Louder – Take One [2016]

29 de Março, 2017 | por Alisson Caetano
Resenha de Álbum
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Por Alisson Caetano

Há um problema com o trabalho de estreia do quinteto Louder. Um problema bem grande, e bem visível para quem já tem na bagagem horas e horas de hard rock dos mais variados estilos. O problema é simples e direto: a falta de atrativos, fibra, alguns diriam. Em resumo, faltam palavras para descrever qualidades ou defeitos nas cinco faixas do trabalho.

Para alguns, o problema maior seria se o disco fosse uma completa bobagem ou se fosse até mesmo a pior audição do mundo. Mas acredito que pior do que ter defeitos para apontar, é não ter algo que tenha chamado a atenção do crítico para que ele possa redigir suas mal traçadas linhas. Os gaúchos do Louder, ainda novatos no mundo do rock — formado no ano de 2015 — apostaram suas fichas em um hard rock que se equilibra entre o “clássico” dos anos 70, e o hard rock moderno, feito a partir dos anos 2000, quando a ressaca do post-grunge passou, surgindo uma espécie de revival — tímido, ainda assim — de elementos mais antigos do estilo.

O som é bem executado e a banda, apesar de novata, parece saber o que fazer dentro do estúdio. Ricardo Gottardo no baixo parece ser o mais confortável no grupo. Comandando linhas de baixo simples e quentes, produz o volume por vezes deixado de lado por outras bandas iniciantes.  Felipe Saretta também aposta em sutileza de condução em seu kit de bateria e acaba se destacando pela eficácia (e com um pouco da ajuda da produção, que joga o instrumento em primeiro plano).

Os mesmos elogios já não podem ser dirigidos à dupla de guitarristas (Maurício Barbieri e Gio Attolini, que também faz backing vocals). Alguns riffs são diretos, mas passam longe de chamar a atenção por soarem reciclados, enquanto que os solos são tão simples e inofensivos que, por vezes, parecem mal executados. Os vocais de Kid Sangali não me agradaram, mas para quem é mais ligado em hard rock do que eu, eles não tem motivo algum para incomodar, já que o vocal tem potência e consegue soar versátil, mesmo que sua tonalidade passe longe de algo interessante.

Quando reunidos todos estes componentes, a resultante são cinco músicas (seis, contando com a faixa bônus disponível através de acesso por QR-Code) que soam… indiferentes. O EP é claramente bem composto e executado, mas tudo dentro de um universo de segurança enorme, o que não proporciona à banda alçar voos a patamares mais interessantes. Alguns flertes com southern (“Copper’s Synapse”) e com o glam mauricinho do Bon Jovi (“No More”) acabam sendo os únicos momentos um pouco chamativos do projeto, mas são momentos que quase passam batidos em uma audição “de momento”.

Novamente, enfatizo: quem é fã de hard rock encontrará aqui um conjunto de faixas que lhe proporcionará alguns minutos de uma diversão agradável, e nada mais. Quem já não se impressiona mais com hard rock, ou irá ouvir o disco apenas uma vez, ou irá se aborrecer com a previsibilidade antes que o mesmo se esgote.


Tracklist:

  1. Last Memory
  2. Temple of Desire
  3. Copper’s Synapse
  4. No More
  5. Blind Faith (Part I)
  6. Man on the Silver Mountain (Rainbow cover)*

Lineup:

Kid Sangali – vocais

Felipe Saretta – bateria

Gio Attolini – guitarra, vocais

Maurício Barbieri – guitarra

Ricardo Ledur Gottardo – baixo

* Disponível apenas por streaming no Soundcloud da banda.



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