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Por Christiano Almeida

Em meados da década de 90, o tempo passava mais devagar. A internet ainda engatinhava no Brasil, e as únicas maneiras de conseguir informação sobre música eram as revistas, programas de rádio, TV e os bate-papos em lojas de discos.  Por volta de 1998, uma emissora mineira exibia um programa chamado Alto-Falante (que está no ar até hoje) e, em uma das edições, resolveu divulgar algumas bandas da gravadora Century Media, que tinha feito um contrato de distribuição com a Cogumelo Records e o selo “Velas”, do músico Ivan Lins. O “especial” apresentou bandas como Unleashed, Grave, Tiamat, Sentenced e Samael. De todas essas, o Tiamat era a mais “diferenente”, por mesclar elementos tão díspares como Death Metal, Rock Progressivo, Psicodelia e World Music. Não era um tipo de fusão que parecia apenas inusitada: todas as referências funcionavam muito bem para dar forma a uma atmosfera que era ao mesmo tempo rústica e etérea, densa e contemplativa.

Todo esse clima era reforçado pelos dois principais clipes escolhidos para divulgar o álbum: “Whatever That Hurts” e “Gaia”, em que as imagens mostravam paisagens compostas por uma natureza selvagem e estranhas figuras que pareciam ter saído dos quadros de algum pintor expressionista.

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Lançado em 1994, Wildhoney foi o quarto trabalho de estúdio do Tiamat, representando um rompimento com o som mais cru que vinham fazendo até então. Antes de entrar em estúdio, a banda foi reduzida a apenas dois músicos da formação anterior, e contou com a ajuda do produtor Waldemar Sorychta (que também ficou responsável pelos teclados) e mais dois músicos de estúdio. Em algumas entrevistas, Johan Edlund (vocal/guitarras) chegou dizer que após a debandada dos outros membros, ele e o baixista Johnny Hagel resolveram fazer um disco mais próximo das coisas que estavam escutando naquela época, bandas setentistas como Pink Floyd e King Crimson. Como resultado, conseguiram criar uma sonoridade muito particular. As faixas que trazem uma sonoridade um pouco mais pesada – Whatever That Hurts, The Ar e Visionaire – apresentam vários momentos mais contemplativos e viajantes. Músicas como “A Pocket Size Sun” e “Do You Dream of Me” exploram as referências “floydianas” e alguns elementos psicodélicos.

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Após lançar Wildhoney, o Tiamat seguiu um caminho um pouco diferente, fortemente influenciado pelas bandas góticas dos anos 80. Para muitos, no entanto, o auge criativo da banda já havia sido atingido, e jamais seria superado.


Tracklist:

  1. Wildhoney
  2. Whatever That Hurts
  3. The Ar
  4. 25th Floor
  5. Gaia
  6. Visionaire
  7. Kaleidoscope
  8. Do You Dream Of Me?
  9. Planets
  10. A Pocket Size Sun

 

4 comentários

  1. Fernando Bueno

    Eu tenho um single dessa banda. Pra falar a verdae nem lembro o motivo de ter adquirido o mesmo já que não conhecia a banda nem de nome. Ouvi umas três vezes e nunca mais peguei. O single é o Cain de 2004, bem depois dessa fase que o Chrstiano chamou de auge criativo. Vou ouvir de novo e ir atrás desse aí… Afinal Pink Floyd e King Crimson são duas excelentes referências…

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  2. Marco Gaspari

    Gostei do som, Christiano, mas ainda prefiro a minha Tiamariazinha.

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  3. André Kaminski

    Tiamat é uma banda que volta e meia boto pra tocar aqui. Gosto de Wildhoney, mas ouvi mais o Skeleton Skeletron.

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  4. Alisson Caetano

    Death/Doom é um seguimento muito rico em bandas e geralmente é o tipo de death metal que mais me pego ouvindo. Do Tiamat eu conheço o anterior à esse, o Clouds. Esses com sonoridade mais gótica dos caras eu não sou lá muito chegado, mesmo eles sendo referência no estilo.

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