Melhores de Todos os Tempos: Brasil – Anos 2000

14 de janeiro, 2017 | por Mairon
Melhores de Todos Os Tempos
70

Los Hermanos em 2001: Rodrigo Amarante, Marcelo Camelo, Rodrigo Barba e Bruno Medina

Por Mairon Machado

Com participação de André Kaminski, Bernardo Brum, Davi Pascale, Diego Camargo, Leonardo Castro e Micael Machado

Muitos odeiam, outros amam, mas poucos são capazes de questionar a importância do grupo carioca Los Hermanos para a história do rock nacional. Depois de uma estreia arrebatadora, em 1999, com o single “Anna Julia”, o grupo mudou de formação (deixou de ser quinteto para seguir como quarteto) e mudou seu curso nos mares do sucesso. Abandonando o hardcore juvenil e as letras sentimentaloides, o grupo criou uma legião de fãs que passaram a admirar não só as letras e as músicas de Rodrigo Amarante, Marcelo Camelo, Bruno Medina e Rodrigo Barba, mas praticamente tudo o que a banda fazia. Ao mesmo tempo, uma legião de detratores dos cariocas também surgia, mostrando que a grandeza de um grupo não está somente entre os fãs.

A prova maior de que o Los Hermanos foi A Banda dos anos 2000 está nessa lista de Melhores álbuns. Sete consultores elegeram os dez melhores discos lançados em nosso país entre 2001 e 2010, fechando assim a nossa última lista de Melhores de Todos Os Tempos. No pódio, dois álbuns do Los Hermanos e a surpreendente filha de Elis Regina, Maria Rita, mas a lista apresenta ainda os mineiros do Skank, o grupo carioca de heavy metal Tribuzy, os gaúchos da Pata de Elefante, Video Hits e Cachorro Grande e os paulistas dos Racionais Mc’s.

Lembrando que os votos seguiram a pontuação oficial do Campeonato Mundial de Fórmula 1, e que os comentários estão abertos para você concordar, discordar e adicionar novos nomes a nossa lista.


1. Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho (88 pontos)

André: Temos 3 discos do Los Hermanos nessa lista. Infelizmente, me obrigarei a ouvir os outros dois. Nenhuma lista colocaria esses três discos entre os melhores de uma década. Serve apenas para deixar demonstrado que nossas listas nada mais se baseiam em gosto pessoal, se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre isso. Sobre o disco, já me torturei ouvindo uma vez e comentei na lista do ano de seu lançamento aqui no site. Não o farei de novo, visto que tenho outros dois para isso.

Bernardo: Um dos resultados mais justos dessa lista, com o Los Hermanos virando sua carreira em 180 graus descolando-se do tradicional levante de rock com influências pop-punk e ska para fazer um álbum que mescla de maneira experimental a musicalidade demonstrada no primeiro disco com ritmos brasileiros – os arranjos de metais do ska pendem para o samba, exploram-se andamentos sincopados, letras sofisticadas estilística e tematicamente falando, com a banda almejando o início de uma maturidade como compositores – “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, “Retrato Pra Iaiá”, “Sentimental” entre outras fazem parte do repertório de novos clássicos da música brasileira contemporânea.

Davi: O grande álbum do Los Hermanos. Depois de um álbum de estreia bem morno (em termos de qualidade, não de receptividade. “Anna Julia” foi um megahit…), os músicos surpreendiam ao se reinventarem trazendo influências descaradas de MPB e samba em seu segundo álbum. A fórmula funcionou incrivelmente bem e nos brindou com diversas pérolas como “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, “A Flor”, “Casa Pré-Fabricada”, “Sentimental”, “Deixa Estar” e “Fingi na Hora Rir”. Um dos grandes discos do rock brasileiro, sem exageros.

Diego: Normalmente eu ‘resenharia’ cada disco, mas como penso que muitos farão isso, e como tenho história com metade dos discos, decidi fazer um pouco diferente e contar a minha história com cada disco (ou minha ‘não-história’). Eu conheci o Los Hermanos bem antes de eles estourarem com “Anna Júlia”. Mais precisamente no dia 15 de Setembro de 1999, coisa de 3 meses depois do lançamento de seu disco de estreia. Na época ninguém tinha ouvido falar de Los Hermanos e eu ainda não havia ouvido “Anna Júlia”. Eu comprei a revista ShowBizz daquele mês de Setembro e encartado na revista havia um CD promocional com 7 faixas, mais um monte de conteúdo multimídia (como o video clipe de “Anna Júlia”, discadores, saver screens, etc). Na época a revista era editada pela Editora Abril, e a mesma Abril tinha começado um selo chamado Abril Music, então que melhor maneira de divulgar suas novas bandas? Lembro também de algumas semanas depois o meu irmão me dizendo: “Ei, sabe aquele banda do CD da revista? Tá tocando na rádio.” Depois a história todo mundo já sabe, viraram febre por causa de Anna Júlia e mais tarde “Primavera”, venderam mais de 300 mil cópias do disco, etc. Em 2001, lançaram o segundo disco, Bloco Do Eu Sozinho e que surpresa. Mais uma vez, me lembro de ter ouvido o novo disco pela primeira vez na MTV quando vi o clipe de “Todo Carnaval Tem Seu Fim” e de ter ficado pasmo. Realmente pasmo, queria o disco naquele mesmo minuto. Sábia escolha da banda de escolher aquela faixa como abertura, ainda mais depois de todo clima de Carnaval impresso no disco de estreia. Bloco Do Eu Sozinho foi lançado em Janeiro de 2001, mas eu comprei a minha cópia do disco somente em Outubro de 2002… Na época eu tinha 16 anos e dinheiro mesmo eu nunca tinha, ainda mais pra comprar CDs que custavam 25 reais. Mas é uma outra história engraçada em Maio de 2002 meu irmão decidiu me dar um presente de aniversário (fato que até hoje me deixa perplexo), eu disse que queria um CD e ele me levou até uma loja de CDs em São Paulo. Lembro bem de que não tinha mais nada que eu quisesse, queria o disco novo do Los Hermanos. Quando cheguei na loja vi tanta coisa e me deparei com tantos CDs bons na prateleira de promoções que consegui convencer o meu irmão a comprar 4 CDs pelo preço de um, incluindo o primeiro disco dos Los Hermanos. 5 meses depois dei um jeito de comprar o tão esperado segundo disco. A banda não encontrou sucesso em lugar nenhum na época, hoje todo mundo baba no disco, na época ele vendeu 35 mil cópias e a gravadora deu um pé na bunda deles. Pra mim, o disco ainda hoje é um marco dentro do cenário nacional, o único problema é que depois dele 300 mil bandas surgiram com uma linguagem que copiava tudo que o Los Hermanos tinha feito nesse e em seu próximo disco. A título de curiosidade, o CD original vinha com a parte plástica que segura o CD na cor branca e não nas tradicionais cores preto ou transparente. Infelizmente o meu não possui mais esse plástico, pois na mudança pra Polônia fiz a grande cagada de me desfazer da caixinha…

Mairon: Curiosamente, acho esse o terceiro melhor disco do Los Hermanos. Fui um daqueles que em 2001, quando Bloco saiu, me caiu os butiá dos bolsos. O que era aquela sonoridade maluca, misturando samba (“Todo Carnaval Tem Seu Fim” e “Assim Será”), chorinho (“Cadê Teu-Suin”), country e valsa (“Mais Uma Canção”), jazz (“Deixa Estar” e “Adeus Você”), MPB (“Casa Pré-Fabricada” e “Fingi Na Hora Rir”), música francesa (“Cheir Antoine”) entre outros diversos estilos, depois do hardcore melancólico de Los Hermanos. Foi aqui que começou a surgir a verdadeira geração de amantes e seguidores da banda, foi aqui que o grupo saiu da Globo e conquistou multidões de verdade, foi aqui que Camelo e Amarante começar a dar os passos primordiais que os levaram ao estrelato e a nomenclatura de gigantes da música nacional. Mas era apenas o começo do fim das nossas vidas como apreciadores de uma banda que ainda entregava um bom hardcore dolorido (“Tão Sozinho” e “Aline”) e que criou duas das mais belas canções da música nacional nos últimos trinta anos, “Sentimental” (a faixa que justifica a presença de Bruno Medina nos teclados) e “Veja Bem Meu Bem”. Como disse, acho esse apenas o terceiro melhor disco da banda, mas todos aqui sabem quão fã eu sou desse grupo.

Micael: Com três discos do Los Hermanos na lista, prevejo que o mimimi vai ser grande nos comentários. Como fui um dos responsáveis por esta escolha, acho bom começar a defender minha posição. Bloco do Eu Sozinho não é o meu álbum preferido da banda (o primeiro ainda leva este posto), mas é o melhor depois da estreia. Ainda há resquícios da sonoridade do registro anterior em “Tão Sozinho”, “Fingi na hora rir”, “Deixa estar” e “A Flor” (composta ainda na época daquele álbum), mas a sonoridade já começava a apontar o caminho mais introspectivo dos registros seguintes, em faixas como “Todo Carnaval Tem Seu Fim” (o grande “hit” das rádios, mesmo quilômetros distante da sonoridade de “Anna Júlia”), “Adeus Você”, “Assim Será” e “Casa Pré-fabricada”, além da linda “Sentimental”, uma das melhores faixas da carreira dos cariocas. “Mais Uma Canção”, apesar de meio infantil, agrada bastante, e, em todo o track list, somente “Cher Antoine” nunca conseguiu conquistar a minha admiração. Bem, o disco ficou em primeiro lugar na minha lista particular também, então, podem me jogar as pedras!


2. Los Hermanos – 4 (43 pontos)

André: Tem músicas tais como “Fez-se Mar”… uaaaaaahhhh… “Os Pássaros”… zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz … , opa, desculpe, aí vem “Sapato Novo” que demonstra que a banda … zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz.

Bernardo: Tirando “O Vento” e “Condicional”, acho que esse álbum ficou devendo. Los Hermanos soaram acomodados aqui.

