Nesta semana, de segunda a sexta-feira, diversos colaboradores da Consultoria do Rock apresentarão listas com suas preferências particulares envolvendo os novos álbuns de estúdio lançados em 2012. Cada redator tem a oportunidade de elaborar sua listagem conforme seus próprios critérios, escolhendo dez álbuns de destaque, além de uma surpresa e uma decepção (não necessariamente precisam ser discos). Conforme o desejo de cada um, existe também a possibilidade de incluir outros itens à seleção, como listas complementares, enriquecendo o processo e apresentando impressões relacionadas ao ano que acabou de se encerrar. Como culminância da seleção, no sábado, os dez álbuns mais citados serão compilados e receberão comentários de todos os colaboradores, não importando o teor das opiniões.

Por Micael Machado

Em termos de qualidade nos lançamentos, este foi um ano ainda melhor que 2011. Algumas bandas consagradas (como Van Halen ou Kiss) resolveram arregaçar as mangas e voltar ao batente, e até os jurássicos Rolling Stones colocaram música nova no mercado. Outros grupos, que lançam material novo mais regularmente, também foram ao trabalho, e o resultado foi uma verdadeira enxurrada de bons álbuns, em uma época onde se diz aos quatro ventos que a venda de discos (especialmente os de rock) estão cada vez menores. 

Claro que não se pode escutar tudo o que surgiu nas lojas (físicas ou virtuais), sendo assim, seguem os discos que se destacaram dentre aqueles aos quais consegui dar atenção em 2012. Sei que, assim como ocorreu no ano passado, em 2013 irei ouvir muita coisa lançada este ano e que mereceria estar nesta lista. Mas, até lá, esta é a minha seleção:

Álbuns do ano

 Rush – Clockwork Angels
Se ano passado o trio canadense foi eleito por mim como a maior decepção, muito foi pela decisão de adiar o lançamento deste álbum. Felizmente, a espera valeu a pena, e aquilo que o single de 2010 (com “Caravan” e “BU2B”) prometia acabou se cumprindo, no melhor álbum do Rush desde Counterparts, de 1993. Músicas como “The Anarchist”, “The Garden” ou a faixa título mostram que os velhinhos, pelo menos em estúdio, ainda mandam muito bem, e tem condições de nos brindar com canções técnicas e complexas, mas ainda capazes de nos emocionar. Embora todo o conceito lírico seja bastante difícil de entender (e um livro sobre ele vem por aí para nos ajudar), a parte musical é irretocável, assim como praticamente toda a carreira do grupo! Longa vida ao Rush!

Joey Ramone – Ya Know?

O segundo álbum póstumo de Joey Ramone é composto de um catadão de demos (“Life’s A Gas”, “Make Me Tremble”), músicas já lançadas em EPs (a versão original de “Merry Christmas-I Don’t Want to Fight Tonight”) e faixas deixadas inacabadas pelo vocalista dos Ramones, e retrabalhadas por gente que sempre foi próxima do grupo, como os produtores Ed Stasium e Daniel Rey, ou o irmão de Joey, Mickey Leigh. O resultado é sensacional, e, embora algumas músicas apresentem aquele estilo “ramônico” de ser (“Rock ‘n Roll Is the Answer”, “There’s Got to Be More to Life”) ou sejam típicas baladas como só Joey era capaz de criar (“Waiting for that Railroad”), canções como “Seven Days of Gloom” ou (principalmente) “Cabin Fever” mostram que o saudoso cantor era capaz de muito mais que “três acordes e basta”, como muitos pensam. Joey faz muita falta ao mundo da música hoje em dia, e, se a discografia dos Ramones já não servisse para evidenciar esta frase, este disco é uma prova disso. RIP, man!



