Consultoria Recomenda: Bandas por trás da cortina de ferro

27 de Fevereiro, 2016 | por André Kaminski
Consultoria Recomenda
30
sbb capa

SBB em 1974

Por André Kaminski

Tema escolhido por Mairon Machado

Com Davi Pascale, Diogo Bizotto, Fernando Bueno, Marco Gaspari, Ronaldo Rodrigues e Ulisses Macedo

Finalmente chegou a vez do último integrante do Consultoria Recomenda dar a sua sugestão de tema desde que começamos lá em dezembro de 2014. Dessa vez foi o nosso conhecido doutor Maironislav Machadovisky que sugeriu a escolha de bandas originárias do leste europeu. Embora a época preferida da maioria dos consultores foi justamente o período da Guerra Fria, o Mairon deixou claro que não era obrigatório que a banda tenha surgido ou gravado nessa mesma época. Diferente de outros temas e sugestões em que as épocas e estilos de rock eram mais variados, dessa vez tivemos uma presença mais marcante do rock progressivo, aparentemente o estilo que melhor driblava a forte censura soviética. Como de costume, coloque suas sugestões de bandas do leste europeu nos comentários e fique a vontade em palpitar sobre as nossas escolhas!


Phoenix

Phoenix – Cantofabule [1975] [Romênia]

Por André Kaminski

Já que falamos da Cortina de Ferro, é bom deixar claro que dentre todos os ditadores comunistas apoiados pelos soviéticos na Europa Oriental, o presidente romeno Nicolae Ceausescu era o mais brutal de todos eles. Tanto é que foi condenado a morte logo após deposto. Com 60 mil executados sob suas costas, não creio que haja muita margem a se esperar algo diferente. Logo, o Phoenix para poder existir tinha que tomar um cuidado imenso para que seus discos escapassem da forte censura. E fizeram isso muito bem em Cantofabule, em que se utilizam de elementos regionais para que o disco fosse classificado como “romeno o suficiente” mas que também o rechearam de rock e de psicodelia, além de utilizar temas do folclore local nas letras de suas canções. “Norocul Inorogului” e “Pasarera Roc… k and Roll” estão aí para comprovarem que a música de qualidade sempre sobressairá independente de situação política.

Davi: Grupo romeno. Mais uma banda que aposta no rock progressivo. Os arranjos são bem desenvolvidos. Vale destacar o trabalho de bateria de Ovidiu Lipan e o trabalho de guitarra de Nicolae Covaci. O disco original foi lançado como um LP duplo. Saquei que cada lado do LP tinha meio que uma particularidade. Tipo, o lado 2 com arranjos mais complexos. O lado 3, com uma sonoridade mais direta. O disco é bem feito, mas não gosto do trabalho vocal da banda. Interessante, mas não compraria.

Diogo: Tenho cada vez mais tendido a valorizar o uso que os artistas fazem de seus idiomas natais, mas confesso que nunca havia ouvido nada em romeno que não fosse o megasucesso “Dragostea Din Tei”, do grupo moldovo O-Zone. Se eu disser que morri de amores pela sonoridade de Cantofabule, estaria mentindo descaradamente (o vocalista é especialmente fraco); mesmo assim, agradeço a quem fez essa indicação, pois proporcionou uma audição verdadeiramente diferente. Dentro de algumas convenções daquilo que conhecemos como rock/música progressiva ocidental, é verdade, mas com elementos que parecem conversar com o folclore romeno e soam novos a ouvidos pouco acostumados com a música da terra do conde Drácula.

Fernando: Mais progressivo na lista, mas dessa vez sem virtuosismo evidente e com um pouco de hard rock em alguns momentos. A viagem sonora é mais baseada em riffs e progressões sem malabarismos. Achei um pouco enfadonha em algumas passagens, ainda mais que ouvi pelo youtube que impossibilita de identificarmos as faixas, ainda mais que devo ter pego uma versão com faixas extras.

Mairon: Magnífico álbum duplo conceitual dos romenos insanos, que mostram como o progressivo na década de 70 estava anos-luz de distância em composições. O disco de despedida dos romenos conta a história de livros que evocam animais de origem medieval, e quem o houve pela primeira vez, certamente irá chocar-se com canções cantadas em romeno, uma língua não muito comum. O som concentra-se nos teclados de Günther Reininger, mas o resto do quinteto (Nicolae Covaci – guitarras e voz, Iosif Kappl – baixo e voz, Mircea Baniciu – voz, violões, e Ovidiu Lipan – bateria) são exímios músicos que complementam uma obra atemporal no rock romeno. Destaque para a linda “Invocatie”, os trabalhos intrincados da “Delfinul, Dulce Dulful Nostru”, o rockzão Purpleano de “Uciderea Balaurului”, as insanidades da “Zoomahia”, o peso desgraçadamente espancador de “Filip și cerbul” (que baita riff) e a puta merdiante introdução da maravilhosa “Pasărea Roc…k And Roll”, que coloca a casa abaixo por conta dos saltos que você dará com esse musicão. Na realidade, todo o disco é excelente, e ele não é nenhuma novidade no meu playlist, já que é um dos melhores álbuns da Cortina de Ferro.