Davi: Depois de dois ótimos discos, os músicos me frustraram lançando uma das piores coisas que já ouvi na minha vida (e olha que já ouvi muuuuito disco e muita coisa ruim). Trabalho apático, down, xoxo, sonolento. Me dá a impressão que estavam desiludidos, sem inspiração. Na época, demorei três dias para ouvir esse CD até o fim. Ouvia três faixas e dormia, três faixas e dormia, três faixas e dormia. Hoje, consegui vencer esse problema, mas continua não me empolgando em nada. Uma pena esse ter sido o ultimo trabalho de inéditas. Estava esperando ansiosamente pelo 5° CD colocando as coisas novamente no eixo. Para não dizer que nada se salva, gosto de “O Vento”.

Diego: Outro disco que tenho história… essa já não tão positiva. Que a minha mulher atual não leia isso (e é um perigo pois ela fala Português melhor do que eu falo Polonês, risos), mas esse disco marcou minha primeira paixão de verdade. Não porque éramos embalados ao som de Los Hermanos (pelo contrário, ela gostava mesmo era de Angra), mas pelo fato de que comprei esse disco, meros 3 meses depois de seu lançamento (um marco para o outrora pobreta Diego com 15 anos), na primeira vez em que sai com ela. Era minha desculpa para ver ela fora da internet pela primeira vez: “Vou na Galeria (do Rock) comprar um CD, quer ir comigo?”. Ela disse sim, eu comprei o CD, nós começamos a namorar 2 semanas depois e foram 6 meses de altos e baixos que no fim me foderam ferrenhamente quando levei um Homérico pé-na-bunda e fiquei em depressão por quase um ano (é sério isso). Após o ocorrido o disco acabou ficando com essa memória atrelada, e somado o fato de que 4 já é por natureza melancólico, triste e pé-na-fossa, fazendo com que hoje o disco não rode mais no meu player. Sem contar que ele é o mais fraco da banda, apesar de ainda ser um ótimo disco.

Mairon: O famoso disco da deprê. Tenho uma história muito particular com 4. No ano de seu lançamento, estava passando pela separação da mãe do meu filho, e o grupo esteve em Porto Alegre, onde morava na época. Me considerava um fã da banda, adorava Ventura, para mim o melhor disco do rock nacional já lançado até então desde a década de 70, e sabia que estavam lançando um novo álbum. Internet naquele tempo era algo raro, e downloads mais ainda. Fui ao show, uma noite de chuva e frio, na esperança de ouvir “Além do Que Se Vê”, “Cara Estranho”, “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, entre outras faixas alegres que me conquistaram como fã, e ouvir um bom som no geral. Mas quando começaram as primeiras notas de “Dois Barcos”, e o Bar Opinião INTEIRO começou a cantar uma música que nunca tinha ouvido na minha vida, o mundo caiu. Que porr@ de fã era eu que não conhecia aquilo? Eu lá, no gargarejo do palco, sem saber o que estava acontecendo. Mudança de posições e Amarante assume os vocais para cantar “Primeiro Andar”, faixa sombria, tensa, com uma percussão agonizante de Barba, e todo mundo cantando, de forma que não dava para ouvir a voz do Amarante. Cara, o disco acabou de ser lançado, como é que pode? O show foi passando, e 4 foi interpretado quase na íntegra, e eu fiquei abismado que todo mundo conhecia todas as músicas do disco novo do início ao fim, menos eu. Acho que é o disco nacional que mais ouvi na minha vida, e concordo que é um álbum com clima melancólico, mas na fossa que eu andava na época, aprendi a amar esse álbum de maneira incondicional. Faixas como “Fez-se Mar”, “É De Lágrima” e “Pois É” são extremamente para baixo, mas tocantes demais para quem gosta de música assim, e eu adoro. Quando “Paquetá”, “Morena” e “O Vento” passam pelas caixas de som, o clima de alegria se recupera, contrapondo a depressão maravilhosa das faixas citadas. “Condicional” tem uma letra impactante e muito reflexiva, além de dar um up muito bem vindo, e é impossível não sair pulando pela casa com “Horizonte Distante”, chorar junto com Camelo durante a sensacional “Sapato Novo”, querer arrancar a pele com a tristeza carregadíssima de “Os Pássaros” (put@ merd@, que letra fod@, e que música linda), e sentir a potência sonora de “Condicional”. O melhor disco do rock nacional em anos, e que espero, um dia, receba o valor que ele tem, já que foi o último registro da banda, mas exatamente aquele que conseguiu casar todas as boas criações da banda, abrangendo música, composição, letras e harmonias, qualidades que se destacavam individualmente em seus álbuns anteriores, como uma verdadeira obra-prima faz. Obrigatório!!

Micael4 talvez seja o álbum mais introspectivo do grupo, apesar da popzinha “O Vento”, que até em Malhação apareceu. Não é um disco fácil, não é um disco divertido, mas é um registro intimista, introspectivo e muito, muito bonito. “Dois Barcos”, “Fez-se Mar”, “Os Pássaros” (esta quase depressiva em seu arranjo tristonho),”Sapato Novo”, “Pois É” (linda, fantástica, maravilhosa) e “É De Lágrima” não são recomendadas àqueles com pensamentos ou tendências suicidas, mas sim para quem tiver a alma aberta à beleza, à placidez e à tranquilidade, ou para quem quer curtir uma enorme dor de cotovelo com um álbum que se encaixará quase perfeitamente em seu estado de espírito. E ainda tem “Horizonte Distante”, uma viagem sonora que, arrisco dizer, não encontra paralelos no pop rock nacional dos últimos vinte ou trinta anos. A quase animação de “Paquetá”, “Condicional” e “Morena” é subjugada pela tristeza das outras músicas citadas, e o tom do disco acaba sendo mesmo o “para baixo”, o que talvez explique o “bode” que muita gente tem do registro (e da banda também). Pobres almas com os ouvidos entupidos de METÁU, e incapazes de apreciar algo tão belo e singelo quanto o que se ouve aqui!


3. Maria Rita – Maria Rita (35 pontos)

André: Boa cantora, carregou muito tempo o estigma de ser filha de Elis Regina mas nos últimos anos essas comparações caíram drasticamente. Ainda assim, não é meu estilo e suas músicas não me atraem, é mais mesmo para quem curte MPB.

Bernardo: Elis Regina é açúcar, Maria Rita é adoçante. Dá para o gasto mas não solta faísca em momento nenhum.

Davi: Para mim, esse foi um dos últimos grandes álbuns da música brasileira. Disco praticamente perfeito. Arranjos impecáveis, trabalho vocal soberbo, repleto de canções memoráveis. Sofisticado e popular ao mesmo tempo. Ainda gosto muito do trabalho dela, mas gostaria de vê-la gravando nesse estilo de novo. Mais MPB, meio jazz, menos samba. Ainda considero seu melhor álbum. Quem sabe um dia… Destaques: “Festa”, “Menininha do Portão”, “Não Vale a Pena”, “Cara Valente”, “Encontros e Despedidas”, “Pagu”, “Lavadeira do Rio” e “Veja Bem Meu Bem”. Sem exageros, uma das melhores cantoras brasileiras da atualidade.

Diego: Chato descreveria o disco muito bem. Maria Rita interpreta canções maravilhosas como se fosse uma boneca de plástico, o que importa é não errar as notas, a emoção que se exploda. O repertório do disco é soberbo, e ela é amparada por uma banda de primeira, mas a Maria Rita é uma personagem sem brilho nenhum, sem personalidade e isso transparece no resultado final. O disco de estreia de Maria Rita poderia ser algo para se ter orgulho, é um disco que tenta tanto ser emocional e não consegue. Este é um disco que quer ser todo coração, mas que tenta fazer isso através de números e não de emoções. Triste.

Mairon: Maria Rita viveu muito tempo pela sombra de ser filha de Elis Regina. Desde que ela surgiu, com esse belíssimo álbum, eu me tornei fã dela. Claro que há nuances de Elis na performance vocal de Maria, principalmente em faixas que certamente iriam ser notáveis na voz de sua mãe, como “A Festa” e “Encontros e Despedidas” (ambas de Milton Nascimento), ou o bolero “Dos Gardenias”, mas não precisamos ficar nessas comparações. Há uma criação pessoal de Maria, por exemplo, adaptando sonoridades em versões especiais para “Agora Só Falta Você” (totalmente desconstruída) e “Pagu” (ambas de Rita Lee). Mas são nas MPBs de “Menininha do Portão” e “Lavadeira do Rio”, na incursão experimental de “Cupido” e nas introspectivas “Não Vale a Pena”, “Menina da Lua” que percebe-se quão grande é o talento de Maria Rita, suave, moderna, sem exageros e capaz de mexer com a mente do ouvinte. Além disso, o que ela faz nas duas faixas criadas por Marcelo Camelo, o embalado samba “Cara Valente” e a linda “Santa Chuva”, é de se comer o chapéu, e quando ela arranca arrepios da espinha na clássica “Veja Bem, Meu Bem” (de novo ela), não há o que fazer a não ser estabelecer Maria Rita como um dos melhores discos nacionais dos últimos anos. Portanto, deixem de chorumelas e comparações, pois não tem o que comparar, e apenas abra sua mente para uma das melhores vozes que o Brasil tem na atualidade.

Micael: Sempre gostei muito da voz de Maria Rita, embora não goste muito das músicas que ela grave. Não sou fã de MPB nem de samba, dois estilos que aparecem com constância em sua discografia, mas ouvir a voz sempre agradável da filha da maior cantora que este país já viu nunca é um sacrifício, independente do que ela cante. E quando ela dá vida nova a canções de Marcelo Camelo como “Cara Valente”, “Veja Bem Meu Bem” e “Santa Chuva”, todas presentes no track list deste álbum, aí a coisa consegue me agradar de verdade. “Agora Só Falta Você” (totalmente reconstruída, com destaque para o baixo acústico) e “Pagu”, ambas da rainha Rita Lee, também ajudam a me atrair para o disco, e mesmo as duas faixas de Milton Nascimento (“A Festa” e “Encontros e Despedidas”) não chegam a me desagradar. Como disse, não é o tipo de música que eu gosto de ouvir nos meus momentos de lazer, mas a voz maravilhosa de Maria Rita compensa com sobras o “esforço” da audição.


