Discografias Comentadas: Jefferson Airplane

29 de julho, 2012 | por Mairon
Discografias Comentadas
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Jorma Kaukonen, Jack Casady, Grace Slick, Spencer Dryden, Paul Kantner e Martin Balin

Por Mairon Machado

Imagine uma banda que tenha tido a honra de ser o headliner de grupos como The Doors, Grateful Dead, Big Brother & The Holding Company, Jimi Hendrix Experience, The Who, Santana, Creedence Clearwater Revival, The Animals, entre outros. Além disso, essa mesma banda inspirou o The Beatles a fazer um dos shows mais aclamados e citados da história.

Essa banda existiu! E além dos Beatles terem pago pau para a mesma, todos os grupos citados abriram, entre 1967 e 1968, shows para a tal, venerando a mesma como um Deus maior da música. O nome: Jefferson Airplane, a maior banda de rock que os Estados Unidos pariu!!!

Liderados por Paul Kantner (guitarra, vocais) e Marty Balin (guitarra, vocais), o grupo destacou-se com uma mistura especial de folk rock e psicodelia, apresentando ao mundo o genial guitarrista Jorma Kaukonen, assim como aquela que era considerada a maior rival de Janis Joplin, a bela vocalista Grace Slick. Porém, o enorme sucesso do ano de 1967 (onde atingiram o ápice de sua carreira) durou dois anos, caindo em um ostracismo pós-Woodstock, onde também foram uma das principais atrações.

O grupo seguiu por mais alguns anos pós-Woodstock, com poucas mudanças na sua formação. Depois, transformou-se em Jefferson Starship, já nos anos 70. Na Discografia Comentada de hoje, vamos tratar apenas dos sete álbuns de estúdio lançados pelo Jefferson Airplane durante sua curta carreira entre 1965 e 1973, além do único disco lançado no retorno de 1989. Boa viagem!


Takes Off [1966]

Apesar do super reconhecimento do Jefferson Airplane tendo Grace Slick nos vocais, o primeiro (e desconhecido) álbum do grupo não traz a musa do grupo ao microfone. A formação é muito diferente da consagrada no ano seguinte. Além de Kauntner (principal vocalista no LP) e Balin, estavam Jorma Kaukonen (guitarras), Jack Casady (baixo), Skip Spencer (bateria) e a jovem Signe Anderson (vocais).

O álbum é uma tímida e sensacional estreia de um grupo ainda em formação, mas com um futuro promissor. É repleto de canções curtas e interessantes arranjos vocais, como “Blues from an Airplane”, “Bringing Me Down”, “It’s No Secret” (talvez a mais próxima das canções que marcariam a geração flower-power meses depois) e as baladas “Come Up the Years” e “And I Like It”, onde o trio Kauntner, Balin e Anderson canta como nunca. “Let Me In“, “Run Around” e “Don’t Slip Away” são introduções para a lisérgica guitarra de Kaukonen, destacando também a segurança de Skip Spence atrás dos bumbos.

Destaque principal para as versões de “Tobacco Road” e “Let’s Get Together”, além de “Chauffeur Blues“, única canção oficial a trazer a voz de Anderson como destaque. Apesar de nunca terem saído da Bay Area até aquele momento, o Jefferson Airplane conquistou um mercado inimaginável. Takes Off ganhou disco de ouro. A prensagem inicial de 15 mil cópias feita pela RCA esgotou-se rapidamente. Somente em San Francisco, o disco vendeu mais de 10 mil cópias. A RCA foi obrigada a relançar Takes Off. Nessa segunda versão, mudando a letra de algumas canções (“Let Me In” e “Run Around”) por conterem palavras ofensivas. Encontrar a versão original de Takes Off é tão complicada quanto encontrar uma agulha no palheiro. Se achar, custará alguns milhares de dólares. Spence largou as baquetas e foi assumir a guitarra base do Moby Grape, sendo substituído por Spencer Dryden. Anderson decidiu cuidar de seu filho logo após o lançamento de Takes Off, dando espaço para Grace Slick. Surgia assim, a principal formação do Airplane.



