Por Mairon Machado

Formado por um sexteto contando com Papa Emeritus (vocais) e Nameless Ghouls (guitarras, baixo, teclados e bateria) – assim mesmo, sem nome, para serem irrelevantes perante a proposta musical – o Ghost nasceu em 2008, na Suécia, e se tornou mundialmente reconhecido graças ao bom álbum Opus Eponymous, o qual chegou às lojas brasileiras através de mais um importante lançamento da Hellion Records. Famoso na Europa e no mundo, o grupo apresenta-se com máscaras, sem revelar a identidade de cada integrante, e é tido como uma das maiores promessas dos últimos anos dentro do hard rock.

O álbum inicia com o lindo órgão de “Deus Culpa”, levando ao baixão de “Con Clavi Con Dio”, tornando o mesmo bem promissor. A entrada dos vocais de Emeritus acaba frustrando um pouco as expectativas. De forma geral, o disco passa a trafegar por um estilo que mistura peso, eletrônicos e por vezes new wave, com uma constante mistura de sintetizadores, guitarras distorcidas e vocalizações, que cria um novo estilo dentro do já vasto conceito do hard rock moderno. Muito interessante e curioso nas primeiras audições, sendo de bom grado para as audições posteriores.

Papa Emeritus
Nessa nova forma de criar canções, destaque para “Satan Prayer” com as linhas egípcias da guitarra que nos remetem direto ao álbum Powerslave (Iron Maiden), a macabra “Death Knell” baseada em riffs típicos do Black Sabbath, e que conta com a inclusão dos teclados e um belo arranjo vocal, e a maravilhosa sequência final com a grudenta “Prime Mover” – onde o baixo aparece com mais destaque – e a linda instrumental “Genesis”. Essa última também com forte inspiração em Maiden em seu riff inicial, com uma surpreendente e belíssima sessão flamenca que encerra a melhor canção do álbum.

Na parte gráfica, parece que a capa foi impressa em um xerox colorido de má qualidade, mas que serve para caracterizar o conceito de antiguidade com que todo o encarte foi concebido, inclusive com as letras das canções sendo impressas na fonte Old English Text, sem trazer nenhuma foto ou quaisquer informações sobre os integrantes.  

Nameless Ghouls

Um disco muito bom, apesar de que eu esperava mais pela propaganda feita em cima do mesmo, visto o CD ter sido eleito o terceiro melhor disco da década passada pela revista sueca Sweden Rock Magazine. Mesmo assim, vale a pena dar uma conferida, principalmente pela maravilha apresentada em “Genesis”.

Contra-capa de Opus Eponymous

Track list

1. Deus Culpa
2. Con Clavi Con Dio
3. Ritual
4. Elizabeth
5. Stand By Him
6. Satan Prayer
7. Death Knell
8. Prime Mover
9. Genesis

5 comentários

  1. Pablo Ribeiro

    Boa! Também esperava mais do disco, levando-se em consideração a fiasqueira que fizeram quando do lançamento do mesmo. É bem bacana, mas nada de revolucionário. Papa Emeritus (o vocalista esquisitão do grupo), é Tobias Forge, que já tocou com o Subdivision (um pop meio experimental), com o Repugnant (Death/Thrash) e no Crashdïet (Hair/Sleaze), daí se entende as influências de um ou vários desses genêros no decorrer da bolacha.

    Valeu pela resenha, Mairon!

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  2. fernandobueno

    Eu sou suspeito paa falar do Ghost. Já indiquei para tanta gente que fui até chato. Gostei DEMAIS desse álbum e, como sempre digo, espero muito para que o tão esperado segundo álbum seja do mesmo nível. Seria uma decepção muito grande se eles não confirmassem as expectativas…

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  3. leonardocastro

    Eu tambem me amarrei no disco, ele tem um frescor raro hoje em dia. As musicas causam estranheza, surpreendem, tudo é meio imprevisivel, ainda que as influencias estejam claramente lá.

    Tambem estou ansioso pelo proximo disco!

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  4. micaelmachado

    Eu curti muito esse disco e essa banda. Acho engraçado o satanismo infantilóide das letras, e curioso o fato de ainda não terem descoberto a identidade dos músicos nesses tempos de informação instantânea. Não é nada de novo, mas é muito legal.

    Só achei curioso ninguém ter citado ainda o Mercyful Fate, para mim a principal influência do Ghost, e nem "Elizabeth" (mais uma canção dedicada à Condessa Bathory), para mim um dos maiores destaques do álbum!

    Que venha o segundo disco!

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