4. Skank – Cosmotron (33 pontos)

André: Os caras são animados, fazem letras fáceis, são carismáticos e não se levam muito a sério. Sempre curti essa banda e acho este disco um tanto mais “psicodélico/espacial” como um de meus preferidos dos mineiros. “Formato Mínimo”, “Resta um Pouco Mais” são as minhas favoritas, mas há também a ótima “Vou Deixar”, muito tocada nas rádios e presença constante nos shows. Skank não tem erro, mesmo um disco inferior deles ainda é melhor do que muita coisa lançada por 80% das bandas nacionais.

Bernardo: Apesar do processo ter iniciado no antecessor Maquinarama, Cosmotron é o disco onde a banda terminou a transição do pop-rock/ska-reggae que os tornou famosos pelo Brasil inteiro, absorvendo influências dos Beatles da segunda fase e do Clube da Esquina. A etérea e esmerada “Dois Rios” é o ponto alto do disco, mais o pop direto de “Vou Deixar” e a cheia de guitarras “Supernova”. A nova fase dos anos 2000 revitalizou o Skank, e se não são mais hit wonders como antigamente, são uma banda popular consistente e ainda relevante na nossa música.

Davi: Puta disco que merece ser conferido até entre aqueles que não são fãs do grupo. Em Cosmotron, os garotos de Belo Horizonte afastavam-se da sonoridade reggae e dos metais àla Paralamas e traziam à tona suas influências de Clube da Esquina (que seriam aprofundadas no ótimo Carrossel) e, principalmente, Beatles. A bateria de “Supernova” foi claramente chupada de “Tomorrow Never Knows”. A conhecida balada “Dois Rios” e a psicodélica “Um Segundo” se os irmãos Gallagher ouvissem iam brigar para ver quem faria uma versão em inglês das mesmas. Outros ótimos momentos ficam por conta de “As Noites”, “Amores Imperfeitos” e o animado hit “Vou Deixar”.

Diego: O Skank faz parte da minha geração (nasci em 85), lembro dos hits da banda em todos os cantos desde que eu tinha 8 ou 9 anos de idade. Lembro de nunca ter realmente escutado o Skank justamente pelo acento extremamente Pop que eles sempre tiveram, não era pra mim. Desde 1998, quando lançou Siderado, o Skank mudava, pouco a pouco, o acento extremamente Pop ainda estava lá, mas a vontade de ir além ficava mais evidente em “Resposta”. Não foi uma surpresa muito grande quando em 2000 eles lançaram Maquinarama e o acento mais “humano” estava ainda mais presente, os arranjos não mais dependiam de teclados techno e “eletronicisses”, agora a banda fazia um Pop Rock vigoroso como em “Três Lados” e “Canção Noturna”. No entanto, eu ainda não acompanhava a banda. Especialmente porque o disco MTV Ao Vivo Em Ouro Preto, de 2001, rodava incansavelmente no player do meu irmão, me incomodando profundamente… Em Julho de 2003 saía Cosmotron e que tapa na minha cara… Mais uma vez a MTV foi o meio de descoberta (houve um tempo em que ela era importante), ver o clipe de “Dois Rios” foi um daqueles momentos… Eu não conseguia acreditar que aquele som vinha do… Skank… a mesma banda de músicas chatérrimas como “Balada Do Amor Inabalável”, “Saideira” e “Garota Nacional” gravando algo desse naipe? Impossível! Mas não era impossível, aconteceu e o Skank conseguiu algo MUITO difícil dentro do cenário Pop musical, se reinventar de maneira drástica, mantendo o acento Pop e ainda ser sucesso de público (vendeu cerca de 210 mil cópias na época do lançamento), quer exemplo mais perfeito do que eu disse acima do que “Vou Deixar”? Discaço com merecido destaque! Triste que a banda, depois do sucessor Carrossel, tenha decidido voltar ao som do início de carreira e segue lançado discos absurdamente ruins desde então.

Mairon: O Skank sempre me foi uma banda mais do mesmo. Nunca fui muito com a cara do Samuel Rosa, e apesar de ter visto eles em ação algumas vezes durante os anos 2000, acho as canções muito sem sal e alegrinhas demais. Quando comecei a ouvir “Supernova”, até que me surpreendi, mas daí descobri que os méritos psicodélicos dessa faixa devem-se a Fausto Fawcett. Daí depois, veio muita inspiração em Beatles e Clube da Esquina (pô, “Dois Rios” é Lô Borges demais, e claro, foi ele quem compôs essa boa obra), e fui absorvendo aquilo sem me envolver, até surpreso por não ter tantos reggaezinhos xoxos quanto ouvi de outras vezes nas músicas do Skank, ter uma viagem interessante chamada “Nômade”, mas quando me deparei com aquela chatice sonora “Vou Deixar”, pensei: “É, vou deixar de ouvir essa porcaria, por que tenho mais o que fazer”.

Micael: Olhando o track list deste disco na playlist que o youtube me ofereceu, a única faixa que chamou a atenção foi “Vou Deixar”, música que para mim resume tudo o que há de errado com o Skank, uma banda que começou interessante com sua mistura de reggae e ragamuffin (ou seja lá o que eles faziam em seu disco de estreia), mas depois foi “amadurecendo” a sua sonoridade e se tornando chata para caramba. E chato também é este disco, um popzinho comum feito quase que de encomenda para as rádios e para as garotas que passaram a idolatrar qualquer coisa que estes mineiros gravassem, mas que não consegue agradar aos meus ouvidos. Tirando “Supernova”, que é quase uma cópia de “Tomorrow Never Knows”, dos Beatles, a única faixa que me agradou foi “Dois Rios”, e não foi com surpresa que, ao conferir a ficha técnica, vi Nando Reis entre seus compositores, em sua única parceria com Samuel Rosa neste registro. Talvez falte mais a “mão” do Ruivão, visto que as músicas que mais me agradam na carreira do Skank depois do registro de estreia sempre tem o “toque de Midas” de Nando, o qual não apareceu aqui. Cosmotron deve ter suas qualidades, mas não é para mim.


5. Los Hermanos – Ventura (33 pontos)

André: Definitivamente, cheguei a conclusão que “Anna Júlia” talvez seja mesmo a melhor música da banda lá do primeiro disco. Pelo menos naquele álbum tinham um pouco mais de energia, metais e um instrumental ao menos decente. Desse segundo disco em diante foram três álbuns de letras xaropentas, clima de MPB juvenil, instrumental preguiçoso e uma atmosfera soporífera. Pensando bem, eu ouvi três discos deles agora e o de 1999 lá no primeiro Consultoria Recomenda. Caralho, posso até escrever a discografia comentada inteira do Los Hermanos e há bandas que eu adoro que sequer cheguei a ouvir todos os discos. Tem coisas que só a Consultoria do Rock te obriga a fazer.

Bernardo: Uma sequência natural de Bloco do Eu Sozinho, onde conseguiriam conciliar o manto alternativo com a faceta acessível – vê-se exemplos como a agitada e agridoce “O Vencedor”, a pulsante e esbaldada em Weezer “Cara Estranho”. Camelo que mais compôs hits no disco, mas é de Amarante aquela é a melhor música “Último Romance”, dramática e doída na medida certa.

Davi: Embora Bloco do Eu Sozinho não tenha gerado um grande hit radiofônico dos portes de “Anna Julia”, o álbum transformou-os nos queridinhos da crítica e trouxe uma leva de fanáticos. Em seu terceiro álbum, os músicos resolveram não correr grandes riscos. Seguiram basicamente a mesma fórmula do álbum anterior. Ou seja, as guitarras suingadas, as letras chicobuarquianas, a influência do samba. Não tem o mesmo brilho do álbum anterior, mas ainda assim é um trabalho muito interessante com ótimos momentos como “O Vencedor”, “Tá Bom”, “Último Romance”, “Além do Que Se Vê” e “Cara Estranho”. Ótimo disco!

Diego: Nesse disco a banda já estava aceita como essa nova “coisa” que tinha se tornado. Ventura foi um disco que eu comprei no começo de 2004 e ouvi tanto, mas tanto que o meu CD começou a pular em alguns trechos. Não tenho histórias tão fortes com esse disco, só a lembrança de como foi bom ouvir ele na época do lançamento e ter a noção de que algo estava acontecendo na música do Brasil, e não era somente “lá fora”.

Mairon: O disco do desbunde. Cara, como lembro da primeira vez que ouvi esse disco. O impacto de ouvir algo que podia ser considerado perfeito do início ao fim. Daqui saíram os principais clássicos do Los Hermanos, e que são de uma grandeza sem igual no rock nacional. Se não vejamos esse simples track list: “O Vencedor”, “Tá Bom”, “Cara Estranho”, “Além do Que Se Vê”, “Conversa de Botas Batidas”, “Um Par”, “A Outra”, “Do Sétimo Andar” e “De Onde Vem a Calma”. Poucos são os discos a ter algo tão imponente quanto essas faixas. Mas Ventura ainda traz mais: o sambão de “Samba a Dois”, as inspirações oitentistas de “O Pouco que Sobrou” e a sensacional “Do Lado de Dentro”, cuja letra é um coice nos peitos, e a musicalidade criada para esse absurdo musical é assombrosamente arrepiante. Amarante passou a dividir o espaço mais democraticamente com Camelo, e isso foi muito saudável para o grupo, pois gerou um contraponto muito importante para a presença MPBística de Camelo, dando um ar mais relaxado como em “O Velho e O Moço”, e rock ‘n’ roll como em “Deixa O Verão”. Acima de tudo, Amarante fez outra canção que tranquilamente está no hall das Melhores do Rock Nacional, “O Último Romance”, faixa que já chorei pacas nos shows da banda que fui, e que ao lado da também belíssima “De Onde Vem a Calma”, essa interpretada por Camelo, forma a dupla de belezuras deste disco. Aliás, foi com Ventura que vi a banda em ação pela primeira vez, e comprovei que realmente eles eram uma banda capaz de serem os melhores do país. Aqui a banda definitivamente criou seu legado de “Ame ou Odeie”, viu ver aumentar exponencialmente o número de mulheres em suas apresentações, mas principalmente, cravou seu nome na história como uma banda capaz de surpreender positivamente. Ventura tem tudo o que se pode dizer de melhor, tanto que muitas são as listas que o colocam como o melhor disco do rock nacional nos anos 2000, só que para meu gosto maluquete, esse status durou apenas dois anos, pois como afirmei acima, com 4 meu mundo caiu.

