Cinco Discos Para Conhecer: Tommy Lee

17 de agosto, 2012 | por Pablo Ribeiro
Cinco Discos Para Conhecer
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Por Pablo Ribeiro
Tommy Lee, cujo nome completo é Thomas Lee Bass, nasceu na capital grega de Atenas no terceiro dia de outubro de 1962. Filho de um oficial do Exército Americano e uma Miss grega. Os Lee se mudaram para a Califórnia quando Thomas tinha um ano de idade. Aos quatro, ganhou seu primeiro tambor. Na adolescência, recebeu de presente seu primeiro kit completo de bateria, já que demonstrava bastante jeito pra coisa. Fã de Peter Criss (Kiss), Tommy decidiu seguir a carreira profissional de baterista – função que sua irmã, Athena Michelle Bass, viria a seguir também. A garota, aliás, é casada com outro baterista, James Kottak, da banda alemã Scorpions – atraindo certa atenção com o grupo Suite 19, ainda no final da década de 70. Foi com o Mötley Crüe, entretanto, que Tommy Lee alcançou o estrelato e fortuna. 
Tommy e a gostosíssima Pamela Anderson
Gravando e excursionando com o grupo desde 1981, Tommy tornou-se uma das maiores celebridades do Rock And Roll, aproveitando tudo – tudo MESMO – que essa condição lhe proporcionava. Se entupiu de drogas, causou mais confusão do que qualquer outro músico do universo, se envolveu em brigas homéricas (incluindo aí seu companheiros de banda) e casou com as modelos mais desejadas dos EUA. Foi exatamente por causa dos quesitos “modelos e confusões” que Tommy Lee estourou nos meios de comunicação além-musica. 
Em seu casamento com a “Bombshell” Pamela Anderson, estrela do seriado S.O.S. Malibu, o músico conseguiu a façanha dupla de tornar-se, juntamente com a esposa, ator pornô (em um episódio mal contado pra cacete) e bandido agressor da própria mulher (outra situação que quanto mais explicação o grego dá, mais se enrola). Apesar de todo o circo envolvendo o cara (como se ele não gostasse), Tommy Lee sempre se mostrou um músico em franco desenvolvimento e aprimoramento. Um baterista acima da média contribuindo, no decorrer de sua carreira, com artistas como Rob Zombie, Nine Inch Nails, Richard Marx, Stuart Hamm, Fuel, entre outros. Ainda atua como artista solo e integrante do Methods Of Mayhem. Abaixo, uma breve passada por alguns trabalhos do grego, dando uma ideia bem básica da produção do cara: 

 Mötley Crüe – Mötley Crüe [1994] 

No começo de 1992, enquanto trabalhavam no material que resultaria em seu 6º álbum de estúdio, os membros do Mötley Crüe entraram em “litígio” com Vince Neil, levando esse a cair fora (ou ser sumariamente despedido). Para o posto de vocalista, o grupo (leia-se Nikki Sixx) contratou o ex vocalista do Scream, John Corabi. Com um timbre e aproach vocal bem diferente de Neil, Corabi se encaixou muito bem na nova sonoridade da banda. Mötley Crüe, lançado em 1994, é mais direto, coeso e até mais cru que os lançamentos anteriores. Conta com timbres de guitarra mais graves, baixo mais na cara (característica que já vinha sendo adotada desde Dr. Feelgood). Mas o que está mais na cara, mesmo, é a bateria de Lee. A introdução de “Power To The Music” deixa evidente que os novos ares com a saída de Neil (assumido desafeto de Tommy Lee) revigoraram o tesão do cara pelo Crüe. O rapaz desce o braço nos tambores durante todo o álbum, sendo um indiscutível destaque da bolacha. Desse disco saíram singles de “Hooligan’s Holiday” e “Misunderstood“. Além do álbum em si, foi lançado, para venda via correio, o EP Quaternary com cinco canções gravadas nas mesmas sessões do disco auto-intitulado. Apenas uma delas é executada pela banda inteira. As outras quatro são canções solo correspondente à cada um dos integrantes do Crüe. Lee compôs (e tocou todos os instrumentos) “Planet Boom”. Um Hard Rock/Rap que deixava claro os gostos do baterista e dava pistas bem claras do rumo musical que esse viria a adotar em seguida. Depois da turnê de divulgação de Mötley Crüe, o chefão Nikki Sixx mandaria John Corabi às favas entregando os microfones novamente à Vince Neil, o que desagradaria Tommy Lee.
John Corabi (vocais, violões, guitarras), Mick Mars (guitarras, Sitar, mandolim, backing vocals), Nikki Sixx (baixo, piano, backing vocals) e Tommy Lee (bateria, percussão, piano e backing vocals).
Músico Convidado:
Glenn Hughes em 4 
1. Power to the Music
2. Uncle Jack
3. Hooligan’s Holiday
4. Misunderstood
5. Loveshine
6. Poison Apples
7. Hammered
8. Til Death Do Us Part
9. Welcome to the Numb
10. Smoke the Sky
11. Droppin’ Like Flies
12. Driftaway
Methods Of Mayhem – Methods Of Mayhem [1999] 
Após a turnê de divulgação do polêmico Generation Swine, Tommy Lee, de saco cheio de Neil (ambos chegaram a sair no braço algumas vezes), e impelido pela vontade de explorar outras influências, manda tudo pro inferno e lança o primeiro disco de seu projeto “Methods Of Mayhem”. Contando com participações de Kid Rock, Fred Durst (Limp Bizkit), Mix Master Mike (Beastie Boys) e a lenda George Clinton (Pairlament e Funkadelic), o disco tem uma forte sonoridade Heavy/Rap. Evidentemente desagradou os xiitas de plantão e os fãs “cabecinhas fechadas” do músico. Não se trata de um disco do Mötley Crüe. E como projeto solo, acerta em cheio no que pretendia: uma mescla de Rap e Rock Hard/Heavy bem executado e composto, deixando extremamente clara essa veia e influência do baterista (que aqui também toca guitarra e canta). Um disco bem interessante não só para quem curte o estilo. Destaque absoluto para “Get Naked” que tira uma onda bem humorada com o episódio Sex Tape de Tommy e Pamela Anderson que rendeu, inclusive, um videoclipe irônico bem humorado. No ano seguinte, o Mötley Crüe lançaria New Tattoo. Único álbum – até agora – sem a participação de Tommy Lee nas baquetas. Substituído pelo falecido Randy Catillo (Ozzy Osbourne, Lita Ford) no disco e por Samantha Maloney (Hole) na turnê de divulgação… O grego fez falta em ambos! 

Tommy Lee (vocais, guitarra, bateria, percussão), TiLo (vocais), Kai Marcus (guitarras), Phil X (guitarras), Danny Lohner (guitarras), Ken Andrews (guitarras), Scott Phaff (guitarras), Randy Jackson (baixo), Chris Chaney (baixo) e Audrey Wiechman (baixo)

Convidados Especiais
Snoop Dogg (vocais em 1)
Fred Durst, Lil’ Kim, Geoger Clinton e Mix Master Mike (vocais em 4)
Kid Rock (vocais em 5)

F.I.L.T.H.E.E. Immigrants (vocais em 6)
U-God (vocais em 10)
Scott Kirkland (teclados em 9 e 11)

