenha sido um momento inesquecível, já que eles são nitidamente uma grande influência no som do conjunto. Conta pra gente, um pouco melhor, como foi essa história.

ALEMÃO: Eu estava nesse show como fã, mas não me lembro dessa parte… Só lembro que tomei as brejas do Phil Campbell!

DECA: A história é essa mesma. Foi quando abrimos pro Motörhead em 2011, lá em Floripa. Depois do show, o Phil levou pessoalmente as cervejas, carregando um balde cheio de gelo e long necks de Stela Artois. O Mikkey Dee foi falar com o Xande. Disse que a banda é legal e que ele toca slide super bem. Já tínhamos tocado juntos aqui em São Paulo no saudoso Via Funchal, em 2009, mas eles tiveram problema com o avião na volta do show em Recife para São Paulo, chegaram em cima da hora, então eles não puderam conhecer a Baranga, nem ver o palco. Em Floripa foi mais tranqüilo e puderam ver qual é a da Baranga, ver que usamos os mesmos modelos de amplificadores Marshall que o Lemmy usava, sacar o estilo que fazemos e a performance da banda.

7. Outra influência perceptível no som de vocês é de AC/DC, principalmente nos riffs de guitarra. Gostaria que o Deca e o Xande comentassem um pouco sua relação com a banda.

DECA: Esses riffs mais AC/DC sou eu quem acaba contribuindo mais. Passei a adolescência ouvindo AC/DC em doses cavalares, diariamente, por anos e anos, então ficou colado na minha mente e acabou formando parte do meu estilo de compor. Eu nem tinha guitarra e ficava fazendo air guitar enquanto ouvia repetidas vezes o If You Want Blood You’ve Got It numa sala escura, com umas luzes coloridas que pegava escondido da minha irmã e com o volume no talo do aparelho de som do meu pai. Além disso, o AC/DC é uma unanimidade no planeta inteiro e também é unanimidade na Baranga, então isso também influencia os estilos do Soneca, do Xande e do Alemão.

8. Bacana… As letras de vocês retratam sobre temas corriqueiros no rock n roll. Ou seja; mulher, álcool, vida na estrada… A inspiração vem das canções que vocês cresceram ouvindo ou do dia-a-dia da banda?

ALEMÃO: Os dois, vida vivida e vida imaginada… Dá no mesmo…

SONECA: Vem tanto do que ouvimos, quanto do dia-a-dia. Não precisa ser algo que aconteceu com a gente. Observando os outros também podemos sacar boas histórias.

DECA: Pois é, são os temas do Rock ‘n Roll e somos uma banda de Rock ‘n Roll!. No fim das contas, são os temas do único estilo musical que propõe algo de útil e que vai às vias de fato, que resolve a vida de todo mundo, que só fala de ser feliz e todo mundo fica feliz!

9. Como funciona o processo de composição de vocês?

DECA: Levamos músicas quase prontas ou umas ideias interessantes, daí vamos complementando e arranjando até ficar no estilo da gente.

SONECA: Vamos escolhendo riff’s e acertando as letras conforme os ensaios vão rolando.

10. Descobri o Baranga assistindo uma apresentação de vocês no extinto Blackjack Rock Bar. Não vou lembrar o ano.. Deve ter sido 2002, 2003, no máximo. Época do primeiro álbum. Já se passou mais de uma década. Vocês acham que o mercado para rock no Brasil melhorou, piorou ou está igual?

ALEMÃO: Quantidade de bandas boas: melhorou. Quantidade de público e lugares para tocar: piorou.

SONECA: Melhorou o acesso aos equipamentos, aos estúdios e a diversidade de divulgação. Mas as dificuldades de manter uma banda na estrada continuam as mesmas.

DECA: Melhorou comparando rock com rock, mesmo que ainda exista gente inexperiente organizando e divulgando mal um evento e a preguiça do público do rock ir aos shows de bandas que compõe, gravam e tocam suas próprias músicas.

Cena do clipe de Três Oitão

11. Por falar nisso… O Brasil tem uma enorme tradição de bandas covers. Existe até uma galera se profissionalizando e se apresentando em grandes teatros e grandes casas de shows. Essa cultura atrapalha, de certa forma, o trabalho de uma banda como a de vocês?

ALEMÃO: Acho que atrapalha, pois os espaços para tocar diminuem e o público acaba se viciando em ouvir exatamente o que eles têm em casa para ouvir. Tipo jukebox…

SONECA: Não deveria atrapalhar porque são trabalhos completamente diferentes. Se a maioria do público tem preferência por cover talvez seja por preguiça de conhecer sons novos, mas não tenho certeza se é só isso. Seja lá qual for o motivo para que isso ocorra, o nosso trabalho é continuar tocando e construindo nossa própria história.

DECA: Até acho que banda cover é útil. Já colocamos banda cover para abrir show da Baranga e começar a animar o público, já colocamos banda cover para fechar show da Baranga e continuar animando o público, já tocamos e vamos continuar tocando num monte de locais de shows e festivais de bandas que compõe, gravam e tocam suas próprias músicas.

12. Hoje em dia, é impossível fugir do mercado digital. Como vocês se adaptaram à esse mercado? Qual é a relação de vocês com o universo de downloads/streamings e também com o universo das redes sociais?