Micael: O grupo se isolou em um sítio e saiu com um álbum bem diferente do Bloco, mas ainda não tão sombrio quanto o posterior 4. “Samba a Dois” remete a “Todo Carnaval Tem Seu Fim”, enquanto “O Vencedor” e “Cara Estranho”(e também, embora em uma escala um pouco menor, “Além do Que Se Vê”) viraram “preferidas” daqueles que eram fãs, mas não chegavam a ser devotos dos cariocas, devotos estes que formavam uma legião que só fazia aumentar a cada novo registro, e que cantou todas as letras do disco dias depois do seu lançamento em um Bar Opinião lotado aqui em Porto Alegre, como pude presenciar in loco. Embora conte com faixas mais animadas como “Deixa o Verão”, “Um Par”, “Do Sétimo Andar”, “Último Romance”, “O Pouco Que Sobrou” (com algumas viagens sonoras de Medina) e a “quebrada” “Do Lado de Dentro”, são as músicas mais tristonhas que me chamam a atenção, como “Tá Bom”, “A Outra”, “O Velho e o Moço”, “Conversa de Botas Batidas” (linda e emocionante) e, principalmente, “De Onde Vem a Calma”, uma das melhores canções da carreira do grupo. Podem reclamar e espernear, mas, se vossos ouvidos não tem a capacidade de apreciar a qualidade de discos como este, a culpa não é das canções, mas da falta de disposição de se abrir a novas experiências sonoras que os caros colegas possuem!


6. Pata de Elefante – Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha (25 pontos)

André: Blues rock instrumental excelente e que faz tempo eu estou para recomendar ao pessoal da Consultoria. Com uma cozinha de baixo e bateria bem azeitada (tanto Gabriel Guedes quanto Daniel Mossman se revezavam no baixo e na guitarra) e belos solos, esse trio me surpreendeu nesse segundo disco deles, o que mais gostei dentre os que ouvi. Uma pena a banda ter acabado em 2013. Felizmente esses gaúchos nos deixaram três discos que espero sejam mais valorizados no futuro.

Bernardo: Uma banda instrumental que consegue fazer um disco variado, que não entedia em momento algum e trabalha as referências sessentistas com muita sabedoria. Bela surpresa da lista.

Davi: Esse disco me surpreendeu. Já tinha lido a respeito dessa banda, mas nunca tinha parado para escutá-los. Provavelmente, por ter lido muito sobre o Macaco Bong e quando os assisti ao vivo, não me disseram muita coisa. O trio, assim como a citada banda, apresenta um rock instrumental. Só que, dessa vez, a coisa funciona. Assim como acontecia com os grupos instrumentais de antigamente (como Shadows, Ventures ou até mesmo The Jordans), os músicos dão valor à musica em si. A ideia de canção. Com bastante referência de anos 60 e 70, bastante influência de classic rock, o som deles é bem trabalhado, porém bem objetivo. Quando for ouvir, preste atenção no trabalho de guitarra, é o creme do disco…

Diego: O Pata De Elefante, nascido em Porto Alegre no começo dos anos 00 era uma ótima banda. Uma das poucas bandas no Brasil que lançou uma quantidade decente de discos trabalhando exclusivamente com música instrumental (os únicos dois outros grupos que me vêem à mente são A Cor Do Som e Macaco Bong). Eu só tinha ouvido o primeiro disco da banda, de 2004, e apesar de ser um bom disco, não era nada de especial. Em Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha outra vez temos um disco acima da média, cheio de boas músicas e composições bem trabalhadas, instrumental mas sem ser chato, sem cair na masturbação sonora que é tão comum em bandas instrumentais. No entanto o disco mostra muito pouco, especialmente para entrar em uma lista de MELHORES DA DÉCADA… o disco não é ousado, fato que pesa bastante num disco instrumental. Bom disco, nada mais.

Mairon: Sou um admirador da Pata há muito tempo. Os caras souberam muito bem trazer o som southern para o Brasil, com um talento descomunal, misturando country rock, blues e muito rock ‘n’ roll de forma exclusiva, totalmente instrumental, com muitas músicas excelentes para ouvir acompanhado de um belo uísque e uma costela de cordeiro sendo assada direto no fogo de chão. Claro que existem faixas mais acessíveis (“Hey”, “Marta”, os “Pesadelos Hippie 3 e 4” e “Bolero das Arábias”, por exemplo), mas é nas ótimas pegadas de  “Carpeto Volatore”,  no ritmo flower power de “Presente Para Mary O”, no bluesy ” Breve Visita De Wilson A Nova Orleães”, na lisergia de “Don Genardo” que escondem-se a essência da banda: o prazer de criar música que divirta. Basta saber que podemos conferir metais e piano na faixa-título, os quais nos levam direto para um boteco de quinta no interior dos states, para ter uma ideia do que a Pata propôs. Bom disco, sem dúvidas, apesar de muitas faixas curtas poderem ter sido limadas da versão final, e acredito que se fosse para ter a Pata aqui, prefiro seu antecessor, o excelente álbum homônimo que projetou o grupo para seus fãs. E fica a dica, os paranaenses do Kingargoolas vem fazendo um som similar, mas talvez melhor do que a Pata nos últimos anos.

Micael: Rock and roll instrumental com toques de southern rock e de blues. Dificilmente esta receita dará errado quando executada por “cozinheiros” hábeis, e, nas mãos (ou nos instrumentos) destes talentosos gaúchos, a coisa vira pura alegria! Toques orientais, jazz, soul e gospel aparecem aqui e ali para dar mais consistência ao “molho”, e fazer deste um álbum extremamente agradável de ouvir. Difícil citar algum destaque (até porque a versão que escutei para fazer os comentários desta lista não trazia a identificação das faixas), mas é um disco onde a média das canções é nivelada por cima, e que não faz feio nesta lista. Excelente lembrança!


7. Video Hits – Registro Sonoro Oficial (25 pontos)

André: A musicalidade me lembra aquelas trilhas sonoras de filminhos antigos dos anos 80 que passariam na Sessão da Tarde da Globo. As vozes femininas me lembraram as usadas pelo Bangles, com a diferença de ser mais focado no pop rock e menos no eletrônico. O principal defeito do disco são as letras bem bobinhas. Os arranjos até são bem trabalhados, principalmente os teclados. Mas as composições como um todo não me agradaram mesmo.

Bernardo: Equilibraram às homenagens rasgadas à bossa nova, tropicália e Clube da Esquina do resto da lista e fizeram um disco que é descaradamente Jovem Guarda e música de boate dos anos 70, com participações com Ronnie Von (regravando sua “Sílvia 20 Horas Domingo”) e Gerson King Combo. Mais pesado que os homenageados, mas não chega a meus ouvidos como um grande disco.

Davi: Já tinha escutado falar dessa banda, mas ainda não tinha escutado esse CD do início ao fim. Só conhecia o clip “(Vo)C”, que assisti na MTV, na época. A faixa de trabalho, eu gosto. Um pop/rock delicioso, muito bem feito, com bastante referência de anos 60. Assim como todos os álbuns produzidos pelo ex-Baba Cósmica, Rafael Ramos (Deckdisc), a qualidade de gravação é muito boa. Peguei o disco para ouvir e bateu uma certa decepção. O instrumental é interessante, a influência de anos 60 é latente, principalmente Jovem Guarda (perceptível, principalmente, nos teclados àla Lafayette), mas as letras são horríveis. Na época, ainda estava na moda aquele rock engraçadinho, e o humor deles é beeem fraquinho. Se for para ouvir uma versão mais moderna da sempre divertida Blitz, fico com o ótimo Bidê Ou Balde.

Diego: ‘Tem disco com histórinha do Diego? Tem sim, senhor!’ Ah, a Video Hits de Diego Medina… Diego Medina é um cara que deveria ter tido maior reconhecimento na época do lançamento desse disco (2001). Acredito que se ele tivesse sido encorajado teria tido feito muitos outros ótimos discos, ao invés disso acabou se enfurnando em seu estúdio de desenho e hoje em dia música é algo que ele faz só por fazer… Banda e disco ímpar no cenário musical Brasileiro, uma mistura absurdamente inusitada de Faith No More e Jovem Guarda, com ótimos convidados (Gerson King Combo e o mestre Ronnie Von) e musicalidade latente. Conheci o disco através de uma coletânea da revista Trip em 2001. Junto da revista vinha encartado um CD promocional somente com bandas do Sul, conheci várias bandas legais através desse CD como Tequila Baby, Os The Dárma Lovers e em especial, a Video Hits. Também lembro que bem pouco tempo depois li sobre o disco na revista ShowBizz (numa época em que revista musical fazia algo no Brasil) e queria porque queria comprar, mas, como já escrevi aqui, um moleque sem grana não podia comprar tudo que via. Dois anos depois, já trabalhando, relembrei do disco ao ver minha famosa “lista”. Na época eu tinha uma caderneta onde anotava todos os discos que queria comprar… Foi uma espécie de trabalho de arqueologia quando tentei achar esse CD pra comprar, nas lojas ele não estava mais, na galeria do Rock nunca tinha visto. Acabei achando no mais inusitado lugar, uma na Faunus Discos – loja especializada em LPs e raridades do mundo Prog, também no centro de SP. Esse disco deveria ter sido um clássico e no final das contas acabou se tornando apenas um cult para ‘descolados’, hoje em dia até em lista de melhores aparece. Eu ouço regularmente e acabei fazendo com que virasse um dos preferidos até da minha mulher. Discaço!

Mairon: Voltamos a Jovem Guarda durante os quarenta e sete minutos desse disco que há muito tempo eu não ouvia. Lembro que conheci o Video Hits quando estava “estudando” a obra psicodélica de Ronnie Von, e fui atrás da boa e maluquete versão de “Silvia 20 Horas” que a banda registrou nesse álbum, com a participação do Pequeno Príncipe. Isso foi no final dos anos 2000, e lembro que curti o disco desses gaúchos, mas não fiquei com ele em nenhum formato. Reouvindo hoje, bateu a nostalgia. É uma bela banda, na linha de nomes conterrâneos como Cachorro Grande, Bidê o Balde ou Acústicos e Valvulados, mas com um pouco mais de peso, a presença marcante do órgão, e com letras bem mais interessantes. Basta ouvir a crítica ácida de “Cozinha Oriental” e “Menino Feio” ou o deboche escancarado de “Louco Por Você” e “Joe Aipim”.  As melhores faixas para mim são “Bomba”, “(vo)C”, “O Basset Azul” e a já citada versão do clássico de Ronnie Von. A banda, comandada por Diego Medina, ficou apenas nesse Registro Sonoro Oficial (para colecionadores, tem as demos Feito em Casa com Muito OrgulhoDoces, Refrescos e Tratamentos Dentários), uma lástima, já que é um baita achado no rock nacional.