Surrealistic Pillow [1967]

A estreia da nova formação contou com a importante colaboração do líder do Grateful Dead, Jerry Garcia e tornou-se o álbum mais aclamado do Jefferson Airplane. Com um custo de 8000 dólares, em apenas treze dias gravam Surrealistic Pillow.

O primeiro disco do grupo lançado fora dos Estados Unidos. Pouco do que foi apresentado em Takes Off está presente e pode ser conferido nas faixas “She Has Funny Cars”, “D.C.B.A.–25” e “Plastic Fantastic Lover”. Além do último suspiro de Skip Spence no grupo, apesar de ele não tocar na mesma, que é “My Best Friend”: um country rock simples na linha do que o Moby Grape fez posterioremente no excelente 20 Granite Creeck.

A entrada de Slick trouxe duas canções de sua ex-banda, o The Great society, que tornaram-se os maiores clássicos do LP: “Somebody To Love” e “White Rabbit“. A primeira tem a bateria de Dryden comandando uma locomotiva sonora e um dos refrões mais grudentos da geração hippie. Kaukonen grava seu nome cada vez mais como um dos maiores guitarristas de sua geração, inspirando aqui nomes como James Gurley e John Cippolina. Já a segunda, possui uma interpretação simplesmente fodástica de Slick. Os que não se ajoelham perante a potência chocante de “White Rabbit” é por que são surdos ou mal da cabeça.

O crescendo da canção com seu ritmo marcial, falando sobre as iniciações ao vício do LSD que levam o iniciado a mergulhar no mundo de Alice no País das Maravilhas, é tão sobrenatural quanto a letra de Slick. Não tem como não ficar louco com esses dois minutos e trinta e dois segundos de um grandioso clássico. O ritmo locomotiva está presente também em “3/5 of a Mile in 10 Seconds”. O que mais me chama a atenção em Surrealistic Pillow, entretanto, são as baladas.

“Today”, “Comin’ Back To Me” (construída por Balin logo após ele fumar aquele que ele chamou de “O Maior baseado da História“) e “How Do You Feel” possuem a mão certeira de Garcia com um impecável arranjo de violões e flautas doces inovadoras. Falando em violões, é impossível não destacar a beleza instrumental de “Embryonic Journey“. Uma lisérgica apresentação de violões feita por Kaukonen, influenciando Jimmy Page, Eric Clapton, Pete Townshed e outros.

O LP entrou na lista dos 200 mais vendidos da Billboard no dia 25 de março de 1967, e lá, permaneceu por um ano conquistando a posição máxima de terceiro lugar e vendendo mais de um milhão de cópias. A versão original inglesa acabou sendo lançada como uma mescla dos dois primeiros álbuns e, o que é mais interessante, sem seu maior sucesso (“White Rabbit”). A partir daqui, a aeronave atingia o ápice de seu vôo e também começava a freiar o processo e composições relativas ao amor.


After Bathing at Baxter’s [1967]

Mesmo tendo descoberto a fórmula do sucesso, o Jefferson Airplane não se conteve em pendurar as pantufas e seguir repetindo mais do mesmo. Pelo contrário, o grupo trancou-se durante quatro meses dentro dos estúdios da RCA e de lá saiu com um conturbado, complexo e renegado LP que hoje começa a ser visto (e ouvido) com outros olhos. Carregados de alucinógenos, o sexteto resolveu fazer uma compilação de canções que criam mini-suítes, as quais formam a espinha dorsal do LP.

São cinco mini-suítes, cada uma com suas divisões. Em uma primeira audição, assustam pela discrepância em relação ao que o Jefferson Airplane já havia feito antes. Pegando então por suítes (e não por suas divisões), “Streetmasse” é dividida em três partes: “The Ballad of You and Me and Pooneil“, uma embalada faixa em homenagem ao Ursinho Poof, destacando o solo de baixo de Casady, carregado de distorção e a participação primeira do piano de Slick.