Marco: Sempre que vão buscar o homem (ou a mulher) mais velho do mundo, ele aparece vindo de algum país satélite da Rússia.  As bandas também não ficam atrás, estão todas com o pé na cova. Esta aqui, por exemplo, foi formada em 1962. Mesmo ano do Rolling Stones e da húngara Omega. E todas existem até hoje ou ontem cedinho. A Transylvania Phoenix ressurgiu das cinzas de uma banda chamada lá na língua deles The Saints e que, por motivos óbvios, os comunas ateus invocaram com o nome.  Não conheço muitos discos deles, mas este aqui é um dos mais famosos e faz justiça à fama.

Ronaldo: Grupo referência de rock na Romênia e bem conhecido em outras partes do mundo por pesquisadores de sons “fora do eixo”. Este é o terceiro disco do grupo, um álbum duplo e conceitual, o primeiro no qual a banda conta com um som de sintetizadores (e faz muito bom uso deste). Habilmente, a banda conseguiu uma longa carreira, despistando censores e outras dificuldades de países fechados. Além de ser uma competente banda de rock, o som do Phoenix é bastante original ao agregar melodias emprestadas de cantos folclóricos de sua região e usar estruturas de vozes divididas, que fazem alusão a esta influência mesmo nos momentos em que a banda emula um rock na linha do Deep Purple e do Uriah Heep. Também são notáveis as influências de Jethro Tull no som do grupo, mas de modo geral, o som do Phoenix é muito bom por ser isso.

Ulisses: Misturando progressivo, psicodelia, hard e folk, o Phoenix apresenta um disco desnecessariamente longo e com produção fraca, mas com performances sólidas. A criatividade musical do grupo, explorando diversas influências em conjunto com o uso de sintetizadores e passagens atmosféricas (com presença de instrumentos como flauta e violino) mantém a audição recheada.


Vanilla Ninja

Vanilla Ninja – Traces of Sadness [2004] [Estônia]

Por Davi Pascale

Trago dessa vez uma polêmica banda da Estônia que durante um tempo conseguiu um certo destaque aqui no Brasil. Seus discos, inclusive, foram lançados por aqui. Sim, as meninas são bonitas. E era isso que fazia os roqueirinhos à entrarem nas lojas de discos querendo ouvir o trabalho das garotas. Era engraçado quando víamos aquela pessoa que dizia somente ouvir rock n roll comprando um disco delas. Por que? Porque o som delas é extremamente comercial. E a influencia de pop é pesada. Elas faziam um hard rock cruzado com pop, mas de maneira descarada. Quase tão pop quanto os Bangles. De toda forma, acho o disco bacaninha. Não é perfeito, não é um clássico, mas tem bons momentos. Vamos ver o que a turma daqui tem a dizer…

André: O som é até bacana e talz, tem ótimos vocais de apoio de todas as integrantes, mas sinto que o disco parece seguir com o freio de mão puxado. Muitas baladas, músicas mais atmosféricas, porém a energia do pop ou do rock é muito baixa. Nem mesmo “Liar” a que parece ter mais cara de hit do disco tem força. “Don’t You Realize” tenta dar uma progressão hard rock, mas também soa sem pegada, malícia, sujeira ou mesmo em melodias empolgantes se fosse tentar algo próximo do AOR. “Metal Queen” é a melhor do disco, me soa como se fosse uma boa faixa de um disco da Doro, por exemplo. Não sei como a banda soa nos outros trabalhos, mas vejo que essas gurias tinham potencial para fazer algo muito melhor.

Diogo: Quem comprava a revista Roadie Crew pelos idos de 2004/2005 conhece ao menos de nome esse grupo, que ilustrou diversos anúncios, com destaque, e chamou atenção pelos belos rostos de suas integrantes antes mesmo que se travasse contato com sua música. Pois bem, o quarteto faz um pop rock legalzinho com algumas pitadas hard. Não é nenhum primor, mas canções como “Tough Enough” e “Liar” são boas de ouvir de vez em quando, assim como “Heartless”, com uma pegada mais AOR, minha favorita. Comparando com tudo que se apresentou nesta edição, trata-se e algo menos pretensioso, mas isso não é necessariamente ruim. Prevejo críticas, mas recomendo ao leitor que tire suas próprias conclusões sem preconceitos.

Fernando: Tá aí algo que eu não esperava nessa sessão: uma banda feminina. A banda já foi formada depois da queda do muro de Berlim e do fim propriamente dito da Cortina de Ferro, talvez isso tenha facilitado a vida das belas garotas. Gostei bastante do pop rock e me pergunto porque isso não é sucesso por aí. Faria um enorme sucesso nas rádios e estaríamos muito melhor servidos que o que toca hoje.

Mairon: Esse é um álbum que não pode ser considerado da Cortina de Ferro, já que a banda só surgiu depois que o muro de Berlim foi pro chão. Fui ouvir com a maior boa vontade, mas as Spice Girls estonianas só tem de bom a beleza. Salva-se com esforço a faixa “Metal Queen”. A Estônia pertenceu a antiga URSS, mas ao julgar por essa banda, percebe-se quão ruim em termos comerciais foi a queda do muro de Berlim…

Marco: Gente, é cortina de ferro, não de renda! Cadê os comunas dando porradas nas meninas porque cantam em inglês e o nome da banda não é húngaro?  Ah, entendi: estamos em 2004! Nem o Rocky Balboa surrando o Dolph Lundgren soou mais fake.

Ronaldo: Atualizaram o Roxette, com algumas guitarrinhas mais pesadas e um grupo todo de garotas estonianas. Tem até algumas boas composições, alguns solos ganchudos, mas os backing vocals são irritantes; totalmente clichês e com um ar demasiadamente colegial. Acho que as garotas já passaram dessa idade e poderiam estar fazendo algo mais a favor de si próprias e dos ouvidos alheios; os arranjos são os mais medíocres possíveis e nada surpreende no disco.