Micael: Nossa, mais uma banda do Rio Grande do Sul na lista! Nem eu sabia que os grupos daqui tinham tanta consideração dentre os meus caros colegas consultores. A Video Hits foi outra frequentadora assídua das ondas da saudosa Ipanema FM, assim como a Cachorro Grande, mas seu estilo “jovem guarda animadinha docinha/bonitinha” nunca me agradou muito, apesar de saber reconhecer as qualidades do grupo dentro daquilo que se dispõe a fazer. A versão de “Silvia Vinte Horas Domingo” tocou muito aqui na capital gaúcha na época, mas não foi o suficiente para me animar a conhecer melhor a banda, algo que a audição completa do disco para fazer os comentários desta lista também não conseguiu fazer. Registro Sonoro Oficial é um bom disco dentro de um estilo que não me agrada, e não sei mais o que dizer sobre ele.


8. Tribuzy – Execution (25 pontos)

André: Excelente disco de power metal por parte de Renato Tribuzy, Até me surpreende como um cara tão bem conceituado no Brasil e com um grande vocal desses só tenha lançado esse disco de estúdio. Destaco principalmente “Divine Disgrace” e “Beast in the Light” com participação de ninguém menos que Bruce Dickinson e Roy Z. Mas Mat Sinner, Michael Kiske e Ralf Scheepers também brilham em um disco cheio de convidados. É de fato um belo destaque do metal nacional, devia até ter votado nele na lista de melhores de seu ano.

Bernardo: Power metal com toda a nata do power metal – Tribuzy à frente, Kiko Loureiro nas guitarras, participações de Bruce Dickinson, Michael Kiske, Matt Sinner, Ralf Scheepers, Roland Grapow, Roy Z.. Fica a seu critério se é bom ou não.

Davi: Olha só o que vocês foram desencantar. Fazia tempo que não ouvia esse disco, hein? Comprei esse CD na época por conta dos convidados especiais. O cara trouxe nomes de peso como Bruce Dickinson (Iron Maiden), Michael Kiske (Helloween), Ralf Scheepers (Primal Fear), Roland Grapow (Helloween), Kiko Loureiro (Angra), entre outros. O álbum realmente foi uma surpresa. Esperava um disco legalzinho, onde os convidados arrebentassem com tudo e fui surpreendido com um puta disco. Qualidade de som excelente, arranjos ótimos, músicos de primeira e, sim, Renato Tribuzy manda bem no gogó. A sonoridade como já deu para sacar é heavy metal. Uma mistura do metal tradicional com o melódico. Fortes elementos de Iron maiden e Helloween nos arranjos. Tudo feito com enorme competência. Momentos de destaque: “Execution”, “Web Of Life” e “Beast In The Light”.

Diego: A verdade é que Execution é um bom disco, mas pena em criar uma identidade. Renato Tribuzy é um bom vocalista, mas não há como diferenciá-lo de todos os outros vocalistas de Power Metal (ou Metal Melódicos) que andam por aí (e olha que são muitos). A execução do disco é muito boa, bons riffs, mas a produção é fraca, pra dizer o mínimo, a bateria está tão enterrada lá no fundo e traz aquele som de caixa “maravilhoso”. O disco parece ter sido gravado com um vocalista, um guitarrista, e um baterista que poderia ter sido substituído por uma eletrônica. Baixista? Tinha um? Entendo que o disco é acima do nível do que se costuma ouvir no Metal Brasileiro, mas chamar Execution de melhor da década é mais do que Pegadinha do Malandro. Em tempo, fica a pergunta, como uma banda (ou no caso aqui, mais um disco solo) que lançou um dos melhores discos da década nunca mais lançou nada e caiu no esquecimento? Sempre tive a impressão de que esse tipo de artista dura pelo menos um segundo disco quando obtém tal conquista…

Mairon: Essa é a semana de Kiko Loureiro. Afinal, na terça ele encabeçou nossa lista de Melhores de 2016 com Dystopia, e agora, seu único registro com o Tribuzy está entre os dez melhores brasileiros dos anos 2000. Execution é um álbum tipicamente de heavy metal, bem interessante e bem tocado para os padrões nacionais, e com uma constelação de convidados no mais alto nível do estilo mundial (Bruce Dickinson e Roy Z em “Beast in the Light”, Michael Kiske e Roland Grapow em “Absolution”, entre outros nomes de igual importância na cena metálica). Gostei do que ouvi, apesar de não ter me tornado um fã da banda. Destaque para as faixas citadas acima, bem como o solo de Kiko na faixa-título, a linda “The Means” e a pesadíssima “Nature of Evil”. Só acho que sua presença aqui, no lugar dos Shamans e Angras da vida, não é tão bem vinda assim, afinal, como diz um amigo nosso aí, é um disco bem mais do mesmo …

MicaelExecution é um bom álbum, muito bem composto, excepcionalmente bem tocado, e com um cantor privilegiado (que gogó tem esse Renato Tribuzy!). Mas é um disco genérico dentro do estilo “metal melódico”, ou algo que o valha. Eu ouvia e pensava “hum, é só um Angra (ou um Shaman, ou mesmo um Viper) mais pesado”. Até o famoso “toque de brasilidade” aparece lá pelas tantas (mais especificamente, na faixa “Absolution”), para completar o clichê. Não consigo entender o que o faz melhor do que os álbuns das bandas citadas acima (e de tantas outras), a não ser a constelação de craques que Tribuzy reuniu para participar de seu primeiro registro solo (apesar de gravado por uma banda), com músicos consagrados ligados a grupos como Helloween, Angra, Primal Fear e Pink Cream 69, além da carreira solo de Bruce Dickinson (com o próprio cantor aparecendo em uma faixa, “Beast in the Light”). São estas participações que acabam rendendo os momentos mais marcantes do álbum (como é bom ouvir Michael Kiske emulando seus tempos de “Keeper” na citada “Absolution”, ou o sempre correto Bruce arrebentando com tudo, como fazia na época de Accident of Birth e The Chemical Wedding), mas, mesmo com as qualidades citadas (e, repito, é um registro muito bom dentro do estilo adotado), ainda o considero um disco comum demais para ser considerado um dos melhores da década abordada. Mas, vá lá, a legião que tem os ouvidos entupidos de METÁU mais uma vez colocou um representante na lista. E dá-lhe Iron Maiden!


9. Racionais MC’s – Nada Como Um Dia Após Outro Dia (25 pontos)

André: Escutei esse álbum longuíssimo com uma paciência que até me surpreendeu. Para piorar, não sei qual dos MCs “canta” com efeitos de voz de taquara rachada logo no início.

Bernardo: Já não bastava terem feito Sobrevivendo no Inferno, uma das senão a obra-prima dos Racionais e do rap do geral, Nada Como Um Dia Após Outro Dia faz um álbum mais variado, provocante, mais multifacetado, com Edi Rock competindo espaço com Brown, como “A Vida é Desafio”. Mas é Brown que entrega a melhor música do disco, “Jesus Chorou”, com uma lírica e uma batida arrasadoras. Some a isso canções já clássicas, como “Vida Loka Pt. 1 e 2”, “Eu sou 157” e “Da Ponte Pra Cá”, Nada Como Um Dia… é o batismo de fogo dos Racionais como um grande grupo, onde um disco que senão é perfeito está cheio de momentos espetaculares.

Davi: Depois do bem-sucedido Sobrevivendo No Inferno, a trupe de Mano Brown atacava novamente e agora com um álbum duplo. Para quem curte, maravilha. Para quem não curte, que é o meu caso, uma verdadeira tortura. Disco bem produzido, cheio de samplers, mas não gosto da voz do Mano Brown, não nutro nenhum tipo de simpatia por sua figura marrenta, e a sonoridade deles, definitivamente, não me agrada. Tô fora!

Diego: Ah os Racionais… Lembro de como o Rap invadiu todos os cantos no final dos anos 90 e começo dos anos 00, exatamente a mesma época em que eu me mudava para a periferia de SP, ou seja, berço do Rap. Era o que se ouvia de manhã, tarde e noite. Peguei raiva do gênero, mais pelas pessoas que ouviam do que pela música em si. Lembro de alguma coisa do disco anterior, Sobrevivendo No Inferno, em Santa Catarina, onde eu morava em 1997, o Rap não tinha exatamente um mercado, então mal tinha ouvido “Diário De Um Detento”. Lembro de como fez-se um baita estardalhaço quando esse disco foi lançado, lembro de ser duplo e de ter um selo Preço sugerido R$23,90, logo na capa. Lembro também que ignorei com vontade o disco. Mas como o mundo dá voltas e como que para me dizer que nessa vida nada é 100%, ele voltou para me “atormentar”. Em algum momento eu tive a vontade de ouvir Racionais uns anos atrás, talvez pela lembrança do meu irmão ouvindo eles no rádio do carro, não sei dizer, mas comecei a ouvir mais e mais e tanto Sobrevivendo No Inferno como Nada Como Um Dia Após Outro Dia hoje fazem parte do meu playlist, volta e meia escuto os dois discos de cabo a rabo, um atrás do outro. Existe algo no texto dos Racionais que os fazem diferente de todos os outros grupos de Rap que eu já ouvi, algo que ainda hoje mesmo depois da mudança do grupo, consegue passar uma verdade natural que é muito difícil de se encontrar na música. Ou talvez seja porque eu quero me lembrar de um tempo que foi muito difícil pra mim e os Racionais me ajudam a por tudo em perspectiva, tudo vem e vai. É bom lembrar de coisas ruins para dar valor às coisas boas que se tem hoje. Sei lá se isso faz sentido, mas esse disco faz isso comigo.