Vintersorg – Orkan

Andreas Hedlund e Mattias Marklund esperaram apenas um ano depois do ótimo Jordpuls para dar continuidade a sua carreira. Orkan (“Furacão”, em sueco) dá continuidade a uma saga de quatro álbuns dedicados aos elementos essenciais da natureza (terra, ar, fogo e água). Musicalmente mais próximo de álbuns como Cosmic Genesis (2000) ou Visions from the Spiral Generator (2002), o grupo retoma as características progressivas daquela fase em mais um registro de destaque em sua discografia, a ser apreciado por aqueles que o acompanham há tempos. Ouça “Istid”, “Ur stjärnstoft är vi komna” ou a faixa título, e comprove.

Toy Dolls – The Album After the Last One

Levou oito anos para Olga e seus comparsas voltarem ao estúdio e gravarem o sucessor de Our Last Album? (2004). O tempo não mudou em nada as características da banda, e o resultado, felizmente, é puro Toy Dolls, em um álbum com letras divertidas, todos aqueles backing vocals característicos, Olga mandando muito bem na guitarra (como sempre, aliás – e não consigo entender como um guitarrista desse naipe nunca aparece naquelas listas de “melhores” que surgem de tempos em tempos) e, desta feita, algumas bonus tracks acústicas que, não só são hilárias, mas mostram que o talento desses ingleses não depende apenas de distorções ou efeitos para ser ouvido. “Credit Crunch Christmas”, “Sciatia Sucks” ou “Dirty Doreen” são belos acréscimos à discografia do grupo, e farão a festa dos fãs da banda mais divertida do mundo. Confira sem medo!

Soulfly – Enslaved

Seja com o Soulfly ou com o Cavalera Conspiracy, Max Cavalera vem, ano após ano, lançando discos de altíssima qualidade no mercado. Enslaved tembém é desse tipo, afastando-se cada vez do nu metal dos primeiros discos do Soulfly e se aproximando de um thrash veloz e brutal. Confira “Gladiator”, “Plata O Plomo” ou a abertura com “Resistance” e comprove que, mais uma vez, Max acertou no alvo! Recomendadíssimo!

Neil Young – Psychedelic Pill

Neil se reuniu em estúdio com o Crazy Horse pela primeira vez desde 2003 (ou 1996, visto que o guitarrista Frank “Poncho” Sampedro não participou das gravações de Greendale) e, não contente em gravar apenas um álbum de canções tradicionais dos Estados Unidos (o também recomendado Americana), lançou também este épico duplo de oito canções, onde duas tem mais de dezesseis minutos e uma terceira passa dos vinte e sete. O que se espera de Neil e do Cavalo Doido em músicas assim são solos e mais solos de guitarras, amparados pela base segura e precisa que o baixista Billy Talbot e o baterista Ralph Molina propiciam. Pois é exatamente isto que se encontra em “Driftin’ Back”, “Ramada Inn” ou “Walk Like a Giant”. Musicalmente próximo a lançamentos como Broken Arrow ou Ragged GloryPsychedelic Pill é mais um grande álbum na carreira do canadense, e um belo presente a seus fãs.

Focus – Focus X

Dez anos depois do álbum que marcou sua efetiva volta à ativa, o jurássico grupo holandês Focus lança seu décimo disco de estúdio, mostrando que ainda tem muita lenha a queimar. Com o terceiro guitarrista diferente desde o retorno (o talentoso Menno Gootjes, que chegou a tocar ao lado de van Leer nos anos 90), capa desenhada pelo consagradíssimo Roger Dean (responsável pela arte de grupos como Yes, Asia e Budgie, dentre muitos outros), música com letra em latim (“Hoeratio”) e até participação especial do cantor Ivan Lins (em “Le Tango”), os “velhinhos” Thijs van Leer (teclados, flauta e vocalizações) e Pierre van der Linden (bateria), ao lado do baixista Bobby Jacobs (com o grupo desde o retorno), provam mais uma vez a importância da banda para o cenário progressivo mundial. Confira “Father Bachus”, “Amok In Kindergarten” ou a própria “Focus 10” e comprove!