Ulisses: Vão achar que fui eu que indiquei esse disco, só porque é uma banda feminina dos anos 2000… de qualquer forma, as garotas trazem um pop metal/AOR até legalzinho. “Stay”, “Heartless”, “Liar” e “Metal Queen” são as melhores do disco, que mesmo assim não é tão cativante.


Tormentor

Tormentor – Anno Domini [1988] [Hungria]

Por Diogo Bizotto

Entre os primeiros lançamentos de grupos como Hellhammer/Celtic Frost e Bathory, desbravadores daquilo que viria a ser conhecido como black metal, e a consolidação da cena norueguesa, vital para o reconhecimento do gênero, algumas formações muito peculiares também trilharam caminhos pioneiros, ao colocar em prática ferocidade e rispidez praticamente sem precedentes. Os brasileiros do Sarcófago estão entre elas, assim como os húngaros do Tormentor. Elevando alguns degraus o que grupos alemães como Kreator e Sodom vinham fazendo – riffs thrash abundam – e pesando a mão no extremismo, a banda chamou atenção dos noruegueses, que se inspiraram na agressividade de faixas como “Tormentor I”, “Elisabeth Bathory” e “Damned Grave” e nos vocais de Attila Csihar, verdadeiramente um dos melhores do estilo. Não à toa, após o suicídio de Dead, o guitarrista Euronymous o convidou a se juntar ao Mayhem, tendo registrado o clássico De Mysteriis Dom Sathanas (1994) e retornado ao grupo em 2004. Tente ouvir os riffs cortantes de “Tormentor II” e ficar impassível. Se você não gostar do que escuta, pergunte-se: “Será que eu realmente curto metal extremo?”.

André: Esse tipo de banda não me vai. Em alguns momentos as guitarras respiram, mas no geral, tem muita daquela velocidade de bateria absurda e vocais rasgados que não me apetecem. Os poucos momentos calmos das canções são bons, mas não são suficientes para segurar a minha atenção. Mas deve ser bom para quem curte black metal.

Davi: Nunca gostei de black metal. Para completar, isso aqui é uma demo de qualidade razoável de uma banda húngara. Como era de esperar, bateria estilo martelada (hoje em dia, poderíamos chamar de estilo pancadão, já que o termo está em moda e esses caras transformam a bateria em um saco de pancadas), vocal estilo vomitado. Tão ruim quanto o Mayhem.

Fernando: Black metal húngaro. Isso deve ser coisa do Diogo que é adepto ao capiroto. A fraca gravação é na linha das bandas que criaram o estilo. A voz fica um pouco encoberta e os instrumentos não estão todos no mesmo volume. Tá bom, o registro é apenas de uma demo, mas pela capa que encontrei, muito bem feita e legal, não esperava isso. Mais uma banda que utiliza da lenda/história de Elizabeth Bathory para uma música, que é a melhor do disco e a mais diferente das outras.

Mairon: Fiquei curioso de saber por que enviaram a demo, e não o álbum original. Guitarrista estúpido, e baterista endiabrado. “Heaven”, “Apocalypse”, a pequena instrumental “Lyssa”, “Elisabeth Bathory” e as duas Tormentor (I e II) são as que mais me chamaram a atenção. Lembra o Possessed de Seven Churches, mas com mais agressividade – se é que isso é possível. Death Metal como manda o figurino, nos belos tempos que o estilo era referência musical. Surpreendente!

Marco: O povo, pelo que eu pesquisei, gosta muito. E isso conta positivamente. Mas cá entre nós, esse disco (na realidade uma fita demo, confere?) acaba com qualquer regime. Os comunistas fugiram todos para as montanhas.

Ronaldo: Qualidade de fita cassete para uma performance provavelmente gravada na garagem de casa. Gritos e fritação de instrumentos ao longo de quase sufocantes 40 minutos. Desse não posso pra aproveitar nada e nem recomendar para quem não é fã (e nem quer ser) desse estilo de heavy metal. Passo.

Ulisses: Tosco, cru, grosso… o vocalista é um brutamonte. É só o típico black metal; bem tocado até. “Elizabeth Bathory” e “Trance”, mais assombrosas, são bem interessantes.


After_Crying_-_Megalázottak_És_Megszomorítottak

After Crying – Megalázottak És Megszomorítottak [1992] [Hungria]

Por Fernando Bueno

Lá na minha iniciação prog, por volta de 1999-2000, o After Crying foi uma das primeiras bandas que acabei conhecendo, tirando as bandas consideradas os pilares do estilo. Acredito que me indicaram porque era cool indicar algo fora do eixo Inglaterra/Itália. Gostei logo de cara e só depois descobri que não era uma banda tão conhecida, mesmo do povo que era mais experiente no progressivo. Claramente influenciada pelos medalhões da Inglaterra e bastante fiel ao tipo e estrutura sonora dessas bandas setentistas mesmo que o grupo tenha se formado só no fim da década de 80, período em que o prog já era dado como moribundo. Podia ter indicado também o disco seguinte Föld És Ég, mas é esse daqui, com um nome impronunciável, que é a obra prima dos húngaros.