Mairon: As vezes acho que os colegas tão afim de zoar com a mente dos consultores, e esse disco é o caso mais explícito de brincadeira sem graça. Mas que merd@ é essa? Como é que chamam isso de música? Pelamordedeus, quase 2 horas de música totalmente desperdiçada. Put@ que pariu, não é para mim. A imagem ao lado demonstra um pouco o que é isso…

Micael: Ah não, é sério isso? Um disco duplo do Racionais, com 21 musicas e quase duas horas de duração? Quem foi o responsável por colocar este álbum na lista, podem me dizer? O registro de estúdio dos Racionais imediatamente anterior a este, Sobrevivendo no Inferno, é, na minha opinião, o melhor disco de rap já feito no Brasil, mas já é um sacrifício ouvir seus mais de 75 minutos de uma tacada só. Quase duas horas de bases repetitivas (KL Jay tem um bom gosto absurdo para escolher os samplers que usa, mas a necessidade de fazer faixas quilométricas para acomodar os textos dos outros três membros do grupo faz com que as músicas do grupo passem de interessantes a irritantes antes de acabar), letras estilo “pura revolta” (que podem até representar a realidade de muita gente, mas que não representam a minha) e faixas que começam e terminam sempre com a mesma batida, o mesmo padrão rítmico, sem mudança alguma desde os primeiros segundos até o final (que, como citei antes, normalmente só chega após longos, repetitivos e dolorosos minutos) fazem com que eu não tenha vontade alguma de escutar este disco mais uma vez. Talvez seja a única “bola fora” desta bela lista, mas é uma “bola fora” enorme, na minha opinião, e que tirou o lugar de outros discos que mereciam aparecer por aqui. E ainda querem reclamar da presença do Los Hermanos, vejam vocês!


10. Cachorro Grande – Cachorro Grande (22 pontos)

André: Sempre foi uma banda que começou mediana lá no início dos anos 2000 e depois só piorou entrando numa vibe “alternativa” nos últimos trabalhos que só de ouvir “as faixas de destaque” já me afastaram completamente. Ainda assim, há coisas boas nesse primeiro disco com alternância entre algumas boas músicas como “Lunático” e “Dia Perfeito” e algumas bobagens como “Lili” e “Vai T. Q. Dá”. Dificilmente me animará em ouvir um disco inteiro deles novamente, mas fica aquela sensação que poderiam ter virado uma banda agradável mas que se perdeu pelo caminho.

Bernardo: Já começaram bem, mas nesse estágio ainda estavam bem crus. Algumas músicas são bem genéricas e não saem muito da referência, mas algumas outras já mostravam os grandes compositores – “Lunático”, a agitada faixa de abertura e a cadenciada e sexy “Dia Perfeito” já mostravam a banda que iria amadurecer e dar uma cara nova ao rock brasileiro nos anos seguintes.

Davi: Grande banda! Sempre fui muito fã do Cachorro Grande e fico feliz de vê-los nessa lista. Em seu debut, os músicos entregavam um rock de garagem com altas influências de Beatles, Rolling Stones e Kinks. Algumas músicas daqui, atualmente, são consideradas clássicos entre seus fãs. Caso de “Sexperienced”, “Lunático” e “Dia Perfeito”. Além dessas, também vale se ligar em “Pedro Balão”, “Debaixo do Chapéu”, “Dia de Amanhã” e “Lili”. Rock n roll honesto e cativante.

Diego: Outro disco que tenho um pouco de história pra contar. Ainda quando morava na Zona Norte de São Paulo, tinha um amigo obcecado por Beatles e várias foram as vezes que fui com ele até o centro de SP atrás da discografia dos rapazes de Liverpool. Um belo dia de 2001 na escola ele me perguntou: “Ei, você viu o clipe de uma banda lá da tua terra na MTV? Um nome estranho, Cachorro Grande, tem um poster enorme dos Beatles atrás do palco onde eles estão.” Nenhuma palavra se a banda era boa ou não, só que tinha um poster dos Beatles… ah os fanáticos (risos). Assisti o vídeo uns dias depois e uma dúvida pairava no ar, eu tinha gostado da banda, MAS QUE PORRA DE LETRA ERA AQUELA?!?! Na época lembro que não dei muita bola pra banda, só fui prestar atenção neles de novo em 2005 quando o segundo disco deles, As Próximas Horas Serão Muito Boas, saiu junto da revista do Lobão OutraCoisa, comprei, e ouvi o disco até dizer chega. Na mesma época e internet começou a ser a fonte-mór de pesquisa e downloads, então demorei um bom tempo pra comprar o primeiro disco da banda, só comprei no fim de 2008. Mas fico contente que comprei, porque esses disco é simplesmente um marco do Rock Nacional. Uma pena que depois do segundo disco a banda decaiu em qualidade mais e mais até chegarmos até sua ridícula nova fase, onde ele acham que tem 20 anos de novo e tocam um Alt-Eletrônico que dá até vergonha…

Mairon: A estreia dos filhotes gaúchos do The Who é um dos símbolos máximos do rock and roll brasileiro nas últimas décadas. Canções empolgantes, exalando testosterona, e diferentemente de outros conterrâneos que citei no álbum do Video Hits, o Cachorro Grande sempre privilegiou por entregar festa acima de tudo. Cachorro Grande traz canções em sua maioria beirando os três minutos, que passam socando os ouvidos e deixando o chão empapado de suor e adrenalina, como nos velhos bons tempos. Faixas como “Lunático”, “Fantasmas” e “Dia Perfeito” tornaram-se audições frequentes nos bares e botecos gaúchos por onde rolava rock ‘n’ roll, e cara, por mais que eu não seja um fã da banda, admiro muito o trabalho deles. Destaque principal para as canções “Sexperienced”,  “Pedro Balão”, o impressionante delírio instrumental de “Vai T.Q. Dá” e a viagem psico-mod de “(Os Doces Exóticos de) Charlotte Grapewine”, o que de melhor o Cachorro criou em toda sua carreira, com uma jam sensacional empregando solos de guitarra ácidos, metais e muitas lembranças da turma de Pete Townshed em seus melhores dias, e um final surpreendente. Belo disco, merecida sua entrada aqui.

Micael: Na época de lançamento deste disco, a saudosa rádio Ipanema FM ainda reinava nas ondas da capital gaúcha, e muitas faixas deste registro de estreia do Cachorro Grande rodaram à exaustão em sua programação. Talvez o resto do país conheça melhor apenas “Lunático” e “Sexperienced”, mas, ao reouvir este álbum para fazer os comentários desta lista, foi como se eu reencontrasse velhos amigos queridos que escutei “Debaixo do Chapéu”, “Lili”, “Dia Perfeito” e “Cleptomaníaca de Corações”, faixas que, junto com as demais deste registro, ajudam a justificar o apelido de “Who Gaúcho” que os rapazes ganharam por aqui (se bem que, depois de abrirem para os Stones em 2016 na capital gaúcha, a mídia passou a associá-los mais ao pessoal de Mick Jagger que ao de Pete Townshend). E o que é aquela jam fantástica chamada “(Os Doces Exóticos de) Charlotte Grapewine”, que encerra o track list? Excelente registro, que não entrou na minha lista particular, mas fez por merecer estar aqui, Pena que depois a banda “amadureceu” demais sua sonoridade, e passou a ser menos significante aos meus ouvidos do que nesta “ingênua” e bela estreia!


Listas Individuais

André

  1. Pata de Elefante – Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha
  2. Jupiter Maçã – Uma Tarde na Fruteira
  3. Ratos de Porão – Homem Inimigo do Homem
  4. Pato Fu – Ruído Rosa
  5. Index – Liber Secundus
  6. Skank – Cosmotron
  7. Carro Bomba – Nervoso
  8. Os Haxixins – Os Haxixins
  9. Cálix – A Roda
  10. Pedra – II

Bernardo

  1. Racionais MC’s – Nada Como Um Dia Após Outro Dia
  2. Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho
  3. B Negão e Os Seletores de Frequência – Enxugando Gelo
  4. Siba e a Fuloresta – Toda Vez Que Dou Um Passo o Mundo Sai do Lugar
  5. Nação Zumbi – Fome de Tudo
  6. Sabotage – Rap é Compromisso!
  7. Supercordas – Seres Verdes ao Redor
  8. Black Alien – Babylon By Gu, Vol. 1: O Ano do Macaco
  9. Cordel do Fogo Encantado – Cordel do Fogo Encantado
  10. Cidadão Instigado e o Método Tufo de Experiências

Davi

  1. Maria Rita – Maria Rita
  2. Los Hermanos – Bloco Do Eu Sozinho
  3. Skank – Cosmotron
  4. LS Jack – V.I.B.E.
  5. Capital Inicial – Rosas e Vinho Tinto
  6. Charlie Brown Jr. – Bocas Ordinárias
  7. Pitty – Admirável Chip Novo
  8. Cachorro Grande – Cachorro Grande
  9. Céu – Céu
  10. Shaman – Ritual

Diego

  1. Video Hits – Registro Sonoro Oficial 
  2. Cachorro Grande – Cachorro Grande 
  3. Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho 
  4. Pipodélica – Simetria Radial 
  5. Skank – Cosmotron 
  6. Angra – Temple of Shadows 
  7. Arnaldo Baptista – Let It Bed 
  8. Lobão – Canções Dentro da Noite Escura 
  9. Solana – Feliz, Feliz 
  10. Plebe Rude – R ao Contrário 

Leonardo

  1. Tribuzy – Execution
  2. Bastardz – No Ass No Pass
  3. Dark Avenger – Tales Of Avalon: The Terror
  4. Shaman – Ritual
  5. Angra – Temple Of Shadows
  6. Hibria – Defying The Rules
  7. Nordheim – And The Raw Metal Power
  8. Viper – All My Life
  9. Malefactor – Centurian
  10. Violator – Chemical Assault

Mairon

  1. Los Hermanos – 4
  2. Los Hermanos – Ventura
  3. Van Zullat – O Casulo
  4. Los Hermanos – Bloco Do Eu Sozinho
  5. Maria Rita – Maria Rita
  6. El Efecto – Como Qualquer Outra Coisa
  7. Octophera – Bons Amigos
  8. Os Mutantes – Haih … Or Amortecedor
  9. Uakti – Oiapoki Xui
  10. Nenhum de Nós – Histórias Reais, Seres Imaginários

Micael

  1. Los Hermanos – Bloco do Eu Sozinho 
  2. Los Hermanos –
  3. Los Hermanos – Ventura 
  4. Nando Reis – Infernal 
  5. Poços & Nuvens – Província Universo
  6. Pitty – Admirável Chip Novo 
  7. Rodoxx – Estreito 
  8. Avec Tristesse – How Innocence Dies 
  9. Shaman – Ritual 
  10. Venin Noir – Rainy Days Of October 



70 Comentarios

  1. Micael disse:

    Gostei muito dos comentários e das histórias do Diego, todos muito bem encaixados, me surpreendi com o Cachorro Grande apenas na décima posição (achei que ficaria acima de muitos outros), e descobri que o Bernardo foi o responsável pelo meu sofrimento ouvindo duas horas de Racionais! Enfim, acabaram-se as listas, e, mesmo tendo deixado de participar das melhores internacionais ainda lá no começo, acabei participando sempre das melhores nacionais, que, se trouxeram algumas coisas “horrorosas” pelo caminho, acabaram deixando um rastro mais positivo que negativo ao final da jornada! Valeu a todos os participantes, e até a próxima!