Violeta de Outono – Espectro

E o posto de melhor disco de inéditas registrado por um grupo brasileiro em 2012 vai merecidamente para os paulistanos do Violeta de Outono. Seguindo o estilo adotado em Volume 7, seu registro anterior (de 2007), a banda segue mais progressiva que psicodélica, e lançou um disco que vai fazer a festa dos fãs do estilo. A longa “Formas-Pensamento”, a bela “Dia Azul” e a oitentista “Claro Escuro” são apenas três das excelentes faixas que compõem Espectro, recomendado a todos aqueles que curtem um prog com doses de lisergia. A viagem é certeira!

Chris Robinson Brotherhood – Big Moon Ritual 

Em mais uma das longas pausas do Black Crowes, o vocalista Chris Robinson juntou um grupo de amigos para se divertir e passar o tempo. A coisa ganhou corpo, e virou um grupo efetivo, ou uma fraternidade, como o nome sugere. Não fosse pela presença do cantor, eu poderia jurar que Big Moon Ritual é um daqueles discos gravados no final dos anos sessenta e esquecidos em alguma gaveta de gravadora, pois o disco é pura psicodelia californiana, como se saído diretamente do Fillmore de San Francisco em pleno 1967. Com longas e viajantes sete canções, tem tudo para agradar tanto aos fãs do estilo quanto aos saudosos fãs dos Corvos Negros. Ouça “Tulsa Yesterday”, “Star or Stone” ou “Reflections on a Broken Mirror” e embarque nessa viagem, cujo destino é a satisfação e um sorriso enorme ao final da audição! E o melhor é que o grupo já lançou um segundo disco, The Magic Door, apenas três meses depois de seu primeiro registro! Corra atrás!

Graveyard – Lights Out

O segundo álbum dos suecos do Graveyard, Hisingen Blues, foi algo que deixei passar em 2011, vindo a conhecê-lo somente este ano. Desta forma, não desperdicei a oportunidade de conferir este Lights Out assim que soube de sua existência. Embora não tão bom quanto seu antecessor, é um disco raro no atual mercado musical, trazendo as referências setentistas do hard rock para o século 21, porém sem esbarrar na mesmice de muitas bandas de stoner rock por aí. Confira as pauladas “Endless Night” e “Goliath”, ou a viajante “Hard Times Lovin'”, e não irá se arrepender!

O show The Wall, de Roger Waters

Melhor notícia: O grande número de shows no país
(especialmente em Porto Alegre)

2012 foi, sem dúvidas, o ano a que mais assisti a shows na vida. Desde grandes espetáculos como o aguardadíssimo “The Wall” de Roger Waters, passando pelos consagrados Dream Theater, Nightwish, Linkin Park, Anthrax e Slash, por ocasiões históricas como os retornos de Viper, Planet Hemp e Los Hermanos (além do surpreendente sarau de Arnaldo Baptista), e chegando a lendas do rock como Robert Plant, Rick Wakeman ou Jack Bruce, e aos reconhecidos (mas nem tão famosos) Jello Biafra e Creedence Clearwater Revisited, foi um ano mágico em termos de momentos que ficarão na memória por um bom tempo. Mesmo com os salgados (e por vezes proibitivos, como no caso do Kiss) preços dos ingressos, estive presente a espetáculos que, muitas vezes, não tinha sequer esperança de assistir, e pude cobrir tudo para você, leitor do Consultoria do Rock. 2013 vem aí, e, se tudo der certo, estaremos presentes a ainda mais concertos inesquecíveis! Quem sabe, encarar novamente lendas como Metallica ou Iron Maiden (desta vez, espero, em um local adequado a seu tamanho), ou então enfrentar pela primeira vez o monstro chamado Slayer, os sobreviventes do grunge Alice In Chains ou os novatos do Ghost, todos estes já confirmados para o Rock In Rio em setembro? Sonhar não custa nada!