André: Conheço o After Crying há alguns anos. A melodia de cordas e sopros são lindos, o piano dá aquele toque doce e as canções nos trazem sempre essa atmosfera calma e encantadora, intercalada por momentos mais sombrios e tensos por parte dos teclados. Tirando alguns pequenos deslizes de desafinações pelo sujeito que toca o que aparentemente seria uma viola na primeira canção, não há o que reclamar do esmero e da riqueza musical que esses húngaros tem a oferecer. E apesar do disco ser de 1992, a sonoridade é claramente setentista.

Davi: Bem gravado, mas chatíssimo. Arranjos arrastados, sonolentos. Quem estiver sofrendo de insônia, não precisa mais ir até uma farmácia comprar remédios. Basta entrar em uma loja de discos e comprar esse do After Crying ou o 4 do Los Hermanos. Tiro e queda!

Diogo: Bom disco de rock progressivo mais puxado para o lado sinfônico, incluindo muitos instrumentos comuns à música erudita. O foco do After Crying parece ser criar belas paisagens musicais. Senti também influências jazz, na linha do que o King Crimson fez em Lizard(1970) e, especialmente, Islands (1971). Precisei, inclusive, conferir novamente o ano de lançamento do álbum para me certificar que não se trata de uma obra concebida na primeira metade dos anos 1970. Soa um pouco cansativo para quem não está habituado, mas valeu a audição.

Mairon: Jamais esperaria que esse disco fosse uma viagem tão enigmática. Quando coloquei ele para ouvir, e começou a introdução de “A Gadarai Megszállott”, confesso que fiquei na expectativa de o que iria sair das caixas de som. Eis que urge um emocionante violoncelo sobre as camadas de teclados, e uma singela lágrima brotou em meus olhos. A entrada dos instrumentos de sopro (fagote, oboé e flauta) acalentaram ainda mais a audição. Foram vinte e dois minutos de um deleite e massagem para os ouvidos totalmente inesperado, como chegar em um restaurante e nele ser ofertado gratuitamente o melhor vinho da casa. Depois dessa joia, vieram três músicas curtinhas, a saber “A Kis Hõs”, apenas com vocalizações e violoncelo, a curtinha “Végül” e a pop “Noktürn” e o delírio musical de “Megalázottak És Megszomorítottak”, pequena e agitada suíte onde o violoncelo é o centro das atenções. Que disco fantástico, baita escolha!

Marco: Gosto bastante do After Crying, pelo menos daquilo que conheço. Os músicos conseguem uma sonoridade muito pessoal para uma banda progressiva da época. Mas tem passagens em que o nome da banda deveria mudar para “Before Dreaming”.

Ronaldo: Já sacava qual era a dessa banda, mesmo antes de ouvir um disco todo do pessoal com atenção. Um disco bastante contemplativo e introspectivo, com boas melodias cinzentas e fortes influências de prog-folk. As coisas mais interessantes são as combinações entre violoncelos e violas e sons que emulam seções orquestrais feitos com teclados, soando como analogias, como se um estivesse sutilmente encarando o outro. Os bons solos que preenchem as faixas não deixam a coisa ficar tão atmosfera a ponto de soar estéril e trazem um bom resultado no panorama das composições.

Ulisses: Interessante o instrumental deste grupo. O violino, o trompete e os instrumentos de corda criam melodias mesméricas na abertura “A Gadarai Megszállott”, enquanto que o vocal, pouco presente e melancólico, se assimila à atmosfera do disco. No começo da faixa-título os caras ensaiam algo mais intenso, mas logo voltam às sombras – por incrível que pareça, eu prefiro as partes mais quietas. Audição interessante e recompensadora.


SBB disco

SBB – SBB [1974] [Polônia]

Por Mairon Machado

Por que esse simplesmente um dos melhores discos da história da Cortina de Ferro. Gravado ao vivo, ele é o primeiro registro da carreira do grupo polonês Silesian Blues Band, ou SBB. No vinil original, são apenas três petardos estupidamente incríveis, nos quais Josef Szrek e cia demolem tudo o que o rock progressivo já havia propiciado de improvisação até então. Elas dividem-se em um blues fantástico, “I Need You Baby”, com Josef fazendo o que quer com a voz, e duas longas faixas, as incríveis “Odlot” e “Wizje”. Para quem ouve o disco pela primeira vez, fica o impacto da distorção carregadíssima e da velocidade estonteante que Josef imprime em seu baixo, em duelos fora do comum com o exímio guitarrista Antymos Apostolis, tendo ao fundo a locomotiva sonora da bateria de Jerzy Piotrowski. Os demais álbuns dessa longeva banda lançados “behind the iron curtain”são ainda mais inspirados (os discos lançados no ocidente já não são tão bons assim), voltados para o uso dos teclados que comprovam ainda mais o talento de Josef, mas a estreia é o recomendado para quem quer entrar nas viagens de um trio majestoso e que está para ser descoberto por muitos.

André: Eu adoro o SBB, mas para conhecer a banda, Ze Slowem Biegne Do Ciebie [1977] é um álbum muito melhor. Aqui há um excesso de viagens deles, que talvez quisessem chamar muita atenção de algum produtor ou empresário na plateia com malabarismos instrumentais e muita “empolgação”. Mas independente disso, a qualidade desses poloneses acaba germinando no seguimento das três canções, sendo “Odlot” a que eu mais aprecio.

Davi: Trabalho ao vivo da cultuada banda polonesa. Os músicos realmente são excelentes, mas a banda abusa dos improvisos. Sim, gosto de ouvir músico improvisando, mas tem que ter cuidado para não se transformar em uma masturbação sonora. Aquela velha história, tudo que é exagerado cansa. Essa é a melhor definição para o disco em si: um LP cansativo. Dificilmente irei ouvir algo desse grupo novamente.