  2. Diogo Maia de Carvalho disse:

    Três Los Hermanos e Racionais MCs? Eita…

    O meu top 10:

    1º – Matanza – Música Para Beber e Brigar
    2º – Júpiter Apple – Uma Tarde Na Fruteira
    3º – Violator – Chemical Assault
    4º – Pata de Elefante – Pata de Elefante
    5º – Korzus – Ties of Blood
    6º – Oficina G3 – Depois da Guerra
    7º – Marcelo D2 – À Procura da Batida Perfeita
    8º – Macaco Bong – Artista Igual Pedreiro
    9º – Cachorro Grande – Cachorro Grande
    10º – Tuatha de Danann – Trova di Danú

    Foi divertido acompanhar a série Melhores de Todos Os Tempos. Espero que voltem com mais edições futuramente, quem sabe por gênero, país, estado brasileiro, hehe…

    • Ulisses Macedo disse:

      Alguém lembrou do Tuatha \o/

      Gosto de Execution, mas um Ritual, Reason ou Trova di Danú seria muito melhor.

    • Anônimo de volta disse:

      Peguei birra com o Matanza. Eu os acho muito superestimados e é muita pose pra pouca música boa. Um som repetitivo e insosso. As letras não são o problema. O instrumental que é fraco. E a produção dos discos deles é muito pasteurizada, cortesia do Rafael Ramos, o Liminha do século 21. ha ha ha

      • maironmachado disse:

        O primeiro ainda dava para aguentar, mas depois …

      • Diogo Maia de Carvalho disse:

        Reconheço que eles são superestimados, não atoa que peguei o disco deles que gosto, depois começaram a se repetir demais, mas esse disco mata a pau. Os caras cumprem com louvor um dos objetivos básicos do Rock n Roll que é justamente a diversão sem compromisso. Para se ter uma ideia, dia 18/02 tem mais uma edição de um festival aqui de BH a céu aberto que acontece na rua mesmo, quase no centro da cidade, chamado Bloco Dos Camisa Preta, uma opção honesta pros rockeiros se divertirem no carnaval, e o Matanza está escalado. O barulho foi enorme!

        • Anônimo de volta disse:

          pra esse tipo de evento é legal. E é uma banda legal pra se colocar na jukebox do boteco pra curtir com os amigos. Agora pra curtir em casa, já deu. Me arrependi até o último fio de cabelo de ter gasto dinheiro com cd do Matanza. Capaz que eu ainda vá na galeria do rock me desfazer deles e trocar por cds de outras bandas. rsrs

        • Anônimo de volta disse:

          Tem muita mulher que curte o Matanza. O sucesso deles é desmerecido já que é um som fácil de tocar e muito simples demais. Matanza é só pose e cara de mal, música boa nunca.

  3. Fernando Bueno disse:

    Deixei de participar dessa edição por não ter idéia de como faria para formular uma lista. Eu cairia nos discos das bandas manjadas de metal e não faria muita diferença. Mas fiquei contente pois eu não ouvi nenhum dos discos que entraram, não tenho interesse em quase nenhum deles e, o melhor, escapei de ter que ouvir horas de Los Hermanos. Vcs só podem estar de brincadeira não?!?!?!!?!?

    • Micael disse:

      Bueno, eu nem gosto de Los Hermanos, só coloquei os três discos na lista e fiz comentários elogiosos para me vingar da “infame” lista que colocou o Tábua de Esmeraldas dentre os melhores de 1974! Pena que os culpados por colocar ele lá daquela vez não foram obrigados a ouvir o Los Hermanos agora!

  4. Diego Camargo disse:

    No geral fiquei feliz com o resultado final mas também um tanto surpreso e um tanto ‘puto’. A lista, mais uma vez como nas outras aqui do Site, é desigual e não condiz exatamente com o que de melhor foi lançado, de verdade, na década. Los Hermanos 3 vezes? Uma vez era 100% certo, duas, vá lá, mas a entrada do disco 4 na lista deixa de fora discos muito mais importantes do mesmo período.
    O Pata De Elefante foi uma ótima banda, mas Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha também passa longe de ser melhor da década. Tribuzy no lugar de Temple Of Shadows, do Angra, como representante do Metal, por exemplo, é caso de internação. Já Maria Rita nem comento.
    A lista deveria apresentar os discos essenciais da década, e no entanto, metade dela não faz isso.

    Em suma, a lista não é 100% representativa, na minha opinião.

    • maironmachado disse:

      Na real Diego, acho que nenhuma lista que foi publicada foi representativa em sua totalidade. Sempre teve um disco “mala” para roubar a cena.

    • Diogo Maia de Carvalho disse:

      Ah, esse papo de representatividade já foi discutido aqui milhares de vezes. Eu concordo com os dois lados.

  5. Vinícius disse:

    Vomitei olhando essa lista.

  6. António Marcos disse:

    Como piada, uma excelente lista.

    • maironmachado disse:

      Ahauhauhauha

    • Davi Pascale disse:

      :v Achava o senhor mais simpático quando cantava “E Não Vou Deixar Você Tão Só” e “O Homem de Nazareth”…

      • Antonio Marcos disse:

        É que fiquei chateado porque ninguém lembrou de mim na década de 1970. E ver Los Hermanos com esse nível de louvação aumenta ainda mais minha tristeza, pois minha música Por que chora a tarde deixa todas as letras desse grupo no chinelo.

  7. Anônimo de volta disse:

    Eu já fui fã da Cachorro Grande. Bons tempos aqueles em que eles eram um híbrido de The Who com Stooges e o som deles eram bem garageiro. Depois eles preferiram se tornar o Oasis(que é horrível com exceção de uma música ou outra) brasileiro e mais influências de britpop. Aí fodeu o som deles. Isso sem contar o estrelismo deles, principalmente do guitarrista da banda. O sujeito se acha. rsrs

    • maironmachado disse:

      O baixista tem o maior jeitão de John Entwistle. Mas te digo, anônimo. Os caras souberam abrir o show dos Stones com muita força e talento.

    • Davi Pascale disse:

      Assisti eles no Sesc. Puta show bacana! Tive a oportunidade de conversar com o Gross no final do show. O cara é super bonzinho.

      • maironmachado disse:

        Séerio?? Achei que era um mala

        • Davi Pascale disse:

          Sério. Falei com ele 2 vezes. Uma no final desse show e outra na saída de um show do Oasis. Não vi o show do Oasis, eu estava lá divulgando minha revista, distribuindo flyer. Do nada, vejo um maluco saindo enrolado em uma bandeira da Inglaterra. Era ele kkk. Chamei o nome dele, ele veio falar comigo. Pediu para ficar com um flyer da revista, assinou um para mim. Ainda tenho guardado. A outra foi nesse show do Sesc. Levei meus encartes para eles assinarem. Ele saiu lá fora, sentou no banco, assinou tudo, ficou batendo papo comigo e com meus pais um puta tempo. Super simples. Depois o empresário deles levou meus encartes pros outros caras assinarem. Foi super educado nas duas vezes.

    • Diogo Maia de Carvalho disse:

      Concordo plenamente. Por isso escolhi o disco ‘roots’ deles.

  8. Anônimo de volta disse:

    Com certeza Mairon. A viagem de “Vai te que dá” é espetacular. É tipo uma jam a la Hendrix, Zeppelin. Os caras faziam um som carregado de energia e era bem sujo. Eu os assisti três vezes em SP em 2005. O que os caras faziam em cima do palco era de deixar boquiaberto. Muito carisma, porra-louquice, vocais dementes(no bom sentido claro) e barulheira. Infelizmente eles optaram por essa sonoridade mais voltada para o britpop.

    • maironmachado disse:

      Vi eles ao vivo em 2005, em um festival de aniversário de uma rádio de Porto Alegre, e foi um baita show.

  9. Rafael Costa Sanches disse:

    Dos anos 2000 pra cá conheço pouca coisa, mas do pouco que conheço posso afirmar que Los Hermanos disputa tapa a tapa com Legião pra ser a banda mais chata do Brasil. Por falar em chatice, Racionais entra na briga como forte candidato ao troféu.
    Feito este desabafo, vou me dar a liberdade de fazer uma sugestão de discos desta época que se destacam pra mim.

    Maria Bethânia – Meus Quintais. Só por ser a Maria Bethânia já vale escutar. Mas o disco vai além, a cantora revisita algumas canções que fizeram parte de sua juventude na Bahia ou que fazem alusão à um Brasil mais rural, mais interiorano e folclórico (mas sem apelar aquelas caricaturas grotescas da música caipira). Destaque para “Lua bonita”.

    João Gilberto – Voz e violão. É João Gilberto, sem mais.