Ambiente do Metal Open Air
Pior notícia: Metal Open Air

Era para ser a consagração do Heavy Metal no Brasil, e a prova de que o estilo está espalhado pelos quatro cantos da país, e não apenas em São Paulo, como muitos pensam. O festival de São Luís do Maranhão deveria mostrar à grande mídia a força do público headbanger brasileiro, muitas vezes tratado como imbecil e retardado por pessoas que não tem nenhuma intimidade ou conhecimento deste tipo de público. Infelizmente, tudo deu errado, e o Brasil virou motivo de piadas tanto pelos detratores do metal no país quanto por aqueles que entendem do assunto lá fora, chegando a abalar a credibilidade que os produtores sérios levaram anos para construir. Foi um fato lamentável, e que deve servir de lição para que futuros aventureiros não tenham oportunidade de repetir este fiasco em anos vindouros! Que se aprenda com os erros,para não repeti-los jamais!

Viper ao vivo

Surpresa: o retorno de bandas e artistas nacionais ao palco

Viper, Los Hermanos, Planet Hemp, Bacamarte, Arnaldo Baptista, Sagrado Coração da Terra, Titãs (que, pelo menos nos concertos, voltou ao som mais visceral da época de Cabeça Dinossauro – que ganhou turnê e DVD ao vivo para comemorar os trinta anos do grupo – e Titanomaquia) e até o Mutantes da fase Tudo Foi Feito Pelo Sol (particularmente, meu disco favorito da banda) foram alguns dos grupos que retornaram aos palcos em 2012, seja para longas turnês pelo país, seja para shows específicos em ocasiões especiais, para alegria e regozijo de seus seguidores. O que espero é que estas “voltas” não se restrinjam aos palcos, e revelem novos discos de estúdio, algo a que os verdadeiros fãs sempre esperam com ansiedade! Fiquemos no aguardo!


Linkin Park – Living Things

Decepção: Linkin Park – Living Things

Se ao vivo o grupo se mostrou relevante e capaz de agradar ao seu público, como pude conferir no Gigantinho, o mais recente disco de estúdio do Linkin Park deixou um gosto amargo naqueles que são fãs mas não são fanáticos pela música dos americanos. Tudo bem que a qualidade de seus discos vem decaindo a cada lançamento, mas praticamente esquecer das guitarras e privilegiar efeitos eletrônicos e ritmos mais dançantes ao invés do rock de antigamente (ainda que misturado ao rap e ao hip hop) não foi uma boa ideia, e rendeu um álbum pavoroso, que merece ser esquecido. Curioso que a maioria das músicas, ao vivo, ganhou arranjos bastante interessantes, por vezes com duas guitarras onde no álbum não há sequer uma. Talento para se recuperar o grupo tem, resta aguardar que coloquem sua música nos trilhos novamente e voltem a produzir álbuns relevantes como no começo da carreira.

outros destaques
Therion – Les Fleurs Du Mal
Ministry – Relapse
Ian Anderson – Thick as a Brick 2
Neil Young – Americana
Metallica – Beyond Magnetic

2 comentários

  1. diogobizotto

    O pior é que eu estava ligado dos lançamentos de Neil Young em 2012, mas decidi conscientemente deixá-los passar. Achei que, honestamente, ainda não tenho conhecimento de causa suficiente para avaliar álbuns novos de Neil Young. Prefiro antes ao menos conhecer um bom panorama de sua carreira, pra ter mais maturidade avaliando material recente. Mesma coisa com Bob Dylan.

    Quanto ao Chris Robinson Brotherhood, vi "Big Moon Ritual" em várias listas por aí e inclusive o citei como menção honrosa, pois o disco é realmente muito bom. Porém, não vi ninguém comentando sobre o segundo disco, "The Magic Door". Micael, você que citou o primeiro, o que achou desse? Eu achei nitidamente mais fraco que o antecessor…

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