1. Who the Hell Cares
2. Hypocritical
3. Anger Management
4. Get Naked
5. New Skin

6. Proposition Fuck You

7. Crash
8. Metamorphosis
9. Narcotic
11. Spun

Tommy Lee – Never A Dull Moment [2002] 
Três anos após Methods Of Mayhem, Tommy Lee lança seu primeiro disco “solo” propriamente dito. Never A Dull Moment traz alguns resquícios do Rap do disco anterior, mas em um grau bem menor. Servindo mais como influência em algumas passagens do que um elemento ativo do disco. Essa nova empreitada de Lee ainda conta com toques industrial e tem sua sonoridade calcada na famigerada “música alternativa” americana (característica que acompanha Tommy desde o supracitado disco “Mötley Crüe”), o que fica claro no single / videoclipe de “Hold Me Down“. Tommy segura bem a onda, se saindo bem no que se propõe. Destaque para as participações especiais de Chino Moreno (Deftones) e Brandon Boyd (Incubus), dois expoentes do estilo adotado por Lee no álbum. Never A Dull Moment ainda conta com uma curiosa (não disse “boa”) versão de “Fame” de David Bowie, intitulada “Fame 2“. Novamente, apenas para os não radicais. O disco representa bem o que o músico pretendia: Rock Alternativo com um pouco de Rap e uma certa “sujeira” de Rock Indutrial. 
Tommy Lee (guitarras, vocais, bateria)
Músicos convidados
Chino Moreno (vocais em 4)
Brandon Boyd (vocais em 6)
2. Hold Me Down
3. Body Architects
4. Ashamed
5. Fame 02
6. Blue
7. Sunday
8. Why Is It
9. Face to Face
10. Higher
11. People So Strange
12. Mr. Shitty
Tommy Lee – Tommyland: The Ride [2005] 
Com os problemas (lei, drogas, Pamela, Mötley Crüe…) ficando mais raros e em maiores intervalos, Tommy retorna com outro álbum solo, Tommyland: The Ride. Com uma sonoridade um pouco mais “fácil”, mas ao mesmo tempo com canções bem compostas, o álbum agrada exatamente por não ser pretensioso, refletindo o estado de espírito de Tommy à época. Músicas como “Good Times” (que ganhou um vídeo que mostra um pouco da vida “difícil” do grego) e “Hello Again” (essa em duas versões, incluindo uma dispensável rendição acústica) são muito bacanas e bem feitas, assim como o resto do disco. O CD segue na mesma linha, mostrando um Tommy criativo e mais leve em relação à própria vida. 
Tommy Lee (bateria, vocais), Scott Humphrey (guitarras, teclados), Andrew McMahon (piano, vocais), Phil X (guitarras, vocais), Deryck Whibley (guitarras), Dave Navarro (guitarras), Nick Lashley (guitarras), Carl Bell (guitarras), Bobby Raw Anderson (guitarras), Chad Kroeger (guitarras), Tim Dawson (guitarras), Chris Chaney (baixo), Patrick Warren (teclados), Carla Kihlstedt (violino), Matt Sorum (vocais), Joel Madden (vocais), Butch Walker (vocais), Will Campagna (guitarras), Tommy Mac (baixo) e Chris Crippin (bateria)

1. Good Times
2. Hello, Again
3. Tryin to Be Me
4. Sister Mary
5. The Butler
6. Tired
7. I Need You
8. Make Believe
9. Makin Me Crazy
10. Watch You Lose
11. Say Goodbye

Rock Star Supernova – Rock Star Super Nova [2006] 
Projeto de um único disco, o Rock Star Supernova foi uma banda montada para dar suporte à “nova estrela do rock”, escolhido pelo programa de mesmo nome (um desses milhões de “reality shows que viraram moda). Formada pelo guitarrista Gilby Clarke (ex – Guns ‘n’ Roses), Jason Newsted (ex-Metallica) no baixo e, evidentemente, Tommy Lee nas baquetas, a banda gravaria um disco com o escolhido – por votação via internet – para os vocais. O vencedor foi Lukas Rossi que, como é bem comum nesse tipo de expediente, passou longe de ser o mais talentoso e/ou bacana dentre os concorrentes. Entretanto, em relação à performance da banda em si (foco, aqui) os caras se saem bem, utilizando o que aprenderam em seus vários anos como músicos profissionais. Lee está bem confortável no posto de batera. O que seria – a principio – um fator negativo (não há um estilo que defina a sonoridade do grupo), acaba sendo abonatória para Tommy que caminha por todo o álbum com bastante desenvoltura. Repito: Rock Star Supernova é um álbum menor, sem muita relevância para o cenário musical em geral –  principalmente do rock – mas é uma audição bem interessante para quem pretende conhecer um pouco melhor o Tommy Lee. 
Gilby Clarke (guitarras), Jason Newsted (baixo), Tommy Lee (bateria) e Lukas Rossi (vocais)
1. It’s On
2. Leave the Lights On
3. Be Yourself (and 5 Other Cliches)
4. It’s All Love
5. Can’t Bring Myself to Light This Fuse
6. Underdog
7. Make No Mistake … This Is the Take
8. Headspin
9. Valentine
10. Social Disgrace
11. The Dead Parade

Tommy ainda retornaria ao Crüe, dessa vez voltando para ficar (pelo menos até se meter novamente em alguma confusão pessoal ou sair no braço com Vince Neil). Juntos, lançaram o bom Saints Of Los Angeles (2008) e saíram em turnê logo em seguida. Em 2010, botou na roda A Public Disservice Announcement do Methods Of Mayhem – banda que mantem ativa paralelamente ao Mötley e que almeja lançar seu novo álbum em breve. Além da seara musical, Tommy de vez enquando ainda se mete em uma ou outra confusão entre uma discotecagem e outra (sim, o alvo do cara agora é dar uma de DJ) e relacionamentos com superestrelas / atrizes / cantoras / modelos / etc. Mas convenhamos: em se tratando do Sr. Thomas Lee Bass e levando em consideração o histórico de seus últimos trinta anos, seria de se estranhar se fosse diferente!



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