    Marcelo Nova – O Galope do tempo. A carreira solo do Marcelo Nova é bem comum, com discos bacanas e nada mais. Mas esse álbum é o ápice da sua carreira, não tenho medo de afirmar isso. Marcelo quis fazer um disco conceitual, misturando letras que lembram passagens de sua vida e reflexões sobre o passar do tempo. Tudo isso está sob uma roupagem de puro rock and roll de alto nível. Um dos álbuns que deveriam ter mais atenção do público. Destaque para a faixa-título e “O fantasma de Luis Buñuel”

    O Terno – O terno. A banda tem um lado meio alternativo, indie, mas a sonoridade da banda é boa, sem experimentalismos e letras muito “good vibes, só alegria e coisas simples da vida, cara. bora ser desconstruído, mano” e o caralho a quatro. No álbum ha incursões de influências psicodélicas e vanguardistas de uma forma honesta, sem apelar pra monotonia e chatice. Há a participação do Tom Zé na faixa “Medo do medo”, um dos destaques do CD.

    Nasi – Onde os anjos não ousam pisar. O vocalista do Ira! realiza um disco solo experimentando sonoridades diferentes da sua banda. Há incursões de Hip-hop na faixa de abertura “Corpo fechado” e muito blues. A faixa-título é uma regravação com um clima bem mais depressivo de uma balada do Zé Rodrix. Destaque para “O Outro lado da moeda”

    Titãs – Nheengatu. Depois do fundo do poço da carreira da banda, conhecido como “Sacos plásticos”, o Titãs voltou a vida com esse álbum que lembra um pouco a sonoridade do Cabeça Dinossauro com o Titanomaquia. Destaque para “Fala, Renata”

    Ira! – Invisível DJ. Álbum muito bom, o melhor deles após Música Calma para pessoas nervosas. Rock puro e de qualidade, apesar do deslize na balada xaropante “Eu vou tentar”. Destaque para “Mariana foi pro mar” e “No universo dos seus olhos”.

    Velhas Virgens – Ninguém beija como as lésbicas. Letras engraçadas regadas por um blues rock de primeira.

    Carlos Careqa – Palavrão: Música infantil para adultos. Carlos Careqa é um artista que tem influências do movimento vanguardista de São Paulo do Arrigo barnabé, mas nunca conseguiu na sua discografia uma sonoridade tão boa quanto o Arrigo. Seus discos tendem para um lado pop, mas com qualidade. Este álbum é uma das coisas mais debochadas e engraçadas que ouvi, sem apelar pra vulgaridade do projeto de artista Rogério Skylab. O disco tem uma sonoridade pop experimental com letras sobre sacanagem de crianças e adolescentes. Álbum do caralho!!!

    • Anônimo de volta disse:

      O disco do Titãs Nheengatu é horrível. A única música desse disco que lembra um pouco o Titanomaquia é “Pedofilia”. E os vocais do Branco Mello são péssimos nesse disco. Aliás, desde o Volume 2 que ele já não é mais o velho Branco de outrora. A versão deles para “Canalha” do Walter Franco é vergonhosa. Muito fraquinha e tocada sem vontade nenhuma. E isso sem contar a má vontade do Tony Bellotto tocando de forma preguiçosa e sem garra. O cara é um morto-vivo dentro da banda. Ou seja, um eterno nada. Nunca tocou nada(só bronha hahaha) e agora piorou de vez. Parece medo de distorção e peso nas guitarras. Custava o produtor do disco ter dado uns chacoalhões nesses tiozões acomodados e folgados para que colocassem peso e distorção nas guitarras? E muito oportunismo da parte deles, gravar um disco com “atitude” com letras pretensamente ´politizadas na qual eles disseram que se inspiraram nas manifestações intensas de junho de 2013. Chega ser engraçado eles dizerem que fazer letra de amor é “cafona” sendo que eles estavam fazendo exatamente isso do AcústiCUzinho EMOTV de 1997 até o Sacos Plásticos de 2009. Agora os caras vem pagar de “revolucionários” depois de anos e anos cantando sobre o amor e dor-de-corno?

    • Micael disse:

      Rafael, O Terno e Titãs foram lançados depois de 2010, por isto não entraram na lista. Se viermos a fazer uma lista contemplando de 2011 a 2020, acho que colocaria os (até agora) três discos do grupo na lista, junto com o Nheengatu! Mas o primeiro lugar ainda está garantido para “Existe Alguém Aí?”, do Wander Wildner!

    • maironmachado disse:

      Valeu meu caro. O Micael já explicou que alguns desses albuns aí não entram na lista, mas enfim, a ideia é essa. Oferecer oportunidade de conhecermos novos sons. Abraços Rafael

    • Rafael Costa Sanches disse:

      kkkkk pensei que os anos 2000 era de 2000 até hoje…nem lembrei de década kkkk

      Mas enfim, os sons que indiquei são legais, principalmente o do Carlos Careqa.

      Abraços.

  10. Anônimo de volta disse:

    Los Hermanos é trilha sonora perfeita para torturar alguém sem precisar usar a força bruta. Eu preferia a morte a ser torturado pelo som ridículo e afrescalhado que eles fazem. rsrs

  11. Anônimo de volta disse:

    O Skank dentro do som que eles se propuseram a fazer é até legalzinho(pra quem gosta de som pop). Masssss nesse disco Cosmotrom eles quiseram dar uma de Oasis(o mesmo mal que acometeu a Cachorro Grande) e tentando soar “maduro”. O resultado seria um Guilherme Arantes com Milton Nascimento. Muito chato!!!!

    • Davi Pascale disse:

      Guilherme Arantes é muito legal. Tem albuns sensacionais como “A Cara e a Coragem” ou “Coração Paulista”, por exemplo.

    • Antonio Marcos disse:

      O anônimo tem uma paixão recolhida pelo Oasis.

  12. Davi Pascale disse:

    Acho 3 discos do Los Hermanos exagerado, embora concorde que o trabalho deles seja expressivo para essa fase do rock brasileiro. De todo modo, concordo com o primeiro lugar para O Bloco do Eu Sozinho. Discaço. Meus 11º e 12º lugares ficam por conta de Penelope – Buganvilia e Bide ou Balde – Outubro Ou Nada. Como esqueci desses discos? Bom, fica a menção honrosa. Do mais, Gostaria de ter visto um álbum da Pitty por aqui.

  13. maironmachado disse:

    O resto da lista, e a pontuação

    11. Angra – Temple Of Shadows – 10 + 8 = 18
    12. Jupiter Maçã – Uma Tarde na Fruteira – 18
    Bastardz – No Ass No Pass – 18
    13. Shaman – Ritual – 1 + 12 + 2 = 15
    14. Ratos de Porão – Homem Inimigo do Homem – 15
    B Negão e Os Seletores de Frequência – Enxugando Gelo – 15
    Dark Avenger – Tales Of Avalon: The Terror – 15
    Van Zullat – O Casulo – 15
    15. Pitty – Admirável Chip Novo – 6 + 8 = 14
    16. Pato Fu – Ruído Rosa – 12
    LS Jack – V.I.B.E. – 12
    Nando Reis – Infernal – 12
    Siba e a Fuloresta – Toda Vez Que Dou Um Passo o Mundo Sai do Lugar – 12
    Pipodélica – Simetria Radial – 12
    17. Index – Liber Secundus – 10
    Capital Inicial – Rosas e Vinho Tinto – 10
    Poços & Nuvens – PROVÍNCIA UNIVERSO – 10
    Nação Zumbi – Fome de Tudo – 10
    18. Charlie Brown Jr. – Bocas Ordinárias – 8
    Hibria – Defying The Rules – 8
    El Efecto – Como Qualquer Outra Coisa – 8
    Sabotage – Rap é Compromisso! – 8
    19. Carro Bomba – Nervoso – 6
    Nordheim – And The Raw Metal Power – 6
    Octophera – Bons Amigos – 6
    Rodoxx – Estreito – 6
    Supercordas – Seres Verdes ao Redor – 6
    Arnaldo Baptista – Let It Bed – 6
    20. Os Haxixins – Os Haxixins – 4
    Viper – All My Life – 4
    Os Mutantes – Haih … Or Amortecedor – 4
    Black Alien – Babylon By Gu, Vol. 1: O Ano do Macaco – 4
    Avec Tristesse – How Innocence Dies – 4
    Lobão – Canções dentro da noite escura – 4
    21. Cálix – A Roda – 2
    Céu – Céu – 2
    Malefactor – Centurian – 2
    Uakti – Oiapoki Xui – 2
    Cordel do Fogo Encantado – Cordel do Fogo Encantado – 2
    Solana – Feliz, Feliz – 2
    22. Pedra – II – 1
    Violator – Chemical Assault – 1
    Nenhum de Nós – Histórias Reais, Seres Imaginários – 1
    Venin Noir – Rainy Days Of October – 1
    Cidadão Instigado e o Método Tufo de Experiências – 1
    Plebe Rude – R ao Contrário – 1

  14. Christiano disse:

    André fez a melhor lista.
    Sobre a lista final, além de 3 discos do Los Hermanos, ainda colocaram 1 do Racionais MC’s. Foi de doer.

  15. André Kaminski disse:

    Vou carregar no fundo do meu coração o fato de que ouvi a discografia completa do Los Hermanos por toda a vida.

  16. Tiago disse:

    Porra! (preciso xingar). Ventura, melhor disco dos caras, abaixo de Bloco e 4? OK que é discutível mas dá para engolir Bloco em primeiro, mas 4 é um disco horrível, pedante, insuportável. As únicas músicas toleráveis do disco são do Amarante, porque as do Camelo é de se cometer um suicídio. Se LH tivesse Ventura como o último disco. a discografia deles seria infinitamente melhor.

  17. Anônimo de volta disse:

    Pitty é horrível, não sei como elegeram o disco de estréia dela como um dos “melhores da década de 2000”. As letras da Pitty parecem ter sido inspiradas em livros de auto-ajuda. Isso sem contar o instrumental pobre e as músicas com melodias chatas e depressivas. E a Pitty é aquela típica feminista que só sabe reclamar da vida. E se não fosse pela gravadora dela $$$$$$ somado ao mau gosto do brasileiro em curtir merda ela não teria feito sucesso nenhum. Já o hippongo chatérrimo Nando Reis sempre foi o menos talentoso dos Titãs e ainda se prestou a gravar discos melosos, insossos. Um pior do que o outro. O ano 2000 foi muito ruim para o rock nacional. Um disco injustiçado é o Kavookavala dos Raimundos, que se duvidar é infinitamente melhor do que o comercial e pop “Só no Forévis”.

  18. caio disse:

    Essa lista da vontade de dormir

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