Diogo: Então esse é o famoso SBB? Confesso que esperava algo diferente, com uma identidade mais evidentemente do Leste Europeu, mas me deparei com uma banda bem única, apesar de Jósef Skrzek ser como uma espécie de Keith Emerson do grupo. Não pelo estilo de tocar, vejam bem, mas pelo tipo de protagonismo exercido. Inclusive, em alguns momentos, esse protagonismo poderia ser dosado com mais parcimônia, servindo mais às canções e menos a si. Gostei, porém, da maior parte do que ouvi, tanto em temas mais delicados quanto em sessões de porradaria, caso do solo de bateria que encerra “Wizje”. Não me fisgou de vez, talvez por ser um pouco longo demais como primeira audição de um artista, mas o saldo é positivo.

Fernando: Não sei se é porque não estava no clima para ouvir blues, mas achei chato num primeiro momento. Porém ao longo do disco muita coisa de prog e principalmente jazz apareceram, mas o excesso de improvisos acabaram tornando tudo muito confuso.

Marco: Essa é poderosa e este disco, em particular, é muito bom. A única coisa que sempre me incomodou é que a música que abre o disco parece programa de calouro onde uma polaca metida a besta tenta emular alguma crioula do jazz americano.  Nunca ouvi uma música tão fora do contexto em um disco de banda de país comunista.

Ronaldo: Vou gastar algumas linhas para falar primeiro dos defeitos desse disco do SBB. É o primeiro disco da banda e logo de cara um disco ao vivo; notam-se alguns exageros típicos da catarse propícia ao palco. Alguns solos muito longos e que perdem a direção. Também não se notam muito bem as composições e sua estrutura, já que o álbum basicamente consiste de música contínua em ambos os lados do LP. O que sobra então é um disco fabuloso, com timbres perfeitos de bateria, baixo (especialmente baixo, um som maravilhosamente distorcido), guitarra e teclados, excelente qualidade de gravação e a performance genial de Józef Skrzek, um músico que o mundo deveria reverenciar. Progressivo como poucos na Europa Ocidental.

Ulisses: Rapaz, os caras têm talento, mas acho que faltou foco. O excesso de viagens, meio psicódelicas, meio jazzísticas, acaba deixando a audição cansativa, apesar de também ter vários bons momentos.


Flamengo disco

Flamengo – Kuře v Hodinkách  [1972] [República Tcheca]

Por Marco Gaspari

Este som não é nada comum. Muito menos para os padrões de Praga, na Checoslováquia, nos anos 70. É o único LP lançado por uma banda acostumada a emplacar sucessos beats nos anos 60. Com nova formação neste Kuře v Hodinkách (Vladimír Mišík  era vocalista do Blue Effect) o Flamengo cometeu a mistura perfeita de prog inglês, blues branco, hard e jazz rock. Tem flauta, então lembra Jethro Tull. Tem sax ensandecido, daí o sotaque vandergraffiano. Mas se procurar onde está Wally, vai achar John Mayall, Traffic, Colosseum… Enfim, um grande disco.

André: O saxofone e a bateria chamam toda a atenção para si. Por sinal, o baterista Jaroslav “Erno” Šedivý foi o integrante que eu mais gostei. O álbum fica naquela veia do jazz-progressivo bem tipicamente setentista. Percussão marcante, belas lapadas de baixo, um swing delicioso e uma flauta que lembra muito o Jethro Tull como em “Stále Dál”, só posso dizer a quem está lendo este texto para ouvir e se maravilhar.

Davi: Rock ‘n’ roll progressivo dos anos 70. Não tenho a menor ideia sobre o que falam as letras, mas achei a banda muito boa. Vocal manda bem, guitarrista é muito bom também. Senti bastante influência de Jethro Tull no som da banda. Apesar da veia progressiva, as faixas não são muito compridas. Disco bem bacana de se ouvir.

Diogo: A primeira coisa que me veio à mente segundos após dar o play no disco foi Lizard! Sim, o terceiro disco do King Crimson, lançado dois anos antes da obra em questão desses tchecos, fazendo um rock progressivo de inegável tendência jazz, tal qual o grupo aqui presente. A dobradinha com a faixa que dá nome ao álbum e “Rám Prístích Obrazu” não me deixa negar. No decorrer do tracklist há mais variação, outras cores, mas há um predomínio dessa fusão, com o saxofone em destaque e instrumental caprichado. “Doky, Vlaky, Hlad a Boty”, em especial, é um musicão. Boa indicação.

Fernando: O nome da banda tira todo o interesse, mas deixando o clubismo de lado ouvimos um prog bastante interessante, cheio de metais como se o VdGG tivesse acrescentado mais alguns músicos, com bastante elementos da vertente mais sinfônica do estilo. Ao longo do álbum notamos que a banda teve muita influência dos medalhões ingleses e conseguir transmitir isso de maneira muito legal. É ruim elogiar algo com o nome Flamengo, mas a melhor coisa dessa lista.