A viajante “A Small Package of Value Will Come to You, Shortly”, que homenageia os delírios musicais de Frank Zappa e “Young Girl Sunday Blues”, totalmente flower-power, com Balin e Kantner na linha de frente dos vocais e mais um fantástico solo de Kaukonen. “The War is Over” é a melhor das mini-suítes com “Martha” relembrando os momentos acústicos de Surrealistic Pillow e “Wild Tyme (H)“, na qual a guitarra pesada de Kaukonen em nada lembra os momentos iniciais do Jefferson Airplane. “Hymn to an Older Generation” é dividida em “The Last Wall of the Castle” – uma agitada peça musical escrita por Kaukonen.

Tem sua voz como destaque entre os alucinógenos solos da mesma, carregados de distorção e muita adrenalina – e a linda “Rejoyce”, composta por Slick ao piano com um sombrio acompanhamento percussivo. Assusta os ouvintes acostumados com as canções alegres do álbum de estreia, mas levando ao deleite os fãs de “White Rabbit”. Destaque para o bonito arranjo de metais feito por Dryden. Já “How Suite It Is” traz a clássica “Watch Her Ride” e a esquizofrênica “Spare Chaynge“, uma longa jam session instrumental ao vivo (que durou mais de vinte e quatro minutos quando foi gravada). Apenas com o trio Kaukonen, Dryden e Casady interpretando essa estranha peça instrumental.

Por fim, “Schizoforest Love Suite” abre com a balada “Two Heads” e termina com a dupla “Won’t You Try” / “Saturday Afternoon”. Fantástica do início ao fim, com os metais se fazendo presente novamente. Resgata os belos arranjos vocais de Surrealistic Pillow e a presença marcante do piano durante a virada de uma canção para outra. O disco alcançou a décima sétima posição na Billboard e mostrou cada vez mais o domínio de Slick e Kantner perante Balin. Este, tornava-se apenas mais um membro da aeronave, mal visto por suas composições simples e baladeiras. Era o começo das brigas e das longas experimentações ao vivo.


Crown of Creation [1968]

Fugindo dos padrões, entre brigas internas e após uma bem-sucedida turnê pela Europa e tendo o The Doors como banda de abertura, o sexteto muda novamente a sua forma de compôr. Voltam a privilegiar bastante o lado acústico e retornam suas canções com temas políticos. Dessa forma, nasce um disco irregular.

Não tão bom quanto seus antecessores, mas ainda assim essencial na discografia dos californianos. O lado A é bastante voltado para canções amenas, destacando a bela “Triad” – composta por David Crosby e com a participação do mesmo ao violão.

Na parte acústica, destacam-se “Lather” (na qual Slick interpreta com uma voz quase infantil, tendo a participação de Gary Blackman fazendo um solo de nariz), “In Time” (com viajantes passagens da guitarra de Kaukonen que solta sua voz em “Star Track”, essa sem tantos momentos acústicos), além de “Ice Cream Phoenix” (na qual Casady é o centro das atenções com suas linhas trovejantes do baixo, assim como o duelo de Slick com a guitarra de Kaukonen).

O lado flower-power aparece em “Share a Little Joke”, “If You Feel“, “Crown of Creation” e “Greasy Heart”. Interessantes, mas não tão animadoras faixas. O disco peca na inclusão da inexplicável “Chushingura”, uma desinspirada mistura de microfonias, vocalizações, batidas nas teclas do piano e muita percussão. Por outro lado, nos fornece a pesada e sensacional “The House at the Pooneil Corners” trazendo o riff gritante da guitarra e do órgão detonando peso tanto na parte instrumental quanto na maravilhosa linha vocal. Uma canção que muda constantemente em seus quase encantadores seis minutos de duração.

O álbum alcançou a sexta posição nas paradas da Billboard, mas os singles afundaram em vendas. Somente “Crown of Creation” conseguiu atingir a modesta sexagésima quarta posição nos Estados Unidos. Encerram o ano de 1968 com a notícia que Kaukonen e Casady estão criando um projeto paralelo, batizado de Hot Tuna. Para piorar, em janeiro de 1969 Slick é hospitalizada, apresentando um inchaço nas cordas vocais que levam a cantora para uma operação das mesmas. Em fevereiro lançam o primeiro ao vivo, Bless Its Pointed Little Head, gravado durante apresentações em ambos os Fillmore (East e West), dando um gás para a gravação de mais um álbum de estúdio.


