Por Leonardo Castro

Após ser demitido do Metallica às vésperas das gravações de Kill´em All, em 1983, Dave Mustaine recrutou o baixista Dave Ellefson e formou uma nova banda: Megadeth. Depois da passagem de alguns bateristas e guitarristas, incluindo Kerry King (Slayer), o grupo se estabilizou com a entrada de Gar Samuelson e Chris Poland e entrou em estudio para gravar seu primeiro disco, Killing Is My Business… And Business Is Good!, pela Combat Records em 1985.


Killing Is My Business… And Business Is Good! [1985]

Frustrado e cheio de raiva devido a sua demissão, Dave Mustaine queria provar que sua nova banda podia ser mais pesada, rápida e técnica que a de seus ex-companheiros.

E assim nasceu Killing Is My Business… And Business Is Good!. A faixa de abertura, “Last Rites/Loved To Death”, deixa isso bem claro com riffs intricados e mudanças de andamento, além de solos e mais solos de Mustaine e Poland.

A produção, infelizmente, deixa a desejar. Reza a lenda que metade do orçamento disponibilizado pela gravadora foi gasto com drogas lícitas e ilícitas. No entanto, a força e a energia das músicas são contagiantes. Musicalmente, aposta no thrash e no speed metal. Os principais destaques são a faixa-título, “Skull Beneath The Skin”, a sensacional “Rattlehead” e “The Mechanix”. Esta última uma composição de Mustaine que o Metallica gravou em seu disco de estréia com letra, nome e arranjos diferentes (“The Four Horsemen”).


Peace Sells… But Who’s Buying? [1986]

Um ano após a estréia, o Megadeth voltava com Peace Sells… But Who’s Buying?, que catapultou a banda a níveis muito mais elevados que o anterior. O grupo continuava investindo no thrash e no speed metal técnico, mas as composições eram mais fortes e a produção infinitamente melhor que outrora. A abertura com “Wake Up Dead” refinava o estilo intrincado adotado em Killing Is My Business. Os solos de Mustaine e Poland eram excelentes.

Havia ainda faixas mais diretas e com menos variações, mas com riffs fortes e ótimos refrões, como “The Conjuring” e “Devil’s Island”. Contudo, os principais destaques do disco eram a faixa-título e a música de encerramento, “My Last Words”. A primeira, mais simples e direta do que o material usual do grupo, apresenta uma linha de baixo viciante e um dos melhores refrões da história da banda.

Além disso, seu videoclip foi exibido a exaustão na MTV norte-americana, aumentando e muito a popularidade do grupo. Já a última mostrava toda a influência que NWOBHM teve em Mustaine, com um riff a la Diamond Head. Excepcional! Andamento acelerado e um belíssimo trabalho de guitarras. Em resumo, Peace Sells… But Who’s Buying? é um disco obrigatório não apenas para os fãs do Megadeth e de thrash metal, mas para quem gosta de heavy metal em geral.


So Far, So Good… So What! [1988]

Após o sucesso do disco anterior, o Megadeth assinou com a Capitol Records, que relançou Peace Sells… e destinou um orçamento bem razoável para a produção do disco seguinte.

Contudo, passavam por um péssimo momento com mudanças de formação ocorrendo e com o guitarrista e vocalista no auge de sua dependência de drogas. Ainda assim, o grupo entrou em estúdio com dois novos membros (o guitarrista Jeff Young e o baterista Chuck Behler) para registrar So Far, So Good… So What!.

Mesmo com o investimento maior, a produção não se compara a de Peace Sells… As composições, mais uma vez, mostram todo o talento de Dave Mustaine. O disco tem início com a instrumental “Into The Lungs Of Hell”, onde o novo guitarrista Jeff Young demonstra seu talento para solar. “Set The World Afire” tem os riffs típicos de Mustaine e não soaria deslocada em um dos dois primeiros discos do Metallica. “Hook In Mouth” tem uma bela linha de baixo de Ellefson.

A letra ataca o PMRC, comitê norte-americano que regulava quais discos teriam o selo “Parental Advisory – Explict Lyrics” (Aviso aos Pais – Letras Explicitas), tão comum nos discos de metal nos anos 80… O principal destaque do disco, contudo, é a épica “In My Darkest Hour”, escrita por Mustaine quando este recebeu a notícia da morte de Cliff Burton, seu ex-companheiro no Metallica. So Far, So Good… So What! é um disco mais cadenciado e menos speed metal que seus anteriores, mas recheado de boas músicas e muitas vezes esquecido por ter sido lançado entre dois dos melhores discos do Megadeth.


Rust In Peace [1990]

Com mais duas mudanças na formação (Nick Menza na bateria e o virtuoso Marty Friedman na guitarra), o Megadeth entrou em estúdio para gravar Rust In Peace.

Produzido por Mike Clink (Guns N’ Roses), o álbum trazia tudo que a banda havia feito de melhor e elevava a máxima potência o thrash metal técnico do grupo. O disco abria com o que viria a se tornar o seu maior clássico, a avassaladora “Holy Wars… The Punishment Is Due”.

Dona de um riff espetacular, um trabalho de bateria primoroso e solos fenomenais de Mustaine e Friedman. O nível do disco é altíssimo. É até difícil apontar destaques, mas é impossível não citar “Hangar 18” e seus solos maravilhosos, “Take No Prisoners” com seu riffs destruidores e backing vocals animais e a minha favorita, “Tornado Of Souls”, que tem um riff de outro planeta e um dos melhores solos de Marty Friedman no Megadeth. Rust In Peace foi tão importante em sua carreira que, em 2010, o grupo excursionou tocando o álbum na íntegra e lançou o DVD/Blu-Ray Rust In Peace Live. Outro ítem obrigatório para os fãs de thrash e heavy metal.


Countdown To Extinction [1992]

Mantendo a formação do disco anterior, o Megadeth optou por simplificar seu som em Countdown To Extinction. Produzido pelo renomado Max Norman (Ozzy, Savatage), o álbum deixava de lado as músicas longas e complexas.

Apostava em canções simples com menos riffs, mas com refrões marcantes, capazes de levar o Megadeth às programações das rádios rock. Felizmente, o resultado foi excelente. As ótimas músicas compostas por Mustaine somadas ao bom gosto dos solos de Marty Friedman resultaram em um disco pesado, mas ao mesmo tempo acessível e marcante.

O disco abria com a rápida “Skin On My Teeth”, seguida pelo grande hit do disco, “Symphony Of Destruction”  (cujo clip passou bastante na MTV brasileira). O álbum mostrava uma faceta mais melódica, inédita até então, como na excepcional faixa-título e em “Foreclosure Of A Dream”. Outro destaque era “Sweating Bullets”, com uma linha mais próxima do hard rock e um videoclip interessantíssimo.

Havia ainda músicas mais pesadas como as ótimas “Psychotron” e “Ashes In Your Mouth”. Countdown To Extinction acabou se tornando o disco mais bem sucedido da carreira do Megadeth. A banda tem tocado o disco na íntegra na atual turnê para comemorar os 20 anos do seu lançamento.


Youthanasia [1994]

Dois anos após o lançamento do seu disco mais bem sucedido, o Megadeth retornava com mais um lançamento. Youthanasia, produzido mais uma vez por Max Norman, continuava apostando na sonoridade apresentada no disco anterior, com um foco maior nas composições simples e marcantes do que no thrash metal técnico do início da carreira do grupo.

“Reckoning Day” abria o disco com um riff excelente e um refrão forte. Era seguida pelo primeiro single do álbum, “Train Of Consequences”, ambas bastante melódicas. Entretanto, a belíssima semi-balada “A Tout Le Monde” era certamente a música mais acessível.

Seria até difícil imaginar uma música deste estilo em discos como Peace Sells… ou Rust In Peace. Contudo, Youthanasia ainda tem músicas pesadas como a ótima “Victory” (cuja letra revisita a carreira da banda) e “Blood Of Heroes”, outro destaque do disco. Em resumo, Youthanasia mostrava um Megadeth ainda mais melódico, se distanciando ainda mais das suas raízes thrash metal. Entretanto, graças às composições, continuava empolgante e relevante.

2 comentários

  1. Mairon Machado

    alguém sabe por que o Megadeth colocou a mesma oração que está em Enter Sandman no início de Go to Hell? E qual das duas veio antes? Aliás, da onde surgiu tal oração?

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  2. diogobizotto

    É uma oração infantil bem comum na língua inglesa e vem de vários séculos atrás, Mairon. Tanto "Enter Sandman" quanto "Go to Hell" foram lançadas originalmente em 1991, e não acho que tenha havido algum tipo de cópia da ideia, resposta ou algo do tipo.

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