Mairon: Quando pensei no tema da Cortina de Ferro, pensei exatamente em algo como esse discaço do Flamengo. Fusion de primeiríssima qualidade, destacando os instrumentos de sopro de Jan Kubík. Lembra os melhores momentos do King Crimson em sua fase embrionária, com o diferencial sendo o sotaque tcheco de Vladimír Mišík. Álbuns de faixas curtas para se ouvir com o som no volume máximo, do início ao fim, destacando várias faixas: “Kuře v hodinkách (introdukce)” e a própria “Kuře v hodinkách”, “Rám příštích obrazů” e as lindíssimas “Pár století” – bela participação do vibrafone – e “Já a dým”, melhores faixas do álbum. Obrigado pela escolha, exatamente o que eu queria!

Ronaldo: Um grupo bem interessante que começou na onda do som beat, animando bailinhos em Praga e lançando vários compactos. Álbum mesmo, apenas esse, na linha do Blodwyn Pig…não era exatamente brass-rock, mas que usava largamente o saxofone para riffs e solos, apoiado por uma sólida base de bateria e baixo. A diferença neste caso é que os teclados tem mais destaque e até dão um ar mais sinfônico às composições. A mistura funciona bem e o resultado é empolgante e agradável. Destaque para um forte som de baixo e o trabalho de todo o instrumental na faixa “Stále Dál”.

Ulisses: Prog-jazz com forte presença de orgão, sax e flauta. Momentos doces se alternam com lapadas de hard setentista, com destaque para “Já A Dým” e “Doky, Vlaky, Hlad A Boty”. Disco bem gostoso de ouvir!


Blue Effect - Modry« efekt & Radim Hlad’k [a]

Modrý Efekt & Radim Hladík – Modrý Efekt & Radim Hladík [1975] [República Tcheca]

Por Ronaldo Rodrigues

Se alguém desabona o rock progressivo por ser uma música muito aérea e viajandona, precisa rever seus conceitos ao se oferecer para tomar um tapa na orelha do Modrý Efekt. Começaram com algum envolvimento com o jazz na República Tcheca (antiga Tchecoslováquia), país que era mais liberal que a média dos demais da Cortina de Ferro. Depois, foram migrando o som para se alinhar ao rock que ouviam clandestinamente do Ocidente. Com a presença de um guitarrista cheio de calibre como Radim Hladik (um herói local, que já era membro da banda desde o início, ainda que o título do disco sugira o contrário), a banda solta boas composições, com peso e vigor, interpretações cativantes e até algum apelo fusion. O disco é instrumental, mas isso deve-se a censura sofridas pelas letras. Contudo, de forma inteligente, a banda adaptou as partes vocais e substituiu-as por frases de guitarra, flauta ou teclados. O destaque fica com a formidável canção “Boty”, que abre essa pérola.

André: Uma das coisas que eu mais admiro em disco instrumental é quando o guitarrista faz o seu instrumento “cantar” aquilo que deveria ser o trabalho de um vocalista. Satriani sempre fez isso e aparentemente o mesmo era feito lá nos confins da República Tcheca. Vá ser feliz escutando “Boty”, “Ztráty A Nálezy” e “Hypertenze”.

Davi: Excelente álbum instrumental. O grupo fazia uma sonoridade mesclando elementos do hard rock com o rock progressivo. As influências passam por Yes, Uriah Heep, Pink Floyd e, mais nitidamente, Deep Purple. Os músicos são excelentes, mas o grande destaque fica por conta do ótimo trabalho de guitarra de Radim Hladik. Melhor disco da lista!

Diogo: Como eu já imaginava, o que não falta entre as recomendações são grupos progressivos. Ao menos esses tchecos têm uma pegada mais blues que os diferencia e torna a sonoridade mais atrativa, ao menos para mim. Não à toa, o destaque do grupo é o guitarrista Radim Hladík, que tem feeling de sobra e sola com sapiência. Nada imprevisível, considerando que ele dá nome à empreitada. Guardadas as devidas proporções, o cara é como o Steve Howe (Yes) da banda, só que com os holofotes especialmente voltados para ele. Interessante descobrir esses talentos pouco reconhecidos mundialmente. Mais interessante ainda seria conferir possíveis obras literárias a respeito das cenas progressivas de cada país do Leste Europeu, desde suas origens ao reconhecimento, décadas depois, permitido graças à internet.

Fernando: O que mais gostei dessa banda foi o protagonismo da guitarra nas principais passagens. No progressivo é normal as guitarras perderem um pouco a vez para os teclados. Alguns solos de flauta são bastante inusitados por serem totalmente caóticos. Som completamente instrumental, muitas passagens legais, mas em alguns momentos acaba dispersando o interesse, principalmente se você estiver fazendo qualquer outra coisa ao mesmo tempo.

Mairon: Outro álbum que figura na minha playlist há algum tempo. A guitarra de Radim Hladík é uma flor de maracujá roxo envolvida por lindas paisagens esverdeantes criadas pelo Modrý Efekt, em um álbum clássico dos anso 70, que mistura hard rock com o progressivo soberanamente. Todas as canções são instrumentais e destacam-se em absoluto, sendo impossível não se encantar pelas lindas passagens de steel guitar e flauta em “Boty”, o estilo quase Focus de “Ztráty A Nálezy”, bem como a quebradeira de “Skládanka”, trazendo uma flauta trafficaniana para ninguém botar defeito. O melhor momento fica por conta do fusion experimental da estonteante “Hypertenze”m onde o saxofone de Jiří Stivín e o piano elétrico de Martin Kratochvíl travam um duelo de tirar o fôlego com a guitarra de Radim por mais de doze minutos, conduzidos pela cozinha precisa de Josef Kůstka e Vlado Čech. Como os anos 70 foram inspirados. E tem gente que acha que hoje em dia se faz música boa e criativa. Ah, vão catar coquinho…

Marco: Não conheço disco ruim do Blue Efect / Modry Efekt / M. Efekt. Os grupos checos para mim eram tops, melhores que os húngaros e poloneses.  É um país que venerava Frank Zappa (tem até estátua dele por lá), daí podemos entender de onde vem a inspiração para a sonoridade da maioria das bandas.

Ulisses: Guitarra vibrante na cara e uma banda entrosada trazendo jazz rock do bom. “Boty” e “Hypertenze” são as jóias épicas do registro, enquanto que “Čajovna” apresenta uma guitarra linda e emotiva. As outras duas faixas também não ficam muito atrás. Não sou lá grande apreciador de jazz, mas gostei deste álbum.


Aspid

Аспид – Кровоизлияние [1992] [Rússia]

Por Ulisses Macedo

Apesar de formados em 1988, o quarteto Аспид (ou Aspid) só pôde mostrar ao mundo sua obra quatro anos depois, quando a Cortina de Ferro já havia caído. Os caras trazem um thrash metal bem técnico e progressivo, soando como uma mistura de Artillery, Coroner e Destruction. A competência instrumental é notável, e o canto no idioma nativo torna o som ainda mais cavalo. A fluidez de execução das mudanças de andamento e a criatividade das composições mantém a atenção do ouvinte até o fim, com destaques para “К цели одной”, “Там где ночь” e a faixa-título. Mas fiquem ligados: a versão da Sitgmartyr Records de 2007 (Aspid – Extravasation), com os títulos em inglês, traz tom e velocidade diferentes. Melhor ficar com a original ou com a remasterização da Metal Race.

André: Me impressionei com a técnica e mesmo umas intervenções de teclado/sintetizador que apareceram logo na introdução e em alguns momentos durante o disco. E isso logo na Rússia? E logo em 1992? O Death – praticamente um pioneiro nessa mistura de técnica com algo mais pesado e extremo – estava ainda começando a caminhar nesse sentido. Facilmente o melhor disco de thrash que eu ouvi nesses últimos 5 anos. Para quem gosta, pode ouvir no talo.

Davi: Banda de thrash metal da Rússia. Misturam momentos mais velozes com momentos mais cadenciados. Possui uma sonoridade bem oitentista. Influências de Sodom, Kreator e Destruction são sentidas em todo o álbum. Os músicos são muito bons, os riffs de guitarra são bem legais, mas o trabalho vocal poderia ser um pouco melhor, assim como a qualidade de gravação do disco. De todo modo, interessante.

Diogo: Grandíssima surpresa esse grupo russo com seu thrash metal técnico e envolvente. A estirpe é legitimamente europeia, mas não espere algo tão na linha dos alemães Kreator, Sodom e Destruction, pois a associação mais evidente é com os suíços do Coroner. Músicos ótimos como os do Аспид me fazem cada vez mais crer que o problema nos países do Leste Europeu nunca foi a competência dos artistas, mas sim os regimes fechados e repressores que impediam que formações assim florescessem e dessem frutos. O baixista Valdimir Pyzhenkov chamou especialmente minha atenção, não devendo nadica de nada em relação aos grandes instrumentistas do gênero egressos dos Estados Unidos. O vocalista Vitaliy Holopov é outro destaque, soando na linha de Kelly Shaefer, do Atheist. Inclusive, os vocais em russo casam muito bem com o instrumental. Discão pra guardar e ouvir muitas vezes.

Fernando: Se alguns consideram que se você cantar em português, por exemplo, significa que você abriu mão de uma possível carreira internacional, imagine se sua banda tem um nome que ninguém consegue ao menos ler. Pelo que eu percebi Аспид significa aspid, ou áspide em português que é uma espécie de víbora. Pronto! Está aí o que mais de interessante eu consegui passar sobre a banda. Não gostei muito do thrash metal do grupo, que tem uma abordagem parecida com o Atheist, cheio de mudança de andamento, velocidade e muita técnica. Mas não me apeteceu.

Mairon: A banda se chama Aspia, e o nome do álbum significa hemorragia. Portanto, só podíamos ter metal por trás disso, e é um thrash metal cru, mal gravado por um jovem quarteto russo, que diferencia-se dos grupos americanos apenas pelo vocal cantado em russo. O baterista é muito fraco, me desculpem. Por mais que as canções lembrem um pouco o Metallica da fase inicial, principalmente pelo estilo de cantar do vocalista, e apesar de apreciar uma que outra canção, como “Дай мне (Пьеса для балета)”, da linda instrumental que é a faixa-título, e da belíssima introdução de “Там, где ночь”, foi um disco que passou sem deixar muitas marcas na memória. Essas três realmente foram as que mais gostei. Nota 3 em 5, tá bom?

Marco: Não conhecia. Não é a minha praia. Não tenho boas experiências com thrash. Mas que legal esse disco. Banda muito criativa, som de muita personalidade. O vocal, como sempre, é típico do saneamento básico… atrai moscas, mas quem liga pra isso? Uma ótima surpresa!

Ronaldo: Tem horas que é até difícil entender o que está acontecendo com este som extremamente pesado, rápido e furioso. E arrisco apostar alguma grana com alguém que se digne a pronunciar corretamente o nome desse disco. Contudo, dá um ânimo perceber que existem bons riffs no miolo disso tudo e algumas influências sinfônicas bem encaixadas. Não saberia destacar em qual vertente de heavy metal este som se encaixa, mas tem uma boa qualidade de gravação e um trabalho de bateria primoroso (exagerado, porém primoroso).



30 Comentarios

  1. maironmachado disse:

    Linda a foto de abertura do post André. Parabéns. Piotrowski, Szrek e Antimos estão na foto, em ordem

  2. Elardenberg disse:

    Pérolas, muitas pérolas: é o que não falta nesse site.
    Tenho que me organizar se quiser escutar um pouco do que me chama a atenção por aqui. Parabéns pelo trabalho e pelas recomendações!

  3. Cadê a melhor banda de metal da Russia? o Iron Maiden Russo o famoso Aria(apust) faltou essa.
    E progressivo Faltou a melhor de todas o Solaris da hungria.

    No mais boa lista.

    • André Kaminski disse:

      Solaris é excelente. Adoro o disco do Nostradamus, até votei nele na lista de 1999. Pena que não entrou.

  4. maironmachado disse:

    Desconehcia a história do presidente e ditador Romeno que o André trouxe, mas conhecia o Cantofabule, e afirmo, é um BAITA DISCO!

  5. maironmachado disse:

    “Gente, é cortina de ferro, não de renda! Cadê os comunas dando porradas nas meninas porque cantam em inglês e o nome da banda não é húngaro? Ah, entendi: estamos em 2004! Nem o Rocky Balboa surrando o Dolph Lundgren soou mais fake.” Marco, como sempre, um GÊNIO e Gentleman

    • maironmachado disse:

      “Vão achar que fui eu que indiquei esse disco, só porque é uma banda feminina dos anos 2000…”, Pior Ulisses, tinha certeza que era você quem tinha indicado o Vanilla Ninja

  6. maironmachado disse:

    Diogo, pq você nos indicou a demo?

  7. EU poderia ter indicado essa banda que eu já até escrevi aqui para o site: Axat, da Bulgária.
    http://consultoriadorock.com/2012/10/27/axat-march-1989/

  8. maironmachado disse:

    “Basta entrar em uma loja de discos e comprar esse do After Crying ou o 4 do Los Hermanos” Blasfêmias tem limites. O disco do After Crying é ótimo, e o 4 é uma das melhores obras que o BRasil produziu nos últimos 40 anos!

    • Davi Pascale disse:

      kkkkkkkkkkk Sabia que você iria reclamar do meu comentário. Nunca consegui gostar do Los Hermanos 4. Acho o pior disco deles, mas tranquilo… Gosto é gosto.

  9. Marco Gaspari disse:

    Este Recomenda deixou evidente o conflito de gerações entre os Consultores. Se a lista contempla Heavy Metal, os Cavaleiros da Ordem da Ponte de Safena sacodem suas bengalas ao céu e um grito de indignação faz eco nas bocas banguelas. Por outro lado, no caso de aparecer alguma bolacha progressiva, os signatários do abaixo assinado a favor do shortinho no Colégio Anchieta usam o poder de suas vozes fininhas de pré-adolescentes para uma revoada de mimimis no cio. Ora, vão todos tomar no devido.

  10. maironmachado disse:

    André, Ze Slowem Biegne Do Ciebie é o meu favorito. Escolhi SBB só pro pessoal se aavorar com a velocidade do Josef e da distorção carregadíssima que ele usa no baixo, ou seja, para conhecerem alguém que já fazia em 1974 o que o Cliff Burton ficou famoso dez anos depois, e ainda, com muito mais qualidade

  11. maironmachado disse:

    “É ruim elogiar algo com o nome Flamengo.” ESQUEÇA O FUTEBOL, BUENO!! ESQUEÇA!!

  12. maironmachado disse:

    Essa capa do disco do Аспид é uma coisa, convenhamos

  13. André disse:

    Excelente tema e escolhas, bandas do leste europeu (principalmente na época da Guerra Fria) são fascinantes. Eu adicionaria alguns nomes aí como Solaris (já dito aqui nos comentários), Omega, Breakout, Collegium Musicum, Time, In Spe e Progresiv TM, apesar de muita coisa ficar de fora.

    Abraços e parabéns pelo post!

    • André Kaminski disse:

      In Spe foi a minha segunda opção para ser indicado aqui, estava em dúvidas entre eles e o Phoenix. É uma ótima banda, também recomendo.

  14. Ronaldo disse:

    Ficou muito bom o texto. Parabéns aos envolvidos! Alguns comentários foram divertidíssimos!

  15. Marcos Aurélio disse:

    Eita tema rico e inexplorado essa cortina de ferro. Conhecia uma coisa ou outra da lista e aproveito pra correr atrás do que ainda não escutei de fato. Aproveito também pra deixar a recomendação do Jazz Q do supracitado Martin Kratochvíl, banda no mesmo nível e na mesma linha do Blue Effect. Continuem assim!

    • maironmachado disse:

      Ótimas indicações Marcos Aurélio. Jazz Q é uma baita banda, assim como o Blue Effect. Valeu

  16. Lifeson disse:

    Boa seleção, mas penso que cabia menção à banda húngara Mindflowers, especialmente no disco “improgressive” de 2002, que é uma verdadeira pérola. Vale conferir!!

  17. Eudes Baima disse:

    Eu por matérias como esta que eu aguento estes révi metaus de vocês! Bacanérrimo.

  18. Diego Camargo disse:

    Bah, lista bacana. Mas eu recomendaria tantos outros discos. Mas isso fica prum futuro próximo hehehe

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