Volunteers [1969]

Gravado pouco depois do Incidente Nova Iorque, onde foram presos por perturbar o ambiente durante uma apresentação no topo de um prédio (que inspirou o The Beatles meses depois a fazer seu show no topo do prédio da Apple Records), e no período pré e pós-Woodstock (onde o Jefferson Airplane encerrou a segunda noite já durante amanhã. Um show tão espetacular quanto foi o de Jimi Hendrix na manhã seguinte).

É nele que está registrado toda a rivalidade existente entre os três grupos formados internamente no Jefferson Airplane (um com Slick e Kantner. Outro somente com Balin. E o terceiro com Kaukonen, Dryden e Casady). Contando com a participação de diversos músicos convidados. Entre eles, o pianista Nicky Hopkins, que dá uma cara totalmente nova ao som do grupo.

Slick assume os teclados na pequena vinheta instrumental “Meadowlands”. As canções voltam-se totalmente para temas políticos e sociais como atestam a faixa-título, “Turn My Life Down” e “We Can Be Together”. Os countrys “The Farm” e “A Song for All Seasons” destoam da excelência do disco, enquanto “Good Shepherd” possui um riff acústico que lembra muito o riff de “The Magician’s Birthday” (Uriah Heep).

O resto de Volunteers é composto de pauladas memoráveis, emocionantes e longas (mais de seis minutos de duração). O grupo aperfeiçoa a fórmula “vocais + guitarra solando o tempo todo”. “Wooden Ships” (original de Crosby, Stills & Nash) é uma viagem sem usar drogas. Simples, suave, com a guitarra de Kaukonen sendo suportada pelo piano de Hopkins e os violões de Casady/Balin. “Eskimo Blue Day” é mais psicodélica com Kaukonen novamente sendo a atração principal, trazendo Slick na flauta.

Os nove minutos de “Hey Frederick” são alucinantes com solos rasgadíssimos de guitarra, inspiradores de “Free Bird” (Lynyrd Skynyrd), onde Kaukonen mais uma vez exibe toda sua técnica. Essas duas apresentam ótimas interpretações de Grace Slick. Mas nada, em toda a Discografia do Jefferson Airplane, se compara a “We Can Be Together“. A canção anti-discriminação mais revoltosa que qualquer canção punk já lançada!!!

A potência do riff de Kaukonen, o arranjo insano dos vocais, a virada que a canção dá, causam arrepios e levantam defuntos. É tida pela maioria dos fãs como a melhor canção gravada pelos americanos. Após o lançamento, as brigas fizeram com que Dryden e Balin saíssem do grupo, levando a uma interrupção nos trabalhos e uma grave crise que foi sanada pela coletânea The Worst of Jefferson Airplane (1970). O último álbum da formação clássica e o melhor disco do Jefferson Airplane!


Bark [1971]

Depois do possível término, voltam como um quinteto. Kaukonen Kauntner, Casady, Slick e o baterista Joey Covington, gravam Bark. Novamente vários convidados estão presentes, mas o espírito sessentista que caracterizou o grupo na década de 60 já havia acabado. As investidas vocais perdem sem a presença de Balin.

A fórmula “vocais + guitarra solando o tempo todo” continua, como podemos ouvir em “When the earth Moves Again”, “Rock and Roll Island” e na ótima “War Movie”. Slick encanta ao piano na delirante “Crazy Miranda“, resgatando os vocais de “White Rabbit”. Faz uma boa interpretação em “Law Man”, e canta em alemão    na psicodélica “Never Argue With A German If You’re Tired or European Song”, repleta de barulhos sonoros.

O embalo de “Feel So Good” e da instrumental “Wild Turkey” apresentam um Airplane mais bluesístico. Nesta última, temos um interessante duelo entre Kaukonen e o violino de Papa John Creach. Kaukonen dá show nos violões em “Third Week in the Chelsea”, apresentando um belo solo de harmônica feito por Will Scarlett. A maior atração fica para “Pretty as You Feel“, uma linda balada com a participação de Carlos Santana nas guitarras duelando com Kaukonen em uma sensacional e viajante canção. Encerra-se com “Thunk”, uma fantástica peça a capela com um dos melhores arranjos vocais que um grupo já gravou. Um disco mediano, levando a aeronave para sua aterrisagem final.


Long John Silver [1972]

Sem um baterista fixo e depois de muita discussão, o grupo entra em estúdio para gravar seu derradeiro álbum. A formação é a mesma de Bark, incluindo oficialmente Papa John Creach nos violinos. Três bateristas participaram de forma independente do álbum: Sammy Piazza, Joey Covington e John Barbata.

O último tendo gravado a maioria das canções. É um disco melhor que Bark, mas não um clássico. O álbum traz uma divisão interessante nas composições, o que o torna bastante eclético. A faixa-título é uma das melhores do LP com uma pegada sessentista, composta por Casady.

Papa também aparece com uma canção – a quebrada “Milk Train” – e faz misérias no violino com acordes furiosos que comadam a pegada hardeira dessa ótima canção. “Aerie (Gang of Eagles)” e “Easter?” são composições de Slick. A primeira, uma interessante balada onde predominam os solos alucinantes de Kaukonen e uma magistral interpretação ao piano da cantora.

A segunda, que parece uma irmã gêmea da primeira, conta com vocais mais chorosos. As canções de Kaukonen – “Trial by Fire” e “Eat Startch Mom” – são distintas entre si. O guitarrista comanda os vocais, violões e guitarras na primeira, uma típica canção flower power. Slick solta a voz na violência sonora da segunda, uma paulada hard para saudosista nenhum botar defeito. “Twilight Double Leader” e a polêmica “The Son of Jesus” são composições de Kantner e seguem fielmente a fórmula
“vocais + guitarra solando o tempo todo”.

O único porém vai para a terceira composição de Kantner, “Alexander the Medium”. Uma balada pouco inspirada que não conseguiu encaixar no que o álbum apresenta, apesar de não ser desprezível. Atenção para a capa original do LP, a qual transforma-se em uma caixa de charutos “especiais” carregando o nome da banda. A turnê de promoção de Long John Silver – contando com a participação de David Freiberg nos vocais – foi registrada em Thirty Seconds Over Winterland (1973), que encerrou a primeira fase do Airplane. Depois, mudaram seu nome para Starship – sem Kaukonen e Casady que preferiram continuar com o Hot Tuna – e seguiram uma carreira cheia de altos e baixos.


Jefferson Airplane [1989]

Quando ninguém esperava, eis que Balin, Slick, Kantner, Kaukonen e Casady voltam a tocar juntos, depois de quase vinte anos separados. Trazendo vários convidados, Jefferson Airplane representa bem o que era o som mundial na virada dos anos 80 para os 90, com uma participação destacada de piano e sintetizadores.

O início com “Planes” anima o ouvinte. Principalmente pelo piano de Nicky Hopkins, que também participa na linda balada bluesy/flamenca “Freedom“. “Common Market Madrigal” é aceitável, apesar do excesso de sintetizadores. “Solidarity” apresenta uma sonoridade oitentista que não agradam ao fã mais xiita, mas destaca-se no arranjo vocal. Assim como em “Madeleine Street”, cuja levada da bateria não me agrada.

Outras difíceis de ouvir são a balada “Summer of Love” (melosa demais para um apreciador da banda), “True Love”  (composição de Steve Porcaro que ficaria melhor se gravada pelo Toto) e “Now Is The Time” (trazendo uma letra de revolução que não serve mais para o ano em que o álbum foi lançado). Os fãs de AOR  podem colocar o LP direto em “Ice Age”.  “The Wheel” é a mais apreciável do LP, com um estilo bem similar ao de “Planes” e uma letra genial.

Outro destaque é a pequena instrumental “Upfront Blues“. Uma aula de Kaukonen, dessa vez tocando um blues empolgante. “Too Many Years” e “Panda” complementam o álbum sem adicionar muito na discografia do grupo. Apesar de ter feito relativo sucesso, não garantiu o retorno definitivo do Jefferson Airplane, se tornando o último disco de inéditas. É também o mais fraco da carreira!

Airplane em Woodstock

A coletânea The Worst of Jefferson Airplane foi lançada em 1970 como um tapa-buracos da primeira separação. Outra coletânea, essa trazendo muito material raro e não-lançado oficialmente, é Early Flight, lançada em 1974. Vários são os lançamentos oficiais ao vivo e coletâneas. Os melhores são Live at Monterey Pop Festival, Live at Fillmore East, Woodstock Experience e a caixa Loves You (repleta de canções inéditas).



3 Comentarios

  1. Marco Gaspari disse:

    Mais um excelente texto do Mairon. Jefferson Airplane é uma das minhas bandas do coração. Mas tem uma coisa que me incomodou: essa mania de tentar enfiar goela abaixo do leitor certas verdades que só são verdades na cabeça de quem escreveu o texto. Afirmar dessa forma tão contundente que o JÁ foi a maior banda da história do rock americano é coisa de fã. Sou apaixonado pelos seus discos. Kaukonen e Casady foram o Butch Cassidy e Sundance Kid da costa oeste. Grace Slick brindou sonhos eróticos a toda uma geração. Paul Kantner tem uma alma política que mereceria meu voto e Marty Balin, bom, esse mereceu os cascudos que levou do Hells Angels em Altamont. Sempre foi meio chatinho. Faltou o baterista, mas meu estoque de metáforas tem limites. Ora, apesar de seus grandes discos, de seus hinos ao ativismo anti-Vietnã que caracterizou o rock americano da época, eles não foram tão inspiradores quanto um Forever Changes, do Love, ou um Pet Sounds, do Beach Boys. Não foram tão influentes quanto Velvet Underground ou Doors. Ou mesmo tão massificantes quanto o Creedence Clearwater Revival. Mesmo seus devaneios lisérgicos ou sua contundência ativista tiveram um rival à altura: Country Joe and the Fish. E que história é essa de que os Beatles (banda que o Mairon não gosta) pagou pau ao JA? Só porque o JA precedeu os Beatles ao tocar no telhado de um prédio? Pô, essa apresentação nem foi idéia da banda. Foi idéia do Jean-Luc Godard como parte de um documentário que ele queria filmar sobre o JA e que acabou sendo filmado pelo Pennebaker. Então os Beatles pagaram pau (dentro do raciocínio do Mairon) ao Godard, certo? De toda forma, eles foram, sim, um dos maiores grupos de rock dos anos 60 em todo o mundo. E conhecer suas músicas não é apenas um prazer, mas obrigação.

  2. micaelmachado disse:

    Como que faz para curtir esse comentário do Marco aí de cima? Genial!

    Conheço pouco de JA, apenas o Surrealistic Pillow e o Volunteers, além do show em Woddstock que saiu em CD esses tempos. Gosto da banda ("White Rabbit" é um clássico com todos os direitos que um clássico deve ter, e "Somebody to Love" é a única cover que os Ramones gravaram sem conseguir melhorar o original), a Grace Slick era uma gata na época, mas não está entre as melhores coisas que já ouvi. Mesmo assim, obrigatório para quem curte a sonoridade da costa oeste dos EUA, Frisco em primeiro lugar!

  3. Valeu Marco e Micael, e concordo contigo quanto a relevancia do Doors, Beach Boys, CCR e Love, mas olha, depois de tudo que li, e das informações que tive de amigos que moram e moraram nos EUA, tenho certeza que o JA é a maior banda americana da historia. E quanto aos Beatles, bem, se não fosse o JA a se prestar para fazer o tal show, nao teriamos tido a apresentação em Abbey Road, e tenho dito, hehehe. Abraços

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