Maravilhas do Mundo Prog: Antonius Rex – Zora [1977]

23 de agosto, 2012 | por Mairon
Maravilhas do Mundo Prog
2



Por Mairon Machado
Quando falamos no rock progressivo italiano é impossível não citar o nome do guitarrista e vocalista Antonio Bartocetti. Também conhecido como Antonius Rex, o rapaz foi fundador de um dos mais importantes nomes na cena italiana. Liderou diversos grupos que, pelo norte da Itália, ajudaram a caracterizar o som progressivo naquele país.
Suas origens musicais estão no excelente grupo Jacula, nascido no final da década de 60. Em 1969, meses após a fundação do grupo, ao lado de Fiamma Dallo Spirito (voz, violino e flauta), Doris Norton (bateria) e Charles Tiring (teclados), Antonius lançou o raríssimo In Cauda Semper Stat Venenum, o qual saiu em uma edição limitada de 300 cópias apenas, que valem pequenas fortunas no mercado musical. Baseado em composições voltadas para órgão de igreja e guitarras destorcidas – tendo apenas algumas frases soltas entoando poemas sinistros em determinadas canções e rápidas participações dos demais instrumentos – In Cauda Semper Stat Venenum é um verdadeiro achado arqueológico. Destacam-se preciosidades como “Ajtus”, a quase metal “Triumphatus Sad” e o assustador e longo poema da  faixa-título.
A polêmica capa mostra uma imagem em preto e branco de um homem comendo um pedaço de um cadáver dentro de um cemitério. Como a tiragem foi muito pequena, poucos conheceram a mesma.

Antonio Bartoccetti em 1971
Três anos depois, Tardo Pede in Magiam Versus transformou-se no último lançamento do Jacula, seguindo uma linha diferente do primeiro. Contando com Norton agora nos vocais e sintetizadores, além de Tiring e da adição de Albert Goodman (bateria), este LP destaca mais a guitarra distorcida e o violino. Trazem como maior destaque as pérolas que compõem o lado A, que são “U. F. D. E. M.” e “Praesentia Domini”, onde as vocalizações de Doris são arrepiantes. Já o lado B é mais suave, destacando o lindo duelo de voz e flauta em “Jacula Valzer”, bem como a emocionante “Long Black Magic Night” e a merecedora de ser chamada Maravilha Prog, “In A Old Castle”, uma magistral canção somente com o órgão de igreja sendo o centro das atenções.

A polêmica capa de Tardo Pede in Magiam Versus


A capa de Tardo Pede in Magiam Versus é a mesma de In Cauda Semper Stat Venenum, porém no formato colorido. O LP foi lançado em uma tiragem maior, mas mesmo assim ainda pequena (pouco mais de mil cópias), e acabou causando muita revolta na Itália, sendo censurado.

O Jacula se desintegrou, mas Bartoccetti não parou, fundando o grupo Invisible Force, ao lado do eterno colega Charles Tiring, Elisabeth d’Esperance (voz) e Peter McDonald (bateria), com os quais lançou os singles “Morti Vident” e “1999 Mundi Finis”, ambos em 1971. A linha é similar ao que apareceu no segundo disco do Jacula, sendo que “1999 Mundi Finis” é a versão original de “Praesentia Domini”.

O Invisible Force mudou de nome, adotando Dietro Noi Deserto, trazendo Bartoccetti no baixo ao lado de Luciano Lura (voz, órgão), Luciano Quaggia (guitarra) e Mauro Baldassari (bateria), que lançou os singles “Dentro Me” e “Aiuto”, canções mais voltadas para o rock clássico italiano do que para o progressivo. 