DECA: Sempre fizemos CDs de todas nossas gravações e vendemos muitos em shows e por e-mail, Facebook, Correios, etc. Acho que o ganho com a maior e melhor divulgação que as redes sociais oferecem supera os downloads que não remuneram a banda. De qualquer forma, esse negócio de download e streaming é quase inexistente para bandas brasileiras, especialmente no Rock.

13. Existe uma outra fatia de mercado que é a volta do K7 e dos Lp´s. Vocês fazem um som bem old school. O que vocês acham dessas voltas?

SONECA: Acho bacana porque a ‘indústria’ está atendendo a demanda e não tentando enfiar goela abaixo o formato que ela quer que você consuma.

14. Antes da parceria com a Voice Records, vocês chegaram a ter um selo: o RNR Records. Lembro que o Whiskey do Diabo saiu por esse selo. Por que o projeto não foi pra frente?

SONECA: O selo não fechou, só está hibernando. A parceria de distribuição com a Voice Music acontece desde o Whiskey Do Diabo. A partir do Meu Mal, a parceria foi ampliada e os discos foram lançados diretamente pela Voice Music. Pela RNR Records ainda saiu uma prensagem do primeiro disco da Baranga, e o primeiro CD solo do Pepe Bueno, baixista do Tomada.

DECA: O Sílvio Golfetti é um cara legal que sempre apoiou a banda, então ficou mais fácil trabalhar com ele do que nós mesmos resolvendo tudo de dentro e ao redor da banda.

15. O que vocês consideram como o melhor e o pior momento do Baranga?

SONECA: Os melhores momentos sempre são em cima do palco e poderia citar vários shows que marcaram a história da banda. Mas com certeza acabaria esquecendo algum. O pior foi ter cancelado um show, dois dias antes de acontecer, porque um teco de baqueta entrou no olho do Paulão durante o ensaio.

Capa do primeiro CD do grupo

16. Vocês chegaram a se apresentar em um festival no Chile. Como foi a experiência?

SONECA: Foi muito bacana porque tocamos num festival com bandas chilenas e argentinas, num local grande, com estrutura e organização. A receptividade do público foi excelente. A única diferença é a língua, mas o Rock quebra essa barreira tranquilamente.

DECA: A maior e mais legal das diferenças foi constatar como os chilenos são bem mais rockers do que os brasileiros!

17. Gostaria de encerrar a entrevista perguntando sobre o que vem pela frente. Já sabemos que tem disco novo no caminho. Quais são os próximos passos? Já tem uma ideia de quando retornam à estrada?

SONECA: Da estrada nunca saímos, até quando estávamos sem baterista continuamos a fazer shows com o Heitor Shewchenko (Carro Bomba) como convidado. Depois de lançar o disco novo de inéditas, vamos gravar algum show pra lançar um álbum ‘ao vivo’.

ALEMÃO: Não paramos de tocar ao vivo nem durante a composição e a gravação. Fazemos tudo ao mesmo tempo.

18. Muito obrigado pela entrevista. Estou bem ansioso para ouvir o novo álbum. Se quiserem mandar alguma mensagem, o espaço é de vocês…

SONECA: Obrigado pela entrevista! Apareçam nos shows!

DECA: Obrigado pelo convite de bater esse papo e ainda mais com perguntas que pegam vários detalhes da banda. Espero que todos que leiam fiquem mais rockers, se interessem mais por conhecer a Baranga e ir a shows da Baranga e das bandas que compõe, gravam e tocam suas próprias músicas! Abraço para você, Davi,  para todos da Consultoria do Rock e para todos que lerem esta entrevista legal. Sucesso para todos nós! Longa vida ao roquenrou!



15 Comentarios

  1. maironmachado disse:

    Obrigado ao Diego Camargo pelo contato. Abração meu caro. E baita entrevista, Davi!!

    • davipascale disse:

      Valeu , Mairon!

      • maironmachado disse:

        Valeu nada meu, tu mereces muito mais que um elogio desses. Acho que as entrevistas aqui da Consultoria tem se diferenciado das de outros sites por que pessoas que nem você conhecem a história e as músicas da banda, e vão em perguntas fora do mais do mesmo. Parabéns e muito pela entrevista!!

        • Davi Pascale disse:

          Porra, obrigadão Mairon. Fiquei bem feliz com essa oportunidade. Ja tinha um tempo que não fazia entrevistas. Gostei tanto do resultado que estava pensando em tentar conseguir algumas…

  2. Anônimo de volta disse:

    É rock de verdade! Baranga é infinitamente melhor do que Matanza. Pena que a MTV de merda nunca deu espaço para eles.

    • Davi Pascale disse:

      Acho o Matanza interessante, mas sim, o Baranga é melhor. Nem precisa de muito para constatar isso. É só reparar que enquanto um vai de caminhão, o outro vai de Maverick…

  3. Diego Camargo disse:

    Cara, quando eu pensei em passar o contato pra vocês foi mais por querer abrir um espaço pro Branga, que eu gosto pra caramba. Mas nem de longe imaginei que sairia a melhor entrevista que eu já li aqui na Consultoria (mals pros outros entrevistadores, hahaha).

    De primeiríssima as perguntas, a banda colaborou, o Davi entende da banda! Enfim, massa pra cacete! 🙂

  4. Fernando Bueno disse:

    Só consegui ler agora. Muito bacana a entrevista. Parabéns Davi e boa sorte ao caras do Baranga!

  5. Tiago Bittencourt França disse:

    Uma das melhores bandas nacionais da atualidade. RnR de primeira. No aguardo já do disco novo. Parabéns pela entrevista Davi.

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