Capa de Neque Semper Arcum Tendit Rex
Em 1974, Antonio funda o grupo Antonius Rex, ao lado de Doris Norton (teclado, voz) e do ex-Jacula Albert Goodman (bateria), gravando aquele que é considerado seu primeiro álbum solo, Neque Semper Arcum Tendit Rex. Uma mera ampliação do que já havia sido feito nos tempos de Jacula, mas que não foi lançado na época. Tudo novamente por conta da arte da capa. Inicialmente, seria lançado pelo selo Vertigo, mas ao ver a capa contendo uma imagem em preto e branco de uma carta com mensagens satânicas, a gravadora negou-se a lançar o mesmo. Apesar das tratativas com o selo independente Darkness (de propriedade de Goodman), o álbum acabou não sendo lançado.

O grupo Antonius Rex: Albert Goodman, Antonio Bartoccetti e Doris Norton 

Somente em 1977 o grupo conseguiu sair da toca e ver seu primeiro LP nas prateleiras. Trata-se do espetacular Zora. Se para alguns esse é o álbum mais fraco da carreira de Bartoccetti, para outros é o que define de vez a carreira do guitarrista italiano. O álbum abre com “The Gnome”, uma alegre faixa lembrando os rocks da fase “Invisible Force”. Na sequência, “Necromancer”, “Spiritualist Seance” é uma revisão sobre “Praesentia Domini”. Já a faixa que abre o lado B recebe o honroso título da Maravilha Prog. Trata-se da faixa-título do álbum.

Antonio Bartoccetti em 1977
“Zora” abre com os sintetizadores e o órgão, que entoa o riff principal, acompanhado pela guitarra, baixo e bateria. Começa então o primeiro solo de piano elétrico em ritmo frenético. Entra em uma sequência de acordes que diminuem o tom, com viradas rápidas da bateria, levando ao lindo solo de sintetizador. A canção muda, ficando leve e viajante. 
Longos acordes de sintetizador acompanham a voz de Bartoccetti que entoa o poema da canção. O piano elétrico deixa o violão surgir com um emotivo dedilhado, que acompanha algumas notas do órgão. Sintetizadores surgem fazendo intervenções entre os dedilhados. Após seis notas do baixo, começa o veloz duelo entre violões e sintetizadores, trazendo a bateria, o baixo e os longos acordes de sintetizadores, levando a canção para seu encerramento.
Aqui, bateria e baixo comandam uma espécie de jazz, com um curto solo de piano elétrico. Acordes estranhos dos sintetizadores resgatam a voz de Bartoccetti que conclui o poema com a repetição do riff inicial feito por piano elétrico, guitarra, baixo e bateria, repetindo o solo inicial mais uma vez.
O LP encerra-se com “Morte al Potere”, uma grandiosa faixa com duelos alucinantes de guitarra, voz e flautas, que mantém o clima sombrio que permeia quase todo o álbum.
Capa do relançamento de Zora
A capa de Zora também causou polêmica, mantendo a tradição. Tudo por que ela apresenta uma linda bruxa quase nua, com os seios de fora, chicoteando caveiras que estão tocando um concerto em um navio prestes a afundar. Para solucionar o problema, Zora foi lançado com uma capa diferente, tendo apenas uma pequena imagem de uma das caveiras. O resto, tudo em preto contendo apenas o nome da banda e do álbum.
O Antonius Rex seguiu sua carreira, mudando de formação e lançando mais três álbuns: Ralefun (1978), Anno Demoni (1979) e Praeternatural (1980). Na década passada, voltou a ativa, lançando mais dois álbuns: Magic Ritual (2005) e Switch on the Dark (2006). 
Bartoccetti em 2011
Em 2009, ano de lançamento de Per ViamZora recebeu um lançamento comemorativo, apresentando a inédita “Monstery” e resgatando a famosa capa da bruxa nua. No ano passado, Bartoccetti lançou Per Viam, resgatando o grupo Jacula das cinzas, mantendo os climas sombrios que ainda assustam os italianos e os descobridores de pérolas do rock progressivo.



2 Comentarios

  1. fernandobueno disse:

    É só alguém falar que algum disco é caro logo vem o Marco Gaspari oferecer uma cópia por uma "brecinho"…

  2. Marco Gaspari disse:

    Tenho o CD do Jacula e um do Antonius Rex (não sei qual). Faço brecinho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *